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quinta-feira, 11 de junho de 2026

PEC 65/2023: Banco Central sem qualquer tutela do poder público?


A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) em entrevista ao programa Brasil Agora, na TV 247.  Maria Lucia Fatorelli faz uma análise sobre o avanço da PEC 65, que entrega o Banco Central do Brasil (BC) ao mercado financeiro


Auditoria Cidadã da Dívida

Em entrevista à TV 247, Maria Lucia Fattorelli alerta para um dos pontos mais graves da PEC 65/2023. A alteração do ‘artigo 164’ da Constituição Federal (CF), na inserção do ‘parágrafo 2º’, que retira a vinculação do Banco Central à Administração Pública, eliminando qualquer subordinação hierárquica a órgãos ou sistemas do Estado.

Para a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), isso gera sérios problemas de constitucionalidade, pois a CF atribui à União a responsabilidade pela gestão das reservas internacionais brasileiras e da moeda nacional. Então, fica a questão: “Como uma entidade sem vínculo com o poder público poderia exercer essas funções estratégicas”?

Fatorelli destaca, ainda, que a PEC promove, na prática, a transformação do Banco Central em uma empresa pública. Diante das críticas, a proposta passou a utilizar a expressão “entidade pública de natureza especial” – uma espécie de disfarce – mas a coordenadora da ACD esclarece que essa ‘mudança de nomenclatura’ não altera sua essência, pois o Banco Central já possui natureza autárquica.

“Isso não existe em nenhum lugar do mundo”, afirma.

Aqui, você confere este trecho da entrevista




Na TV 247: Fatorelli fala sobre avanço da PEC que entrega BC ao mercado financeiro



O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL-DF) publicou em suas redes um vídeo animado remetendo à fábula dos Três Porquinhos, demonstrando os riscos por trás da PEC 65/2023.



Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida


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Na gestão de Cláudio Castro, Cedae fez aportes milionários em banco do bispo Macedo


Digimais, instituição do líder da Igreja Universal, corre risco de quebrar


ICL Notícias
 

Cedae, estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, fez aportes de dezenas de milhões de reais no Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). As operações foram realizadas por diretor indicado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL).

Desde junho de 2025, Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, fez diversos investimentos em CDBs do Banco Digimais. As aplicações foram renovadas mesmo diante de fortes indícios de que a instituição financeira corre risco de quebrar. Só recentemente, os recursos passaram para aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Meses antes de assumir o posto de diretor da Cedae, Santos foi assessor-chefe do gabinete de Cláudio Castro no Palácio Guanabara. Ele foi uma indicação pessoal do ex-governador para um cargo estratégico na estatal, responsável por assinar contratos e decidir investimentos em instituições financeiras. Santos foi o principal responsável pelo investimento de mais de R$ 200 milhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Em nota, a Cedae afirma que “uma das primeiras medidas da atual administração foi mudar a Política de Aplicações Financeiras” com o objetivo de “reforçar mecanismos de governança, controle e mitigar riscos na gestão das aplicações financeiras”.  A estatal diz ainda que os investimentos no banco Digimais não serão renovados e os valores serão reaplicados nas “maiores e mais sólidas instituições financeiras do país”.

Já Antonio Carlos dos Santos sustenta que “que todas as alocações de sua carteira estavam em conformidade com a política de aplicações financeiras da Cedae, conforme apuração da auditoria interna”. O ex-diretor diz ainda que “as decisões de investimento seguiram as normas de governança e a política de aplicações financeiras, tendo sido aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e a Diretoria Executiva”. Ele também nega que não houve “quaisquer interferências externas ou políticas” nas decisões de investimento que tomou.


Aportes chegaram a R$ 91,2 milhões


A aplicação no Digimais se aproveitou das brechas criadas sob medida para permitir os aportes no Master. Assim como no caso do banco de Vorcaro, as agências de classificação de risco dão um rating baixo para o Digimais, em comparação com diversos concorrentes no mercado financeiro brasileiro.

O banco de Edir Macedo apresentou as avaliações BBB- da Fitch e da Moody’s –a mais baixa ainda considerada grau de investimento. Até Santos alterar “sob medida” para o Master, segundo investigação interna, a política de investimentos da empresa, a Cedae exigia uma avaliação mínima bem mais alta, de A-.

Os investimentos no Digimais ocorreram inicialmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos de renda fixa tradicionalmente emitidos por instituições financeiras. A rentabilidade prometida é de 106% do CDI.


Documento detalha condições de investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

A primeira remessa milionária no Digimais ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae já se via às voltas com um possível calote de Vorcaro. O parecer favorável de Santos veio no dia 4 de junho de 2025.

Ao contrário de várias outras aplicações feitas pela Cedae, o investimento no Digimais não tinha liquidez diária –a empresa só poderia resgatar os recursos em 180 dias. Ainda assim, Santos referendou nota técnica feita por seus assessores Hedmilton Mourão Cardoso, Magno Neves Fonseca e Mauro Luis Marques –os mesmos que o auxiliaram a operar os aportes suspeitos no Banco Master. A recomendação era alocar R$ 35 milhões no conglomerado do bispo Macedo.

“A referida emissão constitui oportunidade atrativa para a Cedae, desde que o volume alocado seja inferior a R$ 40 milhões, valor de limite que conta com a garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o documento obtido pelo ICL Notícias.

Uma nova remessa foi feita pouco depois, em agosto do ano passado. Santos e seus assessores repetem quase integralmente o texto usado para justificar o primeiro investimento. Dessa vez recomendam a apliacção de mais R$ 25 milhões. O prazo para resgate era ainda maior, de 1 ano, e o rendimento prometido era de 109% do CDI. Os recursos deveriam ser retirados de um fundo de investimentos operado pelo Itaú, maior banco do país.

As regras criadas por Santos e que permitiram o investimento no Banco Master permitiam o investimento de até 10% da carteira da Cedae em bancos com rating BBB-. Após o calote do banco de Vorcaro, o Digimais foi a única instituição financeira com esse perfil a receber recursos da estatal.


Risco de quebra do banco


A Cedae manteve os investimentos mesmo  com o agravamento da situação do Digimais.

Edir Macedo chegou a anunciar em janeiro de 2025 a venda da instituição para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, por R$ 800 milhões. Contudo, Quadrado desistiu da aquisição em abril.

A venda era uma pedra de salvação para o Digimais, cujos dados financeiros apresentavam uma série de más notícias. Em pouco tempo, Macedo teve que injetar mais de R$ 700 milhões no negócio.

Mesmo com a deterioração da condição do Digimais, Santos e seus assessores seguiram recomendando o investimento no banco. Em 24 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária do Comitê de Auditoria da Cedae foi convocada para, entre outros assuntos, tratar das preocupações com a situação do banco de Edir Macedo.

Os membros do comitê questionaram Santos sobre o assunto, como mostra a ata da reunião. Segundo a ata do encontro, eles enfatizaram “os pontos negativos e de riscos de cada instituição financeira onde a Cedae possui investimentos. Diante disso, foi solicitado ao time técnico a conclusão sobre tais investimentos, inclusive a possibilidade de realocação para instituições com melhor rating”, relata o documento.


Comitê de Auditoria da Cedae questionou investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

Naquele momento, a Cedae havia contratado uma auditoria independente para avaliar a situação da empresa. Fernando dos Santos, sócio da empresa de auditoria, menciona que a estatal buscou o resgate das aplicações no Digimais, mas não deixa claro porque os valores não foram recuperados até ali.

Pouco depois, em nota técnica feita em 13 de março, Santos dobra a aposta. A DFI define a situação do Digimais como “negativa”, com “reversão para lucro semestral, melhora de Basileia; prejuízos acumulados e forte dependência de depósitos a prazo”. Mesmo assim, defende a manutenção dos investimentos: “há mitigantes de risco que levam à recomendação da manutenção das atuais posições”.

O fator mitigante, segundo a DFI, seria uma cobertura de até R$ 40 milhões pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de calote. Naquele momento, a Cedae tinha cerca de R$ 39 milhões aplicados no Digimais.


Diretoria da Cedae recomendou manutenção de investimentos em meio à crise do Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

Pouco depois, no final de março, Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo para BB-, classificação já considerada de grau especulativo.

Em 26 de maio, a Moody’s pintou um quadro ainda mais crítico: rebaixou o banco de Edir Macedo para CCC+ –o que representa risco iminente de calote dos investidores. O comunicado da agência é aterrador.

“O rebaixamento dos ratings do Digimais reflete a avaliação da Moody’s Local Brasil sobre um aumento significativo no risco dos ativos do banco, principalmente devido à sua crescente exposição aos fundos de investimento alternativos ao longo de 2025. Em dezembro de 2025, a carteira de títulos e valores mobiliários, composta majoritariamente por cotas de fundos de investimento, totalizava R$ 4,3 bilhões, correspondendo a cerca de 42% do total de ativos e representando 5,4 vezes o patrimônio líquido do banco. A qualidade e a recuperabilidade desses investimentos são incertas, como evidenciado pelo parecer de auditoria externa com ressalvas sobre R$ 3,1 bilhões, ou 73% dos fundos reportados, devido às limitações de informações sobre a adequação desses valores”, diz o relatório da Moody’s.

.A Política de Aplicações Financeiras da Cedae em vigor àquela altura vetava aplicações financeiras em instituições com notas tão baixas, mas o saque imediato não foi possível porque os contratos amarravam a estatal até a data de vencimento dos investimentos.

Por Igor Mello

Fonte: ICL Notícias


Estatal do Rio fez aportes milionários em banco de Edir Macedo durante governo Claudio Castro


Alfinetados do Dia


Bispo Edir Macedo afirma que, quando o fiel da uma oferta, ele obriga Deus a abençoa-lo e a batiza-lo.



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quinta-feira, 14 de maio de 2026

ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair


“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025


Imagem: Intercept Brasil

Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.

A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro


 

Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Os registros incluem um cronograma de desembolso, um comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção. Não há evidências nas mensagens de que Vorcaro tenha feito os outros oito pagamentos previstos para o projeto.

O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, mas teve outros intermediários, como o irmão e deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro.

As conversas privadas e os documentos de Vorcaro revelam os profundos laços financeiros e a estreita relação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro que se tornou o homem mais radioativo de Brasília. Flávio já havia negado tais conexões, da sua família e da extrema direita, chegando a dizer que isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”. 

Quando foi noticiado, em março deste ano, que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano Zettel – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN que isso aconteceu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”. 

“Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”, afirmou o senador. Em evento da pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, dois dias antes, ele classificou o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”.

Na manhã desta quarta-feira, 13, Flávio Bolsonaro foi questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao filme e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, deu uma gargalhada e se retirou de onde concedia entrevista à imprensa, próximo ao Supremo Tribunal Federal, o STF – antes, o senador havia se reunido com o ministro Edson Fachin, presidente da corte.

Flávio já havia sido contatado sobre o assunto – por telefone, WhatsApp e e-mail, mas não retornou até a publicação da reportagem. A defesa de Daniel Vorcaro foi acionada, mas não houve resposta. Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos enviados pelo Intercept. O espaço segue aberto e, caso haja resposta, o texto será atualizado.

Em nota enviada ao Intercept após a publicação da reportagem, a defesa do deputado federal Mario Frias confirmou os contatos entre o parlamentar e Vorcaro, mas disse que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”.

Também destacou que Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome de Vorcaro. Ainda negou qualquer uso do mandato parlamentar para “promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial”.

O advogado do deputado informou, ainda, que, na época da troca de mensagens, Vorcaro era conhecido como um empresário do mercado financeiro e “não havia qualquer informação pública que indicasse eventual irregularidade financeira” atribuída ao banqueiro. “Conversas privadas envolvendo exibição de conteúdo audiovisual ou encontros sociais entre pessoas públicas e empresários não configuram irregularidade”, destacou a defesa do parlamentar.

Sobre o filme, a defesa pontuou que Frias participou do desenvolvimento criativo e institucional do projeto audiovisual e que “o entusiasmo manifestado nas mensagens privadas decorre da dimensão artística e cultural do projeto, considerado por sua equipe como uma produção inédita dentro do cinema nacional independente”.


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Vorcaro bancou filme do clã Bolsonaro


Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que pelo menos parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Os registros ainda sinalizam a participação direta nas operações de outros dois intermediários: o empresário Thiago Miranda – fundador e sócio do Portal Leo Dias –, e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro de Vorcaro.

As mensagens obtidas pelo Intercept abrangem o período de dezembro de 2024 a novembro de 2025 e incluem diálogos do banqueiro com diversos interlocutores. O conteúdo do vazamento foi verificado por meio de cruzamento de informações contidas nos diálogos com dados públicos e sigilosos. Entre os elementos que confirmaram a autenticidade do material estão dados bancários e telefônicos, inquéritos policiais, registros do Congresso Nacional e de redes sociais.

De acordo com as conversas a que tivemos acesso, o relacionamento entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar a produção internacional do filme contava com um intermediário no fim de 2024 e, no ano seguinte, evoluiu para uma interlocução direta, marcada por cobranças para a liberação de dinheiro, tratativas operacionais e demonstrações de proximidade pessoal.

As conversas também indicam que Daniel Vorcaro acompanhava pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação a outros compromissos financeiros.

O Intercept entrou em contato por e-mail com advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


‘Flavio está ciente de tudo’


A primeira aproximação registrada pelas conversas obtidas pelo Intercept ocorreu em 8 de dezembro de 2024, quando o empresário Thiago Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em Brasília. 

Na mensagem para confirmar o encontro, Miranda afirmou ao banqueiro que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$” [uma possível referência ao canal de televisão SBT], acrescentando que “Flavio está ciente de tudo”. 

Thiago Miranda e Leo Dias foram contatados para comentar as trocas de mensagens. Até a publicação da reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto e, caso haja retorno, o texto será atualizado.

O SBT, por sua vez, respondeu que, “nunca teve qualquer tipo de contrato com o Banco Master” e que “o produto CredCesta, vinculado ao Grupo Master, fez ações comerciais de fevereiro a dezembro de 2024 em programa do SBT” e que “a relação do SBT com o Banco Master foi a mesma que com todos os seus anunciantes, com estritamente a comercialização de espaços publicitários”.



A reunião foi marcada, segundo os registros, para 11 de dezembro, às 17h30, na residência de Vorcaro em Brasília. Naquele dia, Flávio Bolsonaro participou de uma reunião deliberativa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ. O vídeo disponível no canal do Senado no YouTube mostra que, por volta das 17h30, ele recebe um telefonema, se levanta e sai da sala

As imagens mostram Flávio voltando a se sentar na sua cadeira poucos minutos depois das 18h, o que sugere que uma possível participação na reunião poderia ter ocorrido de forma remota ou em outro local.

Pouco menos de uma hora após o horário previsto para o encontro, às 18h24, as mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Mario Frias enviou um áudio para Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto. Frias afirmou que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e seria importante para o país. Na sequência, ele e o banqueiro fizeram uma ligação telefônica entre si.

Nos meses seguintes, as mensagens indicam avanço das negociações. No início de 2025, Miranda e Flávio pressionam Vorcaro para destravar os contratos e iniciar os aportes.


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No dia 20 de janeiro, Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Flávio Bolsonaro pedia que o jurídico do investidor fosse pressionado para concluir o processo. Horas depois, Vorcaro respondeu a Miranda, na época CEO do Portal Leo Dias: “Vou atras aqui”.

As conversas mostram que o cronograma de pagamentos passou a ser acompanhado diretamente pelo banqueiro e por Fabiano Zettel, apontado nas mensagens como responsável pela operacionalização jurídica e financeira do aporte. Entramos em contato com o advogado de Zettel, Celso Vilardi, mas ele não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.

No dia 21 de janeiro, Zettel explicou a Vorcaro que o filme teria um fluxo específico de pagamentos: dez parcelas de 2,5 milhões de dólares. Meses depois, em agosto do mesmo ano, Miranda enviou a Daniel Vorcaro um documento com uma tabela indicando que o fluxo de pagamentos acordado foi diferente: 14 parcelas – 12 delas de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões de dólares.

Ainda em janeiro, no dia 28, Vorcaro demonstrou preocupação com os atrasos nos repasses financeiros e afirmou que o projeto cinematográfico era prioridade absoluta ao definir o pagamento como “o mais importante disparado”. E deu uma ordem: “Nao pode falhar mais”.

As mensagens também revelam dificuldades operacionais para a remessa internacional dos recursos. Em fevereiro, Zettel relatou sucessivas recusas do setor de câmbio do Banco Master para realizar a operação e que informações de cadastro eram “meio estranhas”. Vorcaro, então, orientou que o pagamento fosse realizado “via entre”, uma referência à empresa Entre Investimentos e Participações.



Embora o Grupo Entre Investimentos e Participações e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes, processos judiciais e administrativos obtidos pelo Intercept evidenciam uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro. Em março de 2026, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, uma empresa que pertencia ao Grupo, autoridades passaram a investigar a suspeita de que Vorcaro atuaria como dono oculto da empresa.


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Segundo matérias publicadas por Metrópoles e Estadão, investigadores avaliam que Antônio Carlos Freixo Júnior — executivo ligado ao Grupo Entre e identificado nas mensagens do vazamento obtido pelo Intercept como Mineiro — funcionaria como operador de interesses do banqueiro dentro da companhia.

Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver uma ligação entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo os registros, Fabiano Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.

O Intercept enviou mensagem por WhatsApp e telefonou para Antônio Carlos Freixo Júnior, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


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Dias depois, em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou ao banqueiro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de dólares para o Havengate Development Fund LP, identificado nas mensagens como o fundo ligado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece no registro como a remetente do valor.

O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e Participações, foi contatado pela reportagem e disse em nota que “não existe vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro. A empresa reafirma seu compromisso com a transparência, permanecendo à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”.

Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas, nos Estados Unidos, e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.

Os documentos desta segunda firma apontam o corretor de imóveis Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.

Em março de 2025, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept, Vorcaro voltou a cobrar a quitação das parcelas ainda pendentes. Em uma mensagem enviada no dia 12 daquele mês, ele encaminhou um cronograma de desembolsos indicando que apenas a primeira parcela havia sido paga até então. O documento previa seis parcelas somando 10,6 milhões de dólares entre janeiro e maio de 2025.

Em contato telefônico, Altieris Santana se recusou a prestar informações à reportagem, indicando Paulo Calixto como representante legal. Paulo Calixto, por sua vez, não respondeu aos contatos telefônicos, por e-mail e via mensagem feitos pelo Intercept.


Crise do Master atrapalha ‘Dark Horse’


No dia 21 de março, o nome de Eduardo Bolsonaro apareceu pela primeira vez nas conversas a que tivemos acesso. Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Eduardo sugere alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA – e informa que Altieris Santana, controlador do fundo Havengate, estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.

No contato com a reportagem do Intercept, Altieris Santana se recusou a comentar a relação com o filho do ex-presidente ou a intermediação dos pagamentos. O Intercept também questionou por e-mail o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.

O cronograma de financiamento do filme coincidiu com a tentativa fracassada de Vorcaro de vender o Master para o Banco de Brasília, o BRB, e com a crescente atenção das autoridades, que culminaria na sua prisão. Ao longo do segundo semestre de 2025, as mensagens indicam aumento da pressão financeira sobre Vorcaro e uma intensificação do contato direto com Flávio Bolsonaro.

Em agosto, Miranda enviou ao banqueiro a imagem de uma tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund”, segundo a qual 10,6 milhões de dólares já haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9 milhões de dólares. Vorcaro respondeu: “segunda fazemos duas”, e Miranda afirmou estar “monitorando essa reta final”.

A reportagem do Intercept telefonou para Miranda e enviou questionamentos a ele por WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Pouco depois, em 8 de setembro, alguns dias antes de Jair Bolsonaro ser condenado pela trama golpista, Flávio Bolsonaro enviou um áudio diretamente a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando para o risco de paralisação da produção do filme.

Na gravação, o senador diz que havia preocupação com o atraso nos pagamentos a profissionais internacionais envolvidos na produção. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.

Flávio também disse que o não cumprimento dos compromissos financeiros poderia comprometer contratos, elenco, direção e toda a equipe do longa. “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, declarou.



Na resposta, Vorcaro pediu desculpas, afirmou que a semana anterior havia sido muito difícil para ele e prometeu resolver a situação até o dia seguinte. Na mesma noite, os dois fizeram uma ligação telefônica de cerca de dois minutos e meio, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept.

Cinco dias antes dessas mensagens entre Flávio e Vorcaro, o BRB anunciou que o Banco Central havia reprovado a venda do Master. 


‘Tudo isso só está sendo possível por causa de vc’


As conversas seguintes mostram a manutenção do contato frequente entre ambos. Ainda em setembro, Flávio e Vorcaro realizaram quatro ligações e marcaram encontros presenciais em São Paulo.



Em uma troca de mensagens no dia 17, Vorcaro perguntou “14:30?”, ao que Flávio respondeu: “Blz”. Em outubro, as cobranças se intensificaram novamente. No dia 22, Flávio informou que as filmagens já estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado “no limite”. O senador afirmou que, caso o apoio financeiro não pudesse continuar, seria necessário avisar para que a equipe buscasse “outro caminho”. O banqueiro o tranquilizou: “Deixa comigo”.





No mesmo dia, Flávio convidou Vorcaro para um jantar em São Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh em 2 de novembro. O banqueiro sugeriu realizar o encontro em sua própria residência e que poderia reorganizar sua agenda para comparecer, pois “tinha uma viagem”. Flávio sugeriu, mais tarde, a data de 6 de novembro. Não há confirmação, nos registros, se o jantar de fato ocorreu.



Enviamos questionamentos para Nowrasteh e Caviezel, mas não houve resposta até o momento de publicação.

No dia 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro responde: “Que demais”. Em seguida, diz: “Ficou perfeito”.



Em dezembro de 2025, o Intercept revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. A origem do dinheiro que custeou a super produção permanecia, no entanto, uma incógnita. Enviamos questionamentos para Gama, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.

O protagonista Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia do filme “Dark Horse” para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição presidencial que Flávio Bolsonaro espera vencer. O site oficial do filme, no entanto, não confirma que a produção tem data para chegar ao Brasil.



 Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa, Angélica Neiva, André Garavatti, Bianca Pyl, Eduardo Lima, Rafaela Silva, Samantha Prado, Sarah Germano e Thalys Alcântara

Atualização: 13 de maio de 2026, 16h29
O texto foi atualizado para incluir as respostas da defesa do deputado federal Mario Frias, do PL de SP, aos questionamentos do Intercept.

Atualização: 14 de maio de 2026, 09h38
O texto foi atualizado para incluir as respostas da assessoria de imprensa do Grupo Entre aos questionamentos do Intercept.


Por: Paulo Motoryn, Eduardo Goulart, Laís Martins, Andrew Fishman, Cecília Olliveira, Leandro Becker e Mauricio Moraes

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Fonte: Intercept Brasil


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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

A cada 1% de aumento na Selic, o gasto com a dívida pública cresce R$ 55 bilhões, segundo o Banco Central


O escândalo da política econômica brasileira


Auditoria Cidadã da Dívida

Quanto mais o governo corta na carne do povo para pagar a chamada dívida pública, mais o Banco Central aumenta a Selic. Esse movimento eleva a própria dívida, drenando recursos públicos em um ciclo sem fim.

O mercado faz o que quer, chantageia o governo que, em vez de auditar a dívida pública, segue na mesma trilha de cortes sociais aberta pelos governos anteriores. O arcabouço fiscal e os novos programas de cortes são prova disso.

A cada 1% de aumento na Selic, o gasto com a dívida pública cresce R$ 55 bilhões (Fonte: Banco Central – Dezembro/2024).

O mais grave é que em sua última ata o Banco Central anunciou que pode aumentar os juros em 2 pontos percentuais em janeiro e março/2025, o que triplicaria o rombo, adicionando mais R$ 110 bilhões à dívida pública além dos R$ 55 bilhões, considerando apenas esses poucos meses de dezembro a março! Isso anula qualquer “economia” prometida com cortes sociais, como questiona Maria Lucia Fattorelli:

“O que adianta aprovar um pacote de cortes que economiza cerca R$ 30 bilhões em 2025, se a cada 1% de aumento na Selic o gasto com a dívida pública sobe R$ 55 bilhões?”

Exigimos a auditoria da dívida pública para interromper essa sangria e reverter o escândalo que penaliza a sociedade brasileira.


Subir juros não controla o tipo de inflação existente no Brasil


#AuditoriaDaDívida #EconomiaBrasileira #Selic #DívidaPública



Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida


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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Lula indica para presidente do Banco Central diretor que defende a atual política de juros


A AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA é uma associação sem fins lucrativos que estuda e divulga fatos sobre o endividamento público e seus desdobramentos


Auditoria Cidadã da Dívida
 

Os jornais noticiaram que o Presidente Lula indicou, para ser o próximo Presidente do Banco Central, o economista Gabriel Galípolo, que, conforme temos divulgado em posts anteriores, tem votado junto com o atual Presidente Roberto Campos Neto na manutenção da altíssima Taxa Selic, usada como base para os ganhos dos rentistas da dívida pública.

Tais decisões têm sido tomadas sempre sob o equivocado argumento de controle inflacionário, mesmo que a inflação no Brasil esteja dentro da meta, e não esteja relacionada a uma suposta demanda aquecida, mas a preços administrados pelo próprio governo e outros preços que também não caem com a alta de juros.

Se, por um lado, apoiadores do governo poderiam argumentar que o Senado reprovaria um nome comprometido com uma forte queda nos juros, por outro lado, tal argumento mostra a importância de se alterar a estratégia do governo, já que desta forma nunca se conseguirá alterar de fato a política de juros do Banco Central, tão criticada pelo Presidente Lula.

Já passou da hora de o governo decretar a auditoria da dívida pública, que tem relação direta com as insanas taxas de juros praticadas no Brasil.

Para surtir os efeitos necessários, a auditoria deve ser integral, com participação social (como no Equador e Grécia), e deve denunciar os mecanismos que geram dívida sem contrapartida; mostrar quem se beneficia desse Sistema da Dívida que atua no Brasil, além de demonstrar para toda a população que essa dívida não tem servido para investimentos sociais, mas para pagar os próprios juros e mantê-los elevados, amarrando toda a economia do país.


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Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida


Economia 01

Economia 02


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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

A Lei da Usura no país da agiotagem financeira


No Brasil vivemos uma discrepância econômica e social que não condiz com a nossa realidade de riqueza em recursos naturais, humanos e em termos de investimentos


Auditoria Cidadã da Dívida


Somos um país rico com uma população extremamente pobre. A nona economia do mundo1, mas com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) lastimável. Ainda que tenha havido uma redução da desigualdade segundo o IBGE nos últimos 11 anos, continuamos no topo da concentração de renda no mundo. Comparando com dados mais recentes relativos ao índice de Gini, que aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos, em comparação a outros países, o Brasil aparece como o décimo pior em desigualdade, apenas países africanos, como a África do Sul, se saem pior, encabeçando a lista. 2

Aliado a uma dívida pública nunca auditada e com indícios de inúmeras irregularidades como mostrou a CPI da Dívida (2009-2010)3,4, somos oprimidos pelos juros mais estratosféricos do planeta. E aí vem a pergunta: Cadê a Lei da Usura (Decreto-Lei 22.626/33)? Onde fica o artigo 406 do Código Civil que diz: Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. (Vide ADIN 5867) (Vide ADC 58) (Vide ADC 59) (Vide ADPF 131).5


“De acordo com o Novo Código Civil na ausência de estipulação entre as partes, foi estabelecida uma taxa de juros legais moratórios, equivalente à taxa de juros decorrente da mora no pagamento de impostos à Fazenda Nacional (art. 406). Em qualquer caso, a mora no pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é definida pelo art. 161, § 1.°, do Código Tributário Nacional “Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês” e art. 5.° do Decreto 22. 626/33, o que se afirma na exata medida em que a taxa Selic, instituída por leis ordinárias (Leis 9.065/95 e 9.779/99), não pode ser aplicada em detrimento do art. 161, § 1. °, do CTN, em razão do princípio da hierarquia, vez que o Código Tributário Nacional foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como lei materialmente complementar (art. 34 do ADCT)”.6


 Tentando se “ajustar” ao cenário caótico brasileiro, sem deixar de fazer as vezes do mercado financeiro, reduziu-se os juros do cartão de crédito de taxas que chegavam a 1000%7, aos agora 100%8, ainda absurdos, tendo-se como parâmetros inúmeros países com taxas bem mais condizentes com a civilidade. Grande parte dos países, incorpora o limite de juros à legislação – em 28 deles existem as chamadas “leis de usura” e em 24 há leis específicas de taxas de juros.9“Os juros do rotativo eram maiores do que os que qualquer consumidor de baixa renda pagaria a um agiota do bairro onde mora, por exemplo. Sei que a frase é forte, mas é uma verdade absoluta. Não tinha nenhum modelo de empréstimo que cobrava mais juros do consumidor e acredito que o crédito rotativo é o verdadeiro responsável pela inadimplência”, ressalta o fundador do Data Favela, Renato Meirelles.

Toda essa farra do sistema bancário se torna ainda mais nauseante quando nos damos conta que o Banco Central realiza operações chamadas “compromissadas” e “depósitos voluntários remunerados” com essas instituições, esterilizando, ou seja, deixando parados cerca de 1,4 trilhão de reais, que poderiam estar sendo investidos no país, mas que têm servido apenas para remunerar a sobra de caixa.11 Essas operações chegam a consumir quase 25% do PIB do país12com a falácia de enxugar a liquidez em um país onde não há circulação excessiva de moeda na economia, pelo contrário, o que existe é uma imensa escassez e também com o pretexto, já desmascarado, de controlar a inflação que advém de preços definidos pelo próprio governo (combustíveis, plano de saúde, escola, luz, água, aluguel, entre outros) e não de uma suposta demanda aquecida.

Não podemos viver subjugados a um sistema que só tem retirado recursos do país e dos indivíduos de formas que parecem não estar relacionadas para a maioria das pessoas mas sim, estão. Uma apenas diz respeito à macroeconomia (ex.: operações compromissadas, depósito voluntário remunerado, swap cambial) e outra à microeconomia (ex.: os altos juros que você paga e a carestia de tudo como resultado desse sistema de expropriação).

O artigo 192 da Constituição diz: O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 40, de 2003) (Vide Lei nº 8.392, de 1991).13 E, ainda que o parágrafo terceiro tenha sido retirado do artigo 192, não há matemática ou economês que comprove que não existe limite, para além do interesse da banca financeiraque dita as regras da política econômica do país.

Se em 1988, taxas acima disso já eram consideradas usura, imagine agora num país de população de maioria assalariada, alguns com desconto de imposto de renda de 27,5% na fonte, enquanto uma minoria é isenta (conforme Tabela 1)14, pois a regressividade do sistema tributário brasileiro tem beneficiado rendimentos isentos e não tributáveis como lucros e dividendos. Citando um exemplo prático, quem declarou mais de 320 salários-mínimos mensais em rendimentos totais, aproximadamente 68% correspondem aos rendimentos isentos e não tributáveis e apenas 6,68% correspondem aos rendimentos tributáveis brutos. 15




Tabela 1- Nova tabela de dedução do IR

Fonte: Valor Econômico Brasil



É inadmissível conceber juros abusivos como os adotados no Brasil com a grande maioria da população ganhando de 1 salário (agora, R$ 1.421,00) a 2 salários e ainda segurando todo o peso da tributação que incide, principalmente, sobre o consumo.16

As taxas de juros impostas à população brasileira são simplesmente aviltantes e não têm parâmetros, teóricos, técnicos e econômicos, no planeta.

Para concluir, coloco um parágrafo do livro em pdf do Professor Ladislau Dowbor, “Juros extorsivos no Brasil: como o brasileiro perdeu seu poder de compra”, página 94: “Os juros elevados alimentam os intermediários financeiros, segundo os vários mecanismos que vimos acima. Manter os juros elevados em nome da proteção do povo contra a inflação gera ao mesmo tempo o elevado fluxo de recursos para os intermediários financeiros, e uma segunda fonte de recursos que é a própria inflação, já que os bancos ganham no “float”(denomina o prazo existente entre o dia do depósito de um pagamento ou cheque e a recepção deste valor no banco ou entidade financeira) de recursos não aplicados pelos clientes. A inflação em si constitui um poderoso instrumento de transferência de recursos dos que têm renda fixa, como os assalariados, aposentados ou até pequenos empresários que não têm como influenciar os preços, para os grandes grupos financeiros que fazem aplicações financeiras e escapam da erosão da capacidade de compra. O rentista tem o dinheiro aplicado e que rende muito, enquanto o assalariado espera a renegociação do salário a cada ano, e o que ele perde é indiretamente apropriado pelo sistema financeiro.”17Vale acrescentar que, além de “indiretamente apropriado”, poderíamos dizer imoralmente e injustamente e, o que tem sido feito, ainda é pouco diante da imenso deslocamento de renda de um grande estrato da população para um pequena parte que ganha apenas especulando.


Referências


1- “Brasil salta duas posições e se torna a nona economia do mundo em 2023”. 2023. Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-12/brasil-salta-duas-posicoes-e-se-torna-nona-economia-do-mundo-em-2023 (3 de janeiro de 2024).

2– Mali, Tiago. 2023. “Desigualdade do Brasil está a décadas de distância da Europa”. Poder360. https://www.poder360.com.br/economia/desigualdade-do-brasil-esta-a-decadas-de-distancia-da-europa/ (3 de janeiro de 2024).

3- https://www.auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2012/08/Principais-Investiga%C3%A7%C3%B5es.pdf

4- https://auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2013/11/parecer-acd-1-versao-29-5-2013-com-anexos.pdf

5- “Art. 406 do Código Civil”. Jusbrasil. https://www.jusbrasil.com.br/busca?q=art.+406+do+c%C3%B3digo+civil (3 de janeiro de 2024).

6- “Limites legais da cobrança de juros – Gilberto Melo”. https://www.gilbertomelo.com.br/limites-legais-da-cobranca-de-juros/

7- “Por que juros do cartão chegam a 1.000% mesmo com a Selic em 13,75%?” 2023. Estadão E-Investidor – As principais notícias do mercado financeiro. https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/juros-cartao-de-credito-com-selic-a-13-75/ (3 de janeiro de 2024).

8- Dhiego. 2024. “Juros do rotativo passam a ser limitados a 100% da dívida a partir de hoje; veja simulação”. InfoMoney. https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/juros-do-rotativo-passam-a-ser-limitados-a-100-da-divida-veja-simulacao/ (3 de janeiro de 2024).

9- https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/cheque-especial-76-paises-limitam-juro-em-credito-diz-bc/

10- “Teto do rotativo reduz endividamento, mas juros continuam altos”. https://www.folhape.com.br/economia/teto-do-rotativo-reduz-endividamento-mas-juros-continuam-altos/309482/ (3 de janeiro de 2024).

11-“Capítulo 2 – POR QUE AS OPERAÇÕES COMPROMISSADAS ESTÃO TÃO ELEVADAS?” Auditoria Cidadã da Dívida. https://auditoriacidada.org.br/conteudo/capitulo-2-por-que-as-operacoes-compromissadas-estao-tao-elevadas/

12- “Depósito voluntário remunerado é Bolsa Banqueiro sem limite e sem causa’, por Maria Lucia Fattorelli”. Auditoria Cidadã da Dívida. https://auditoriacidada.org.br/conteudo/deposito-voluntario-remunerado-e-bolsa-banqueiro-sem-limite-e-sem-causa/

13- “Art. 192 da Constituição Federal de 88”. Jusbrasil. https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10655792/artigo-192-da-constituicao-federal-de-1988.

14- “Veja nova tabela do Imposto de Renda e entenda o que mudou”. 2023. Valor Econômico. https://valor.globo.com/brasil/noticia/2023/08/28/veja-a-nova-tabela-do-imposto-de-renda.ghtml

15- Palermo, Luiza. “Milionários pagam menos IR que classe média, enquanto também ficam mais ricos”. CNN Brasil. https://www.cnnbrasil.com.br/economia/milionarios-pagam-menos-imposto-de-renda-que-classe-media-enquanto-tambem-declaram-mais-lucros-e-dividendos/

16- “As distorções de uma carga tributária regressiva”. https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=3233

17- “Juros Extorsivos No Brasil: Como O Brasileiro Perdeu O Poder De Compra | Dowbor.org”. 2016. https://dowbor.org/2016/06/l-dowbor-juros-extorsivos-no-brasilcomo-o-brasileiro-perdeu-o-poder-de-compra-etica-sao-paulo-2016-108p.html



Por Glísia Mendes Tavares Gomes

Tecnologista em Saúde Pública, aposentada.

Fonte:  Auditoria Cidadã da Dívida


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Irã e Rússia concordam em abandonar o dólar e negociar em moedas nacionais


Plataformas como sistemas de mensagens não-SWIFT e estabelecimento de relações bilaterais de corretagem utilizando moedas nacionais estão agora a ser utilizadas por bancos e empresas no Irã e na Rússia, informou a Fars News na quarta-feira, citando informações do Banco Central do Irã.


Teerã, IRNA - O estabelecimento de novas plataformas financeiras e bancárias abriu um “novo capítulo” nas relações bancárias entre o Irã e a Rússia, com os dois países a concordarem em abandonar o dólar americano e, em vez disso, negociar em moedas locais.

Numa reunião recente, o Governador do Banco Central do Irão, Mohammad-Reza Farzin, e o seu homólogo russo finalizaram um acordo para utilizar moedas nacionais no comércio bilateral.

Farzin também propôs aproveitar as capacidades dos BRICS para facilitar as transações durante a presidência da Rússia sobre o grupo de economias emergentes. A proposta foi bem recebida pelo principal banqueiro da Rússia.

Segundo o relatório, as disposições técnicas do acordo serão postas em discussão durante futuras reuniões entre os governadores dos bancos centrais do Irã e da Rússia.

O Irã e a Rússia, ambos sob sanções ocidentais draconianas, criticaram repetidamente os EUA e os seus aliados europeus por transformarem o dólar em arma como uma ferramenta para exercer pressão sobre outros países.

Eles, juntamente com outros membros dos BRICS, lançaram iniciativas para abandonar a dependência do dólar americano no comércio bilateral.

Fonte: IRNA News Agency


 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Precisaremos esperar a dívida tomar todo o orçamento para realizar a auditoria?


A grande imprensa continua propagandeando que a dívida tem crescido por causa dos gastos sociais, e não por causa dos juros abusivos e demais mecanismos financeiros ilegítimos que combatemos e denunciamos diariamente.



A preocupação do mercado com o aumento da dívida e a responsabilidade fiscal do país pode até parecer nobre para alguns, mas lá no fundo, todos sabemos bem que o real motivo de todo este alarde em torno do tema da dívida está no medo de que se alterem os privilégios que marcam a maneira ERRADA como a política econômica brasileira tem atuado, beneficiando principalmente banqueiros, rentistas e o setor financeiro de modo geral.

A grande imprensa continua propagandeando que a dívida tem crescido por causa dos gastos sociais, e não por causa dos juros abusivos e demais mecanismos financeiros ilegítimos que combatemos e denunciamos diariamente, como a remuneração da sobra de caixa, os escandalosos contratos de swap, os prejuízos do Banco Central e toda a gastança financeira obscura que só será revelada por meio da auditoria integral com participação social.
 
Lutar pela realização da auditoria significa garantir transparência a essa dívida que todos os brasileiros e brasileiras pagamos à custa de muito sacrifício. Isso nos motiva a seguir trabalhando diariamente. Afinal, esse dinheiro sai do nosso bolso e temos o direito de saber quanto e a quem estamos pagando, já que toda essa dívida é a principal responsável pelo sucateamento do Estado, pelas privatizações insanas, pelas contrarreformas e todos os cortes na saúde, educação e demais áreas vitais para a nossa população. AUDITORIA JÁ!



"Não falta dinheiro no Brasil, mas ele está sendo usado para pagar juros abusivos", diz Fattorelli




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