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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Vorcaro tratou pagamento a filme de Bolsonaro como prioridade após cobrança de Flávio


Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder em Brasília


Intercept Brasil

 

Cartas Marcadas: Parte 40


A pressão para liberar recursos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse” por parte do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, teve efeitos concretos na estrutura comandada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept Brasil mostram que, em janeiro de 2025, Vorcaro passou a tratar os pagamentos ligados ao projeto cinematográfico como prioridade absoluta, mesmo em meio à necessidade de arcar com outros desembolsos milionários.

Naquele período, a execução dos pagamentos pessoais e empresariais de Vorcaro estava concentrada nas mãos do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e seu homem de confiança. Ele aparece em diversas conversas da série Vaza Flávio coordenando operações financeiras.

Em mensagens trocadas com Vorcaro, Zettel relata ter 55,5 milhões em pagamentos pendentes, entre despesas diversas – ele não especifica se o valor seria em reais ou dólares. Nenhum deles, porém, recebeu o mesmo tratamento dispensado ao filme de Bolsonaro. O material obtido pela reportagem indica que a mudança de prioridade nos desembolsos ligados ao banqueiro ocorreu logo após uma cobrança feita por Flávio Bolsonaro.

Em 20 de janeiro de 2025, data prevista para o primeiro aporte do cronograma financeiro revelado pela série Vaza Flávio, o empresário brasiliense Thiago Miranda — responsável por aproximar Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro nas negociações do projeto — enviou uma mensagem ao banqueiro: “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço.”




Miranda afirma ainda que já havia falado com Fabiano Zettel, escalado por Vorcaro para operacionalizar parte dos pagamentos, e encaminha ao banqueiro uma captura de tela de uma conversa com Flávio Bolsonaro. Na mensagem reproduzida, cuja data não é possível confirmar, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL pede que Miranda pressione o jurídico do investidor para destravar a operação.

“Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”, escreve. Flávio acrescenta: “Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só”. E encerra em tom informal: “Ela me perturbam e eu te perturbo aqui!! rs”. Pouco depois de receber a cobrança, Vorcaro responde a Miranda: “Vou atras aqui”.

Mensagens trocadas por Vorcaro nos dias seguintes sugerem que o banqueiro efetivamente passou a acompanhar pessoalmente a situação.

Em 21 de janeiro, Zettel volta a procurar o banqueiro pedindo orientação. “Me dá um norte?”. “Mesmo que seja ‘não faz porra nenhuma até eu voltar’…”, escreve Zettel. “Total = 55,5M”, informa. Em seguida, ele pergunta: “Manda quanto? Paga o que?”.



Horas depois, Vorcaro demonstra preocupação específica com o projeto cinematográfico. “O filme ta nesse negocio?”. Zettel diz que não e apresenta uma justificativa: “Porque o fluxo é gigante… 10 de 2.5 de dólares”.

A referência sugere um cronograma de pagamentos em dólares de grande porte, compatível com os documentos financeiros posteriormente obtidos pelo Intercept, que registram um planejamento de aportes de quase 24 milhões de dólares para o projeto cinematográfico – um total de R$ 134 milhões, conforme a cotação na época.

A preocupação de Vorcaro com o tema se intensifica nos dias seguintes. Pouco mais de uma semana depois, em 28 de janeiro de 2025, ele procura novamente Zettel para saber se o pagamento relacionado ao filme finalmente havia sido realizado. “Filme vc pagou?”. A resposta é negativa:  “Irmão, Não vem 1 real tem 3 semanas… kkkkkkk Paguei foi nada…”, diz Zettel.



Poucos minutos depois, Zettel informa que o projeto sequer aparecia entre as prioridades financeiras que estavam sendo processadas naquele momento. “E filme não está na lista de 55.5.”, diz. É nesse contexto que Vorcaro envia uma mensagem reveladora: “Esse e o mais importante disparado”. E completa: “Nao pode falhar mais”.

As conversas chamam a atenção pelo contexto vivido pelo próprio Banco Master naquele período. Documentos e investigações posteriores indicaram que o banco já enfrentava dificuldades relacionadas à liquidez, à captação de recursos e ao monitoramento regulatório desde o fim de 2024.

O Banco Central havia intensificado cobranças sobre capitalização e liquidez da instituição, enquanto o grupo buscava novas fontes de recursos. É nesse cenário que as mensagens revelam Vorcaro mobilizado para garantir que os aportes destinados ao filme não fossem interrompidos.

Nós entramos em contato com Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para obter posicionamentos sobre as informações apresentadas pela reportagem. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.


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Os documentos revelados anteriormente pelo Intercept ajudam a dimensionar o resultado prático dessa prioridade estabelecida por Vorcaro. Como revelou a série Vaza Flávio, até maio de 2025, pelo menos 10,6 milhões de dólares foram efetivamente recebidos pelo fundo Havengate, responsável pela produção do filme e sob controle de Paulo Calixto, advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo.

Agora, os diálogos ajudam a compreender os bastidores desses pagamentos. As conversas mostram que as transferências não eram tratadas como uma operação qualquer dentro do universo de compromissos financeiros de Vorcaro. 

Pelo contrário, mesmo diante de dezenas de milhões de reais em desembolsos pendentes e em meio às dificuldades enfrentadas pelo Banco Master naquele período, o banqueiro determinou que o filme da família Bolsonaro era, nas suas próprias palavras, “o mais importante disparado”.


Como sempre, a colaboração de fontes e leitores continua sendo fundamental. Se você possui documentos, mensagens, contratos, planilhas, gravações ou qualquer informação de interesse público relacionada a esta investigação — ou a qualquer outro tema relevante —, entre em contato com o Intercept por meio dos canais seguros de comunicação disponíveis em nossa página para fontes.


Mensagens inéditas reveladas pelo Intercept Brasil mostram que os pagamentos para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, eram prioridade para o banqueiro Daniel Vorcaro.

Quer entender melhor? Leia a reportagem completa da newsletter Cartas Marcadas no site do Intercept Brasil:



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Por:  Paulo Motoryn, Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Mauricio Moraes

Fonte: Intercept Brasil


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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Prefeitura de BH responde greve da educação com ameaça policial


Professoras e professores da rede municipal de Belo Horizonte seguem em greve há quase 40 dias, em defesa de melhores condições de trabalho e valorização profissional


Auditoria Cidadã da Dívida
 

No entanto, em vez de priorizar a abertura para o diálogo, a gestão municipal preferiu responder ao movimento com ameaças de desocupação e acionamento da Tropa de Choque da Polícia Militar, contra a mobilização.

Em assembleia realizada nesta terça (02/06), a categoria deliberou, por ampla maioria, pela continuidade da greve. Em seguida os trabalhadores organizaram uma caminhada até a sede da Secretaria de Planejamento, onde integrantes do Comando de Greve permanecem em vigília por tempo indeterminado.

Segundo o movimento, a prefeitura também tem adotado medidas de enfrentamento, como o corte de salários e a imposição de dificuldades para garantir a reposição das atividades escolares, prejudicando toda a comunidade escolar.

Os trabalhadores, entretanto, seguem na luta pela retomada das negociações.

A Auditoria Cidadã da Dívida manifesta solidariedade aos trabalhadores em educação de Belo Horizonte e ao Sind-REDE/BH, entidade parceira da ACD, reafirmando a importância do diálogo, da valorização da educação pública de qualidade e do respeito ao direito de organização e manifestação da categoria.

Lembrando que a ACD está à frente da Campanha Nacional por Direitos Sociais, à disposição para divulgar as mobilizações e demais ações da luta dos docentes de BH e de todo o Brasil.

Confira no link: https://auditoriacidada.org.br/campanha-nacional-por-direitos-sociais/


Veja o vídeo:





Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida


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quarta-feira, 27 de maio de 2026

O HOMEM DA GRANA: Eduardo Bolsonaro tinha poder sobre dinheiro do “Dark Horse”, revela contrato


Cobertura investigativa sobre as relações entre Flávio Bolsonaro, o clã Bolsonaro e aliados com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master


Intercept Brasil
 

Vaza Flávio: Parte 5


O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil

Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, no post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão no “Dark Horse”.

Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, à frente da produção-executiva, função com poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira de um projeto audiovisual.



Contrato cita que Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para a produção, na época intitulada “O Capitão do Povo”, e não “Dark Horse”

Segundo o documento, a produtora e os produtores-executivos agiriam em conjunto para dedicar-se a atividades de desenvolvimento do projeto, dentre elas “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

O contrato obtido pelo Intercept define uma ampla gama das funções que Eduardo teria na produção. Junto com os outros produtores, a empresa GoUp e o deputado federal Mario Frias, ele teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.


Contrato descreve atividades a serem executadas pela produtora e pelos produtores-executivos do filme.

Enviamos questionamentos para Eduardo Bolsonaro e para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto. A defesa do deputado Mario Frias informou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro disse que não iria se manifestar sobre o tema. A defesa de Jair Bolsonaro disse ao Intercept que ele não pode se manifestar porque está preso – e destacou que não tinha acesso ao ex-presidente porque as visitas dos advogados são restritas.

Uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro de 21 de março de 2025 destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção do filme.  

Miranda, que teve papel de intermediário entre Vorcaro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias em tratativas sobre o filme, encaminha para o banqueiro uma captura de tela de uma mensagem que Eduardo o enviou e diz: “Já estou fazendo o aditivo da troca da empresa e preciso de um direcionamento seu para seguir.”



Na mensagem de Eduardo a Miranda, o deputado federal cassado diz: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”



Em seguida, de acordo com a mensagem obtida pelo Intercept, Eduardo explica como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”. 

Embora não seja possível precisar a data que Eduardo enviou a mensagem a Miranda, o encaminhamento da captura de tela para Vorcaro indica que isso ocorreu em março de 2025 – mesmo mês em que Eduardo anunciou que ia se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.

Enviamos questionamentos para Miranda, que esclareceu que ele “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação, gestão financeira e estratégia de lançamento do filme Dark Horse” tendo limitado sua participação a “intermediar o contato entre pretenso investidor e os interessados no projeto”. Leia a resposta na íntegra

Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra ainda uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi, de fato, assinado.


Aditivo do contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar parcialmente a produção cinematográfica”.

Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato – datado de  novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp. 

A minuta que o designa como financiador da operação também contradiz sua fala de que ele teria apenas cedido “direitos de imagem”.


Contrato foi assinado digitalmente e, embora a data conste como 26 de novembro de 2023, a assinatura de Eduardo Bolsonaro foi formalizada no acordo em 30 de janeiro de 2024.

A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida que tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis. 

Em dezembro, revelamos como uma organização não-governamental na qual Karina é sócia, o Instituto Conhecer Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. 

Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para apurar se houve direcionamento de emendas parlamentares para projetos culturais, inclusive o filme Dark Horse. A TV Globo noticiou na quinta-feira, 14, que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mario Frias a prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil – o parlamentar e produtor-executivo do filme teria destinado R$ 2 milhões à ONG. 

Enviamos questionamentos para Karina Gama e para seu sócio, Michael Brian Davis, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.


Fundo de advogado de Eduardo recebeu dinheiro de Vorcaro


Na quarta-feira, 13, o Intercept revelou como o senador Flavio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, irmão de Eduardo, articulou apoio do banqueiro Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, segundo mensagens obtidas com exclusividade. 

Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção, dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.

A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Instagram, o deputado federal cassado negou ter recebido o dinheiro negociado para o filme. 

O material analisado pelo Intercept indica que ao menos parte dos valores negociados por Flávio junto a Vorcaro foi para um fundo controlado por aliados de Eduardo – incluindo Paulo Calixto, o advogado encarregado de seu processo imigratório nos EUA, conforme apuração da Agência Pública

Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que parte do dinheiro negociado com Vorcaro para o filme foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo.

Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto.

Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.

Os documentos desta segunda firma apontam Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.


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Em uma das mensagens obtidas pelo Intercept, ao sugerir alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA, Eduardo Bolsonaro informa que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.

Enviamos questionamentos para Altieris Santana e Paulo Calixto, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto. 

No Instagram, Eduardo disse que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” e que foi ele quem apresentou Calixto a Mario Frias “por saber da sua competência”.


Plano de negócios previa “oportunidade de imigração”


Os documentos mostram que o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro teve um orçamento total astronômico para os padrões brasileiros: o valor estimado é entre 23 milhões e 26 milhões de dólares. A quantia corresponde ao montante negociado por Flávio Bolsonaro com Vorcaro: 24 milhões de dólares. O custo total é superior ao de várias produções recentes de Hollywood, inclusive vencedoras do Oscar.

O orçamento do filme prevê, segundo os documentos aos quais o Intercept teve acesso, que mais de 10,7 milhões de dólares seriam destinados apenas aos custos “acima da linha”, rubrica que inclui “custos gastos antes da filmagem” – com direitos do roteiro, salários de atores, diretores, produtores, diretor de elenco, roteirista e outros envolvidos na direção financeira e criativa de alto nível do filme.

Ainda segundo os documentos, a estratégia para captar recursos consistia na oferta de 40 cotas de 500 mil dólares. Ou seja, um total de 20 milhões de dólares.

Para atrair grandes investidores, o orçamento do filme foi fatiado em pacotes de investimento VIP com regalias incomuns para o mercado de cinema. Se o investidor pagasse 1 milhão de dólares, ele comprava uma cadeira no conselho de produção – com direito a dar pitacos e influenciar as decisões do filme.

O pacote mais caro, e incomum, custava 1,1 milhão de dólares. O grande chamariz para esse investimento não era o filme, mas sim a promessa explícita de uma “oportunidade de imigração”. O plano de negócios oferecia o filme como um atalho para que ricaços comprassem o direito a um Green Card, garantindo assim o visto de residência permanente nos Estados Unidos.


Plano de negócios previa benefícios para investidores, incluindo uma “oportunidade de imigração”

A promessa de lucro da produtora era agressiva: os investidores teriam a devolução de 100% do capital aportado acrescido de um lucro de 20% sobre o valor investido. O plano de negócios projetava a receita global do filme em três cenários distintos: um pessimista (de 45 milhões de dólares), um conservador (70 milhões de dólares) e um otimista (100 milhões).

Após a quitação prioritária do capital e do prêmio de 20% aos financiadores, todo o lucro líquido restante gerado pela bilheteria e plataformas de streaming seria dividido meio a meio entre investidores e produtores. Ou seja, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias também lucrariam com o filme.

Você tem mais documentos sobre Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, “Dark Horse” ou o Banco Master e quer que o Intercept investigue sua denúncia? Entre em contato conosco, por e-mail: lais.martins@intercept.com.br, eduardo.goulart@intercept.com.br, leandro.becker@intercept.com.br e paulo.motoryn@intercept.com.br. Ou, então, por Signal: @laisfm.02, EduardoGoulart.01, @interceptbrasil.44

Atualização: 15 de maio de 2025, 16h49
Texto atualizado para incluir resposta da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa, Angélica Neiva, Marina Luiza Queiroz, Rafaela Silva e Sarah Germano.

Por: Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Paulo Motoryn

Fonte: Intercept Brasil


Lindbergh Farias


O HOMEM DA GRANA de Daniel Vorcaro sempre foi Eduardo Bolsonaro.

A matéria do Intercept desmonta a farsa dos Bolsonaros.

Enquanto Flávio pedia, quem administrava o dinheiro de Vorcaro nos EUA era Eduardo Bolsonaro. Contrato assinado, fundo no Texas, lobby contra o Brasil, tarifaço e sanções.

E Eduardo ainda dizia que “só emprestou a imagem”. Mentira. Cada dia aparece uma nova prova. Agora a PF precisa rastrear cada centavo desse esquema.

EDUARDO BOLSOMASTER



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sábado, 23 de maio de 2026

‘DEUS TE ABENÇOE MEU BROTHER’ ÁUDIO: Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro


Vazamento por vazamento, o do trailer do filme "Dark Horse" é o que menos deveria preocupar o "brother" Mario Frias


Intercept Brasil
 

Cartas Marcadas: Parte 38

Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder em Brasília.

Essa é uma edição especial da newsletter Cartas Marcadas, assinada por boa parte dos autores da investigação que chacoalhou o Brasil nos últimos dias. A proposta inicial do mês de maio é que esse espaço seria dedicado apenas a reportagens sobre a tramitação da escala 6×1.

Fizemos isso nas primeiras duas semanas, nos debruçando sobre o lobby empresarial que usa a extrema direita para atravancar a proposta. Mas, no meio do caminho, veio um turbilhão. O Intercept Brasil publicou o maior furo jornalístico do país desde as revelações da Vaza Jato: as mensagens secretas que colocam a família Bolsonaro no centro do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

É claro que não abriremos mão de nossa cobertura da urgente luta dos milhões de trabalhadores que suportam o desumano regime 6×1. Mas faremos uma pausa porque sabemos que a nossa audiência anseia por mais informações sobre a relação do bolsonarismo com o Banco Master.

Portanto, resolvemos mudar os planos e, nesta semana, brindar os leitores com mais um capítulo de nossa investigação: o áudio e as mensagens de texto que revelam a proximidade de mais um líder da extrema direita no Congresso com Daniel Vorcaro. Vamos aos fatos.

Pouco menos de uma hora após o horário em que estava previsto um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no dia 11 de dezembro de 2024, em Brasília, o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, enviou um áudio ao banqueiro agradecendo pelo apoio ao filme “Dark Horse”.

Na gravação, obtida com exclusividade pelo Intercept, Frias afirma que o longa sobre Jair Bolsonaro “vai mexer com o coração de muita gente”, será “muito importante para o nosso país” e pede autorização para informar Vorcaro sobre o andamento da produção.



O registro mostra intimidade entre Frias e Vorcaro, algo que o deputado vem tentando esconder. Na semana passada, após o Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro havia negociado R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, Frias disse que o banqueiro não havia dado “um único centavo” para o longa-metragem.

Cerca de 20 horas depois, o deputado emitiu outra nota e disse que havia “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Ele destacou apenas que Vorcaro ou o Banco Master não haviam aparecido como investidores. A postura demonstra um distanciamento entre os dois – uma versão que um áudio e mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept desmontam.

O conteúdo indica que, além de produtor-executivo de “Dark Horse”, o ex-secretário especial de Cultura de Jair Bolsonaro atuava diretamente na articulação do filme financiado pelo banqueiro, que viria a ser investigado pela maior fraude bancária da história do país.

Na gravação, enviada por WhatsApp para Vorcaro em 11 de dezembro de 2024, às 18h24, Frias diz: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” Imediatamente depois, Vorcaro responde: “Eu to numa ligação te chamo em seguida”. Frias diz “Blz” e, às 19h06, os dois se falam por ligação de voz durante cerca de 2 minutos. 

Como já apontamos no início do texto, o agradecimento veio menos de uma hora após o horário previsto para o encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, naquele dia, na residência do banqueiro em Brasília. Segundo mensagens reveladas pelo Intercept, a reunião foi organizada por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, para tratar do financiamento do filme biográfico internacional sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro participava de uma reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ, no Senado naquele dia e deixou a sua cadeira por volta de 17h30, no horário em que havia sido marcado o encontro. Só voltou às 18h, o que indica que uma possível participação na reunião teria ocorrido de forma remota ou em outro local. O Intercept não conseguiu confirmar se o encontro, de fato, ocorreu.



Na sequência do áudio, Frias mandou novas mensagens ao banqueiro. Em 15 de dezembro de 2024, o deputado enviou uma captura de tela a Vorcaro que exibe uma troca de mensagens entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh, revelando negociações preliminares para a produção de uma obra sobre “um homem comum que se tornou presidente por um milagre”.

No diálogo, o diretor se compromete a conversar com o ator Jim Caviezel sobre o projeto, alertando, contudo, que o astro fará duas perguntas: “1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?”. Frias respondeu que o ator “será imortalizado por esse papel”.



Abaixo do print, Frias escreveu para Vorcaro: “Milagres só são possíveis quando a fé”, “Esse é um desses milagres” e “Vai ser a maior super produção de uma história brasileira”. Aparentemente, na primeira frase, o parlamentar quis dizer “quando há fé”.



Em 22 de dezembro de 2024, houve outra conversa entre o deputado e Vorcaro. O banqueiro disse, às 10h19, que estava na igreja e prometeu chamá-lo quando saísse. Frias não se conteve e, uma hora e 16 minutos depois, antes mesmo que Vorcaro avisasse que estava disponível, escreveu que o filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo mundo”, e teria “um papel histórico imprescindível para as futuras gerações”. Disse ainda que o longa-metragem sobre o ex-presidente era uma “questão de justiça divina”, ao que Vorcaro respondeu, às 11h40: “Tenho certeza disso”. “JB precisa ter sua verdadeira história revelada”, acrescentou Mario Frias. Em outra mensagem, afirmou: “2026 é do Brasil” e depois, frisou: “Deus te abençoe meu Brother”.



As mensagens mostram que a relação entre Frias e Vorcaro ia além de um contato protocolar entre um potencial investidor e um produtor. O deputado também chamava o banqueiro de “meu irmão”, fazia elogios em tom religioso e demonstrava acompanhar de perto o desenvolvimento da obra.

Frias, que foi produtor-executivo de “Dark Horse” e peça-chave na articulação da obra com o banqueiro investigado pela maior fraude bancária do país, passou a propagar mentiras nas redes sociais, na tentativa de descredibilizar as reportagens do Intercept.

Como revelamos no último sábado, o parlamentar compartilhou, no dia 14 de maio, publicações falsas alegando que o Intercept teria recuado sobre as cifras do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O rastreamento da autoria dos conteúdos compartilhados por Frias expõe uma rede de desinformação financiada e estruturalmente ligada ao PL, partido do deputado. O site diario360, por exemplo, pertence a Fagner Leandro de Lima, secretário parlamentar do também deputado federal André Fernandes, do PL do Ceará e tesoureiro da sigla no estado.

Já a página Hora Brasília é registrada em nome de uma empresa de Hugo Alves dos Santos, aliado próximo do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A firma de comunicação atuou nas eleições de 2024 como fornecedora de duas campanhas do PL, recebendo R$ 55 mil de candidatos a vereador, em Atibaia, no interior de São Paulo. Foi nessa cidade que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso, em 2020, na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederik Wassef, num desdobramento da investigação que apurava o esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.


Outro lado


Após a publicação da primeira reportagem da série, a defesa de Mario Frias confirmou que o deputado manteve contato com Vorcaro, mas afirmou que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”. Segundo os advogados, Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome do banqueiro.

A defesa acrescentou que o entusiasmo manifestado nas conversas privadas decorria da “dimensão artística e cultural do projeto”. Procuramos Mario Frias nesta terça-feira, 19, por meio de sua assessoria. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

O PL também foi procurado, mas não respondeu. O espaço segue aberto.

A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas informou que ele não vai se manifestar.



Por: Paulo Motoryn, Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Mauricio Moraes

Fonte: Intercept Brasil


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair


“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025


Imagem: Intercept Brasil

Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.

A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro


 

Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Os registros incluem um cronograma de desembolso, um comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção. Não há evidências nas mensagens de que Vorcaro tenha feito os outros oito pagamentos previstos para o projeto.

O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, mas teve outros intermediários, como o irmão e deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro.

As conversas privadas e os documentos de Vorcaro revelam os profundos laços financeiros e a estreita relação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro que se tornou o homem mais radioativo de Brasília. Flávio já havia negado tais conexões, da sua família e da extrema direita, chegando a dizer que isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”. 

Quando foi noticiado, em março deste ano, que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano Zettel – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN que isso aconteceu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”. 

“Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”, afirmou o senador. Em evento da pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, dois dias antes, ele classificou o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”.

Na manhã desta quarta-feira, 13, Flávio Bolsonaro foi questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao filme e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, deu uma gargalhada e se retirou de onde concedia entrevista à imprensa, próximo ao Supremo Tribunal Federal, o STF – antes, o senador havia se reunido com o ministro Edson Fachin, presidente da corte.

Flávio já havia sido contatado sobre o assunto – por telefone, WhatsApp e e-mail, mas não retornou até a publicação da reportagem. A defesa de Daniel Vorcaro foi acionada, mas não houve resposta. Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos enviados pelo Intercept. O espaço segue aberto e, caso haja resposta, o texto será atualizado.

Em nota enviada ao Intercept após a publicação da reportagem, a defesa do deputado federal Mario Frias confirmou os contatos entre o parlamentar e Vorcaro, mas disse que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”.

Também destacou que Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome de Vorcaro. Ainda negou qualquer uso do mandato parlamentar para “promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial”.

O advogado do deputado informou, ainda, que, na época da troca de mensagens, Vorcaro era conhecido como um empresário do mercado financeiro e “não havia qualquer informação pública que indicasse eventual irregularidade financeira” atribuída ao banqueiro. “Conversas privadas envolvendo exibição de conteúdo audiovisual ou encontros sociais entre pessoas públicas e empresários não configuram irregularidade”, destacou a defesa do parlamentar.

Sobre o filme, a defesa pontuou que Frias participou do desenvolvimento criativo e institucional do projeto audiovisual e que “o entusiasmo manifestado nas mensagens privadas decorre da dimensão artística e cultural do projeto, considerado por sua equipe como uma produção inédita dentro do cinema nacional independente”.


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Vorcaro bancou filme do clã Bolsonaro


Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que pelo menos parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Os registros ainda sinalizam a participação direta nas operações de outros dois intermediários: o empresário Thiago Miranda – fundador e sócio do Portal Leo Dias –, e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro de Vorcaro.

As mensagens obtidas pelo Intercept abrangem o período de dezembro de 2024 a novembro de 2025 e incluem diálogos do banqueiro com diversos interlocutores. O conteúdo do vazamento foi verificado por meio de cruzamento de informações contidas nos diálogos com dados públicos e sigilosos. Entre os elementos que confirmaram a autenticidade do material estão dados bancários e telefônicos, inquéritos policiais, registros do Congresso Nacional e de redes sociais.

De acordo com as conversas a que tivemos acesso, o relacionamento entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar a produção internacional do filme contava com um intermediário no fim de 2024 e, no ano seguinte, evoluiu para uma interlocução direta, marcada por cobranças para a liberação de dinheiro, tratativas operacionais e demonstrações de proximidade pessoal.

As conversas também indicam que Daniel Vorcaro acompanhava pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação a outros compromissos financeiros.

O Intercept entrou em contato por e-mail com advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


‘Flavio está ciente de tudo’


A primeira aproximação registrada pelas conversas obtidas pelo Intercept ocorreu em 8 de dezembro de 2024, quando o empresário Thiago Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em Brasília. 

Na mensagem para confirmar o encontro, Miranda afirmou ao banqueiro que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$” [uma possível referência ao canal de televisão SBT], acrescentando que “Flavio está ciente de tudo”. 

Thiago Miranda e Leo Dias foram contatados para comentar as trocas de mensagens. Até a publicação da reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto e, caso haja retorno, o texto será atualizado.

O SBT, por sua vez, respondeu que, “nunca teve qualquer tipo de contrato com o Banco Master” e que “o produto CredCesta, vinculado ao Grupo Master, fez ações comerciais de fevereiro a dezembro de 2024 em programa do SBT” e que “a relação do SBT com o Banco Master foi a mesma que com todos os seus anunciantes, com estritamente a comercialização de espaços publicitários”.



A reunião foi marcada, segundo os registros, para 11 de dezembro, às 17h30, na residência de Vorcaro em Brasília. Naquele dia, Flávio Bolsonaro participou de uma reunião deliberativa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ. O vídeo disponível no canal do Senado no YouTube mostra que, por volta das 17h30, ele recebe um telefonema, se levanta e sai da sala

As imagens mostram Flávio voltando a se sentar na sua cadeira poucos minutos depois das 18h, o que sugere que uma possível participação na reunião poderia ter ocorrido de forma remota ou em outro local.

Pouco menos de uma hora após o horário previsto para o encontro, às 18h24, as mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Mario Frias enviou um áudio para Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto. Frias afirmou que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e seria importante para o país. Na sequência, ele e o banqueiro fizeram uma ligação telefônica entre si.

Nos meses seguintes, as mensagens indicam avanço das negociações. No início de 2025, Miranda e Flávio pressionam Vorcaro para destravar os contratos e iniciar os aportes.


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No dia 20 de janeiro, Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Flávio Bolsonaro pedia que o jurídico do investidor fosse pressionado para concluir o processo. Horas depois, Vorcaro respondeu a Miranda, na época CEO do Portal Leo Dias: “Vou atras aqui”.

As conversas mostram que o cronograma de pagamentos passou a ser acompanhado diretamente pelo banqueiro e por Fabiano Zettel, apontado nas mensagens como responsável pela operacionalização jurídica e financeira do aporte. Entramos em contato com o advogado de Zettel, Celso Vilardi, mas ele não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.

No dia 21 de janeiro, Zettel explicou a Vorcaro que o filme teria um fluxo específico de pagamentos: dez parcelas de 2,5 milhões de dólares. Meses depois, em agosto do mesmo ano, Miranda enviou a Daniel Vorcaro um documento com uma tabela indicando que o fluxo de pagamentos acordado foi diferente: 14 parcelas – 12 delas de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões de dólares.

Ainda em janeiro, no dia 28, Vorcaro demonstrou preocupação com os atrasos nos repasses financeiros e afirmou que o projeto cinematográfico era prioridade absoluta ao definir o pagamento como “o mais importante disparado”. E deu uma ordem: “Nao pode falhar mais”.

As mensagens também revelam dificuldades operacionais para a remessa internacional dos recursos. Em fevereiro, Zettel relatou sucessivas recusas do setor de câmbio do Banco Master para realizar a operação e que informações de cadastro eram “meio estranhas”. Vorcaro, então, orientou que o pagamento fosse realizado “via entre”, uma referência à empresa Entre Investimentos e Participações.



Embora o Grupo Entre Investimentos e Participações e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes, processos judiciais e administrativos obtidos pelo Intercept evidenciam uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro. Em março de 2026, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, uma empresa que pertencia ao Grupo, autoridades passaram a investigar a suspeita de que Vorcaro atuaria como dono oculto da empresa.


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Segundo matérias publicadas por Metrópoles e Estadão, investigadores avaliam que Antônio Carlos Freixo Júnior — executivo ligado ao Grupo Entre e identificado nas mensagens do vazamento obtido pelo Intercept como Mineiro — funcionaria como operador de interesses do banqueiro dentro da companhia.

Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver uma ligação entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo os registros, Fabiano Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.

O Intercept enviou mensagem por WhatsApp e telefonou para Antônio Carlos Freixo Júnior, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


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Dias depois, em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou ao banqueiro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de dólares para o Havengate Development Fund LP, identificado nas mensagens como o fundo ligado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece no registro como a remetente do valor.

O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e Participações, foi contatado pela reportagem e disse em nota que “não existe vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro. A empresa reafirma seu compromisso com a transparência, permanecendo à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”.

Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas, nos Estados Unidos, e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.

Os documentos desta segunda firma apontam o corretor de imóveis Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.

Em março de 2025, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept, Vorcaro voltou a cobrar a quitação das parcelas ainda pendentes. Em uma mensagem enviada no dia 12 daquele mês, ele encaminhou um cronograma de desembolsos indicando que apenas a primeira parcela havia sido paga até então. O documento previa seis parcelas somando 10,6 milhões de dólares entre janeiro e maio de 2025.

Em contato telefônico, Altieris Santana se recusou a prestar informações à reportagem, indicando Paulo Calixto como representante legal. Paulo Calixto, por sua vez, não respondeu aos contatos telefônicos, por e-mail e via mensagem feitos pelo Intercept.


Crise do Master atrapalha ‘Dark Horse’


No dia 21 de março, o nome de Eduardo Bolsonaro apareceu pela primeira vez nas conversas a que tivemos acesso. Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Eduardo sugere alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA – e informa que Altieris Santana, controlador do fundo Havengate, estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.

No contato com a reportagem do Intercept, Altieris Santana se recusou a comentar a relação com o filho do ex-presidente ou a intermediação dos pagamentos. O Intercept também questionou por e-mail o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.

O cronograma de financiamento do filme coincidiu com a tentativa fracassada de Vorcaro de vender o Master para o Banco de Brasília, o BRB, e com a crescente atenção das autoridades, que culminaria na sua prisão. Ao longo do segundo semestre de 2025, as mensagens indicam aumento da pressão financeira sobre Vorcaro e uma intensificação do contato direto com Flávio Bolsonaro.

Em agosto, Miranda enviou ao banqueiro a imagem de uma tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund”, segundo a qual 10,6 milhões de dólares já haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9 milhões de dólares. Vorcaro respondeu: “segunda fazemos duas”, e Miranda afirmou estar “monitorando essa reta final”.

A reportagem do Intercept telefonou para Miranda e enviou questionamentos a ele por WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Pouco depois, em 8 de setembro, alguns dias antes de Jair Bolsonaro ser condenado pela trama golpista, Flávio Bolsonaro enviou um áudio diretamente a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando para o risco de paralisação da produção do filme.

Na gravação, o senador diz que havia preocupação com o atraso nos pagamentos a profissionais internacionais envolvidos na produção. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.

Flávio também disse que o não cumprimento dos compromissos financeiros poderia comprometer contratos, elenco, direção e toda a equipe do longa. “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, declarou.



Na resposta, Vorcaro pediu desculpas, afirmou que a semana anterior havia sido muito difícil para ele e prometeu resolver a situação até o dia seguinte. Na mesma noite, os dois fizeram uma ligação telefônica de cerca de dois minutos e meio, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept.

Cinco dias antes dessas mensagens entre Flávio e Vorcaro, o BRB anunciou que o Banco Central havia reprovado a venda do Master. 


‘Tudo isso só está sendo possível por causa de vc’


As conversas seguintes mostram a manutenção do contato frequente entre ambos. Ainda em setembro, Flávio e Vorcaro realizaram quatro ligações e marcaram encontros presenciais em São Paulo.



Em uma troca de mensagens no dia 17, Vorcaro perguntou “14:30?”, ao que Flávio respondeu: “Blz”. Em outubro, as cobranças se intensificaram novamente. No dia 22, Flávio informou que as filmagens já estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado “no limite”. O senador afirmou que, caso o apoio financeiro não pudesse continuar, seria necessário avisar para que a equipe buscasse “outro caminho”. O banqueiro o tranquilizou: “Deixa comigo”.





No mesmo dia, Flávio convidou Vorcaro para um jantar em São Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh em 2 de novembro. O banqueiro sugeriu realizar o encontro em sua própria residência e que poderia reorganizar sua agenda para comparecer, pois “tinha uma viagem”. Flávio sugeriu, mais tarde, a data de 6 de novembro. Não há confirmação, nos registros, se o jantar de fato ocorreu.



Enviamos questionamentos para Nowrasteh e Caviezel, mas não houve resposta até o momento de publicação.

No dia 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro responde: “Que demais”. Em seguida, diz: “Ficou perfeito”.



Em dezembro de 2025, o Intercept revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. A origem do dinheiro que custeou a super produção permanecia, no entanto, uma incógnita. Enviamos questionamentos para Gama, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.

O protagonista Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia do filme “Dark Horse” para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição presidencial que Flávio Bolsonaro espera vencer. O site oficial do filme, no entanto, não confirma que a produção tem data para chegar ao Brasil.



 Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa, Angélica Neiva, André Garavatti, Bianca Pyl, Eduardo Lima, Rafaela Silva, Samantha Prado, Sarah Germano e Thalys Alcântara

Atualização: 13 de maio de 2026, 16h29
O texto foi atualizado para incluir as respostas da defesa do deputado federal Mario Frias, do PL de SP, aos questionamentos do Intercept.

Atualização: 14 de maio de 2026, 09h38
O texto foi atualizado para incluir as respostas da assessoria de imprensa do Grupo Entre aos questionamentos do Intercept.


Por: Paulo Motoryn, Eduardo Goulart, Laís Martins, Andrew Fishman, Cecília Olliveira, Leandro Becker e Mauricio Moraes

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Fonte: Intercept Brasil


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