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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bombardeios israelenses deixam milhares de libaneses sem documentos que comprovem sua identidade ou posse de terras


A campanha de Israel para arrasar enormes faixas do sul do Líbano pode destruir não apenas as casas das pessoas, mas até a possibilidade de que demonstrarem que são proprietárias, segundo moradores locais e autoridades do governo libanês – potencialmente impedindo centenas de milhares de libaneses de comprovar que têm alguma propriedade ou residência


Intercept Brasil
 

Imagens aéreas de Bint Jbeil, sede de um município do mesmo nome, mostram o que os moradores descrevem como marcas de incêndio em locais onde os registros oficiais eram mantidos: documentos do registro civil, escrituras de terras, a infraestrutura de papel que integra a existência jurídica de uma cidade.

O cartório não existe mais, os prédios do governo foram demolidos, e as casas que continuam importantes documentos pessoais sofreram destruição generalizada. Agora, os moradores de 36 vilarejos do distrito de Bint Jbeil temem que a guerra total de Israel signifique a destruição de todos os seus registros, o que poderia desvinculá-los permanente das casas que deixaram para trás quando fugiram sob ordens israelenses de evacuação.

Isso poderia transformar em pesadelo a reconstrução após a guerra. Bint Jbeil é o distrito mais a sudoeste do Líbano, e foi palco de uma campanha militar israelense para evacuar populações inteiras antes de arrasar seus vilarejos.

“O Ministério do Interior ainda não conseguiu ter acesso aos arquivos do registro civil do distrito de Bint Jbeil.”

Alguns libaneses inclusive consideram que é uma tática intencional, parte do plano de Israel para esvaziar o sul do líbao e estabelecer uma zona tampão ao sul do rio Litani. Os líderes israelenses esperam que isso deixe o norte de Israel fora do alcance dos foguetes do Hezbollah.

Um mukhtar, uma autoridade local, confirmou ao Intercept dos EUA que os arquivos do registro civil estão digitalizados apenas até 2020, o que oferece um alívio limitado. Muita coisa, no entanto, continua desaparecida. Há os documentos dos últimos seis anos, juntamente com inúmeros outros que não foram oficialmente registrados em razão da burocracia libanesa, notoriamente caótica, e da fiscalização ineficaz das regras de registro, que às vezes são desrespeitadas para evitar pagar tributos.

No centro da crise está o Grande Serralho de Bint Jbeil, o antigo prédio administrativo que abriga o registro de imóveis das dezenas de famílias em mais de 20 vilarejos do distrito. Desde a entrada das forças israelenses, as autoridades libanesas não conseguiram mais ter acesso ao prédio, embora tenham feito tentativas por meio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que apresentou solicitações ao chamado Comitê do Mecanismo, que administra o acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano.

“O Ministério do Interior ainda não conseguiu ter acesso aos arquivos do registro civil do distrito de Bint Jbeil, porque o Comitê Internacional da Cruz Vermelha não recebeu aprovação do Comitê do Mecanismo, que inclui Israel, para entrar na área, embora tenha apresentado uma solicitação para tal, com o objetivo de recuperar os arquivos e transferi-los para o Ministério do Interior, em Beirute”, disse ao Intercept um porta-voz do ministério.

Em um comunicado enviado a um jornalista do Intercept em Nova York, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel se recusou a comentar sobre o pedido da Cruz Vermelha, e afirmou que o grupo libanês Hezbollah instala ativos militares em áreas civis.

“As diretivas das FDI permitem a execução de operações de limpeza de estruturas usadas para fins militares, ou quando há uma necessidade operacional essencial que justifique a demolição total ou parcial de uma estrutura, de acordo com o direito internacional”, dizia o comunicado.

A destruição de infraestrutura civil na guerra só é permitida pelas leis da guerra em condições restritas: é preciso existir um propósito militar, e a destruição deve ser incidental a esse propósito.

Israel destruiu vilarejos inteiros na fronteira do Líbano. Os especialistas afirmam que essas ações podem constituir crimes de guerra. O ministro da defesa de Israel já disse anteriormente que: “todas as casas em vilarejos próximos à fronteira libanesa serão destruídos”.


O Grande Serralho


O ministro das Finanças do Líbano, Yassine Jaber, vem monitorando o Grande Serralho por satélite.

“As paredes ainda estão quase todas de pé”, disse ao Intercept, “mas os satélites não têm a chave das portas. Não sabemos o que aconteceu lá dentro. Os arquivos foram destruídos? Foram confiscados? A verdade ainda está do outro lado da linha de frente.”

Durante quatro semanas, Jaber comandou uma espécie de sala de operações de crise: ligações para o comando militar do Líbano, coordenação com a inteligência militar, tentativas reiteradas de entrar em contato com o Comitê do Mecanismo – o órgão multilateral que inclui Israel e monitora o acordo de cessar-fogo celebrado em meados de abril com o Hezbollah – e apelos à UNIFIL, a Força das Nações Unidas no Líbano.

Seu objetivo era estabelecer um corredor para uma única viagem a Bint Jbeil para recuperar os registros.

“Tentamos de tudo”, conta Jaber. “Mas Bint Jbeil neste momento é uma zona proibida.”

“Tentamos de tudo. Mas Bint Jbeil neste momento é uma zona proibida.”

Nem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha conseguiu chegar aos arquivos.

“O CICV apoiou o Ministério do Interior na evacuação de alguns dos registros civis do sul do Líbano no começo da escalada”, explica Sally Aoun, porta-voz do CIVC no Líbano. “Não foi possível apoiar a evacuação em Bint Jbeil em razão das hostilidades em curso.”

Jaber teve sucesso em algumas outras áreas onde recuperar os registros se mostrou um desafio. Quando os combates chegaram a Marjayoun, no sul do Líbano, uma equipe de funcionários públicos entrou na cidade sob bombardeio para recuperar os registros civis. A mesma coisa aconteceu no distrito de Hasbaya.

Os registros da cidade de Tiro, no sul, agora são mantidos mais acima na costa, em Sidon. O ministério também conseguiu evacuar para Beirute os arquivos de Meiss El Jabal, Tibnine, Jbaa, Jouaya, e Nabatieh. O Ministério do Interior em Beirute designou um dia da semana para cada um dos registros distritais fazer o processamento das solicitações de documentação civil para os desabrigados do sul.

Bint Jbeil continua sendo a peça que falta.


Armadilha Jurídica


O Líbano tem um backup digital parcial. O Ministério das Finanças tem arquivos eletrônicos da maioria dos imóveis registrados no sul, uma rede de segurança para as escrituras que chegaram a ser registradas formalmente. No entanto, milhares de transações nunca foram registradas.

É o caso de Ali Khreizat, conhecido pelo honorífico Abu Hassan, que foi desalojado de sua casa no vilarejo de Aitaroun, no distrito de Bint Jbeil. Quando o vilarejo enfrentou o bombardeio israelense, Abu Hassan foi embora – mas deixou para trás, em uma gaveta no canto, uma bolsa de couro gasta que continha a escritura de compra e venda da terra em que viveu por cinco anos.

Abu Hassan fez as pazes com a destruição de sua casa, mas sua preocupação muito maior é que talvez nunca consiga comprovar que era dono da propriedade.

“Quem protege o direito do comprador se o contrato em papel desaparece?”

“A casa que eu construí pedra por pedra agora virou pó”, diz. “E o papel que diz que ela era minha foi com Deus.”

Mesmo cinco anos depois de se mudar, a escritura nunca chegou ao registro de imóveis. Como muitas pessoas no Líbano, Abu Hassan não teve pressa para cumprir os prazos burocráticos, e a lendária ineficiência estatal libanesa não oferecia muito incentivo para isso. Agora, ele soube pelos moradores locais que ainda estão na região que até o cartório foi destruído, o que reduziu ainda mais sua esperança de que exista em algum lugar uma cópia de sua escritura.

Como praticamente não há fiscalização das normas de registro – seja por uma indiferença em relação à papelada burocrática, seja por outro motivo, como evitar a tributação – o problema dos imóveis residenciais sem registro poderia deixar as pessoas sem meios de comprovação de que adquiriram propriedades.

“Isso criará um grande problema jurídico na comprovação da titularidade”, diz Jaber. “Quem é dono do quê? Quem protege o direito do comprador se o contrato em papel desaparece?”

Jaber conta que quando assumiu o cargo, em fevereiro de 2025, encontrou um sistema inadequado para os tempos atuais, em que tudo é online. Ele agora está supervisionando uma reforma completa para digitalização de documentos, um projeto que ele estima que levará seis meses para ser concluído.

“Um cofre digital”, diz, “que nenhum projétil pode alcançar e nenhum fogo pode apagar”.


Apagando o mapa


Os danos aos registros em Bint Jbeil podem ser ainda mais extensos do que qualquer documento individual.

Uma das principais preocupações é o destino do departamento de agrimensura. Essa unidade técnica detém os registros de medição que vinculam as divisas das propriedades a pontos de referência geográficos fixos, alguns deles remontando ao período do mandato francês. Esses pontos estão ligados, por meio de uma série de levantamentos históricos, a uma coordenada de referência em Homs, na Síria, que serve de âncora para o mapa cadastral nacional do Líbano desde a década de 1920.

Se esses marcos físicos do levantamento foram destruídos, segundo Riyad Al-Asaad, engenheiro civil da região sul, a pergunta passa a ser: quem controla os dados de georreferenciamento que definem as divisas? O Líbano ou Israel?

O risco, segundo Al-Asaad, é que as propriedades possam ser redesenhadas usando medições israelenses, uma nova realidade geográfica que se imporia sobre a antiga.

O general libanês aposentado Yaarab Sakhir considera que isso faz parte de um padrão deliberado, e aponta para a Doutrina Dahieh, uma estratégia militar israelense que foi nomeada em referência ao subúrbio de Beirute onde foi implementada pela primeira vez. A estratégia propõe ataques desproporcionais sobre infraestrutura civil para criar um alto custo para os inimigos de Israel, que funcione como uma forte contenção.

“Israel, quando aplica a Doutrina Dahieh, como fez em Gaza, que foi objeto de uma divisão 55/45 entre um corredor israelense e uma zona palestina – está fazendo a mesma coisa agora, ao sul do Litani”, diz. “Primeiro, deslocamento e despovoamento. Segundo, ataques repetidos. Terceiro, quando as áreas são tomadas militarmente – Bint Jbeil em primeiro lugar – eles mineram, demolem, e apagam todos os recursos, para tornar essas áreas inabitáveis e impedir que os moradores retornem.”

Prédios oficiais, segundo Sakhir, se tornam alvos específicos de Israel nesse programa.

“Israel se concentra em cartórios do registro civil e serralhos do governo”, diz. “O arquivo do serralho de Bint Jbeil abrange não apenas a cidade, mas todos os vilarejos do distrito.”

Em sua declaração ao jornalista do Intercept em Nova York, os militares israelenses negaram que estivessem atacando especificamente a infraestrutura civil.

“As FDI”, disse o porta-voz, “não atuam contra as instituições do Estado do Líbano, as Forças Armadas Libanesas, nem os civis libaneses, e rejeita as acusações de danos intencionais contra os registros da população, documentos civis, registros imobiliários ou instituições administrativas, ou qualquer intenção de desvincular os habitantes de suas terras ou prejudicar seus direitos de propriedade.”


Fantasmas em seu próprio país


Dados do Ministério do Interior mencionam 190 mil pessoas registradas como eleitores no distrito de Bint Jbeil, em 2025. Somando-se a geração de crianças e jovens que ainda não estão nesse cadastro, o número chega a aproximadamente 250 mil pessoas – todas elas, em graus variados, atingidas pelo desaparecimento dos registros oficiais de seu distrito.

Mohamed Sarhan, o mukhtar, ou líder local, de Kfarkela, um vilarejo da região norte do distrito de Bint Jbeil, disse ao Intercept que moradores e funcionários públicos do local relataram que as forças israelenses confiscaram registros imobiliários do distrito de Bint Jbeil. O destino desses registros ainda é incerto. Ninguém consegue dizer com certeza se foram queimados no bombardeio, levados, ou se simplesmente se perderam no caos.

Dalia Boussi deixou Bint Jbeil ao som do bombardeio. Como todas as outras pessoas que fugiram no começo do ano, ela pegou o que era possível. Boussi, produtora de vídeo, não está em pânico; ela conseguiu levar consigo seus documentos. Mas ela se preocupa com as pessoas que fugiram sem documentos, e com o que o estado deve fazer quando essas pessoas voltarem.

“Há destruição total do centro da cidade, como podemos ver nas imagens de satélite. Quando voltarmos, precisaremos redesenhar do zero as divisas das propriedades, e determinar quais terras são públicas ou privadas, antes que seja possível começar a reconstrução”, diz Boussi. “É importante que o estado e os ministérios relevantes tenham flexibilidade para facilitar as coisas para os cidadãos. Uma célula de crise deve ser criada em cada cidade, especificamente para rastrear os documentos de propriedade e arquivos do registro civil, e para garantir que todas as pessoas tenham seus documentos oficiais.”

Ela fez uma pausa e acrescentou: “não importa o que aconteça, ninguém vai perder sua identidade, nem alguns anos de idade”. A brincadeira reforça uma realidade: o povo de Bint Jbeil ainda existe. Seus registros podem ter desaparecido, mas os moradores locais sabem quem são, e sabem o que lhes pertencia.

Como disse Abu Hassan, o morador de Aitaroun cuja escritura provavelmente foi destruída com sua casa: “a batalha de amanhã não será apenas pela reconstrução. Será uma batalha para provar que existimos, depois que o arquivo foi saqueado ou incendiado.”



 A VERDADE CUSTA CARO. O SILÊNCIO CUSTA AINDA MAIS.


As informações que você acabou de ler incomodam muita gente poderosa. É por isso que tentam nos silenciar com processos, ameaças e difamação.

A única barreira entre a verdade e a impunidade é um jornalismo sem rabo preso. O Intercept Brasil não tem donos bilionários e não aceita um único centavo de bancos ou políticos.

Nós acabamos de entregar os fatos. Agora, a bola está com você.  Se essa história te indignou, transforme isso em ação. Mostre a eles que não estamos sozinhos e garanta que ninguém nos cale. 

Por:  Alaa Serhal

Fonte: Intercept Brasil


 Band Jornalismo


Ataques de Israel a Líbano continuam após acordo entre EUA e Irã



Sarah


Cenas apocalípticas na capital do Líbano.

Israel está bombardeando edifícios residenciais em bairros densamente povoados de Beirute.

Um cessar-fogo que ainda permite que bombas caiam sobre civis não é um cessar-fogo.



Israel está lançando produtos químicos tóxicos em terras agrícolas no sul do Líbano

Estamos falando de níveis catastróficos de glifosato, um químico ligado ao câncer

11.000 vezes acima dos níveis seguros

Isso é um crime de guerra deliberado destinado a tornar a vida impossível e forçar as pessoas a saírem de suas terras



Líbano 01

Líbano 02




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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

China fornecerá US$100 milhões em assistência à Palestina


Recursos serão destinados ao alívio da crise humanitária e à reconstrução pós-conflito



Gettyimages.ru / Maxim Shemetov / Amir Levy

Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, ofereceu, nesta sexta-feira (5), mais detalhes sobre a assistência de 100 milhões de dólares à Palestina, anunciada pelo presidente Xi Jinping no dia anterior.


Hamas aceita medidas iniciais 

de desarmamento - Al Arabiya


"A China apoia firmemente a justa causa do povo palestino na restauração de seus direitos nacionais legítimos e continuará trabalhando incansavelmente com a comunidade internacional por um cessar-fogo completo e duradouro em Gaza, pela melhora da situação humanitária no local e por uma solução política antecipada para a questão palestina com base na solução de dois Estados", prometeu o representante.


  • Nos últimos dias, o Ministério da Saúde de Gaza, citado pela agência AP, informou que forças israelenses já mataram mais de 70.000 pessoas desde o conflito iniciado no dia 7 de outubro de 2023.

  • Desde 7 de outubro de 2023, a China tem enviado múltiplos lotes de ajuda humanitária a Gaza, por meio da ONU, Egito, Jordânia e outros canais.

Lin Jian


O presidente Xi Jinping anunciou que a China fornecerá US$ 100 milhões em assistência à Palestina para aliviar a crise humanitária em Gaza e apoiar sua recuperação e reconstrução.

Desde o início do conflito em Gaza, a China tem fornecido diversos lotes de suprimentos humanitários à Faixa de Gaza por meio da ONU, do Egito, da Jordânia e de outros canais, o que foi bem recebido e apreciado pelo governo e pelo povo palestino.



Fonte: RT Brasil


Geopolítica - 01

Geopolítica - 02



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quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Greta Thunberg detalha como foi torturada por “israel”: “eles me batiam, me chutavam e me chamavam de puta”


Ativista sueca detalha a forma como foi maltratada após a Global Sumud Flotilla ter sido sequestrada e seus membros presos pela ditadura israelense, por tentaram levar comida aos famintos em Gaza


 Mala pichada por soldados israelenses com a inscrição em inglês "Greta puta", o desenho de um pênis e a bandeira de "israel". (Foto: Magnus Wennman/Aftonbladet)

Por Lisa Röstlund*


Espancamentos, chutes e ameaças de serem asfixiados com gás dentro de jaulas.

Greta Thunberg e vários outros integrantes da flotilha agora compartilham detalhes sobre seus cinco dias de cativeiro em Israel – e como funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Suécia os deixaram sem ajuda.

A investigação do Aftonbladet mostra como o ministério minimizou os abusos em suas comunicações.

A mala vermelha dela está no corredor. “Greta puta”, alguém escreveu em grandes letras pretas. Ao redor do texto: uma bandeira israelense e um pênis ereto. [Foto acima]

A bagagem foi confiscada no barco pelos militares israelenses – e devolvida a ela desse jeito. Greta ri.

– São como crianças de cinco anos!

Encontramos Greta Thunberg em casa, no alojamento coletivo onde vive com amigos. O sol de outono entra pelas janelas. Tomamos café. As paredes estão cobertas de cartazes de manifestações ao redor do mundo.

Ela dormiu apenas meia hora na noite anterior. Um pesadelo com barcos bombardeados a acordou.

Ela não quer manchetes sobre si mesma e sobre a tortura à qual diz ter sido submetida. Essa foi uma das primeiras coisas que disse na noite em que voltou para casa, em uma coletiva de imprensa na Sergels Torg, junto com vários dos outros suecos que participaram da grande Global Sumud Flotilla, que tentou levar ajuda emergencial a Gaza.

E ela mantém essa posição.

– Não se trata de mim nem dos outros da flotilha. Há milhares de palestinos, centenas deles crianças, que estão sendo mantidos sem julgamento neste momento, e muitos deles provavelmente estão sendo torturados, diz Greta Thunberg.


Após troca de “prisioneiros”, mais de

 11 mil palestinos seguirão trancafiados nos

 campos de concentração israelenses


A história, ela enfatiza, é sobre solidariedade internacional, sobre pessoas se unindo para fazer o trabalho que os governos não fazem.

– E, acima de tudo, trata-se das pessoas que vivem em Gaza.

Mas há muito interesse público, e a forma como ela foi tratada reflete algo.

– Isso mostra que, se Israel, com o mundo todo observando, pode tratar dessa maneira uma pessoa famosa, branca, com passaporte sueco, imagine o que fazem com os palestinos a portas fechadas.

Acaba de chegar a notícia de que um menino palestino da Cisjordânia, da mesma idade de Greta, morreu sob custódia israelense.

– O que passamos é apenas uma parte minúscula do que os palestinos vivem. Nas paredes das nossas celas, vimos buracos de bala com manchas de sangue e mensagens gravadas por prisioneiros palestinos que estiveram lá antes de nós.

Peço que ela descreva o bombardeio do barco, ocorrido na costa da Tunísia, no início de setembro. Ela teria estado a bordo naquele exato momento, não fosse chamada para ajudar em uma coletiva de imprensa. Agentes de inteligência americanos declararam à CBS que o ataque foi ordenado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Ela menciona os produtos químicos lançados sobre os barcos e diz que nunca mais conseguirá olhar para um céu estrelado sem pensar em drones.

Greta Thunberg quer destacar a tripulação de 500 pessoas das 42 embarcações que compunham a flotilha. Professores, médicos, pesquisadores, estudantes, parlamentares, pequenos empresários. O mais jovem tinha 18 anos; o mais velho, 78.

Todos eram pessoas com diferentes histórias de vida.

Ela conta a história de participantes judeus que conheceu e que a tocaram profundamente.

– Vários cresceram em famílias muito pró-Israel. Eles deixaram tudo para trás e foram, arriscando a vida e se posicionando para que o que está acontecendo em Gaza não acontecesse em seu nome. Mas, em vários casos, isso fez com que suas famílias cortassem contato com eles.

Greta Thunberg precisa comer algo e esquenta uma panela de feijão que estava na geladeira. No balcão da cozinha há beterrabas e outros vegetais de uma recente coleta em latas de supermercados – comida descartada, resgatada e trazida para casa.

Avançamos para a noite em que o barco foi abordado pelos militares israelenses. Homens de rostos cobertos e armas automáticas subiram a bordo — a operação foi transmitida ao vivo pelos canais da flotilha e vista por pessoas em todo o mundo. Várias testemunhas entrevistadas pelo Aftonbladet descrevem como as armas foram apontadas para seus rostos. Eles foram levados ao convés inferior e obrigados a sentar em círculo, sem se mover, enquanto o barco era levado à costa.

– Estava extremamente quente lá embaixo. Mal conseguíamos sentar. Os que não estavam nos vigiando andavam pelo barco, destruindo coisas e jogando tudo ao redor.

Ela não sabe o que aconteceu com a comida, os remédios, as fraldas e o leite infantil – a ajuda destinada a Gaza.

Depois de cerca de 20 horas, chegaram a Ashdod, o maior porto industrial de Israel, a 40 quilômetros ao sul de Tel Aviv. Um soldado apontou para Greta e disse: “Você primeiro, vamos!”, relata ela.

Ela não pôde usar a camiseta com os dizeres “Free Palestine” e foi obrigada a trocar de roupa, explica. Vestiu uma camiseta laranja com o texto “Decolonize”.

– E então coloquei meu chapéu de sapo. Quando estava prestes a descer do barco, havia um monte de policiais me esperando. Eles me agarraram, me jogaram no chão e atiraram uma bandeira israelense sobre mim.

A partir daí, tudo “foi do zero ao cem”, descrevem várias testemunhas – a violência escalou.

Greta conta que foi arrastada para uma área pavimentada cercada por grades de ferro. Essa é uma cena longa, que durou mais de seis horas, segundo ela, e confirmada por vários participantes da flotilha entrevistados pelo Aftonbladet.

– Era algo distópico. Vi talvez 50 pessoas ajoelhadas em fila, algemadas, com a testa no chão.

Greta se levanta do sofá e deita no tapete listrado da sala, mostrando a posição.

– Eles me arrastaram para o lado oposto de onde os outros estavam e deixaram a bandeira sobre mim o tempo todo. Eles me batiam e chutavam.

Greta ri.

– Depois arrancaram meu chapéu de sapo, jogaram no chão, pisotearam e chutaram, como se estivessem tendo um acesso de raiva.

– Depois me moveram, de forma muito brutal, para um canto, voltada para a parede. “Um lugar especial para uma dama especial”, disseram. E tinham aprendido as palavras “Lilla hora” (putinha) e “Hora Greta” (Greta puta) em sueco, que repetiam o tempo todo.

Toda vez que alguém levantava a cabeça do chão, era derrubado novamente, contam Greta e os outros suecos. No canto onde Greta estava sentada, os policiais colocaram uma bandeira.

– A bandeira foi colocada de forma que me tocasse. Quando ela tremulava e encostava em mim, gritavam “Não toque na bandeira” e me chutavam na lateral. Depois de um tempo, amarraram minhas mãos com enforca-cabos, bem apertado. Uma fila de guardas se formou para tirar selfies comigo enquanto eu estava sentada daquela forma.


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– Eles pegaram minha bolsa e jogaram fora tudo o que interpretaram como relacionado à Palestina. Pegavam cada item e olhavam nos meus olhos enquanto o cortavam lentamente com uma faca, enquanto dez pessoas tiravam selfies.

De repente, o ministro da extrema direita Itamar Ben-Gvir entrou na área e ficou diante de todos, conta Greta.

– Ele gritava: “Vocês são terroristas. Querem matar bebês judeus.” Os que responderam foram levados para o lado e espancados. Foram jogados no chão e agredidos. Mas eu só conseguia ver de relance, porque toda vez que levantava a cabeça do chão, levava um chute do guarda ao meu lado.

Ela descreve uma cena muito comovente.

– Eu precisava ir ao banheiro e pedi permissão. Então tive que ser conduzida por entre as pessoas sentadas, e elas me viram.

Uma integrante sueca da delegação disse: “Estamos com você, Greta.”

– Então ela foi levada de lado e agredida, diz Greta.

– Quando continuo passando pelas fileiras de pessoas, elas dizem “Slay!”.

(Slay originalmente significa “matar violentamente”. Mas, como gíria da internet, quer dizer fazer algo de forma incrível. Greta usa essa palavra o tempo todo.)

– Eles diziam “Slay” porque sabiam que é uma palavra minha. E quem dizia “Slay” apanhava dos guardas. Continuei andando e alguém gritou “Slaaaay”. E então mais e mais pessoas começaram a gritar “Slay”, e quando todos gritavam, eles não conseguiam bater em todo mundo. Foi…

Ela faz uma pausa e sorri.

Greta foi então levada para dentro de um prédio, para ser revistada e despida.

– Os guardas não têm empatia nem humanidade, e continuavam tirando selfies comigo. Há muita coisa que eu não lembro. Muita coisa acontece ao mesmo tempo. Você está em choque. Está com dor, mas tenta manter a calma.

De repente, ela foi arrastada para um armário de limpeza, onde foi forçada a ajoelhar-se.

– Então Ben-Gvir e sua equipe de mídia entraram, ficaram ali filmando, e ele disse: “Eu vou pessoalmente garantir que você seja tratada como terrorista e apodreça na prisão. Você é Hamas. Você é terrorista. Quer matar bebês judeus.” Enquanto ele gritava, eu me mantive o mais calma possível e citei convenções da ONU, dizendo que Israel não é imune e deve respeitar o direito internacional. Achei que estavam gravando isso para divulgar, mas nunca vi esse vídeo sendo publicado.

– Talvez você tenha respondido bem demais, diz uma das amigas de Greta.

O próprio Ben-Gvir depois contou à imprensa sobre sua visita à prisão – e se gabou do tratamento duro dado aos prisioneiros. Ele descreveu isso como uma política que ele mesmo havia ordenado.

– “Tenho orgulho de que tratemos os ativistas da flotilha como apoiadores do terrorismo”, disse ao jornal Yedioth Ahronoth. “Eles devem experimentar as condições da prisão de Ketziot e pensar duas vezes antes de voltar a Israel. É assim que funciona.”

Após esse encontro no armário de limpeza, Greta relata intermináveis reuniões com autoridades que queriam que ela assinasse papéis declarando, entre outras coisas, que havia entrado ilegalmente em Israel – o que se recusou a fazer. Então suas mãos foram novamente amarradas com enforca-cabos, ela foi vendada e colocada em uma pequena cela dentro de um carro, onde passou uma noite fria com outros prisioneiros.

– Estava gelado. Estávamos de camiseta.

Depois foi levada para a prisão. Lá fora, foi novamente obrigada a se despir, conta.

– Era zombaria, tratamento bruto, e tudo era filmado. Tudo o que faziam era extremamente violento. Jogavam os medicamentos das pessoas no lixo na frente delas – remédios cardíacos, medicamentos contra o câncer, insulina.


Dentro da prisão, havia um grande mural cobrindo uma parede, mostrando uma Gaza bombardeada e pessoas fugindo, com um texto em árabe: “A nova Gaza”, ao lado de uma grande bandeira israelense, diz ela.

 

Na prisão, ela foi mantida em diferentes celas. Às vezes, em uma de cerca de 15 metros quadrados com outras 13 pessoas. Foram muitos dias — quatro, talvez? O tempo se confundia, não havia relógios. Quase não recebiam comida nem água potável durante todo o cativeiro, sendo obrigados a beber da torneira do lavabo do banheiro, de onde saía algo marrom. Vários ficaram doentes.

– Você sentia que não podia “se dar ao luxo” de chorar porque estava desidratado demais.

– Estava tão quente, tipo 40 graus. Pedíamos o tempo todo: “Podemos ter água? Podemos ter água?” No fim, gritávamos. Os guardas passavam diante das grades o tempo todo, rindo e exibindo suas garrafas de água. Jogavam as garrafas cheias no lixo, na nossa frente.

Em certo momento, cerca de 60 pessoas foram colocadas em uma pequena jaula ao ar livre, sob o sol, segundo vários participantes da flotilha. A maioria não tinha espaço nem para se sentar.

– Quando as pessoas desmaiavam, batíamos nas grades e pedíamos por um médico. Então os guardas vinham e diziam: “Vamos asfixiar vocês com gases.” Era algo padrão para eles. Erguendo um cilindro de gás, ameaçavam nos atingir com ele.

Durante as noites, os guardas passavam regularmente balançando as grades, apontando lanternas, e várias vezes por noite nos obrigavam a ficar de pé.

Greta relata que foi colocada em uma cela de isolamento cheia de insetos. Hora após hora, sem saber quanto tempo se passava. Ela cantava uma música para se acalmar.

– Mas precisei parar depois de um tempo, porque cantar aquela música era fisicamente exaustivo.

Greta foi levada para reuniões particulares com várias autoridades, diplomatas e políticos, inclusive representantes do governo.

– Eles disseram: “Oferecemos você ao Hamas em troca de reféns”, e ficaram me encarando em silêncio. Quando perguntei depois de um tempo “Do que se trata isso?”, responderam: “Estávamos brincando.” Outros repetiam: “Isto não é genocídio. Confie em nós – se quiséssemos cometer um genocídio, poderíamos fazê-lo.”

Por cinco minutos no porto, os suecos puderam encontrar um advogado; depois disso não houve assistência jurídica. Só na sexta-feira é que três funcionários da embaixada sueca em Tel Aviv apareceram para ver os suecos — em uma jaula, ao ar livre.

– Estávamos juntos e contamos a eles sobre o tratamento que recebemos. Sobre a falta de comida, de água, sobre os abusos. A tortura. Mostramos nossas lesões físicas — hematomas e arranhões. Deixamos todos os nossos contatos — dei o número do meu pai e o número do nosso contato na organização. Fomos claros: tudo o que dissermos agora deve ser divulgado à mídia.

Segundo Greta Thunberg, a resposta foi que o trabalho deles era nos escutar.

– Eles não fizeram nada, disseram apenas: “Nosso trabalho é ouvi-los. Estamos aqui e vocês têm direito a apoio consular.”

– Dissemos repetidas vezes: precisamos de água. E eles viam que os guardas tinham garrafas d’água. O pessoal da embaixada disse: “Vamos tomar nota disso.” Um de nós, Vincent, disse: “Da próxima vez que nos encontrarmos, vocês devem trazer água.”

Demorou então dois dias até que o pessoal da embaixada voltasse a aparecer.

– Eles não trouxeram água, exceto uma garrafinha pequena pela metade, que era deles — Vincent, que estava em pior estado, conseguiu bebê-la. Continuávamos pedindo aos guardas “Podemos ter água?”, mas eles só andavam com suas garrafas e não respondiam.

Finalmente, o grupo sueco decidiu, na presença do pessoal da embaixada, recusar voltar às celas até que lhes dessem água, segundo várias testemunhas ouvidas pelo Aftonbladet. Mas então o pessoal da embaixada quis sair da prisão, alegam.

– Eu disse: “Vocês vão nos deixar assim? Se saírem agora, vão nos espancar.” Mas eles continuaram andando.

Vários participantes relataram que uma ativista ficou furiosa e chutou a lixeira onde os guardas haviam jogado as garrafas de água. As garrafas se espalharam pelo chão; Greta e os outros se atiraram ao chão e apressaram-se a abrir as garrafas para beber o que restava.

“O pessoal da embaixada vê isso e segue andando.”

No mesmo dia em que os participantes foram libertados após cinco dias de cativeiro, o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson disse à mídia sueca que foi “muito estúpido” viajar para Gaza apesar dos avisos.

Quando o Aftonbladet compara os e-mails enviados pelo Ministério das Relações Exteriores a parentes com o que os detidos dizem ter contado ao pessoal da embaixada, fica claro que a gravidade da situação foi minimizada.

O Ministério descreve a cena no porto, onde Greta foi espancada por horas, assim: “Ela nos falou sobre tratamento duro e que esteve sentada sobre uma superfície dura por muito tempo.”

No sábado, vários meios publicaram depoimentos de que Greta havia sido submetida à tortura.

Em um e-mail visto pelo Aftonbladet, seu pai Svante Thunberg relatou isso ao Ministério das Relações Exteriores:

– Quando o que me enviaram por e-mail não corresponde ao que ela lhes disse, sinto que toda a resposta e o contato são uma traição e pura provocação. Parecia que eu era uma peça em uma guerra cultural, enquanto ao mesmo tempo li que o ministro israelense responsável admitia abertamente que foram submetidos a tortura, de acordo com as leis aplicáveis, diz seu pai, Svante Thunberg.

Aftonbladet conversou com três outros membros da flotilha que confirmam em grande parte o relato de Greta e que também sofreram vários tipos de abuso e humilhação. Falamos também com parentes. Todos criticam fortemente a atuação do pessoal da embaixada sueca.

Uma delas é Marita Rodriguez, cujo marido Tomas esperava em casa com o filho Malik.

– Pedimos que nos repassassem todas as informações que lhes demos e que notificassem nossos familiares. Por que omitiram as coisas mais importantes que dissemos?

Marita tem dupla cidadania, sueca e chilena.

– Vimos um cônsul do Chile. Quando não lhe foi permitido entrar, ele tentou ultrapassar os guardas. Foi um contraste enorme com o pessoal do Ministério das Relações Exteriores sueco, que não parecia protestar. Ali havia alguém tentando desafiar os guardas, dizendo: “Oi, sou seu cônsul do Chile. Só quero saber: como vocês estão?”

Outro prisioneiro foi Vincent Storm, que descreve abuso e humilhação.

– Eles não fizeram nada. Estou tão decepcionado. Vimos delegações de outros países, como a França, enviando seus embaixadores, e eles podiam beber água e comer biscoitos nas reuniões. A embaixada sueca não fez nada, diz ele.

Aftonbladet teve acesso à correspondência por e-mail entre a parceira de Vincent, Rebecca Karlsson, e o Ministério. Em um dos e-mails, o Ministério escreve, entre outras coisas, que Vincent recebeu água: “Durante a visita, ele pôde beber uma garrafa de água que a embaixada trouxe com eles.”

– Mas era uma garrafinha pequena e pela metade que o pessoal da embaixada trouxe para si — e mais ninguém recebeu água. Eles embelezaram a realidade, diz Rebecca Karlsson.

Todos os participantes da flotilha e parentes ouvidos pelo Aftonbladet descrevem de forma semelhante que os testemunhos dos detidos sobre suas experiências foram amaciados pelo Ministério das Relações Exteriores nas comunicações com os familiares. Vários parentes não receberam nenhum relato de seus entes detidos.

“Vamos denunciar o Ministério das Relações Exteriores ao Comitê de Ombudsman Parlamentar por não defender os direitos dos cidadãos suecos”, diz Rebecca Karlsson, que trabalha como gestora em serviços municipais.

Aftonbladet contatou o primeiro-ministro Ulf Kristersson, cujo secretário de imprensa remeteu ao Ministério das Relações Exteriores. Ninguém na embaixada sueca em Tel Aviv quis conceder entrevista.

Em um e-mail ao Aftonbladet, a ministra das Relações Exteriores Maria Malmer Stenergard escreve:

“Os cidadãos suecos se expuseram a grande risco. A Global Sumud Flotilla navegou para Gaza novamente com o mesmo resultado da última vez; nenhuma ajuda emergencial chegou à população civil em Gaza com seus navios.”

Aftonbladet conversou com vários especialistas críticos à atuação do governo. Um deles é o advogado Linus Gardell, que aponta que o ataque às embarcações de ajuda constituiu crime segundo a lei sueca e o direito internacional.

– O silêncio do governo é espantoso, diz ele.

– É difícil de entender, diz Said Mahmoudi, professor emérito de direito internacional na Universidade de Estocolmo.

* Jornalista sueca. Reportagem publicada no jornal Aftonbladet em 15/10/2025.



Fonte:  FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil


 

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Nos termos do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, o Gabinete do Procurador (“OTP”) pode analisar informações sobre alegados crimes da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio e agressão), que lhe sejam submetidos. de qualquer fonte. Isto pode ocorrer durante exames preliminares, bem como no contexto de situações sob investigação. O formulário abaixo pode ser usado para enviar tais informações, também conhecidas como “comunicações”, ao OTP de forma anônima ou nomeada. Gostaria de agradecer-lhe por dedicar seu tempo para enviar informações ao Ministério Público.

Promotor, Karim AA Khan KC


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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Lula critica ‘tirania do veto’ na ONU que impede fim do genocídio em Gaza


Presidente disse que Israel extermina palestinos durante discurso na Conferência de Alto Nível sobre Palestina, em Nova York


Lula-ONU

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (22/09) que o genocídio cometido por Israel contra o povo palestino é “símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo”. Em crítica indireta aos Estados Unidos, que recentemente voltaram a barrar, no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), uma resolução de cessar-fogo imediato e permanente na Faixa de Gaza, afirmou que a “tirania do veto” impede com que atrocidades sejam evitadas.

“Ele mostra como a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam. Também vai contra sua vocação universal, bloqueando a admissão, como membro pleno, de um Estado cuja criação deriva da autoridade da própria Assembleia Geral”, disse o petista.

A declaração de Lula se deu na Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução da Questão Palestina e a Implementação da Solução de dois Estados, na cidade estadunidense de Nova York, à margem da 80º sessão da Assembleia Geral da ONU.

Ao afirmar que o genocídio é o termo mais apropriado para descrever o que ocorre em Gaza, o presidente lembrou que foi justamente por isso que o Brasil decidiu aderir ao caso apresentado pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça.

“Nada justifica tirar a vida ou mutilar mais de cinquenta mil crianças. Nada justifica destruir 90% dos lares palestinos. Nada justifica usar a fome como arma de guerra, nem alvejar pessoas famintas em busca de ajuda. Meio milhão de palestinos não têm comida suficiente, mais do que a população de Miami ou Tel Aviv. A fome não aflige apenas o corpo. Ela estilhaça a alma. O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação”, disse Lula.

Por fim, o petista se comprometeu a reforçar o controle sobre importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e manter suspensas as exportações de material de defesa que possam ser usadas para cometimento de crimes contra a humanidade e genocídio.

“Diante da omissão do Conselho de Segurança, a Assembleia Geral precisa exercer sua responsabilidade”, reiterou. “Apoiamos a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, que teve papel central no fim do regime de segregação racial sul-africano”.

O presidente Lula desembarcou em Nova York no fim da tarde deste domingo (21/09). Na terça-feira (22/09), como tradição, abrirá a reunião de líderes da 80ª Assembleia Geral da ONU. O mandatário tem uma agenda intensa durante os três dias em que estará nos EUA, que incluirá encontros bilaterais com empresas de tecnologia, participação em uma reunião sobre a proposta de dois Estados para o conflito no Oriente Médio e articulações para a COP30, que será realizada em Belém, em novembro.


Leia o discurso na íntegra:

 

“Cumprimento o presidente Emmanuel Macron e primeiro-ministro Mohammed bin Salman por liderarem este importante processo.

A questão da Palestina surgiu no momento em que a Assembleia Geral adotou o chamado Plano de Partilha, há 78 anos.

A sessão em que ele foi aprovado foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha.

Naquela ocasião, nasceu a perspectiva de dois Estados. Mas só um se materializou.

O conflito entre Israel e Palestina é símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo.

Ele mostra como a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam.

Também vai contra sua vocação universal, bloqueando a admissão, como membro pleno, de um Estado cuja criação deriva da autoridade da própria Assembleia Geral.

Um Estado se assenta sobre três pilares: o território, a população e o governo.

Todos têm sido sistematicamente solapados no caso palestino.

Como falar em território diante de uma ocupação ilegal que cresce a cada novo assentamento?

Como manter uma população diante da limpeza étnica a que assistimos em tempo real?

E como construir um governo sem empoderar a Autoridade Palestina?

Como apontou a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio.

Por isso, o Brasil decidiu tornar-se parte do caso apresentado pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça.

Os atos terroristas cometidos pelo Hamas são inaceitáveis. O Brasil foi enfático ao condená-los.

Mas o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis.

Nada justifica tirar a vida ou mutilar mais de cinquenta mil crianças.

Nada justifica destruir 90% dos lares palestinos.

Nada justifica usar a fome como arma de guerra, nem alvejar pessoas famintas em busca de ajuda.

Meio milhão de palestinos não têm comida suficiente, mais do que a população de Miami ou Tel Aviv.

A fome não aflige apenas o corpo. Ela estilhaça a alma.

O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação.

Tanto Israel, quanto a Palestina têm o direito de existir.

Trabalhar para efetivar o Estado palestino é corrigir uma assimetria que compromete o diálogo e obstrui a paz.

Saudamos os países que reconheceram a Palestina, como o Brasil fez em 2010. Já somos a imensa maioria dos 193 membros da ONU.

O Brasil se compromete a reforçar o controle sobre importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e manter suspensas as exportações de material de defesa, inclusive de uso dual, que possam ser usadas em crimes contra a humanidade e genocídio.

Diante da omissão do Conselho de Segurança, a Assembleia Geral precisa exercer sua responsabilidade.

Apoiamos a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, que teve papel central no fim do regime de segregação racial sul-africano.

Assegurar o direito de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo essencial para restituir a força do multilateralismo e recobrar nosso sentido coletivo de humanidade.

Obrigado.”

Fonte: Opera Mundi


Lula


Discurso do presidente Lula durante Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução De Dois Estados

A questão da Palestina surgiu no momento em que a Assembleia Geral adotou o chamado Plano de Partilha, há 78 anos. A sessão em que ele foi aprovado foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. Naquela ocasião, nasceu a perspectiva de dois Estados. Mas só um se materializou.


 

FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil


 Na ONU, Lula afirma que "israel" comete genocídio, tenta "aniquilar sonho palestino" e pede comitê internacional inspirado no modelo contra apartheid na África do Sul: "Nada justifica o extermínio de 50 mil crianças"



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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Comissão da ONU conclui que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza


“Está claro que há uma intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que atendam aos critérios estabelecidos na Convenção do Genocídio.”


United Nations Geneva

GENEBRA –  Israel cometeu genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza, segundo a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, em um novo relatório divulgado  hoje. A Comissão insta Israel e todos os Estados a cumprirem suas obrigações legais, de acordo com o direito internacional, para pôr fim ao genocídio e punir os responsáveis.

A Comissão vem investigando os eventos ocorridos em e desde 7 de outubro de 2023, nos últimos dois anos, e concluiu que as autoridades israelenses e as forças de segurança israelenses cometeram quatro dos cinco atos genocidas definidos pela Convenção de 1948 para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, a saber: matar, causar danos físicos ou mentais graves, impor deliberadamente condições de vida calculadas para causar a destruição total ou parcial dos palestinos e impor medidas destinadas a impedir nascimentos.

Declarações explícitas de autoridades civis e militares israelenses e o padrão de conduta das forças de segurança israelenses indicam que os atos genocidas foram cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, os palestinos na Faixa de Gaza como um grupo.

“A Comissão considera que Israel é responsável pela prática do genocídio em Gaza”, disse Navi Pillay, presidente da Comissão. “Está claro que há a intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que atendam aos critérios estabelecidos na Convenção sobre Genocídio.”

“A responsabilidade por esses crimes atrozes recai sobre as autoridades israelenses dos mais altos escalões, que orquestram uma campanha genocida há quase dois anos com a intenção específica de destruir o grupo palestino em Gaza”, disse Pillay. “A Comissão também conclui que Israel falhou em prevenir e punir a prática de genocídio, ao não investigar os atos genocidas e processar os supostos perpetradores.”

O relatório se baseia em todas as investigações anteriores da Comissão, bem como em conclusões factuais e jurídicas relacionadas aos ataques em Gaza realizados pelas forças israelenses, e na conduta e declarações das autoridades israelenses de 7 de outubro de 2023 a 31 de julho de 2025. As conclusões da Comissão se baseiam em um exame abrangente dos atos subjacentes de genocídio (actus reus) e intenção genocida (dolus specialis).

Ao estabelecer os atos genocidas, a Comissão examinou as operações militares israelenses em Gaza, incluindo a morte e os ferimentos graves a um número sem precedentes de palestinos; a imposição de um cerco total, incluindo o bloqueio da ajuda humanitária, levando à fome; a destruição sistemática dos sistemas de saúde e educação em Gaza; a prática de atos sistemáticos de violência sexual e de gênero; o ataque direto a crianças; a realização de ataques sistemáticos e generalizados a locais religiosos e culturais; e o desrespeito às ordens do Tribunal Internacional de Justiça.

Ao estabelecer a intenção genocida, a Comissão aplicou o padrão de "única inferência razoável" estabelecido pela Corte Internacional de Justiça no caso Bósnia v. Sérvia. A Comissão analisou declarações feitas por autoridades israelenses e concluiu que essas declarações são prova direta de intenção genocida. A Comissão também analisou o padrão de conduta das autoridades israelenses e das forças de segurança israelenses em Gaza, incluindo a imposição de fome e condições de vida desumanas aos palestinos em Gaza, e concluiu que a intenção genocida era a única inferência razoável que se poderia concluir a partir da natureza de suas operações.

“Israel desconsiderou flagrantemente as ordens de medidas provisórias da Corte Internacional de Justiça e as advertências dos Estados-Membros, escritórios da ONU, organizações de direitos humanos e grupos da sociedade civil, e continuou a estratégia de destruição dos palestinos em Gaza”, disse Pillay. “A Comissão considera que as autoridades israelenses não tinham intenção de mudar seu curso de ação. Pelo contrário, as autoridades israelenses persistiram e continuaram com sua campanha genocida em Gaza por quase dois anos. Israel deve pôr fim imediatamente ao genocídio em Gaza e cumprir integralmente as ordens de medidas provisórias da Corte Internacional de Justiça”, acrescentou.

Os atos de líderes políticos e militares israelenses são imputáveis ​​ao Estado de Israel. A Comissão concluiu, portanto, que o Estado de Israel é responsável pela falha em prevenir o genocídio, pela prática do genocídio e pela falha em punir os perpetradores do genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza.

A Comissão também concluiu que o presidente israelense Isaac Herzog, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, incitaram a prática de genocídio e que as autoridades israelenses não tomaram medidas contra eles para punir essa incitação. A Comissão não avaliou completamente as declarações de outros líderes políticos e militares israelenses e considera que elas também devem ser avaliadas para determinar se constituem incitação à prática de genocídio.

A Comissão insta o Governo de Israel a cumprir imediatamente suas obrigações legais internacionais, incluindo o fim do genocídio na Faixa de Gaza e a implementação integral das ordens de medidas provisórias do TribunalInternacional de Justiça.

Israel deve pôr fim à sua política de fome, levantar o cerco e facilitar e garantir o acesso irrestrito à ajuda humanitária em larga escala, bem como o acesso irrestrito de todo o pessoal das Nações Unidas, incluindo o pessoal internacional da UNRWA e do ACNUDH, e de todas as agências humanitárias internacionais reconhecidas que prestam e coordenam a ajuda. A Comissão apela a Israel para que encerre imediatamente as atividades da Fundação Humanitária de Gaza.

A Comissão recomendou que os Estados-Membros cessassem a transferência de armas e outros equipamentos que possam ser usados ​​para cometer atos genocidas para Israel; garantissem que indivíduos e empresas em seus territórios e dentro de sua jurisdição não estivessem envolvidos em auxiliar e auxiliar na prática de genocídio ou incitação à prática de genocídio; e tomassem medidas para responsabilização por meio de investigações e processos legais contra indivíduos ou empresas que estejam envolvidos no genocídio direta ou indiretamente.

“A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio diante da campanha genocida lançada por Israel contra o povo palestino em Gaza. Quando surgem sinais e evidências claras de genocídio, a ausência de ação para impedi-lo equivale a cumplicidade”, disse Pillay. “Cada dia de inação custa vidas e corrói a credibilidade da comunidade internacional. Todos os Estados têm a obrigação legal de usar todos os meios razoavelmente disponíveis para impedir o genocídio em Gaza”, acrescentou.

FIM


Leia o relatório completo aqui .

Contexto : A  Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel foi criada pelo  Conselho de Direitos Humanos da ONU em 27 de maio de 2021 para "investigar, no Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e em Israel, todas as supostas violações do direito internacional humanitário e todas as supostas violações e abusos do direito internacional dos direitos humanos que ocorreram até e desde 13 de abril de 2021". A  Resolução A/HRC/RES/S-30/1 solicitou ainda que a comissão de inquérito "investigasse todas as causas subjacentes das tensões recorrentes, instabilidade e prolongamento do conflito, incluindo discriminação e repressão sistemáticas com base na identidade nacional, étnica, racial ou religiosa".

Para consultas da mídia, entre em contato com:  Todd Pitman, assessor de mídia dos órgãos investigativos do Conselho de Direitos Humanos da ONU:  todd.pitman@un.org / +41766911761; ou Pascal Sim, assessor de mídia do Conselho de Direitos Humanos:  simp@un.org .

Siga os Órgãos Investigativos do Conselho de Direitos Humanos nas Redes Sociais:
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Fonte: UN Human Rights


Francesca Albanese, Relatora Especial da ONU OPt


Ao participar da coletiva de imprensa do CoI hoje em Genebra, alguém me perguntou se eu estava "feliz" por terem confirmado minhas descobertas. Absolutamente NÃO. Gostaria de estar errado. Gostaria que não houvesse um genocídio ainda em andamento, 18 meses após meu relatório, sem fim nem responsabilização à vista.



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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Casa Branca comenta julgamento de Bolsonaro e diz estar pronta para usar 'poderio militar' contra Brasil


O caso é uma 'prioridade' para o governo Trump, que está pronto para 'proteger a liberdade de expressão' no mundo inteiro, afirmou a porta-voz Karoline Leavitt


Gettyimages.ru / Win McNamee
 

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (9), que o governo de Donald Trump está disposto a utilizar o "poderio militar" norte-americano para "proteger a liberdade de expressão no mundo inteiro", ao ser questionada sobre uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.



 A funcionária foi questionada por Michel Shelonburgger, fundador do portal Public News, se Washington cogitaria ''medidas adicionais'' contra países europeus e o Brasil, que supostamente impõem ''censura'' e ''impedem candidatos políticos de concorrer em eleições''.


Senador americano ameaça Brasil 

por relações com a Rússia:

 'sentirão em breve'


Shelonburgger se alongou, em especial, sobre o caso brasileiro, afirmando que o país está censurando empresas norte-americanas e ''impedindo'' a candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro. ''Estamos agradecidos porque o presidente [Trump] impôs sanções Magnitsky contra o juiz [Alexandre de Moraes]'', acrescentou.

Em resposta, Leavitt afirmou que ''A liberdade de expressão é, sem dúvida, a questão mais importante do nosso tempo'', destacando que Trump e seu governo levam o tema ''muito a sério'', buscando assegurar que países ao redor do mundo ''não punam seus cidadãos dessa maneira''.

Nesse contexto, citou as ''medidas significativas'' aplicadas ao Brasil, ''tanto na forma de sanções quanto pelo uso de tarifas'', e em seguida afirmou que o presidente Donald Trump está pronto para ''usar o poderio econômico e militar dos EUA para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo''.


Fonte: RT Brasil


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domingo, 17 de novembro de 2024

VÍDEO: Soldado israelense se filma destruindo ajuda humanitária aos habitantes de Gaza


O vídeo teria sido filmado na cidade de Jabalia, no norte de Gaza, onde dezenas de pessoas morreram no domingo em consequência de um bombardeamento israelita


Captura de tela - Redes sociais

 

Um vídeo de um soldado israelense destruindo suprimentos humanitários destinados aos habitantes de Gaza com uma escavadeira se espalhou nas redes sociais. O vídeo teria sido filmado na cidade de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, onde dezenas de pessoas foram mortas por um bombardeio israelense no domingo.



Entretanto, os palestinos no norte de Gaza sofrem de fome há mais de um mês devido ao cerco rigoroso de Israel. Em Outubro, um grupo de generais reformados  apresentou  às autoridades israelitas um controverso plano de “rendição ou fome” para bloquear completamente a entrega de ajuda humanitária ao norte do enclave palestiniano, colocando em perigo quase meio milhão de pessoas.

Fonte: RT en Español


AJ+Español


As forças israelitas permitiram a entrada de ajuda no norte de Gaza pela primeira vez em mais de um mês e depois incendiaram os abrigos onde a ajuda era entregue.



 geopol•pt


As forças israelitas permitiram a entrada de ajuda humanitária na escola de acolhimento de Beit Lahiya só para poder continuar a receber ajuda militar dos EUA, e depois bombardearam o local, assassinando civis e destruindo a escola.



 TRT World


“Após o deslocamento, sua condição piorou ainda mais e seu peso caiu”

A mãe de Mohammed Abu Odeh, de 7 anos, compartilha as dificuldades de seu filho, cuja paralisia cerebral piorou devido à desnutrição severa causada pelo ataque contínuo de Israel a Gaza.



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