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quinta-feira, 11 de junho de 2026

O CAMINHO DO DINHEIRO: Planilha e comprovante bancário mostram como Vorcaro enviou dinheiro aos EUA para financiar ‘Dark Horse’


Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder em Brasília



Intercept Brasil
 

Cartas Marcadas: Parte 41


Desde a publicação da primeira reportagem da série Vaza Flávio, um dos esforços de aliados do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, tem sido convencer o público de que as revelações não se sustentam. Uma das vozes na tentativa de deslegitimar o nosso trabalho tem sido a do comentarista Paulo Figueiredo.

“Começaram com o Intercept dizendo que eram 134 milhões do Vorcaro pro filme. Caiu para 61 milhões no Metrópoles. Depois, 2 milhões no Globo. Já já vocês vão descobrir que NÃO TEM dinheiro do Vorcaro no filme”, escreveu o aliado da família Bolsonaro no X, em 13 de maio.

A tese de discrepância nos valores ganhou força a partir de postagens falsas compartilhadas por parlamentares e páginas bolsonaristas, alegando que o Intercept teria recuado das informações, “pedido desculpas” ou admitido não possuir provas de que Daniel Vorcaro financiou o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Isso já foi amplamente refutado.

A alegação é mentirosa por vários motivos, mas o mais importante deles é que a primeira reportagem da nossa série sempre distinguiu dois números importantes para entender a negociata: os 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões, em valores convertidos pela cotação da época) negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro para financiar o filme; e os 10,6 milhões de dólares (equivalentes, naquele período, a R$ 61 milhões) efetivamente pagos.

Uma semana depois, em 20 de maio, Figueiredo questionou se o trabalho do Intercept revelaria, de fato, “transações financeiras”. E acrescentou: “Se não vierem (como Flávio jura e como eu acredito, até o momento), a credibilidade voltará aos poucos”. Pois bem: a edição desta semana da newsletter Cartas Marcadas traz documentos inéditos que comprovam de maneira irrefutável que houve repasses financeiros.


Planilha detalha fluxo de pagamentos


Além de mensagens, o Intercept teve acesso a planilhas, contratos, comprovantes bancários e registros financeiros que permitem reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro para bancar “Dark Horse”.

O primeiro documento é uma planilha intitulada “Funding Schedule”, apresentada nas conversas como o cronograma de financiamento do projeto. O arquivo registra uma operação de quase 24 milhões de dólares — o equivalente a R$ 134 milhões na cotação da época — e detalha tanto os aportes previstos quanto os valores efetivamente recebidos pelo fundo ligado à produção.


Cronograma compartilhado em troca de mensagens detalha pagamentos previstos e concretizados (Foto: Reprodução)

O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram de 2 milhões de dólares cada, inicialmente previstas para 20 e 25 de janeiro de 2025, mas efetivamente pagas em 13 de fevereiro e em 24 de março, segundo a planilha.

As outras 12 foram fixadas em 1,66 milhão de dólares cada – a primeira delas também foi paga em 24 de março, outras duas em 25 de abril e mais uma em 29 de maio. Ao final do cronograma, o total recebido indica uma soma de 10,6 milhões de dólares. 

Essa tabela sobre os pagamentos foi encaminhada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acompanhada da observação: “Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”. Miranda recebeu uma resposta curta de Vorcaro: “Segunda fazemos duas”.

A mensagem é relevante porque sugere que novos desembolsos estavam sendo discutidos naquele momento, o que pode significar que o valor efetivamente pago tenha ultrapassado os 10,6 milhões de dólares.



Um cronograma semelhante havia sido encaminhado pelo próprio Daniel Vorcaro ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro, meses antes, em 12 de março de 2025. Segundo mensagens obtidas pelo Intercept, Vorcaro enviou o documento e deu duas orientações: “precisa me ajudar controlae isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.



Zettel respondeu logo em seguida: “Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo pra ele. Achei que ele tava fazendo”. O “Mineiro” citado na troca de mensagens seria Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado à Entre Investimentos e Participações, empresa que fez a transferência bancária.

Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver uma conexão entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo registros obtidos pelo Intercept, Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.


Comprovante bancário detalha operação


Outro documento que chama atenção é o comprovante da primeira transferência internacional da operação, emitido pelo sistema SWIFT, utilizado por instituições financeiras para operações entre diferentes países. 

O registro é datado de 13 de fevereiro de 2025 e confirma a remessa de 2 milhões de dólares ao Havengate Development Fund LP, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.


Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Segundo o comprovante, a operação teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda. O pagamento foi processado por meio do Banco BS2 e destinado a uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank. O comprovante contém os códigos de identificação da transferência, os dados das instituições envolvidas, as referências da operação e os registros de liquidação exigidos pelo sistema financeiro internacional.

O extrato registra o que seria a primeira transferência internacional para financiar “Dark Horse” e demonstra o funcionamento na prática da operação descrita nas mensagens. 



Esse comprovante, inclusive, consta em uma série de mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro sobre dificuldades para concluir a operação. Em 5 de fevereiro, Zettel informou ao banqueiro que o câmbio do Banco Master estava criando obstáculos para a transferência destinada ao filme.

Durante a conversa, os dois discutiram alternativas para viabilizar o envio dos recursos ao exterior e acabaram decidindo recorrer à estrutura da Entre Investimentos e Participações Ltda, empresa que aparece como remetente no comprovante de transferência bancária.

Embora a Entre Investimentos e Participações e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes, documentos obtidos pelo Intercept e reportagens publicadas por Metrópoles e Estadão sobre investigações em curso indicam haver uma uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro.

Menos de dez dias depois, em 14 de fevereiro, Zettel encaminhou a Vorcaro o comprovante emitido pela rede SWIFT acompanhado de uma única palavra: “Filme!”. A mensagem foi enviada um dia após a liquidação da operação de 2 milhões de dólares destinada ao Havengate Development Fund LP, exatamente a transferência cuja realização vinha sendo discutida nas conversas anteriores.


As marcações em preto no comprovante de transferência foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Outro lado


O Intercept entrou em contato com Paulo Calixto, Thiago Miranda e  Antônio Carlos Freixo Júnior. Também procuramos as defesas de Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, que estão presos. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

O Grupo Entre, em nota, informou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”. Também disse que a empresa tem “compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento” da lei e está “à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”.


Os documentos revelados nesta edição estão longe de encerrar a história. Pelo contrário. Eles ajudam a responder algumas das perguntas levantadas desde a publicação da primeira reportagem da série Vaza Flávio, mas também abrem novas frentes de investigação sobre a origem dos recursos, o papel desempenhado por cada personagem envolvido na operação e o destino final de parte do dinheiro movimentado.

A equipe do Intercept segue investigando e cruzando informações com documentos públicos, registros empresariais e novas fontes. Esse trabalho já permitiu localizar documentos inéditos que não faziam parte das primeiras reportagens e que lançam nova luz sobre as relações financeiras, empresariais e políticas reveladas pelo caso. 

Como sempre, a apuração também depende da colaboração de leitores, fontes e denunciantes. Se você possui documentos, mensagens, contratos, gravações, planilhas ou qualquer informação relevante relacionada a esta investigação — ou a qualquer outro tema de interesse público —, entre em contato com o Intercept por meio dos canais disponíveis em nosso site. Todas as orientações para envio seguro de informações estão disponíveis aqui.

Até semana que vem!


Desde que o Intercept revelou as negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, aliados do bolsonarismo passaram a afirmar que não existiam provas das transações financeiras. Documentos obtidos por nossa equipe desmentem essa versão e ajudam a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.

 

Segue o fio para mais detalhes



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Por: Paulo Motoryn, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Mauricio Moraes

Fonte: Intercept Brasil


TVT News


Novos documentos divulgados pelo portal The Intercept Brasil trouxeram mais detalhes sobre a investigação que envolve o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os registros detalham as negociações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro \(PL-RJ\).

De acordo com o material publicado, o acordo previa o repasse total de até US$ 24 milhões para a execução da obra. Desse montante, as planilhas apontam que US$ 10 milhões, o equivalente a cerca de R$ 61 milhões, já teriam sido efetivamente transferidos.

O envio desses valores ocorreu de forma fracionada em 14 parcelas ao longo dos anos de 2025 e 2026. A reportagem revelou mensagens de cobrança por atrasos nos repasses trocadas entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que atuava como operador financeiro no processo.

Entre as provas documentais obtidas, consta o comprovante de envio de uma remessa de US$ 2 milhões realizada por meio do sistema bancário internacional Swift. O destino do dinheiro foi um fundo no exterior controlado pelo advogado do deputado Eduardo Bolsonaro.



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Na gestão de Cláudio Castro, Cedae fez aportes milionários em banco do bispo Macedo


Digimais, instituição do líder da Igreja Universal, corre risco de quebrar


ICL Notícias
 

Cedae, estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, fez aportes de dezenas de milhões de reais no Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). As operações foram realizadas por diretor indicado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL).

Desde junho de 2025, Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, fez diversos investimentos em CDBs do Banco Digimais. As aplicações foram renovadas mesmo diante de fortes indícios de que a instituição financeira corre risco de quebrar. Só recentemente, os recursos passaram para aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Meses antes de assumir o posto de diretor da Cedae, Santos foi assessor-chefe do gabinete de Cláudio Castro no Palácio Guanabara. Ele foi uma indicação pessoal do ex-governador para um cargo estratégico na estatal, responsável por assinar contratos e decidir investimentos em instituições financeiras. Santos foi o principal responsável pelo investimento de mais de R$ 200 milhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Em nota, a Cedae afirma que “uma das primeiras medidas da atual administração foi mudar a Política de Aplicações Financeiras” com o objetivo de “reforçar mecanismos de governança, controle e mitigar riscos na gestão das aplicações financeiras”.  A estatal diz ainda que os investimentos no banco Digimais não serão renovados e os valores serão reaplicados nas “maiores e mais sólidas instituições financeiras do país”.

Já Antonio Carlos dos Santos sustenta que “que todas as alocações de sua carteira estavam em conformidade com a política de aplicações financeiras da Cedae, conforme apuração da auditoria interna”. O ex-diretor diz ainda que “as decisões de investimento seguiram as normas de governança e a política de aplicações financeiras, tendo sido aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e a Diretoria Executiva”. Ele também nega que não houve “quaisquer interferências externas ou políticas” nas decisões de investimento que tomou.


Aportes chegaram a R$ 91,2 milhões


A aplicação no Digimais se aproveitou das brechas criadas sob medida para permitir os aportes no Master. Assim como no caso do banco de Vorcaro, as agências de classificação de risco dão um rating baixo para o Digimais, em comparação com diversos concorrentes no mercado financeiro brasileiro.

O banco de Edir Macedo apresentou as avaliações BBB- da Fitch e da Moody’s –a mais baixa ainda considerada grau de investimento. Até Santos alterar “sob medida” para o Master, segundo investigação interna, a política de investimentos da empresa, a Cedae exigia uma avaliação mínima bem mais alta, de A-.

Os investimentos no Digimais ocorreram inicialmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos de renda fixa tradicionalmente emitidos por instituições financeiras. A rentabilidade prometida é de 106% do CDI.


Documento detalha condições de investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

A primeira remessa milionária no Digimais ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae já se via às voltas com um possível calote de Vorcaro. O parecer favorável de Santos veio no dia 4 de junho de 2025.

Ao contrário de várias outras aplicações feitas pela Cedae, o investimento no Digimais não tinha liquidez diária –a empresa só poderia resgatar os recursos em 180 dias. Ainda assim, Santos referendou nota técnica feita por seus assessores Hedmilton Mourão Cardoso, Magno Neves Fonseca e Mauro Luis Marques –os mesmos que o auxiliaram a operar os aportes suspeitos no Banco Master. A recomendação era alocar R$ 35 milhões no conglomerado do bispo Macedo.

“A referida emissão constitui oportunidade atrativa para a Cedae, desde que o volume alocado seja inferior a R$ 40 milhões, valor de limite que conta com a garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o documento obtido pelo ICL Notícias.

Uma nova remessa foi feita pouco depois, em agosto do ano passado. Santos e seus assessores repetem quase integralmente o texto usado para justificar o primeiro investimento. Dessa vez recomendam a apliacção de mais R$ 25 milhões. O prazo para resgate era ainda maior, de 1 ano, e o rendimento prometido era de 109% do CDI. Os recursos deveriam ser retirados de um fundo de investimentos operado pelo Itaú, maior banco do país.

As regras criadas por Santos e que permitiram o investimento no Banco Master permitiam o investimento de até 10% da carteira da Cedae em bancos com rating BBB-. Após o calote do banco de Vorcaro, o Digimais foi a única instituição financeira com esse perfil a receber recursos da estatal.


Risco de quebra do banco


A Cedae manteve os investimentos mesmo  com o agravamento da situação do Digimais.

Edir Macedo chegou a anunciar em janeiro de 2025 a venda da instituição para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, por R$ 800 milhões. Contudo, Quadrado desistiu da aquisição em abril.

A venda era uma pedra de salvação para o Digimais, cujos dados financeiros apresentavam uma série de más notícias. Em pouco tempo, Macedo teve que injetar mais de R$ 700 milhões no negócio.

Mesmo com a deterioração da condição do Digimais, Santos e seus assessores seguiram recomendando o investimento no banco. Em 24 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária do Comitê de Auditoria da Cedae foi convocada para, entre outros assuntos, tratar das preocupações com a situação do banco de Edir Macedo.

Os membros do comitê questionaram Santos sobre o assunto, como mostra a ata da reunião. Segundo a ata do encontro, eles enfatizaram “os pontos negativos e de riscos de cada instituição financeira onde a Cedae possui investimentos. Diante disso, foi solicitado ao time técnico a conclusão sobre tais investimentos, inclusive a possibilidade de realocação para instituições com melhor rating”, relata o documento.


Comitê de Auditoria da Cedae questionou investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

Naquele momento, a Cedae havia contratado uma auditoria independente para avaliar a situação da empresa. Fernando dos Santos, sócio da empresa de auditoria, menciona que a estatal buscou o resgate das aplicações no Digimais, mas não deixa claro porque os valores não foram recuperados até ali.

Pouco depois, em nota técnica feita em 13 de março, Santos dobra a aposta. A DFI define a situação do Digimais como “negativa”, com “reversão para lucro semestral, melhora de Basileia; prejuízos acumulados e forte dependência de depósitos a prazo”. Mesmo assim, defende a manutenção dos investimentos: “há mitigantes de risco que levam à recomendação da manutenção das atuais posições”.

O fator mitigante, segundo a DFI, seria uma cobertura de até R$ 40 milhões pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de calote. Naquele momento, a Cedae tinha cerca de R$ 39 milhões aplicados no Digimais.


Diretoria da Cedae recomendou manutenção de investimentos em meio à crise do Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

Pouco depois, no final de março, Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo para BB-, classificação já considerada de grau especulativo.

Em 26 de maio, a Moody’s pintou um quadro ainda mais crítico: rebaixou o banco de Edir Macedo para CCC+ –o que representa risco iminente de calote dos investidores. O comunicado da agência é aterrador.

“O rebaixamento dos ratings do Digimais reflete a avaliação da Moody’s Local Brasil sobre um aumento significativo no risco dos ativos do banco, principalmente devido à sua crescente exposição aos fundos de investimento alternativos ao longo de 2025. Em dezembro de 2025, a carteira de títulos e valores mobiliários, composta majoritariamente por cotas de fundos de investimento, totalizava R$ 4,3 bilhões, correspondendo a cerca de 42% do total de ativos e representando 5,4 vezes o patrimônio líquido do banco. A qualidade e a recuperabilidade desses investimentos são incertas, como evidenciado pelo parecer de auditoria externa com ressalvas sobre R$ 3,1 bilhões, ou 73% dos fundos reportados, devido às limitações de informações sobre a adequação desses valores”, diz o relatório da Moody’s.

.A Política de Aplicações Financeiras da Cedae em vigor àquela altura vetava aplicações financeiras em instituições com notas tão baixas, mas o saque imediato não foi possível porque os contratos amarravam a estatal até a data de vencimento dos investimentos.

Por Igor Mello

Fonte: ICL Notícias


Estatal do Rio fez aportes milionários em banco de Edir Macedo durante governo Claudio Castro


Alfinetados do Dia


Bispo Edir Macedo afirma que, quando o fiel da uma oferta, ele obriga Deus a abençoa-lo e a batiza-lo.



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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Vorcaro tratou pagamento a filme de Bolsonaro como prioridade após cobrança de Flávio


Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder em Brasília


Intercept Brasil

 

Cartas Marcadas: Parte 40


A pressão para liberar recursos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse” por parte do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, teve efeitos concretos na estrutura comandada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept Brasil mostram que, em janeiro de 2025, Vorcaro passou a tratar os pagamentos ligados ao projeto cinematográfico como prioridade absoluta, mesmo em meio à necessidade de arcar com outros desembolsos milionários.

Naquele período, a execução dos pagamentos pessoais e empresariais de Vorcaro estava concentrada nas mãos do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e seu homem de confiança. Ele aparece em diversas conversas da série Vaza Flávio coordenando operações financeiras.

Em mensagens trocadas com Vorcaro, Zettel relata ter 55,5 milhões em pagamentos pendentes, entre despesas diversas – ele não especifica se o valor seria em reais ou dólares. Nenhum deles, porém, recebeu o mesmo tratamento dispensado ao filme de Bolsonaro. O material obtido pela reportagem indica que a mudança de prioridade nos desembolsos ligados ao banqueiro ocorreu logo após uma cobrança feita por Flávio Bolsonaro.

Em 20 de janeiro de 2025, data prevista para o primeiro aporte do cronograma financeiro revelado pela série Vaza Flávio, o empresário brasiliense Thiago Miranda — responsável por aproximar Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro nas negociações do projeto — enviou uma mensagem ao banqueiro: “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço.”




Miranda afirma ainda que já havia falado com Fabiano Zettel, escalado por Vorcaro para operacionalizar parte dos pagamentos, e encaminha ao banqueiro uma captura de tela de uma conversa com Flávio Bolsonaro. Na mensagem reproduzida, cuja data não é possível confirmar, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL pede que Miranda pressione o jurídico do investidor para destravar a operação.

“Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”, escreve. Flávio acrescenta: “Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só”. E encerra em tom informal: “Ela me perturbam e eu te perturbo aqui!! rs”. Pouco depois de receber a cobrança, Vorcaro responde a Miranda: “Vou atras aqui”.

Mensagens trocadas por Vorcaro nos dias seguintes sugerem que o banqueiro efetivamente passou a acompanhar pessoalmente a situação.

Em 21 de janeiro, Zettel volta a procurar o banqueiro pedindo orientação. “Me dá um norte?”. “Mesmo que seja ‘não faz porra nenhuma até eu voltar’…”, escreve Zettel. “Total = 55,5M”, informa. Em seguida, ele pergunta: “Manda quanto? Paga o que?”.



Horas depois, Vorcaro demonstra preocupação específica com o projeto cinematográfico. “O filme ta nesse negocio?”. Zettel diz que não e apresenta uma justificativa: “Porque o fluxo é gigante… 10 de 2.5 de dólares”.

A referência sugere um cronograma de pagamentos em dólares de grande porte, compatível com os documentos financeiros posteriormente obtidos pelo Intercept, que registram um planejamento de aportes de quase 24 milhões de dólares para o projeto cinematográfico – um total de R$ 134 milhões, conforme a cotação na época.

A preocupação de Vorcaro com o tema se intensifica nos dias seguintes. Pouco mais de uma semana depois, em 28 de janeiro de 2025, ele procura novamente Zettel para saber se o pagamento relacionado ao filme finalmente havia sido realizado. “Filme vc pagou?”. A resposta é negativa:  “Irmão, Não vem 1 real tem 3 semanas… kkkkkkk Paguei foi nada…”, diz Zettel.



Poucos minutos depois, Zettel informa que o projeto sequer aparecia entre as prioridades financeiras que estavam sendo processadas naquele momento. “E filme não está na lista de 55.5.”, diz. É nesse contexto que Vorcaro envia uma mensagem reveladora: “Esse e o mais importante disparado”. E completa: “Nao pode falhar mais”.

As conversas chamam a atenção pelo contexto vivido pelo próprio Banco Master naquele período. Documentos e investigações posteriores indicaram que o banco já enfrentava dificuldades relacionadas à liquidez, à captação de recursos e ao monitoramento regulatório desde o fim de 2024.

O Banco Central havia intensificado cobranças sobre capitalização e liquidez da instituição, enquanto o grupo buscava novas fontes de recursos. É nesse cenário que as mensagens revelam Vorcaro mobilizado para garantir que os aportes destinados ao filme não fossem interrompidos.

Nós entramos em contato com Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para obter posicionamentos sobre as informações apresentadas pela reportagem. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.


LEIA TAMBÉM:



Os documentos revelados anteriormente pelo Intercept ajudam a dimensionar o resultado prático dessa prioridade estabelecida por Vorcaro. Como revelou a série Vaza Flávio, até maio de 2025, pelo menos 10,6 milhões de dólares foram efetivamente recebidos pelo fundo Havengate, responsável pela produção do filme e sob controle de Paulo Calixto, advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo.

Agora, os diálogos ajudam a compreender os bastidores desses pagamentos. As conversas mostram que as transferências não eram tratadas como uma operação qualquer dentro do universo de compromissos financeiros de Vorcaro. 

Pelo contrário, mesmo diante de dezenas de milhões de reais em desembolsos pendentes e em meio às dificuldades enfrentadas pelo Banco Master naquele período, o banqueiro determinou que o filme da família Bolsonaro era, nas suas próprias palavras, “o mais importante disparado”.


Como sempre, a colaboração de fontes e leitores continua sendo fundamental. Se você possui documentos, mensagens, contratos, planilhas, gravações ou qualquer informação de interesse público relacionada a esta investigação — ou a qualquer outro tema relevante —, entre em contato com o Intercept por meio dos canais seguros de comunicação disponíveis em nossa página para fontes.


Mensagens inéditas reveladas pelo Intercept Brasil mostram que os pagamentos para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, eram prioridade para o banqueiro Daniel Vorcaro.

Quer entender melhor? Leia a reportagem completa da newsletter Cartas Marcadas no site do Intercept Brasil:



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Por:  Paulo Motoryn, Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Mauricio Moraes

Fonte: Intercept Brasil


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quarta-feira, 27 de maio de 2026

O HOMEM DA GRANA: Eduardo Bolsonaro tinha poder sobre dinheiro do “Dark Horse”, revela contrato


Cobertura investigativa sobre as relações entre Flávio Bolsonaro, o clã Bolsonaro e aliados com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master


Intercept Brasil
 

Vaza Flávio: Parte 5


O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil

Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, no post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão no “Dark Horse”.

Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, à frente da produção-executiva, função com poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira de um projeto audiovisual.



Contrato cita que Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para a produção, na época intitulada “O Capitão do Povo”, e não “Dark Horse”

Segundo o documento, a produtora e os produtores-executivos agiriam em conjunto para dedicar-se a atividades de desenvolvimento do projeto, dentre elas “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

O contrato obtido pelo Intercept define uma ampla gama das funções que Eduardo teria na produção. Junto com os outros produtores, a empresa GoUp e o deputado federal Mario Frias, ele teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.


Contrato descreve atividades a serem executadas pela produtora e pelos produtores-executivos do filme.

Enviamos questionamentos para Eduardo Bolsonaro e para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto. A defesa do deputado Mario Frias informou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro disse que não iria se manifestar sobre o tema. A defesa de Jair Bolsonaro disse ao Intercept que ele não pode se manifestar porque está preso – e destacou que não tinha acesso ao ex-presidente porque as visitas dos advogados são restritas.

Uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro de 21 de março de 2025 destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção do filme.  

Miranda, que teve papel de intermediário entre Vorcaro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias em tratativas sobre o filme, encaminha para o banqueiro uma captura de tela de uma mensagem que Eduardo o enviou e diz: “Já estou fazendo o aditivo da troca da empresa e preciso de um direcionamento seu para seguir.”



Na mensagem de Eduardo a Miranda, o deputado federal cassado diz: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”



Em seguida, de acordo com a mensagem obtida pelo Intercept, Eduardo explica como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”. 

Embora não seja possível precisar a data que Eduardo enviou a mensagem a Miranda, o encaminhamento da captura de tela para Vorcaro indica que isso ocorreu em março de 2025 – mesmo mês em que Eduardo anunciou que ia se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.

Enviamos questionamentos para Miranda, que esclareceu que ele “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação, gestão financeira e estratégia de lançamento do filme Dark Horse” tendo limitado sua participação a “intermediar o contato entre pretenso investidor e os interessados no projeto”. Leia a resposta na íntegra

Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra ainda uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi, de fato, assinado.


Aditivo do contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar parcialmente a produção cinematográfica”.

Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato – datado de  novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp. 

A minuta que o designa como financiador da operação também contradiz sua fala de que ele teria apenas cedido “direitos de imagem”.


Contrato foi assinado digitalmente e, embora a data conste como 26 de novembro de 2023, a assinatura de Eduardo Bolsonaro foi formalizada no acordo em 30 de janeiro de 2024.

A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida que tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis. 

Em dezembro, revelamos como uma organização não-governamental na qual Karina é sócia, o Instituto Conhecer Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. 

Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para apurar se houve direcionamento de emendas parlamentares para projetos culturais, inclusive o filme Dark Horse. A TV Globo noticiou na quinta-feira, 14, que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mario Frias a prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil – o parlamentar e produtor-executivo do filme teria destinado R$ 2 milhões à ONG. 

Enviamos questionamentos para Karina Gama e para seu sócio, Michael Brian Davis, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.


Fundo de advogado de Eduardo recebeu dinheiro de Vorcaro


Na quarta-feira, 13, o Intercept revelou como o senador Flavio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, irmão de Eduardo, articulou apoio do banqueiro Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, segundo mensagens obtidas com exclusividade. 

Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção, dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.

A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Instagram, o deputado federal cassado negou ter recebido o dinheiro negociado para o filme. 

O material analisado pelo Intercept indica que ao menos parte dos valores negociados por Flávio junto a Vorcaro foi para um fundo controlado por aliados de Eduardo – incluindo Paulo Calixto, o advogado encarregado de seu processo imigratório nos EUA, conforme apuração da Agência Pública

Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que parte do dinheiro negociado com Vorcaro para o filme foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo.

Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto.

Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.

Os documentos desta segunda firma apontam Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.


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Em uma das mensagens obtidas pelo Intercept, ao sugerir alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA, Eduardo Bolsonaro informa que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.

Enviamos questionamentos para Altieris Santana e Paulo Calixto, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto. 

No Instagram, Eduardo disse que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” e que foi ele quem apresentou Calixto a Mario Frias “por saber da sua competência”.


Plano de negócios previa “oportunidade de imigração”


Os documentos mostram que o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro teve um orçamento total astronômico para os padrões brasileiros: o valor estimado é entre 23 milhões e 26 milhões de dólares. A quantia corresponde ao montante negociado por Flávio Bolsonaro com Vorcaro: 24 milhões de dólares. O custo total é superior ao de várias produções recentes de Hollywood, inclusive vencedoras do Oscar.

O orçamento do filme prevê, segundo os documentos aos quais o Intercept teve acesso, que mais de 10,7 milhões de dólares seriam destinados apenas aos custos “acima da linha”, rubrica que inclui “custos gastos antes da filmagem” – com direitos do roteiro, salários de atores, diretores, produtores, diretor de elenco, roteirista e outros envolvidos na direção financeira e criativa de alto nível do filme.

Ainda segundo os documentos, a estratégia para captar recursos consistia na oferta de 40 cotas de 500 mil dólares. Ou seja, um total de 20 milhões de dólares.

Para atrair grandes investidores, o orçamento do filme foi fatiado em pacotes de investimento VIP com regalias incomuns para o mercado de cinema. Se o investidor pagasse 1 milhão de dólares, ele comprava uma cadeira no conselho de produção – com direito a dar pitacos e influenciar as decisões do filme.

O pacote mais caro, e incomum, custava 1,1 milhão de dólares. O grande chamariz para esse investimento não era o filme, mas sim a promessa explícita de uma “oportunidade de imigração”. O plano de negócios oferecia o filme como um atalho para que ricaços comprassem o direito a um Green Card, garantindo assim o visto de residência permanente nos Estados Unidos.


Plano de negócios previa benefícios para investidores, incluindo uma “oportunidade de imigração”

A promessa de lucro da produtora era agressiva: os investidores teriam a devolução de 100% do capital aportado acrescido de um lucro de 20% sobre o valor investido. O plano de negócios projetava a receita global do filme em três cenários distintos: um pessimista (de 45 milhões de dólares), um conservador (70 milhões de dólares) e um otimista (100 milhões).

Após a quitação prioritária do capital e do prêmio de 20% aos financiadores, todo o lucro líquido restante gerado pela bilheteria e plataformas de streaming seria dividido meio a meio entre investidores e produtores. Ou seja, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias também lucrariam com o filme.

Você tem mais documentos sobre Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, “Dark Horse” ou o Banco Master e quer que o Intercept investigue sua denúncia? Entre em contato conosco, por e-mail: lais.martins@intercept.com.br, eduardo.goulart@intercept.com.br, leandro.becker@intercept.com.br e paulo.motoryn@intercept.com.br. Ou, então, por Signal: @laisfm.02, EduardoGoulart.01, @interceptbrasil.44

Atualização: 15 de maio de 2025, 16h49
Texto atualizado para incluir resposta da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa, Angélica Neiva, Marina Luiza Queiroz, Rafaela Silva e Sarah Germano.

Por: Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Paulo Motoryn

Fonte: Intercept Brasil


Lindbergh Farias


O HOMEM DA GRANA de Daniel Vorcaro sempre foi Eduardo Bolsonaro.

A matéria do Intercept desmonta a farsa dos Bolsonaros.

Enquanto Flávio pedia, quem administrava o dinheiro de Vorcaro nos EUA era Eduardo Bolsonaro. Contrato assinado, fundo no Texas, lobby contra o Brasil, tarifaço e sanções.

E Eduardo ainda dizia que “só emprestou a imagem”. Mentira. Cada dia aparece uma nova prova. Agora a PF precisa rastrear cada centavo desse esquema.

EDUARDO BOLSOMASTER



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sábado, 23 de maio de 2026

‘DEUS TE ABENÇOE MEU BROTHER’ ÁUDIO: Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro


Vazamento por vazamento, o do trailer do filme "Dark Horse" é o que menos deveria preocupar o "brother" Mario Frias


Intercept Brasil
 

Cartas Marcadas: Parte 38

Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder em Brasília.

Essa é uma edição especial da newsletter Cartas Marcadas, assinada por boa parte dos autores da investigação que chacoalhou o Brasil nos últimos dias. A proposta inicial do mês de maio é que esse espaço seria dedicado apenas a reportagens sobre a tramitação da escala 6×1.

Fizemos isso nas primeiras duas semanas, nos debruçando sobre o lobby empresarial que usa a extrema direita para atravancar a proposta. Mas, no meio do caminho, veio um turbilhão. O Intercept Brasil publicou o maior furo jornalístico do país desde as revelações da Vaza Jato: as mensagens secretas que colocam a família Bolsonaro no centro do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

É claro que não abriremos mão de nossa cobertura da urgente luta dos milhões de trabalhadores que suportam o desumano regime 6×1. Mas faremos uma pausa porque sabemos que a nossa audiência anseia por mais informações sobre a relação do bolsonarismo com o Banco Master.

Portanto, resolvemos mudar os planos e, nesta semana, brindar os leitores com mais um capítulo de nossa investigação: o áudio e as mensagens de texto que revelam a proximidade de mais um líder da extrema direita no Congresso com Daniel Vorcaro. Vamos aos fatos.

Pouco menos de uma hora após o horário em que estava previsto um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no dia 11 de dezembro de 2024, em Brasília, o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, enviou um áudio ao banqueiro agradecendo pelo apoio ao filme “Dark Horse”.

Na gravação, obtida com exclusividade pelo Intercept, Frias afirma que o longa sobre Jair Bolsonaro “vai mexer com o coração de muita gente”, será “muito importante para o nosso país” e pede autorização para informar Vorcaro sobre o andamento da produção.



O registro mostra intimidade entre Frias e Vorcaro, algo que o deputado vem tentando esconder. Na semana passada, após o Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro havia negociado R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, Frias disse que o banqueiro não havia dado “um único centavo” para o longa-metragem.

Cerca de 20 horas depois, o deputado emitiu outra nota e disse que havia “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Ele destacou apenas que Vorcaro ou o Banco Master não haviam aparecido como investidores. A postura demonstra um distanciamento entre os dois – uma versão que um áudio e mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept desmontam.

O conteúdo indica que, além de produtor-executivo de “Dark Horse”, o ex-secretário especial de Cultura de Jair Bolsonaro atuava diretamente na articulação do filme financiado pelo banqueiro, que viria a ser investigado pela maior fraude bancária da história do país.

Na gravação, enviada por WhatsApp para Vorcaro em 11 de dezembro de 2024, às 18h24, Frias diz: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” Imediatamente depois, Vorcaro responde: “Eu to numa ligação te chamo em seguida”. Frias diz “Blz” e, às 19h06, os dois se falam por ligação de voz durante cerca de 2 minutos. 

Como já apontamos no início do texto, o agradecimento veio menos de uma hora após o horário previsto para o encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, naquele dia, na residência do banqueiro em Brasília. Segundo mensagens reveladas pelo Intercept, a reunião foi organizada por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, para tratar do financiamento do filme biográfico internacional sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro participava de uma reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ, no Senado naquele dia e deixou a sua cadeira por volta de 17h30, no horário em que havia sido marcado o encontro. Só voltou às 18h, o que indica que uma possível participação na reunião teria ocorrido de forma remota ou em outro local. O Intercept não conseguiu confirmar se o encontro, de fato, ocorreu.



Na sequência do áudio, Frias mandou novas mensagens ao banqueiro. Em 15 de dezembro de 2024, o deputado enviou uma captura de tela a Vorcaro que exibe uma troca de mensagens entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh, revelando negociações preliminares para a produção de uma obra sobre “um homem comum que se tornou presidente por um milagre”.

No diálogo, o diretor se compromete a conversar com o ator Jim Caviezel sobre o projeto, alertando, contudo, que o astro fará duas perguntas: “1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?”. Frias respondeu que o ator “será imortalizado por esse papel”.



Abaixo do print, Frias escreveu para Vorcaro: “Milagres só são possíveis quando a fé”, “Esse é um desses milagres” e “Vai ser a maior super produção de uma história brasileira”. Aparentemente, na primeira frase, o parlamentar quis dizer “quando há fé”.



Em 22 de dezembro de 2024, houve outra conversa entre o deputado e Vorcaro. O banqueiro disse, às 10h19, que estava na igreja e prometeu chamá-lo quando saísse. Frias não se conteve e, uma hora e 16 minutos depois, antes mesmo que Vorcaro avisasse que estava disponível, escreveu que o filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo mundo”, e teria “um papel histórico imprescindível para as futuras gerações”. Disse ainda que o longa-metragem sobre o ex-presidente era uma “questão de justiça divina”, ao que Vorcaro respondeu, às 11h40: “Tenho certeza disso”. “JB precisa ter sua verdadeira história revelada”, acrescentou Mario Frias. Em outra mensagem, afirmou: “2026 é do Brasil” e depois, frisou: “Deus te abençoe meu Brother”.



As mensagens mostram que a relação entre Frias e Vorcaro ia além de um contato protocolar entre um potencial investidor e um produtor. O deputado também chamava o banqueiro de “meu irmão”, fazia elogios em tom religioso e demonstrava acompanhar de perto o desenvolvimento da obra.

Frias, que foi produtor-executivo de “Dark Horse” e peça-chave na articulação da obra com o banqueiro investigado pela maior fraude bancária do país, passou a propagar mentiras nas redes sociais, na tentativa de descredibilizar as reportagens do Intercept.

Como revelamos no último sábado, o parlamentar compartilhou, no dia 14 de maio, publicações falsas alegando que o Intercept teria recuado sobre as cifras do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O rastreamento da autoria dos conteúdos compartilhados por Frias expõe uma rede de desinformação financiada e estruturalmente ligada ao PL, partido do deputado. O site diario360, por exemplo, pertence a Fagner Leandro de Lima, secretário parlamentar do também deputado federal André Fernandes, do PL do Ceará e tesoureiro da sigla no estado.

Já a página Hora Brasília é registrada em nome de uma empresa de Hugo Alves dos Santos, aliado próximo do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A firma de comunicação atuou nas eleições de 2024 como fornecedora de duas campanhas do PL, recebendo R$ 55 mil de candidatos a vereador, em Atibaia, no interior de São Paulo. Foi nessa cidade que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso, em 2020, na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederik Wassef, num desdobramento da investigação que apurava o esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.


Outro lado


Após a publicação da primeira reportagem da série, a defesa de Mario Frias confirmou que o deputado manteve contato com Vorcaro, mas afirmou que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”. Segundo os advogados, Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome do banqueiro.

A defesa acrescentou que o entusiasmo manifestado nas conversas privadas decorria da “dimensão artística e cultural do projeto”. Procuramos Mario Frias nesta terça-feira, 19, por meio de sua assessoria. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

O PL também foi procurado, mas não respondeu. O espaço segue aberto.

A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas informou que ele não vai se manifestar.



Por: Paulo Motoryn, Laís Martins, Eduardo Goulart, Leandro Becker e Mauricio Moraes

Fonte: Intercept Brasil


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