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sexta-feira, 11 de junho de 2021

POR QUE O INTERCEPT DECIDIU QUE LEANDRO DEMORI NÃO VAI SE SUBMETER AO DEPOIMENTO POLICIAL CONTRA NOSSO JORNALISMO


Apesar dos esforços de alguns, ainda vivemos em uma democracia. E nossa Constituição garante a liberdade de imprensa e protege o sigilo de fonte.



A POLÍCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO é a que mais mata no Brasil e uma das mais letais do mundo. Nos últimos anos, a brutalidade aumentou de modo aterrorizante, seguindo os pesados ventos da extrema direita no país. Esse é o fato público a ser investigado. É preciso parar a máquina da morte que a Coalizão Negra por Direitos acertadamente classifica como genocídio negro.

A Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro, no entanto, acredita que o problema se resolve de outra maneira: investigando os jornalistas que denunciam a matança.

João Pedro Mattos tinha 14 anos quando foi assassinado, em maio do ano passado, durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais, a Core. Policiais atiraram em uma área residencial de dentro de um helicóptero, ação extrema e ineficaz, que já havia sido proibida, em 2018, pela Secretaria de Segurança.

Quando pousaram a aeronave, os policiais crivaram de tiros uma casa. O imóvel estava cheio de crianças, que brincavam – os policiais mentiram sobre os disparos em um primeiro depoimento, negando a autoria. As crianças gritaram de terror. Baleado, João Pedro foi carregado nos braços por outro adolescente e levado até o helicóptero da polícia, onde embarcou. O menino, negro, sumiu.

A família rodou todos os hospitais da região atrás do filho, descobrindo somente no dia seguinte que peritos do IML os aguardavam para o reconhecimento de corpo. João Pedro estava morto. Denise Roz, tia, disse: “Meu sobrinho era um menino negro. Não é porque é negro que ele é bandido. Meu sobrinho não vai passar por bandido pra ninguém, pra corrigir erro de policial nenhum.” O inquérito que realmente importa, aquele que deveria revelar os assassinos, segue sem conclusão.

Não é o único caso de morticínio em favelas envolvendo a Core. Como Demori escreveu no artigo, apurado com fontes e que incomodou a Delegacia de Repressão de Crimes de Informática, que o investiga por calúnia contra a Core, “a história cresce quando juntamos outros fatos [para além da chacina do Jacarezinho, com 18 mortos]: a “facção” [da Core] está envolvida no caso João Pedro (menino de 14 anos, morto durante uma operação), na chacina do Salgueiro (oito mortos) e no caso do helicóptero da Maré (oito mortos). São 41 homicídios somente nesses casos. Quantos mais?”

E cobra providências, papel vital do jornalismo em todo o mundo: “É preciso que se investiguem as circunstâncias e os responsáveis dessas operações assassinas.”

O estado policial que vem erodindo a democracia no Brasil não parece interessado em investigar policiais. Em vez disso, prefere perseguir jornalistas. Ameaças como essa não nos intimidam. Apesar dos esforços de alguns, ainda vivemos em uma democracia. E nossa Constituição garante a liberdade de imprensa e protege o sigilo de fonte. Continuaremos a fazer nosso jornalismo independente e corajoso, sempre buscando revelar o que aqueles que detêm o poder preferem esconder. Há quem não goste.

Fonte: The Intercept Brasil


Cenrecomo

JN, Globo, 08/06/2021. A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um inquérito para investigar um jornalista do site Intercept Brasil, autor de reportagem sobre a atuação de policiais na operação na favela do Jacarezinho.

Assista ao VÍDEO



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sábado, 14 de novembro de 2020

Matança de maritacas, pombos e micos revolta moradores do Luxemburgo, em BH


Foto meramente ilustrativa (foto: Unsplash/Banco de Imagens/Angel Santos)

 Moradores do bairro têm testemunhado diariamente a morte de pássaros e outros animais; muitos deles por tiros de chumbinho

Moradores do Bairro Luxemburgo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, estão horrorizados com a matança de animais que vem acontecendo nos últimos três meses. Residente na região há 30 anos, a administradora Eliane Porto Grimaldi de Castro, de 64, relata ter encontrado mortos diferentes espécies de pássaros, pombas, maritacas e até micos. Os bichos são frequentemente atingidos por tiros de espingarda de chumbinho, e, conforme muita gente testemunhou, os responsáveis pela crueldade são adultos.

"Moro em uma casa cheia de árvores e muitas vezes os animais caem no meu quintal mortos ou feridos. Quando estão feridos, não conseguimos tratar, alimentar e, como nem sabemos para onde levar ou como agir, eles acabam morrendo também. Como em uma ocasião quando apareceu uma maritaca, muito nervosa, e não conseguimos nem pegar para ajudar. A vi agonizando", diz Eliane.


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Conversando com colegas que trabalham no Belvedere, a empregada doméstica de Eliane conta que por lá está acontecendo a mesma coisa. A moça já presenciou diversas vezes os autores do que Eliane chama de chacina. "Ela disse 'estou vendo o que vocês estão fazendo', ao que responderam, 'matamos mesmo, odiamos passarinhos'".

A dificuldade em denunciar em muito se dá pela não identificação dos responsáveis pelos maus-tratos. A administradora diz até que um deles é um policial. Uma tentativa considerada seria recorrer às igrejas para começar uma campanha. "Pensei em espalhar cartazes pelas ruas. Estamos procurando agora a mídia para ver se conseguimos sensibilizar as pessoas sobre a situação", diz Eliane.

Uma fêmea de mico também foi vista carregando seu filhote morto, no que parece ser um caso de envenenamento. E, das maritacas que costumavam aparecer aos bandos no quintal de Eliane, sempre pela manhã e no fim da tarde, quase não sobrou nenhuma.

"Os moradores simplesmente vêem os animais mortos e jogam no lixo. Não tem explicação. Acho que as pessoas enlouqueceram com a pandemia. Os bichos não têm culpa da COVID. É de cortar o coração."

Fonte: Estado de Minas

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