sábado, 23 de maio de 2026

‘DEUS TE ABENÇOE MEU BROTHER’ ÁUDIO: Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro


Vazamento por vazamento, o do trailer do filme "Dark Horse" é o que menos deveria preocupar o "brother" Mario Frias


Intercept Brasil
 

Cartas Marcadas: Parte 38

Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder em Brasília.

Essa é uma edição especial da newsletter Cartas Marcadas, assinada por boa parte dos autores da investigação que chacoalhou o Brasil nos últimos dias. A proposta inicial do mês de maio é que esse espaço seria dedicado apenas a reportagens sobre a tramitação da escala 6×1.

Fizemos isso nas primeiras duas semanas, nos debruçando sobre o lobby empresarial que usa a extrema direita para atravancar a proposta. Mas, no meio do caminho, veio um turbilhão. O Intercept Brasil publicou o maior furo jornalístico do país desde as revelações da Vaza Jato: as mensagens secretas que colocam a família Bolsonaro no centro do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

É claro que não abriremos mão de nossa cobertura da urgente luta dos milhões de trabalhadores que suportam o desumano regime 6×1. Mas faremos uma pausa porque sabemos que a nossa audiência anseia por mais informações sobre a relação do bolsonarismo com o Banco Master.

Portanto, resolvemos mudar os planos e, nesta semana, brindar os leitores com mais um capítulo de nossa investigação: o áudio e as mensagens de texto que revelam a proximidade de mais um líder da extrema direita no Congresso com Daniel Vorcaro. Vamos aos fatos.

Pouco menos de uma hora após o horário em que estava previsto um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no dia 11 de dezembro de 2024, em Brasília, o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, enviou um áudio ao banqueiro agradecendo pelo apoio ao filme “Dark Horse”.

Na gravação, obtida com exclusividade pelo Intercept, Frias afirma que o longa sobre Jair Bolsonaro “vai mexer com o coração de muita gente”, será “muito importante para o nosso país” e pede autorização para informar Vorcaro sobre o andamento da produção.



O registro mostra intimidade entre Frias e Vorcaro, algo que o deputado vem tentando esconder. Na semana passada, após o Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro havia negociado R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, Frias disse que o banqueiro não havia dado “um único centavo” para o longa-metragem.

Cerca de 20 horas depois, o deputado emitiu outra nota e disse que havia “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Ele destacou apenas que Vorcaro ou o Banco Master não haviam aparecido como investidores. A postura demonstra um distanciamento entre os dois – uma versão que um áudio e mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept desmontam.

O conteúdo indica que, além de produtor-executivo de “Dark Horse”, o ex-secretário especial de Cultura de Jair Bolsonaro atuava diretamente na articulação do filme financiado pelo banqueiro, que viria a ser investigado pela maior fraude bancária da história do país.

Na gravação, enviada por WhatsApp para Vorcaro em 11 de dezembro de 2024, às 18h24, Frias diz: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” Imediatamente depois, Vorcaro responde: “Eu to numa ligação te chamo em seguida”. Frias diz “Blz” e, às 19h06, os dois se falam por ligação de voz durante cerca de 2 minutos. 

Como já apontamos no início do texto, o agradecimento veio menos de uma hora após o horário previsto para o encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, naquele dia, na residência do banqueiro em Brasília. Segundo mensagens reveladas pelo Intercept, a reunião foi organizada por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, para tratar do financiamento do filme biográfico internacional sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro participava de uma reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ, no Senado naquele dia e deixou a sua cadeira por volta de 17h30, no horário em que havia sido marcado o encontro. Só voltou às 18h, o que indica que uma possível participação na reunião teria ocorrido de forma remota ou em outro local. O Intercept não conseguiu confirmar se o encontro, de fato, ocorreu.



Na sequência do áudio, Frias mandou novas mensagens ao banqueiro. Em 15 de dezembro de 2024, o deputado enviou uma captura de tela a Vorcaro que exibe uma troca de mensagens entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh, revelando negociações preliminares para a produção de uma obra sobre “um homem comum que se tornou presidente por um milagre”.

No diálogo, o diretor se compromete a conversar com o ator Jim Caviezel sobre o projeto, alertando, contudo, que o astro fará duas perguntas: “1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?”. Frias respondeu que o ator “será imortalizado por esse papel”.



Abaixo do print, Frias escreveu para Vorcaro: “Milagres só são possíveis quando a fé”, “Esse é um desses milagres” e “Vai ser a maior super produção de uma história brasileira”. Aparentemente, na primeira frase, o parlamentar quis dizer “quando há fé”.



Em 22 de dezembro de 2024, houve outra conversa entre o deputado e Vorcaro. O banqueiro disse, às 10h19, que estava na igreja e prometeu chamá-lo quando saísse. Frias não se conteve e, uma hora e 16 minutos depois, antes mesmo que Vorcaro avisasse que estava disponível, escreveu que o filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo mundo”, e teria “um papel histórico imprescindível para as futuras gerações”. Disse ainda que o longa-metragem sobre o ex-presidente era uma “questão de justiça divina”, ao que Vorcaro respondeu, às 11h40: “Tenho certeza disso”. “JB precisa ter sua verdadeira história revelada”, acrescentou Mario Frias. Em outra mensagem, afirmou: “2026 é do Brasil” e depois, frisou: “Deus te abençoe meu Brother”.



As mensagens mostram que a relação entre Frias e Vorcaro ia além de um contato protocolar entre um potencial investidor e um produtor. O deputado também chamava o banqueiro de “meu irmão”, fazia elogios em tom religioso e demonstrava acompanhar de perto o desenvolvimento da obra.

Frias, que foi produtor-executivo de “Dark Horse” e peça-chave na articulação da obra com o banqueiro investigado pela maior fraude bancária do país, passou a propagar mentiras nas redes sociais, na tentativa de descredibilizar as reportagens do Intercept.

Como revelamos no último sábado, o parlamentar compartilhou, no dia 14 de maio, publicações falsas alegando que o Intercept teria recuado sobre as cifras do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O rastreamento da autoria dos conteúdos compartilhados por Frias expõe uma rede de desinformação financiada e estruturalmente ligada ao PL, partido do deputado. O site diario360, por exemplo, pertence a Fagner Leandro de Lima, secretário parlamentar do também deputado federal André Fernandes, do PL do Ceará e tesoureiro da sigla no estado.

Já a página Hora Brasília é registrada em nome de uma empresa de Hugo Alves dos Santos, aliado próximo do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A firma de comunicação atuou nas eleições de 2024 como fornecedora de duas campanhas do PL, recebendo R$ 55 mil de candidatos a vereador, em Atibaia, no interior de São Paulo. Foi nessa cidade que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso, em 2020, na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederik Wassef, num desdobramento da investigação que apurava o esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.


Outro lado


Após a publicação da primeira reportagem da série, a defesa de Mario Frias confirmou que o deputado manteve contato com Vorcaro, mas afirmou que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”. Segundo os advogados, Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome do banqueiro.

A defesa acrescentou que o entusiasmo manifestado nas conversas privadas decorria da “dimensão artística e cultural do projeto”. Procuramos Mario Frias nesta terça-feira, 19, por meio de sua assessoria. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

O PL também foi procurado, mas não respondeu. O espaço segue aberto.

A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas informou que ele não vai se manifestar.



Por: Paulo Motoryn, Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Mauricio Moraes

Fonte: Intercept Brasil


Política 01

Política 02

 



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Ativistas da flotilha de Gaza alegam agressão sexual e estupro em detenção israelense


Serviço prisional israelense nega denúncias de abuso durante a detenção de 430 pessoas que tentavam levar ajuda aos palestinos


Ativistas italianos da Flotilha Global Sumud chegando a Fiumicino. Fotografia: Remo Casilli/Reuters

 

Ativistas liberados da custódia israelense após serem detidos em uma flotilha que tentava levar ajuda a Gaza foram alvo de abusos, alegaram organizadores, com vários hospitalizados com ferimentos e pelo menos 15 relatando agressões sexuais, incluindo estupro.

O serviço prisional de Israel negou as alegações, e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.

A Alemanha disse que alguns de seus cidadãos haviam sido feridos e que algumas acusações eram "graves", sem dar mais detalhes. Uma fonte jurídica na Itália disse que os promotores de lá estavam investigando possíveis crimes, incluindo sequestro e agressão sexual.

Um porta-voz do serviço prisional israelense disse em um comunicado: "As alegações feitas são falsas e totalmente sem base factual.

"Todos os prisioneiros e detentos são mantidos de acordo com a lei, com total respeito por seus direitos básicos e sob supervisão de funcionários profissionais e treinados da prisão", disseram.

"O atendimento médico é prestado de acordo com julgamento médico profissional e de acordo com as diretrizes do ministério da saúde."


Vídeo da Flotilla: O modelo de abuso televisionado de Ben-Gvir foi aprimorado com os palestinos

Leia mais

 

O exército israelense encaminhou as consultas ao ministério das Relações Exteriores, que as encaminhou ao serviço prisional.

Forças israelenses prenderam 430 pessoas a bordo de 50 navios em águas internacionais na terça-feira para deter a flotilha de voluntários que tentava levar suprimentos de ajuda para a Faixa de Gaza.



As alegações de abuso aumentarão a pressão sobre as autoridades israelenses para explicarem o tratamento dado aos detentos, após imagens do ministro da segurança israelense zombando de alguns ativistas na prisão terem provocado uma reação internacional.

A Itália afirmou que os membros da UE estavam discutindo impor sanções ao ministro, Itamar Ben-Gvir.

"Pelo menos 15 casos de agressão sexual, incluindo estupro", postaram organizadores da Flotilha Global Sumud no aplicativo de mídia social do Telegram. "Disparados com balas de borracha a curta distância. Dezenas de ossos quebrados.

"Enquanto o olhar do mundo está fixo no sofrimento de nossos participantes, não podemos enfatizar o suficiente que este é apenas um vislumbre da brutalidade que Israel impõe diariamente aos reféns palestinos."

Luca Poggi, um economista italiano entre os detidos da flotilha, disse à Reuters ao chegar a Roma: "Fomos despidos, jogados no chão, chutados. Muitos de nós fomos atingidos com Taser, alguns foram agredidos sexualmente e alguns tiveram acesso negado a um advogado."


Adrien Jouan apresentando ferimentos após chegar ao aeroporto de Istambul, Turquia. Fotografia: Gaza Freedom Flotilla/Reuters

Promotores em Roma investigavam possíveis crimes de sequestro, tortura e agressão sexual e ouviriam depoimentos de ativistas que haviam retornado à Itália, disse a fonte jurídica italiana.

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores alemão disse que funcionários consulares que se encontraram com ativistas alemães ao chegarem a Istambul relataram que vários tiveram feridos e estavam passando por exames médicos.

O tratamento humano dos cidadãos alemães era uma "prioridade absoluta", disse o porta-voz, acrescentando: "Naturalmente, esperamos uma explicação completa, pois algumas das alegações feitas são graves."

Sabrina Charik, que ajudou a organizar o retorno de 37 cidadãos franceses da flotilha, disse à Reuters que cinco participantes franceses foram hospitalizados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou vértebras fraturadas. Alguns fizeram acusações detalhadas de violência sexual, incluindo estupro, disse ela.

Em uma postagem no Instagram de um grupo ativista verificado pela Reuters, um cidadão francês, Adrien Jouan, mostrou hematomas nas costas e nos antebraços.

Ativistas disseram que parte dos supostos abusos ocorreu no mar após sua interceptação pelas forças navais israelenses, e parte após sua prisão e prisão em Israel.

Ativistas de vários países europeus eram esperados para chegar para casa em voos vindos da Turquia após terem sido deportados de Israel na quinta-feira.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse a repórteres que 44 membros da flotilha espanhola deveriam chegar durante toda a sexta-feira em voos de Istambul para Madri e Barcelona. Quatro deles receberam tratamento médico pelos ferimentos, acrescentou.

Governos ocidentais expressaram sua indignação na quinta-feira depois que Ben-Gvir postou um vídeo dele mesmo zombando de ativistas que estavam sendo imobilizados no chão em uma prisão.

O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, disse à margem da reunião da Otan na Suécia que estava em contato com todos os seus homólogos da UE "para que possa haver uma decisão rápida de impor sanções" a Ben-Gvir.

Fonte: The Guardian



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Miguel Ruiz Calvo


CRIME BRUTAL 


Os soldados do regime ocupante violaram e torturaram os ativistas humanitários da Flotilha Global Sumud.

Após serem sequestrados em águas internacionais, os ativistas foram levados a prisões e, após as primeiras libertações, relataram atos de tortura, violações, descargas elétricas, humilhações, abusos psicológicos, etc.

Várias pessoas precisaram de atendimento médico urgente após serem libertadas do cativeiro.

Entre os sequestrados havia médicos, jornalistas e ativistas de dezenas de países, incluindo cidadãos espanhóis.

O silêncio é cumplicidade e vergonha.



 Clash Report


Ativista da Flotilha Sumud Global Brasileira Thiago Ávila:

Soldados israelenses estupraram nosso povo na Flotilha Sumud Global.

Não foi um, não dois, não três.

Eles estavam levando comida e remédios para Gaza. Estavam levando fórmula para bebês, e foram estuprados por soldados israelenses.



Cidadania e Solidariedade 01

Cidadania e Solidariedade 02




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segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que revelam os arquivos secretos sobre OVNIs divulgados pelos Estados Unidos


Pentágono liberou acesso a mais de 160 documentos sobre vida alienígena


Pentágono liberou acesso a mais de 100 arquivos sobre vida alienígena • Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA

Na sexta-feira (8), o governo dos Estados Unidos começou a divulgar uma série de arquivos oficiais sobre objetos voadores não identificados, os OVNIs. O repositório inclui dezenas de fotografias, vídeos e relatórios militares sobre o avistamento de possíveis fenômenos extraterrestres.

Os arquivos foram publicados em um site oficial do Departamento de Guerra norte-americano. Ao todo, mais de 160 arquivos tiveram acesso liberado ao público.

A divulgação do dossiê sobre os “Fenômenos Aéreos Não Identificados” (UAP, na sigla em inglês), nomenclatura atual para OVNIs, foi realizada meses após uma ordem emitida pelo presidente Donald Trump.

Em sua rede social Truth Social, o chefe de estado comentou a liberação: "Quanto à minha promessa, o Departamento de Guerra liberou o primeiro lote de arquivos sobre OVNIs/UAPs para que o público os revise e estude [...] O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO?" Divirtam-se e aproveitem!"


Eventos misteriosos e depoimentos exclusivos


Os documentos revelam uma série de avistamentos de atividade terrestre, que se expandem por décadas. Entre imagens, comunicações de missões espaciais e gravações audiovisuais, os arquivos trazem uma série de relatos sobre possíveis aparições extraterrestres, incluindo o avistamento de objetos metálicos voadores se movendo a grandes velocidades.

Um dos arquivos que têm ganhado atenção é uma foto tirada na lua pela tripulação da missão espacial Apollo 17, realizada na década de 1970. Segundo o relatório, um dos astronautas observou três pontos de luz no céu que despertou a curiosidade do grupo por parecerem "partículas ou fragmentos de forma triangular e muito brilhantes".

Confira a imagem a seguir:


Foto tirada na missão Apollo 17 mostra três pontos de luz não identificados • Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA

Além disso, o banco de dados também traz uma gravação feita sobre o Mar Mediterrâneo, onde foi avistado um objeto em formato elipsóide se movendo a grandes velocidades próximo a aeronaves militares. Outros documentos incluem relatórios escritos durante a Guerra Fria e protocolos de defesa contra possíveis ameaças extraterrestres.

Segundo o Departamento de Guerra, o acervo inclui arquivos de agências governamentais como a NASA, o FBI, o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional e o Gabinete de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios. Ainda de acordo com o governo americano, a proposta é que o site seja atualizado toda semana com novos conjuntos de documentos.


Liberação de arquivos divide opiniões


O anúncio teve repercussão imediata na mídia e voltou a colocar o tema dos OVNIs no centro do debate público, despertando tanto o interesse da comunidade científica quanto o surgimento de novas teorias da conspiração. Nas redes sociais, milhões de usuários passaram a examinar minuciosamente, quadro a quadro, os vídeos divulgados pelo Pentágono.

Ao mesmo tempo, a decisão também levantou questionamentos no cenário político dos Estados Unidos. Para alguns analistas, a desclassificação ocorre em um momento delicado para a Casa Branca, em meio a tensões internacionais e desafios econômicos internos, o que gerou especulações sobre possíveis motivações estratégicas por trás da medida.

Apesar das críticas, especialistas das áreas de segurança e astronomia consideram a iniciativa um dos maiores atos de transparência do governo americano sobre o tema nas últimas décadas.



Saiba mais sobre o assunto:



Fonte: Itatiaia


PRESIDENTE TRUMP: "Vamos divulgar mais informações sobre OVNIs em breve, pela transparência." "As pessoas querem saber, e vai ser interessante."





Ufologia - OVNIs - Aliens - UAP  01

Ufologia - OVNIs - Aliens - UAP  02


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair


“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025


Imagem: Intercept Brasil

Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.

A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro


 

Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Os registros incluem um cronograma de desembolso, um comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção. Não há evidências nas mensagens de que Vorcaro tenha feito os outros oito pagamentos previstos para o projeto.

O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, mas teve outros intermediários, como o irmão e deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro.

As conversas privadas e os documentos de Vorcaro revelam os profundos laços financeiros e a estreita relação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro que se tornou o homem mais radioativo de Brasília. Flávio já havia negado tais conexões, da sua família e da extrema direita, chegando a dizer que isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”. 

Quando foi noticiado, em março deste ano, que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano Zettel – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN que isso aconteceu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”. 

“Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”, afirmou o senador. Em evento da pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, dois dias antes, ele classificou o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”.

Na manhã desta quarta-feira, 13, Flávio Bolsonaro foi questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao filme e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, deu uma gargalhada e se retirou de onde concedia entrevista à imprensa, próximo ao Supremo Tribunal Federal, o STF – antes, o senador havia se reunido com o ministro Edson Fachin, presidente da corte.

Flávio já havia sido contatado sobre o assunto – por telefone, WhatsApp e e-mail, mas não retornou até a publicação da reportagem. A defesa de Daniel Vorcaro foi acionada, mas não houve resposta. Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos enviados pelo Intercept. O espaço segue aberto e, caso haja resposta, o texto será atualizado.

Em nota enviada ao Intercept após a publicação da reportagem, a defesa do deputado federal Mario Frias confirmou os contatos entre o parlamentar e Vorcaro, mas disse que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”.

Também destacou que Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome de Vorcaro. Ainda negou qualquer uso do mandato parlamentar para “promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial”.

O advogado do deputado informou, ainda, que, na época da troca de mensagens, Vorcaro era conhecido como um empresário do mercado financeiro e “não havia qualquer informação pública que indicasse eventual irregularidade financeira” atribuída ao banqueiro. “Conversas privadas envolvendo exibição de conteúdo audiovisual ou encontros sociais entre pessoas públicas e empresários não configuram irregularidade”, destacou a defesa do parlamentar.

Sobre o filme, a defesa pontuou que Frias participou do desenvolvimento criativo e institucional do projeto audiovisual e que “o entusiasmo manifestado nas mensagens privadas decorre da dimensão artística e cultural do projeto, considerado por sua equipe como uma produção inédita dentro do cinema nacional independente”.


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Vorcaro bancou filme do clã Bolsonaro


Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que pelo menos parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Os registros ainda sinalizam a participação direta nas operações de outros dois intermediários: o empresário Thiago Miranda – fundador e sócio do Portal Leo Dias –, e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro de Vorcaro.

As mensagens obtidas pelo Intercept abrangem o período de dezembro de 2024 a novembro de 2025 e incluem diálogos do banqueiro com diversos interlocutores. O conteúdo do vazamento foi verificado por meio de cruzamento de informações contidas nos diálogos com dados públicos e sigilosos. Entre os elementos que confirmaram a autenticidade do material estão dados bancários e telefônicos, inquéritos policiais, registros do Congresso Nacional e de redes sociais.

De acordo com as conversas a que tivemos acesso, o relacionamento entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar a produção internacional do filme contava com um intermediário no fim de 2024 e, no ano seguinte, evoluiu para uma interlocução direta, marcada por cobranças para a liberação de dinheiro, tratativas operacionais e demonstrações de proximidade pessoal.

As conversas também indicam que Daniel Vorcaro acompanhava pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação a outros compromissos financeiros.

O Intercept entrou em contato por e-mail com advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


‘Flavio está ciente de tudo’


A primeira aproximação registrada pelas conversas obtidas pelo Intercept ocorreu em 8 de dezembro de 2024, quando o empresário Thiago Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em Brasília. 

Na mensagem para confirmar o encontro, Miranda afirmou ao banqueiro que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$” [uma possível referência ao canal de televisão SBT], acrescentando que “Flavio está ciente de tudo”. 

Thiago Miranda e Leo Dias foram contatados para comentar as trocas de mensagens. Até a publicação da reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto e, caso haja retorno, o texto será atualizado.

O SBT, por sua vez, respondeu que, “nunca teve qualquer tipo de contrato com o Banco Master” e que “o produto CredCesta, vinculado ao Grupo Master, fez ações comerciais de fevereiro a dezembro de 2024 em programa do SBT” e que “a relação do SBT com o Banco Master foi a mesma que com todos os seus anunciantes, com estritamente a comercialização de espaços publicitários”.



A reunião foi marcada, segundo os registros, para 11 de dezembro, às 17h30, na residência de Vorcaro em Brasília. Naquele dia, Flávio Bolsonaro participou de uma reunião deliberativa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ. O vídeo disponível no canal do Senado no YouTube mostra que, por volta das 17h30, ele recebe um telefonema, se levanta e sai da sala

As imagens mostram Flávio voltando a se sentar na sua cadeira poucos minutos depois das 18h, o que sugere que uma possível participação na reunião poderia ter ocorrido de forma remota ou em outro local.

Pouco menos de uma hora após o horário previsto para o encontro, às 18h24, as mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Mario Frias enviou um áudio para Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto. Frias afirmou que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e seria importante para o país. Na sequência, ele e o banqueiro fizeram uma ligação telefônica entre si.

Nos meses seguintes, as mensagens indicam avanço das negociações. No início de 2025, Miranda e Flávio pressionam Vorcaro para destravar os contratos e iniciar os aportes.


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No dia 20 de janeiro, Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Flávio Bolsonaro pedia que o jurídico do investidor fosse pressionado para concluir o processo. Horas depois, Vorcaro respondeu a Miranda, na época CEO do Portal Leo Dias: “Vou atras aqui”.

As conversas mostram que o cronograma de pagamentos passou a ser acompanhado diretamente pelo banqueiro e por Fabiano Zettel, apontado nas mensagens como responsável pela operacionalização jurídica e financeira do aporte. Entramos em contato com o advogado de Zettel, Celso Vilardi, mas ele não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.

No dia 21 de janeiro, Zettel explicou a Vorcaro que o filme teria um fluxo específico de pagamentos: dez parcelas de 2,5 milhões de dólares. Meses depois, em agosto do mesmo ano, Miranda enviou a Daniel Vorcaro um documento com uma tabela indicando que o fluxo de pagamentos acordado foi diferente: 14 parcelas – 12 delas de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões de dólares.

Ainda em janeiro, no dia 28, Vorcaro demonstrou preocupação com os atrasos nos repasses financeiros e afirmou que o projeto cinematográfico era prioridade absoluta ao definir o pagamento como “o mais importante disparado”. E deu uma ordem: “Nao pode falhar mais”.

As mensagens também revelam dificuldades operacionais para a remessa internacional dos recursos. Em fevereiro, Zettel relatou sucessivas recusas do setor de câmbio do Banco Master para realizar a operação e que informações de cadastro eram “meio estranhas”. Vorcaro, então, orientou que o pagamento fosse realizado “via entre”, uma referência à empresa Entre Investimentos e Participações.



Embora o Grupo Entre Investimentos e Participações e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes, processos judiciais e administrativos obtidos pelo Intercept evidenciam uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro. Em março de 2026, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, uma empresa que pertencia ao Grupo, autoridades passaram a investigar a suspeita de que Vorcaro atuaria como dono oculto da empresa.


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Segundo matérias publicadas por Metrópoles e Estadão, investigadores avaliam que Antônio Carlos Freixo Júnior — executivo ligado ao Grupo Entre e identificado nas mensagens do vazamento obtido pelo Intercept como Mineiro — funcionaria como operador de interesses do banqueiro dentro da companhia.

Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver uma ligação entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo os registros, Fabiano Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.

O Intercept enviou mensagem por WhatsApp e telefonou para Antônio Carlos Freixo Júnior, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


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Dias depois, em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou ao banqueiro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de dólares para o Havengate Development Fund LP, identificado nas mensagens como o fundo ligado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece no registro como a remetente do valor.

O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e Participações, foi contatado pela reportagem e disse em nota que “não existe vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro. A empresa reafirma seu compromisso com a transparência, permanecendo à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”.

Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas, nos Estados Unidos, e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.

Os documentos desta segunda firma apontam o corretor de imóveis Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.

Em março de 2025, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept, Vorcaro voltou a cobrar a quitação das parcelas ainda pendentes. Em uma mensagem enviada no dia 12 daquele mês, ele encaminhou um cronograma de desembolsos indicando que apenas a primeira parcela havia sido paga até então. O documento previa seis parcelas somando 10,6 milhões de dólares entre janeiro e maio de 2025.

Em contato telefônico, Altieris Santana se recusou a prestar informações à reportagem, indicando Paulo Calixto como representante legal. Paulo Calixto, por sua vez, não respondeu aos contatos telefônicos, por e-mail e via mensagem feitos pelo Intercept.


Crise do Master atrapalha ‘Dark Horse’


No dia 21 de março, o nome de Eduardo Bolsonaro apareceu pela primeira vez nas conversas a que tivemos acesso. Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Eduardo sugere alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA – e informa que Altieris Santana, controlador do fundo Havengate, estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.

No contato com a reportagem do Intercept, Altieris Santana se recusou a comentar a relação com o filho do ex-presidente ou a intermediação dos pagamentos. O Intercept também questionou por e-mail o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.

O cronograma de financiamento do filme coincidiu com a tentativa fracassada de Vorcaro de vender o Master para o Banco de Brasília, o BRB, e com a crescente atenção das autoridades, que culminaria na sua prisão. Ao longo do segundo semestre de 2025, as mensagens indicam aumento da pressão financeira sobre Vorcaro e uma intensificação do contato direto com Flávio Bolsonaro.

Em agosto, Miranda enviou ao banqueiro a imagem de uma tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund”, segundo a qual 10,6 milhões de dólares já haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9 milhões de dólares. Vorcaro respondeu: “segunda fazemos duas”, e Miranda afirmou estar “monitorando essa reta final”.

A reportagem do Intercept telefonou para Miranda e enviou questionamentos a ele por WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Pouco depois, em 8 de setembro, alguns dias antes de Jair Bolsonaro ser condenado pela trama golpista, Flávio Bolsonaro enviou um áudio diretamente a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando para o risco de paralisação da produção do filme.

Na gravação, o senador diz que havia preocupação com o atraso nos pagamentos a profissionais internacionais envolvidos na produção. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.

Flávio também disse que o não cumprimento dos compromissos financeiros poderia comprometer contratos, elenco, direção e toda a equipe do longa. “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, declarou.



Na resposta, Vorcaro pediu desculpas, afirmou que a semana anterior havia sido muito difícil para ele e prometeu resolver a situação até o dia seguinte. Na mesma noite, os dois fizeram uma ligação telefônica de cerca de dois minutos e meio, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept.

Cinco dias antes dessas mensagens entre Flávio e Vorcaro, o BRB anunciou que o Banco Central havia reprovado a venda do Master. 


‘Tudo isso só está sendo possível por causa de vc’


As conversas seguintes mostram a manutenção do contato frequente entre ambos. Ainda em setembro, Flávio e Vorcaro realizaram quatro ligações e marcaram encontros presenciais em São Paulo.



Em uma troca de mensagens no dia 17, Vorcaro perguntou “14:30?”, ao que Flávio respondeu: “Blz”. Em outubro, as cobranças se intensificaram novamente. No dia 22, Flávio informou que as filmagens já estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado “no limite”. O senador afirmou que, caso o apoio financeiro não pudesse continuar, seria necessário avisar para que a equipe buscasse “outro caminho”. O banqueiro o tranquilizou: “Deixa comigo”.





No mesmo dia, Flávio convidou Vorcaro para um jantar em São Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh em 2 de novembro. O banqueiro sugeriu realizar o encontro em sua própria residência e que poderia reorganizar sua agenda para comparecer, pois “tinha uma viagem”. Flávio sugeriu, mais tarde, a data de 6 de novembro. Não há confirmação, nos registros, se o jantar de fato ocorreu.



Enviamos questionamentos para Nowrasteh e Caviezel, mas não houve resposta até o momento de publicação.

No dia 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro responde: “Que demais”. Em seguida, diz: “Ficou perfeito”.



Em dezembro de 2025, o Intercept revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. A origem do dinheiro que custeou a super produção permanecia, no entanto, uma incógnita. Enviamos questionamentos para Gama, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.

O protagonista Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia do filme “Dark Horse” para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição presidencial que Flávio Bolsonaro espera vencer. O site oficial do filme, no entanto, não confirma que a produção tem data para chegar ao Brasil.



 Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa, Angélica Neiva, André Garavatti, Bianca Pyl, Eduardo Lima, Rafaela Silva, Samantha Prado, Sarah Germano e Thalys Alcântara

Atualização: 13 de maio de 2026, 16h29
O texto foi atualizado para incluir as respostas da defesa do deputado federal Mario Frias, do PL de SP, aos questionamentos do Intercept.

Atualização: 14 de maio de 2026, 09h38
O texto foi atualizado para incluir as respostas da assessoria de imprensa do Grupo Entre aos questionamentos do Intercept.


Por: Paulo Motoryn, Eduardo Goulart, Laís Martins, Andrew Fishman, Cecília Olliveira, Leandro Becker e Mauricio Moraes

O Intercept investiga.Você torna isso possível.

Fonte: Intercept Brasil


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Política 02




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Epstein assessorou o Tesouro dos EUA em questões de criptomoedas durante a campanha de sanções ao Irã de Obama


Funcionários do Tesouro consultaram Jeffrey Epstein sobre o uso de criptomoedas durante as negociações com o Irã sobre o acordo nuclear, mesmo enquanto ele fazia investimentos em tecnologia blockchain


Jeffrey Epstein (ao centro) e Howard Lutnick (à direita, no centro), atual Secretário de Comércio, em uma foto sem data divulgada pelo Departamento de Justiça em janeiro. Fonte: Departamento de Justiça dos EUA .

Ao longo do último ano, o Drop Site tem divulgado o que os principais meios de comunicação não divulgam: os profundos laços de Jeffrey Epstein com figuras poderosas do governo dos EUA, dos Emirados Árabes Unidos e de Israel.

Nossa investigação mais recente rastreia essas conexões até os esforços do governo Obama para fechar um acordo nuclear com o Irã, revelando o papel de Epstein em ajudar o Departamento do Tesouro a entender o papel emergente do Bitcoin e de outras criptomoedas no financiamento do terrorismo e na evasão das sanções econômicas americanas. Estamos documentando as operações financeiras e as negociações de segurança de Epstein que envolvem governos ao redor do mundo.

Quando você expõe esse tipo de poder, esses interesses poderosos vêm atrás de você.

Nossas investigações sobre Epstein estão em andamento. Mas só podemos prosseguir se tivermos os recursos e a proteção legal para defender esse trabalho.

Não respondemos a anunciantes preocupados com governos poderosos. Não temos donos bilionários com interesses comerciais a proteger. Respondemos apenas a você.

É por isso que podemos publicar as investigações sobre Epstein que os principais veículos de comunicação se recusam a abordar. E é por isso que precisamos do seu apoio para defendê-las quando esses poderosos interesses nos atacarem por publicá-las.

Se você valoriza este trabalho jornalístico, pode fazer uma doação dedutível de impostos hoje mesmo para nos ajudar a continuar?

Hoje, empresas de transporte marítimo pagam pedágios em criptomoedas a Teerã para atravessar o Estreito de Ormuz, numa tentativa do governo iraniano de proteger esses pagamentos da apreensão pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA. Cerca de US$ 8 bilhões circularam pelas corretoras de criptomoedas do Irã no ano passado, e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) movimenta bilhões a mais por meio de corretoras estrangeiras como a Binance, onde empresas chinesas podem pagar secretamente pelo petróleo iraniano sem temer represálias dos EUA.

Há mais de uma década, porém, o governo iraniano relutava em adotar criptomoedas, desconfiado de um possível envolvimento dos EUA no desenvolvimento do Bitcoin. Os EUA também tinham dúvidas sobre a tecnologia, vendo-a principalmente como uma forma de contornar os controles financeiros.

“O governo dos EUA acha que o Irã pode usar o bitcoin para contornar todas as sanções, e o Irã acha que tudo isso é uma armação da CIA”, disse um porta-voz da CoinAva, a primeira corretora de criptomoedas do Irã, ao CoinDesk em 2013. Mesmo assim, o Centro Nacional de Ciberespaço do Irã iniciou o processo de regulamentação das moedas digitais em março de 2014, buscando alternativas para se proteger da pressão das sanções americanas .

A hesitação dos EUA em relação às criptomoedas fica evidente nos e-mails de Jeffrey Epstein — uma figura que tinha grande interesse no desenvolvimento de criptomoedas e atuava como consultor do Departamento do Tesouro dos EUA sobre o assunto. As intervenções de Epstein ocorreram em um momento em que os EUA buscavam uma distensão com o Irã em relação ao seu programa nuclear, e o crescimento e desenvolvimento do Bitcoin e de outras criptomoedas começavam a remodelar o cenário financeiro global. (Todos os e-mails estão disponíveis para leitura no Jmail — a indispensável caixa de entrada de e-mails de Epstein, com função de busca, que imita o Gmail.)

Em agosto de 2014, no mesmo verão em que o Irã começou a regulamentar as criptomoedas, Epstein viajou a Washington D.C. para uma reunião com o Departamento do Tesouro dos EUA , enquanto o governo Obama preparava uma nova rodada de sanções contra o setor energético iraniano. Epstein estava acompanhado por Philip West, presidente da Steptoe, uma firma de advocacia especializada em questões relacionadas a sanções .


Informações da agenda de viagens de Jeffrey Epstein em 21 de agosto de 2014. Fonte: Departamento de Justiça dos EUA .

Epstein estava mais do que familiarizado com a questão das sanções iranianas desde a Revolução Islâmica de 1979 e tinha vasta experiência e interesse em movimentações clandestinas de capital. No início da década de 1980, Epstein dividia um escritório na cobertura com Stan Pottinger, um advogado que movimentava armas embargadas por meio de empresas de fachada para financiar a guerra entre o Irã e o Iraque. Epstein também trabalhou, em determinado momento, para o financista saudita Adnan Khashoggi, que utilizou instituições financeiras pouco regulamentadas, como o Banco de Crédito e Comércio Internacional, para lavar dinheiro proveniente de vendas secretas de armas, no que ficou conhecido como o caso "Irã-Contras".

De acordo com as anotações de Epstein sobre a reunião, funcionários do Escritório de Financiamento do Terrorismo e Crimes Financeiros queriam a opinião do financista sobre como as criptomoedas poderiam ser usadas para remessas de armas e pagamentos relacionados à proliferação nuclear .


Jeffrey Epstein para Joi Ito, 21 de agosto de 2014. Fonte: Departamento de Justiça dos EUA .


Epstein não ficou impressionado com os funcionários do Tesouro que conheceu, descrevendo-os em um e-mail para Joi Ito, diretora do Media Lab do MIT, como “não muito inteligentes, muito opinativos (não é um público que eu aprecie)”. Mais tarde, ele reclamou para Kathryn Ruemmler, que havia deixado recentemente seu cargo como conselheira da Casa Branca de Obama, que a reunião foi como “ dar uma palestra em uma faculdade comunitária do Queens ”.

Após a reunião, Epstein retornou aos escritórios de Steptoe para se encontrar em particular com o Subsecretário de Estado William Burns, que liderava as negociações para restringir o programa nuclear iraniano. No dia seguinte, Epstein escreveu para Peter Thiel, cofundador da Palantir, oferecendo-se para intermediar um encontro entre Burns e Thiel . Ele descreveu Burns a Thiel como “o melhor e mais respeitado diplomata do governo”.

As reuniões em Washington ocorreram exatamente no momento em que os Departamentos do Tesouro e de Estado tentavam maximizar sua influência durante as negociações nucleares com o Irã. Após os EUA e o Irã estenderem o "Plano de Ação Conjunto" em julho de 2014, uma pequena janela se abriu para os EUA aumentarem a pressão sobre o Irã antes da assinatura de um acordo abrangente. No ano anterior, Epstein havia trabalhado em estreita colaboração com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak para convencer autoridades americanas a atacar o Irã .

Uma semana após a visita de Epstein, em 29 de agosto, os Departamentos do Tesouro e de Estado anunciaram conjuntamente uma nova rodada de sanções contra o Irã. O pacote tinha como alvo mais de 20 pessoas, empresas, bancos e embarcações acusadas de apoiar o programa nuclear iraniano, ajudar o país a burlar as sanções ou auxiliar o terrorismo.

Em 4 de setembro, Burns, que mais tarde serviria como diretor da CIA sob o governo do presidente Joe Biden, e um grupo de funcionários do Tesouro se reuniram com autoridades iranianas em Genebra para realizar a terceira rodada de negociações bilaterais sobre um acordo nuclear. David Cohen, subsecretário para terrorismo e inteligência financeira do Tesouro, atribuiu às sanções o mérito de "ter levado os iranianos à mesa de negociações". Mais tarde naquele mês, Burns viajou para Nova York para mais conversas com autoridades iranianas e agendou outro encontro com Epstein na mesma semana. Após a reunião, Epstein colocou Burns e Thiel em contato por e-mail.

Em uma declaração enviada por e-mail ao Drop Site, um porta-voz de Burns disse que ele se lembrava de ter sido apresentado a Epstein e de "ter se encontrado brevemente com ele uma vez na cidade de Nova York". O porta-voz afirmou que Burns "lamenta profundamente ter se encontrado com ele e não sabia nada sobre ele antes desses dois breves encontros, além de que ele foi apresentado como um especialista no setor de serviços financeiros e ofereceu conselhos gerais sobre a transição para o setor privado. Quando o embaixador Burns soube do histórico do Sr. Epstein pouco depois desses dois breves encontros, ficou horrorizado. Ele nunca mais se encontrou com ele. Eles não tinham nenhum relacionamento."

O porta-voz também afirmou que Burns não discutiu o acordo nuclear com o Irã nem criptomoedas com Epstein durante os encontros que tiveram em 2014.

Kathryn Ruemmler, Joi Ito e Peter Thiel não responderam aos pedidos de comentários.


“Seu pior pesadelo”


O envolvimento de Epstein com autoridades de segurança nacional durante as negociações com o Irã coincidiu com seu crescente interesse pelos engenheiros de software que pesquisavam criptomoedas.

O Bitcoin foi lançado originalmente em 2009 com o objetivo de construir um sistema de pagamentos que pudesse operar fora do alcance de bancos centrais e intermediários financeiros estatais. Satoshi Nakamoto, o criador pseudônimo do Bitcoin, "aposentou-se" em 26 de abril de 2011, cessando a comunicação com os desenvolvedores e efetivamente desaparecendo. No dia seguinte, Gavin Andresen, principal mantenedor do Bitcoin, anunciou planos para discutir o Bitcoin na sede da CIA .

Epstein queria se encontrar com Andresen e outros membros da equipe do Bitcoin antes da reunião com a CIA . Com a ajuda do investidor de capital de risco Jason Calacanis, Epstein contatou Amir Taaki, um hacker britânico-iraniano, logo após o lançamento da " Britcoin " por Taaki , a primeira corretora de criptomoedas do Reino Unido. Em 12 de junho de 2011, Epstein enviou um e-mail a Taaki com um aviso : "Amir, a ideia do Bitcoin é brilhante", escreveu Epstein, "mas sugiro que tenha algumas desvantagens sérias, como tenho certeza que você sabe". Mais tarde, Epstein se encontrou com o sócio de Taaki para discutir fraudes e crimes em corretoras de criptomoedas.

Os potenciais usos ilícitos das criptomoedas rapidamente se materializaram. Em 2011, o hacker americano Ross Ulbricht lançou a Silk Road, um mercado na darknet que usava Bitcoin para facilitar o tráfico anônimo de drogas e outros serviços ilegais. Ulbricht foi preso na seção de ficção científica da Biblioteca Pública de São Francisco, em 1º de outubro de 2013, depois que investigadores ligaram seu pseudônimo, "Dread Pirate Roberts", ao seu e-mail pessoal. O FBI apreendeu o domínio da Silk Road e desativou o site no dia seguinte à prisão de Ulbricht.

Epstein e seu círculo de amigos acompanhavam de perto a investigação da Silk Road. Boris Nikolic, principal conselheiro de Bill Gates, enviou a notícia a Epstein logo após a prisão de Ulbricht. "Que pena que ele tenha cometido um erro tão estúpido", escreveu Nikolic. "Muita gente vai ser indiciada", respondeu Epstein.


Boris Nikolic e Jeffrey Epstein discutem a prisão de Ross Ulbricht, em outubro de 2013. Fonte: Departamento de Justiça dos EUA .

Alguns meses depois, Epstein começou a discutir com o hacker italiano Vincenzo Iozzo sobre como tornar a moeda digital aceitável para bancos e governos, preservando a privacidade das transações com criptomoedas. "No momento em que você remove o anonimato do bitcoin, surge um problema significativo de privacidade", alertou Iozzo a Epstein. "Isso significa que agora todos sabem o que você compra/vende com bitcoin; é o sonho de consumo dos anunciantes (entre outros), mas provavelmente o seu pior pesadelo." Um informante do FBI alegou posteriormente que Iozzo era o "hacker pessoal" de Epstein, que vendia armas cibernéticas tanto para terroristas quanto para governos.

Iozzo não respondeu ao pedido de comentário.


“Possibilidades Infinitas”


Antes de se reunir com autoridades do Tesouro e do Departamento de Estado em agosto de 2014, Epstein notificou vários líderes dos setores de tecnologia e finanças sobre sua viagem iminente — incluindo Brock Pierce, cofundador da Tether, uma "stablecoin" cujo valor é atrelado ao dólar americano. A Tether foi lançada um mês antes da visita de Epstein (originalmente chamada de "Realcoin") como um token de criptomoeda supostamente lastreado em reservas de moeda fiduciária na proporção de um para um.

O Tether, cuja capitalização de mercado foi estimada em US$ 187 bilhões no final de 2025, tornou-se estruturalmente importante para a economia global — ultrapassando o Bitcoin como a criptomoeda mais negociada do mundo e alimentando uma rede financeira global que também dá suporte à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. Enquanto Teerã busca escapar do domínio do regime de sanções dos EUA, que restringe o acesso de entidades iranianas a dólares para o comércio internacional, o governo iraniano acumulou enormes quantidades de Tether, centenas de milhões de dólares dos quais foram alvo de apreensão em abril deste ano pelo Departamento do Tesouro, como parte de sua campanha de pressão "Fúria Econômica".

No mesmo mês do lançamento do Tether, Epstein começou a investir na infraestrutura central do Bitcoin. Em 15 de julho, Epstein e Ito fizeram um investimento inicial de US$ 500.000 na Blockstream, após convidarem os cofundadores da startup de blockchain para a ilha de Little St. James. A Blockstream ajudou a transformar o ecossistema do Bitcoin, de um " dinheiro eletrônico ponto a ponto ", como originalmente idealizado no white paper de Nakamoto em 2008, para uma "moeda de reserva global" e camada de liquidação para ativos financeiros " tokenizados ", como as stablecoins. Quando Epstein investiu na Blockstream, um Bitcoin era negociado a aproximadamente US$ 600.

Quatro dias após sua visita ao Departamento do Tesouro, em 25 de agosto, Epstein ajudou a coordenar uma reunião de acompanhamento em outubro entre Anne Shere Wallwork, conselheira sênior de política estratégica do Escritório de Financiamento do Terrorismo e Crimes Financeiros, e Ito, do MIT. Epstein queria que Ito o incluísse nas conversas entre o MIT e o Departamento do Tesouro, e orientou Ito a informar os funcionários do Tesouro que ele e Epstein “ compartilhavam a mesma opinião ” sobre a regulamentação de criptomoedas.

Iozzo compartilhou informações com Epstein para ajudá-lo a se preparar para as conversas com funcionários do Tesouro, enviando-lhe um exemplo de como o Departamento do Tesouro confiscou dinheiro enviado da Dinamarca para a Alemanha por um lote de charutos cubanos, sob o Programa de Rastreamento de Financiamento do Terrorismo, sob a alegação de que a transação violava o embargo dos EUA contra Cuba. "Pense nas infinitas possibilidades de pegadinhas nessa área", escreveu Iozzo.


“Bolsos muito mais fundos”


Epstein tinha um olhar aguçado para as implicações políticas futuras das novas tecnologias e cercou-se de figuras-chave nos campos da inteligência artificial e da pesquisa genética . Reconhecendo oportunidades promissoras nas criptomoedas, ele ativou muitas das mesmas redes políticas, acadêmicas e de pesquisa para aproveitar precocemente os canais financeiros baseados em blockchain.

Em setembro de 2014, a Tether Holdings Limited foi formalmente constituída nas Ilhas Virgens Britânicas. Semanas depois, pouco antes da ligação de acompanhamento do Tesouro, Epstein enviou um e-mail para sua advogada nas Ilhas Virgens Americanas, Erika Kellerhalls, pedindo-lhe que alterasse os certificados bancários " para que pudéssemos depositar Bitcoin ".

Após uma teleconferência entre Epstein, Ito e Wallwork em 15 de outubro, Iozzo escreveu um e-mail comentando a ironia de Epstein, um especialista em ocultar dinheiro, estar pressionando por “mais regulamentação e transparência do Tesouro”. A conversa lembrou Iozzo de uma antiga piada soviética sobre dois jornais de propaganda: “Na Pravda ( Verdade ) não há notícias, no Izvestia ( Notícias ) não há verdade”.

As primeiras stablecoins Tether foram emitidas no mesmo mês, e Epstein rapidamente começou a trabalhar para desenvolver o projeto de Pierce. Em 28 de outubro, ele ajudou a conectar Pierce a Larry Summers , secretário do Tesouro durante o governo Bill Clinton e conselheiro econômico do governo Obama, para auxiliar na criação da infraestrutura de tokens de dólar. Alguns dias depois, em 2 de novembro, ele conectou Summers a Ito , para apoiar a iniciativa Bitcoin no MIT.

A apreensão do mercado Silk Road pelo FBI foi seguida por uma repressão regulatória na China, bloqueando depósitos em yuan em corretoras de criptomoedas. No início de 2014, a Mt. Gox, a maior corretora de Bitcoin do mundo na época, suspendeu as negociações e os saques — a empresa alegou que mais de 850.000 bitcoins haviam sido roubados , o que equivalia a mais de US$ 100 bilhões no pico da criptomoeda no ano anterior. A convergência dessas crises fez com que o preço do Bitcoin despencasse.

Epstein e seu círculo aproveitaram a crise para pressionar por um regime regulatório favorável às moedas digitais. Após a queda da Mt. Gox, a Coinbase, uma corretora de criptomoedas regulamentada nos EUA, diferenciou- se como uma intermediária segura e em conformidade com as normas. Em dezembro de 2014, Pierce convidou Epstein para participar de uma rodada de financiamento da Coinbase, descrevendo a oportunidade de investimento como "o negócio mais lucrativo do setor". Pierce também apresentou Epstein ao cofundador da Coinbase, Fred Ehrsam, e eles combinaram de se encontrar. Epstein acabou investindo US$ 3 milhões na rodada Série C da Coinbase por meio de uma entidade das Ilhas Virgens.

Em 2015, a rede que Epstein havia estabelecido estava se cristalizando em uma colaboração institucional real. A Wallwork convidou Ito para um evento sobre "moedas virtuais " em janeiro de 2015 no Departamento do Tesouro, organizado em conjunto pelo Escritório de Finanças Domésticas e pelo Escritório de Terrorismo e Inteligência Financeira. O evento privado tinha como objetivo instruir altos funcionários do governo sobre moedas virtuais e identificar áreas de "incerteza regulatória" à medida que o setor amadurecia.

A queda vertiginosa do preço do Bitcoin criou uma crise existencial para a Bitcoin Foundation, uma organização sem fins lucrativos criada para financiar o desenvolvimento do protocolo central do Bitcoin e conferir legitimidade institucional à moeda perante os órgãos reguladores e a imprensa. A fundação detinha grande parte de suas reservas em Bitcoin e, devido a gastos imprudentes, ficou sem dinheiro durante a queda de 2014.

Enquanto a Bitcoin Foundation lutava contra a insolvência, Ito atraiu os engenheiros do protocolo Bitcoin para o MIT, incluindo Andresen. Em abril de 2015, Pierce foi nomeado presidente do conselho da fundação — dias depois, três dos principais desenvolvedores do Bitcoin deixaram a fundação e se juntaram à nova Iniciativa de Moeda Digital do MIT Media Lab. “O MIT é um lugar melhor para apoiar o desenvolvimento”, disse Pierce ao Los Angeles Business Journal, aprovando a transição. “ Eles têm recursos financeiros muito maiores do que nós.

O MIT Media Lab recebeu US$ 525.000 em doações de Epstein entre 2013 e 2017 para financiar o trabalho discricionário de Ito. As contribuições de Epstein ajudaram Ito a "preencher o vácuo" e recrutar rapidamente a equipe principal do Bitcoin para o Media Lab. Ito relatou a Epstein em 25 de abril, compartilhando a notícia do golpe bem-sucedido: " Usei fundos de doações para financiar isso, o que nos permitiu agir rapidamente e vencer esta rodada. Obrigado. "


“Hegemonia do Dólar na Blockchain”


Uma década depois, os problemas regulatórios da indústria de criptomoedas ainda não foram resolvidos, enquanto seu papel político continua a se expandir em uma área cinzenta legal.

No início de abril de 2026, Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, declarou à imprensa que o Irã implementaria um novo sistema de controle de tráfego no Estreito de Ormuz. “Assim que o e-mail chega e o Irã conclui sua avaliação, as embarcações têm alguns segundos para efetuar o pagamento em bitcoin, garantindo que não possam ser rastreadas ou confiscadas devido às sanções”, explicou Hosseini. Segundo relatos, as autoridades iranianas utilizam um escritório na Ilha de Qeshm para converter os pagamentos em riais ou direcioná-los para contas no exterior, protegendo os fundos de possíveis apreensões.

Entretanto, a Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) e o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro relataram que o Irã está utilizando cada vez mais stablecoins e outros ativos digitais para comprar e vender armas, realizar comércio internacional e transferir fundos para outros países e entidades banidas da ordem econômica liderada pelos EUA. O governo americano retaliou com apreensões de carteiras digitais, incluindo a confiscação, em 24 de abril, de aproximadamente US$ 344 milhões em criptomoedas que o Departamento do Tesouro alegou estarem ligadas a Teerã.

Epstein morreu em agosto de 2019, antes que as stablecoins se tornassem um pilar explícito da política monetária americana e antes que o Bitcoin se desenvolvesse como uma ferramenta nesse jogo geopolítico de gato e rato. Mas sua estratégia de captura regulatória continuou a amadurecer desde sua morte: tokens atrelados ao dólar transferiram a liquidez das criptomoedas para fora do sistema bancário, enquanto as reservas dos emissores de stablecoins trouxeram essa mesma atividade de volta para dólares e títulos do Tesouro americano.

Enquanto isso, à medida que o Departamento do Tesouro continua a investigar carteiras de criptomoedas ligadas ao Irã, um contato pessoal próximo de Epstein continua a moldar a política de criptomoedas na atual Casa Branca: o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, antigo chefe da Cantor Fitzgerald, era parceiro de negócios ocasional de Epstein e seu vizinho em Nova York.

A empresa de Lutnick, uma importante corretora primária do Federal Reserve em títulos do Tesouro dos EUA, também se tornou um participante importante na Tether, concordando em assumir a custódia das reservas de títulos do Tesouro dos EUA da Tether em 2021. Até o final de 2025, a Tether afirmou que sua exposição ao Tesouro ultrapassou US$ 141 bilhões, e o diretor de tecnologia da Tether alegou que 99% de seu portfólio de títulos do Tesouro estava sob custódia da Cantor.

Em uma entrevista de 2025, Lutnick chamou Epstein de "o maior chantagista de todos os tempos " e disse ao New York Post que Epstein extorquia dinheiro de seus ricos associados filmando-os recebendo massagens em sua residência. Lutnick afirmou ter rompido relações com Epstein após uma visita à mansão de Epstein em Manhattan, em 2005.

Documentos publicados pelo Departamento de Justiça contradizem as declarações de Lutnick: Lutnick e Epstein mantiveram correspondência até pelo menos 2018. Lutnick e sua família chegaram a viajar para as Ilhas Virgens Americanas para um almoço em 2012 na ilha particular de Epstein . Pouco depois da visita, os dois assinaram um contrato para investir na Adfin, uma plataforma de processamento de pagamentos. Em janeiro de 2026, o Departamento de Justiça publicou , apagou e depois restaurou uma fotografia sem data de Epstein e Lutnick na ilha de Epstein. Em uma entrevista a portas fechadas com membros do Comitê de Supervisão da Câmara na quarta-feira, Lutnick admitiu ter visitado a ilha de Epstein em 2012 e classificou sua decisão como “inexplicável”.

Em julho de 2025, com a orientação de Lutnick e do grupo de trabalho de ativos digitais da Casa Branca, Lutnick ajudou a aprovar a Lei GENIUS, que isentou emissores estrangeiros de stablecoins lastreadas pelo Tesouro, como a Tether, dos requisitos de auditoria . Nos 12 anos desde a sua criação, a Tether nunca passou por uma auditoria independente para comprovar que suas stablecoins são totalmente lastreadas por reservas em dólares.

Durante sua audiência de confirmação para o cargo de secretário de comércio, Lutnick foi questionado sobre uma reportagem do Wall Street Journal que alegava que o proprietário da Tether, Giancarlo Devasini, prometeu a associados que Lutnick usaria sua influência política para impedir a aprovação de leis que pudessem prejudicar a empresa. Lutnick negou as acusações, mas seus comentários insinuaram o papel crucial que a Tether passou a desempenhar na economia global, dizendo aos legisladores: "O Congresso dos EUA deve ter cuidado para não minar a hegemonia do dólar na blockchain por meio de legislação."


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Por: Murtaza Hussain e Ryan Grim



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