Para que a pena seja cumprida, ainda há o prazo para
apresentação e julgamento de recursos até o trânsito em julgado, quando a pena
pode começar a valer. A partir da análise dos recursos, que não mudam a
condenação, o ex-deputado torna-se inelegível por oito anos.
No entanto, para que se cumpra a reclusão, será preciso
fazer um pedido de extradição do Brasil, já que Eduardo está vivendo nos
Estados Unidos. O pedido precisa ser analisado pelas autoridades
internacionais, contando que há também a possibilidade de o filho do
ex-presidente Bolsonaro tentar pedir asilo político ao presidente dos EUA,
Donald Trump.
Juristas ouvidos pelo Brasil de Fato detalharam
tanto os trâmites como os obstáculos do cumprimento da pena de Eduardo
Bolsonaro.
O constitucionalista
Pedro Serrano, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), explica que a condenação já está consolidada em seu mérito. Segundo
ele, a defesa deve apresentar embargos de declaração, recurso utilizado para
esclarecer eventuais omissões, contradições ou pontos obscuros da decisão. “A
decisão foi unânime, então não cabe nenhum tipo de recurso que possa, como se
fala no direito, incidir sobre a coisa julgada, ou seja, alterar o mérito da
decisão”, afirmou.
Na mesma linha, o
jurista Lenio Streck indica que o processo ainda precisa cumprir
etapas formais antes do início da execução da pena. “Tem de esperar o trânsito
em julgado. Cabe embargos de declaração. Leva ainda uns dois meses”, disse. A
advogada Amanda Vitorino Melonio, integrante da Rede Feminista de Juristas
(deFEMde), lembra que o próprio STF consolidou, em 2019, o entendimento de que
o cumprimento da pena só deve começar após o esgotamento de todos os recursos.
“É constitucional a regra do Código de Processo Penal que prevê o esgotamento
de todas as possibilidades de recurso para o início do cumprimento da pena”,
destacou.
A permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos também
pode dificultar a execução da condenação. Segundo Serrano, “enquanto ele
estiver lá, protegido pelo governo do Trump, a realidade é que não vai ter como
executar essa pena no aspecto da restrição ao direito de liberdade dele”.
Melonio acrescenta que, fora do território nacional,
alternativas como inclusão na lista da Interpol ou pedido de extradição
dependeriam da cooperação internacional. Já Streck ressalta que “estando lá, o
Brasil precisa pedir a extradição”, mas pondera que a situação pode se tornar
mais complexa caso o ex-deputado obtenha asilo político.
Em nota após o resultado do julgamento, Eduardo Bolsonaro
classificou a decisão como “sem pé nem cabeça” e mantém o discurso de exilado
político.
“Tenho confiança na restauração da democracia brasileira com
a vitória de Flávio Bolsonaro, que permitirá que as centenas de exilados
possam, enfim, retornar à sua pátria.”
Apesar de a prisão ainda depender do encerramento do
processo, os especialistas apontam que a condenação já tem forte impacto
político. Serrano afirma que Eduardo Bolsonaro perderá o cargo efetivo que
ocupava e ficará inelegível por oito anos. “Ele já vai estar sujeito a essas
penas de perda do cargo e de inelegibilidade”, disse. Caso a pena venha a ser
executada, o cumprimento inicial deverá ocorrer em regime semiaberto. “Pode
trabalhar, mas tem de se recolher à noite”, explicou Streck.
Eduardo Bolsonaro foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão
e inelegibilidade por 8 anos por tentar interferir no julgamento de seu pai, o
ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por envolvimento com a trama golpista de 8
de Janeiro.
Eduardo Bolsonaro foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão e inelegibilidade por 8 anos por tentar interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por envolvimento com a trama golpista de 8 de Janeiro. pic.twitter.com/iO8DLDaylv
A campanha de Israel para arrasar enormes faixas
do sul do Líbano pode destruir não apenas as casas das pessoas, mas até a
possibilidade de que demonstrarem que são proprietárias, segundo moradores
locais e autoridades do governo libanês – potencialmente impedindo centenas de
milhares de libaneses de comprovar que têm alguma propriedade ou residência
Intercept Brasil
Imagens aéreas de Bint Jbeil, sede de um município do mesmo
nome, mostram o que os moradores descrevem como marcas de incêndio em locais
onde os registros oficiais eram mantidos: documentos do registro civil,
escrituras de terras, a infraestrutura de papel que integra a existência
jurídica de uma cidade.
O cartório não existe mais, os prédios do governo foram
demolidos, e as casas que continuam importantes documentos pessoais sofreram
destruição generalizada. Agora, os moradores de 36 vilarejos do distrito de
Bint Jbeil temem que a guerra total de Israel signifique a destruição de todos
os seus registros, o que poderia desvinculá-los permanente das casas que
deixaram para trás quando fugiram sob ordens israelenses de evacuação.
Isso poderia transformar em pesadelo a reconstrução após a
guerra. Bint Jbeil é o distrito mais a sudoeste do Líbano, e foi palco de uma
campanha militar israelense para evacuar populações inteiras antes de arrasar
seus vilarejos.
“O Ministério do Interior ainda não conseguiu ter acesso aos
arquivos do registro civil do distrito de Bint Jbeil.”
Alguns libaneses inclusive consideram que é uma tática
intencional, parte do plano de Israel para esvaziar o sul do líbao e
estabelecer uma zona tampão ao sul do rio Litani. Os líderes israelenses
esperam que isso deixe o norte de Israel fora do alcance dos foguetes do
Hezbollah.
Um mukhtar, uma autoridade local, confirmou ao Intercept dos
EUA que os arquivos do registro civil estão digitalizados apenas até 2020, o
que oferece um alívio limitado. Muita coisa, no entanto, continua desaparecida.
Há os documentos dos últimos seis anos, juntamente com inúmeros outros que não
foram oficialmente registrados em razão da burocracia libanesa, notoriamente
caótica, e da fiscalização ineficaz das regras de registro, que às vezes são
desrespeitadas para evitar pagar tributos.
No centro da crise está o Grande Serralho de Bint Jbeil, o
antigo prédio administrativo que abriga o registro de imóveis das dezenas de
famílias em mais de 20 vilarejos do distrito. Desde a entrada das forças
israelenses, as autoridades libanesas não conseguiram mais ter acesso ao
prédio, embora tenham feito tentativas por meio do Comitê Internacional da Cruz
Vermelha, que apresentou solicitações ao chamado Comitê do Mecanismo, que
administra o acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano.
“O Ministério do Interior ainda não conseguiu ter acesso aos
arquivos do registro civil do distrito de Bint Jbeil, porque o Comitê
Internacional da Cruz Vermelha não recebeu aprovação do Comitê do Mecanismo,
que inclui Israel, para entrar na área, embora tenha apresentado uma
solicitação para tal, com o objetivo de recuperar os arquivos e transferi-los
para o Ministério do Interior, em Beirute”, disse ao Intercept um porta-voz do
ministério.
Em um comunicado enviado a um jornalista do Intercept em
Nova York, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel se recusou a comentar
sobre o pedido da Cruz Vermelha, e afirmou que o grupo libanês Hezbollah
instala ativos militares em áreas civis.
“As diretivas das FDI permitem a execução de operações de
limpeza de estruturas usadas para fins militares, ou quando há uma necessidade
operacional essencial que justifique a demolição total ou parcial de uma
estrutura, de acordo com o direito internacional”, dizia o comunicado.
A destruição de infraestrutura civil na guerra só é
permitida pelas leis da guerra em condições restritas: é preciso existir um
propósito militar, e a destruição deve ser incidental a esse propósito.
Israel destruiu vilarejos inteiros na fronteira do Líbano.
Os especialistas afirmam que essas ações podem constituir crimes de guerra. O ministro da defesa de Israel já disse
anteriormente que: “todas as casas em vilarejos próximos à fronteira libanesa
serão destruídos”.
O Grande Serralho
O ministro das Finanças do Líbano, Yassine Jaber, vem
monitorando o Grande Serralho por satélite.
“As paredes ainda estão quase todas de pé”, disse ao
Intercept, “mas os satélites não têm a chave das portas. Não sabemos o que
aconteceu lá dentro. Os arquivos foram destruídos? Foram confiscados? A verdade
ainda está do outro lado da linha de frente.”
Durante quatro semanas, Jaber comandou uma espécie de sala
de operações de crise: ligações para o comando militar do Líbano, coordenação
com a inteligência militar, tentativas reiteradas de entrar em contato com o
Comitê do Mecanismo – o órgão multilateral que inclui Israel e monitora o
acordo de cessar-fogo celebrado em meados de abril com o Hezbollah – e apelos à
UNIFIL, a Força das Nações Unidas no Líbano.
Seu objetivo era estabelecer um corredor para uma única
viagem a Bint Jbeil para recuperar os registros.
“Tentamos de tudo”, conta Jaber. “Mas Bint Jbeil neste
momento é uma zona proibida.”
“Tentamos de tudo. Mas Bint Jbeil neste momento é uma zona
proibida.”
Nem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha conseguiu chegar
aos arquivos.
“O CICV apoiou o Ministério do Interior na evacuação de
alguns dos registros civis do sul do Líbano no começo da escalada”, explica
Sally Aoun, porta-voz do CIVC no Líbano. “Não foi possível apoiar a evacuação
em Bint Jbeil em razão das hostilidades em curso.”
Jaber teve sucesso em algumas outras áreas onde recuperar os
registros se mostrou um desafio. Quando os combates chegaram a Marjayoun, no
sul do Líbano, uma equipe de funcionários públicos entrou na cidade sob
bombardeio para recuperar os registros civis. A mesma coisa aconteceu no
distrito de Hasbaya.
Os registros da cidade de Tiro, no sul, agora são mantidos
mais acima na costa, em Sidon. O ministério também conseguiu evacuar para
Beirute os arquivos de Meiss El Jabal, Tibnine, Jbaa, Jouaya, e
Nabatieh. O Ministério do Interior em Beirute designou um dia da semana para
cada um dos registros distritais fazer o processamento das solicitações de
documentação civil para os desabrigados do sul.
Bint Jbeil continua sendo a peça que falta.
Armadilha Jurídica
O Líbano tem um backup digital parcial. O Ministério das
Finanças tem arquivos eletrônicos da maioria dos imóveis registrados no sul,
uma rede de segurança para as escrituras que chegaram a ser registradas
formalmente. No entanto, milhares de transações nunca foram registradas.
É o caso de Ali Khreizat, conhecido pelo honorífico Abu
Hassan, que foi desalojado de sua casa no vilarejo de Aitaroun, no distrito de
Bint Jbeil. Quando o vilarejo enfrentou o bombardeio israelense, Abu Hassan foi
embora – mas deixou para trás, em uma gaveta no canto, uma bolsa de couro gasta
que continha a escritura de compra e venda da terra em que viveu por cinco
anos.
Abu Hassan fez as pazes com a destruição de sua casa, mas
sua preocupação muito maior é que talvez nunca consiga comprovar que era dono
da propriedade.
“Quem protege o direito do comprador se o contrato em papel
desaparece?”
“A casa que eu construí pedra por pedra agora virou pó”,
diz. “E o papel que diz que ela era minha foi com Deus.”
Mesmo cinco anos depois de se mudar, a escritura nunca
chegou ao registro de imóveis. Como muitas pessoas no Líbano, Abu Hassan não
teve pressa para cumprir os prazos burocráticos, e a lendária ineficiência
estatal libanesa não oferecia muito incentivo para isso. Agora, ele soube pelos
moradores locais que ainda estão na região que até o cartório foi destruído, o
que reduziu ainda mais sua esperança de que exista em algum lugar uma cópia de
sua escritura.
Como praticamente não há fiscalização das normas de registro
– seja por uma indiferença em relação à papelada burocrática, seja por
outro motivo, como evitar a tributação – o problema dos imóveis residenciais
sem registro poderia deixar as pessoas sem meios de comprovação de que
adquiriram propriedades.
“Isso criará um grande problema jurídico na comprovação da
titularidade”, diz Jaber. “Quem é dono do quê? Quem protege o direito do
comprador se o contrato em papel desaparece?”
Jaber conta que quando assumiu o cargo, em fevereiro de
2025, encontrou um sistema inadequado para os tempos atuais, em que tudo é
online. Ele agora está supervisionando uma reforma completa para digitalização
de documentos, um projeto que ele estima que levará seis meses para ser
concluído.
“Um cofre digital”, diz, “que nenhum projétil pode alcançar
e nenhum fogo pode apagar”.
Apagando o mapa
Os danos aos registros em Bint Jbeil podem ser ainda mais
extensos do que qualquer documento individual.
Uma das principais preocupações é o destino do departamento
de agrimensura. Essa unidade técnica detém os registros de medição que vinculam
as divisas das propriedades a pontos de referência geográficos fixos, alguns
deles remontando ao período do mandato francês. Esses pontos estão ligados, por
meio de uma série de levantamentos históricos, a uma coordenada de referência em
Homs, na Síria, que serve de âncora para o mapa cadastral nacional do Líbano
desde a década de 1920.
Se esses marcos físicos do levantamento foram destruídos,
segundo Riyad Al-Asaad, engenheiro civil da região sul, a pergunta passa a ser:
quem controla os dados de georreferenciamento que definem as divisas? O Líbano
ou Israel?
O risco, segundo Al-Asaad, é que as propriedades possam ser
redesenhadas usando medições israelenses, uma nova realidade geográfica que se
imporia sobre a antiga.
O general libanês aposentado Yaarab Sakhir considera que
isso faz parte de um padrão deliberado, e aponta para a Doutrina
Dahieh, uma estratégia militar israelense que foi nomeada em referência
ao subúrbio
de Beirute onde foi implementada pela primeira vez. A estratégia
propõe ataques desproporcionais sobre infraestrutura civil para criar um alto
custo para os inimigos de Israel, que funcione como uma forte contenção.
“Israel, quando aplica a Doutrina Dahieh, como fez em Gaza,
que foi objeto de uma divisão 55/45 entre um corredor israelense e uma zona
palestina – está fazendo a mesma coisa agora, ao sul do Litani”, diz.
“Primeiro, deslocamento e despovoamento. Segundo, ataques repetidos. Terceiro,
quando as áreas são tomadas militarmente – Bint Jbeil em primeiro lugar – eles
mineram, demolem, e apagam todos os recursos, para tornar essas áreas
inabitáveis e impedir que os moradores retornem.”
Prédios oficiais, segundo Sakhir, se tornam alvos
específicos de Israel nesse programa.
“Israel se concentra em cartórios do registro civil e
serralhos do governo”, diz. “O arquivo do serralho de Bint Jbeil abrange não
apenas a cidade, mas todos os vilarejos do distrito.”
Em sua declaração ao jornalista do Intercept em Nova York,
os militares israelenses negaram que estivessem atacando especificamente a
infraestrutura civil.
“As FDI”, disse o porta-voz, “não atuam contra as
instituições do Estado do Líbano, as Forças Armadas Libanesas, nem os civis
libaneses, e rejeita as acusações de danos intencionais contra os registros da
população, documentos civis, registros imobiliários ou instituições
administrativas, ou qualquer intenção de desvincular os habitantes de suas
terras ou prejudicar seus direitos de propriedade.”
Fantasmas em seu próprio país
Dados do Ministério do Interior mencionam 190 mil pessoas
registradas como eleitores no distrito de Bint Jbeil, em 2025. Somando-se a
geração de crianças e jovens que ainda não estão nesse cadastro, o número chega
a aproximadamente 250 mil pessoas – todas elas, em graus variados, atingidas
pelo desaparecimento dos registros oficiais de seu distrito.
Mohamed Sarhan, o mukhtar, ou líder local, de Kfarkela, um
vilarejo da região norte do distrito de Bint Jbeil, disse ao Intercept que
moradores e funcionários públicos do local relataram que as forças israelenses
confiscaram registros imobiliários do distrito de Bint Jbeil. O destino desses
registros ainda é incerto. Ninguém consegue dizer com certeza se foram
queimados no bombardeio, levados, ou se simplesmente se perderam no caos.
Dalia Boussi deixou Bint Jbeil ao som do bombardeio. Como
todas as outras pessoas que fugiram no começo do ano, ela pegou o que era
possível. Boussi, produtora de vídeo, não está em pânico; ela conseguiu levar
consigo seus documentos. Mas ela se preocupa com as pessoas que fugiram sem
documentos, e com o que o estado deve fazer quando essas pessoas voltarem.
“Há destruição total do centro da cidade, como podemos ver
nas imagens de satélite. Quando voltarmos, precisaremos redesenhar do zero as
divisas das propriedades, e determinar quais terras são públicas ou privadas,
antes que seja possível começar a reconstrução”, diz Boussi. “É importante que
o estado e os ministérios relevantes tenham flexibilidade para facilitar as
coisas para os cidadãos. Uma célula de crise deve ser criada em cada cidade,
especificamente para rastrear os documentos de propriedade e arquivos do
registro civil, e para garantir que todas as pessoas tenham seus documentos
oficiais.”
Ela fez uma pausa e acrescentou: “não importa o que
aconteça, ninguém vai perder sua identidade, nem alguns anos de idade”. A
brincadeira reforça uma realidade: o povo de Bint Jbeil ainda existe. Seus
registros podem ter desaparecido, mas os moradores locais sabem quem são, e
sabem o que lhes pertencia.
Como disse Abu Hassan, o morador de Aitaroun cuja escritura
provavelmente foi destruída com sua casa: “a batalha de amanhã não será apenas
pela reconstrução. Será uma batalha para provar que existimos, depois que o
arquivo foi saqueado ou incendiado.”
Israel continua seus ataques no sul do Líbano, destruindo cidades, desabrigando cidadãos e demolindo prédios públicos. Por causa dos bombardeios, muitas pessoas perderam os documentos que comprovam a posse de suas terras – mais um passo no domicídio concretizado pelo governo de… pic.twitter.com/ERmp2xBz5S
As informações que você acabou de ler incomodam muita gente
poderosa. É por isso que tentam nos silenciar com processos, ameaças e
difamação.
A única barreira entre a verdade e a impunidade é um jornalismo sem rabo preso.
O Intercept Brasil não tem donos bilionários e não aceita um único centavo de
bancos ou políticos.
Nós acabamos de entregar os fatos. Agora, a bola está com você. Se essa
história te indignou, transforme isso em ação. Mostre a eles que não estamos
sozinhos e garanta que ninguém nos cale.
Os EUA possuem mais de 300 biolaboratórios espalhados pelo
mundo, principalmente em países do Sul Global, afirmou Jeff J. Brown,
cofundador da Comissão da Verdade sobre Armas Biológicas, à Sputnik. Ele
comentava a recente confirmação de Washington sobre a existência desses
laboratórios
"A Ucrânia
é apenas um dos muitos países do mundo onde os EUA e a
Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] estão desenvolvendo patógenos
letais para atacar seus inúmeros inimigos. Excluindo a Ucrânia, as
forças norte-americanas possuem mais de 330 laboratórios de armas
biológicas espalhados pelo planeta, concentrados no Sul Global",
declarou Jeff J. Brown.
Segundo ele, no caso da Ucrânia, todos os biolaboratórios
estão sob supervisão de estruturas militares norte-americanas.
"Os Estados Unidos se beneficiam da posse de
alguns dos patógenos mais perigosos conhecidos pela humanidade para
atacar os inúmeros inimigos percebidos pelo Ocidente", explicou Brown.
Entre os exemplos citados, estavam operaçõesrelacionadas à peste suína
africana e à gripe aviária dirigidas à China, bem como campanhas
semelhantes contra Cuba, Rússia e Irã.
Washington e seus aliados "nunca deixarão de
desenvolver armas biológicas ao redor do mundo. É lucrativo demais para
os militares, as grandes farmacêuticas, as empreiteiras e os
políticos", concluiu o especialista.
Brown comentou as declarações recentes da diretora de Inteligência
Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, que reconheceu a existência de
atividades que já haviam sido relatadas pelas Tropas de Defesa Radiológica,
Química e Biológica das Forças Armadas da Rússia.
Desde 2023, a Rússia tem levantado a questão dos
laboratórios biológicos dos EUA em fóruns internacionais de alto nível, apresentando
evidências de que trabalhos com armas biológicas teriam sido realizados em
território ucraniano com o apoio norte-americano. No entanto, Washington e Kiev
apresentaram essas investigações como cooperação "para fins
pacíficos".
Laboratórios biológicos na Ucrânia operam com patógenos de
alto risco, revelam dados dos EUA
Pela primeira vez, a Inteligência Nacional
dos Estados Unidos confirmou oficialmente que instalações biológicas em território
ucraniano realizaram e continuam realizando pesquisas com microorganismos
altamente contagiosos.
Esses centros, financiados com milhões de dólares
de Washington, concentram-se em diferentes regiões do país.
Descubra com o
infográfico da Sputnik que patógenos são estudados, quanto custam esses
laboratórios e onde estão localizados.
🦠⚠️ Laboratórios biológicos na Ucrânia operam com patógenos de alto risco, revelam dados dos EUA
🔍 Pela primeira vez, a Inteligência Nacional dos Estados Unidos confirmou oficialmente que instalações biológicas em território ucraniano realizaram e continuam realizando… pic.twitter.com/0POMX51Dua
A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard,
afirmou que os EUA financiaram mais de 120 biolaboratórios em dezenas de países
voltados a pesquisas perigosas, incluindo modificação de vírus para ampliar
suas propriedades.
DNI Tulsi Gabbard
Hoje, estou divulgando inteligência nunca antes vista que
revela novas evidências de financiamento passado do governo dos EUA para mais
de 120 biolabs em mais de 30 países, incluindo a Ucrânia.
Em apoio à Ordem Executiva do Presidente Trump para encerrar
o financiamento federal de pesquisas perigosas de ganho de função em todo o
mundo, e aumentar a transparência e a responsabilização, o ODNI continuará
trabalhando com parceiros em toda a Administração para identificar onde estão
esses laboratórios, quais patógenos eles contêm e que tipo de “pesquisa” está
sendo conduzida.
Today, I’m releasing never before seen intelligence revealing new evidence of past US government funding for more than 120 biolabs in over 30 countries, including Ukraine.
In support of President Trump‘s Executive Order to end federal funding of dangerous gain of function… pic.twitter.com/RkPHnAbka9
▪️ Evidências de pesquisa de
patógenos perigosos na Ucrânia
▪️ Desenvolvimento de armas
biológicas pelos EUA
▪️ Estabelecimento de
biolaboratórios BSL-4 no exterior pelos EUA
⚡️ Read in full briefing by @mod_russia on US military-biological activity.
▪️ Evidence of the research of dangerous pathogens in Ukraine ▪️ Development of biological weapons by the US ▪️ Establishment of BSL-4 biolabs abroad by the US
Senador esteve no Salão Oval junto com seu irmão, o
ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e com Paulo Figueiredo, neto do ditador João
Figueiredo
Opera Mundi
O senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se
encontrou nesta terça-feira (26/05) com o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, durante visita realizada na Casa Branca, em Washington.
O pré-candidato da extrema direita foi acompanhado pelo seu
irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo jornalista Paulo
Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo (1979-1985).
O senador carioca afirmou que, durante a conversa, ele pediu
ao mandatário norte-americano que incluísse as facções Primeiro Comando da
Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista dos Estados Unidos de
organizações consideradas terroristas.
“Pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras”, declarou Flávio, após a visita
A postura difere da adotada pelo governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, que considera que a medida poderia justificar uma
possível intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil.
Ademais, Flávio defendeu que o Brasil forme parte da
iniciativa Escudo das Américas, na qual estão envolvidos países
latino-americanos com governos de extrema direita, como Argentina, Chile,
Equador e Honduras.
Jair Bolsonaro e pré-candidatura
Segundo Flávio Bolsonaro, Trump perguntou a ele, durante a
conversa, sobre o estado do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que se
encontra em prisão domiciliar devido a condenação no Supremo Tribunal Federal
por liderar uma tentativa de golpe de Estado, entre dezembro de 2022 e janeiro
de 2023.
O senador classificou a preocupação supostamente demonstrada
pelo presidente norte-americano como um “gesto humano”.
Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio admitiu que
Trump não declarou apoio à sua postulação ao Palácio do Planalto.
Flávio, Eduardo e Figueiredo aparecem em foto com Trump e
Lindberg ironiza: os três patetas
Lindbergh Farias
TRÊS PATETAS COM TRUMP. Lindbergh Farias, vice líder do
governo Lula, ironiza encontro de Flávio Bolsonaro, Eduardo e Paulo Figueiredo
com Trump. “Três patetas com Trump”, diz o deputado, ao classificar o encontro
como “ridículo”.
Lindbergh disse que a viagem aos EUA para uma “fotinho com
Trump” é uma tentativa do Flávio Bolsonaro de esconder o escândalo dos R$ 61
milhões que ele tomou do Vorcaro.
TRÊS PATETAS COM TRUMP. Lindbergh Farias, vice líder do governo Lula, ironiza encontro de Flávio Bolsonaro, Eduardo e Paulo Figueiredo com Trump. “Três patetas com Trump”, diz o deputado, ao classificar o encontro como “ridículo”.
Serviço prisional israelense nega denúncias de abuso durante
a detenção de 430 pessoas que tentavam levar ajuda aos palestinos
Ativistas italianos da Flotilha Global Sumud chegando a
Fiumicino. Fotografia: Remo Casilli/Reuters
Ativistas liberados
da custódia israelense após serem detidos em uma flotilha que tentava
levar ajuda a Gaza foram alvo de abusos, alegaram organizadores, com vários
hospitalizados com ferimentos e pelo menos 15 relatando agressões sexuais,
incluindo estupro.
O serviço prisional de Israel negou as alegações, e a
Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.
A Alemanha disse que alguns de seus cidadãos haviam sido
feridos e que algumas acusações eram "graves", sem dar mais detalhes.
Uma fonte jurídica na Itália disse que os promotores de lá estavam investigando
possíveis crimes, incluindo sequestro e agressão sexual.
Um porta-voz do serviço prisional israelense disse em um
comunicado: "As alegações feitas são falsas e totalmente sem base factual.
"Todos os prisioneiros e detentos são mantidos de
acordo com a lei, com total respeito por seus direitos básicos e sob supervisão
de funcionários profissionais e treinados da prisão", disseram.
"O atendimento médico é prestado de acordo com
julgamento médico profissional e de acordo com as diretrizes do ministério da
saúde."
O exército israelense encaminhou as consultas ao ministério
das Relações Exteriores, que as encaminhou ao serviço prisional.
Forças israelenses prenderam 430 pessoas a bordo de 50
navios em águas internacionais na terça-feira para deter a flotilha de voluntários
que tentava levar suprimentos de ajuda para a Faixa de Gaza.
A Itália afirmou que os membros da UE estavam discutindo
impor sanções ao ministro, Itamar Ben-Gvir.
"Pelo menos 15 casos de agressão sexual, incluindo
estupro", postaram organizadores da Flotilha Global Sumud no aplicativo de
mídia social do Telegram. "Disparados com balas de borracha a curta
distância. Dezenas de ossos quebrados.
"Enquanto o olhar do mundo está fixo no sofrimento de
nossos participantes, não podemos enfatizar o suficiente que este é apenas um
vislumbre da brutalidade que Israel impõe diariamente aos reféns
palestinos."
Luca Poggi, um economista italiano entre os detidos da
flotilha, disse à Reuters ao chegar a Roma: "Fomos despidos, jogados no
chão, chutados. Muitos de nós fomos atingidos com Taser, alguns foram agredidos
sexualmente e alguns tiveram acesso negado a um advogado."
Adrien Jouan apresentando ferimentos após chegar ao aeroporto
de Istambul, Turquia. Fotografia: Gaza Freedom Flotilla/Reuters
Promotores em Roma investigavam possíveis crimes de
sequestro, tortura e agressão sexual e ouviriam depoimentos de ativistas que
haviam retornado à Itália, disse a fonte jurídica italiana.
Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores alemão
disse que funcionários consulares que se encontraram com ativistas alemães ao
chegarem a Istambul relataram que vários tiveram feridos e estavam passando por
exames médicos.
O tratamento humano dos cidadãos alemães era uma
"prioridade absoluta", disse o porta-voz, acrescentando:
"Naturalmente, esperamos uma explicação completa, pois algumas das
alegações feitas são graves."
Sabrina Charik, que ajudou a organizar o retorno de 37
cidadãos franceses da flotilha, disse à Reuters que cinco participantes
franceses foram hospitalizados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou
vértebras fraturadas. Alguns fizeram acusações detalhadas de violência sexual,
incluindo estupro, disse ela.
Em uma postagem no Instagram de um grupo ativista verificado
pela Reuters, um cidadão francês, Adrien Jouan, mostrou hematomas nas costas e
nos antebraços.
Ativistas disseram que parte dos supostos abusos ocorreu no
mar após sua interceptação pelas forças navais israelenses, e parte após sua
prisão e prisão em Israel.
Ativistas de vários países europeus eram esperados para
chegar para casa em voos vindos da Turquia após terem sido deportados de Israel
na quinta-feira.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel
Albares, disse a repórteres que 44 membros da flotilha espanhola deveriam
chegar durante toda a sexta-feira em voos de Istambul para Madri e Barcelona.
Quatro deles receberam tratamento médico pelos ferimentos, acrescentou.
Governos ocidentais expressaram sua indignação na
quinta-feira depois que Ben-Gvir postou um vídeo dele mesmo zombando de
ativistas que estavam sendo imobilizados no chão em uma prisão.
O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani,
disse à margem da reunião da Otan na Suécia que estava em contato com todos os
seus homólogos da UE "para que possa haver uma decisão rápida de impor
sanções" a Ben-Gvir.
Os soldados do regime ocupante violaram e torturaram os
ativistas humanitários da Flotilha Global Sumud.
Após serem sequestrados em águas internacionais, os
ativistas foram levados a prisões e, após as primeiras libertações, relataram
atos de tortura, violações, descargas elétricas, humilhações, abusos
psicológicos, etc.
Várias pessoas precisaram de atendimento médico urgente após
serem libertadas do cativeiro.
Entre os sequestrados havia médicos, jornalistas e ativistas
de dezenas de países, incluindo cidadãos espanhóis.
O silêncio é cumplicidade e vergonha.
🚨 BRUTAL CRIMEN🚨
Los soldados del régimen ocupante han vi*lado y tort*rado a los activistas humanitarios de la Flotilla Global Sumud.
Tras ser secuestrados en aguas internacionales, los activistas fueron llevados a cárceles y tras las primeras liberaciones, han relatado actos… pic.twitter.com/ZvZjam1qyT
— Miguel Ruiz Calvo (@MiguelRuizCalv) May 22, 2026
Clash Report
Ativista da Flotilha Sumud Global Brasileira Thiago Ávila:
Soldados israelenses estupraram nosso povo na Flotilha Sumud
Global.
Não foi um, não dois, não três.
Eles estavam levando comida e remédios para Gaza. Estavam
levando fórmula para bebês, e foram estuprados por soldados israelenses.
Brazilian Global Sumud Flotilla Activist Thiago Ávila:
Israeli soldiers raped our people at the Global Sumud Flotilla.
It was not one, not two, not three.
They were taking food and medicine to Gaza. They were taking baby formula, and they got raped by Israeli soldiers. pic.twitter.com/J7O5KJBgUH
Publicamos uma revelação exclusiva e muito interessante, que
abre uma janela para o curioso mundo de dinheiro público e dos agregados do
bolsonarismo
Intercept Brasil
Descobrimos que a produtora de “Dark Horse”, o novo
filme sobre Bolsonaro, recebeu mais de R$ 100 milhões em dinheiro público só
da prefeitura de Ricardo Nunes em São Paulo.
A licitação aconteceu sem concorrência, sem qualificações
ou experiência prévia, com pelo menos 20 irregularidades e com valores pelo
menos o dobro de contratos parecidos.
Curioso, não é? Mas não para por aí.
Seguimos o dinheiro e descobrimos que a produtora, Karina
Ferreira da Gama, está no centro de uma rede de ONGs e empresas que recebemmilhões
em outros contratos públicos, emendas parlamentares e serviços eleitorais
ligados ao universo evangélico e a políticos do bolsonarismo.
Você deve conhecê-los: o ex-presidente da Câmara de Vereadores de SP, Milton
Leite (União Brasil); ex-vereador de SP e bispo da Igreja Universal Atílio
Francisco (Republicanos); e o Dep. Mário Frias (PL), aquele Secretário de
Cultura de Bolsonaro que gravou um clipe cantando uma música autoral em
homenagem ao ex-chefe.
Essa é a mulher por trás da cinebiografia, gravada em
inglês, com a missão de reescrever a história de Jair Bolsonaro e consolidar
sua imagem de mártir para a direita gringa.
Só que Karina não é a única pessoa no Brasil com contatos lá
fora. Aqui, no Intercept, mostramos para o mundo a verdade sobre Jair,
Tarcísio, Nikolas e o resto dos seus comparsas. Nossas revelações são
repercutidas pelos nossos parceiros e amigos na imprensa internacional.
Todos nós sabemos que há uma batalha política acirrada
ocorrendo em Brasília para tomar o poder, conceder anistia a Jair e todos os
golpistas e garantir imunidade total aos políticos flagrados em casos de
corrupção.
Mas essa batalha também está sendo travada em um cenário
global, como demonstram as alianças dos Bolsonaros com Donald Trump e Elon
Musk.
Nossas investigações são essenciais para garantir que o
Brasil não seja manipulado em 2026 como foi em 2018. Precisamos manter a
pressão e, para isso, dependemos quase inteiramente das doações dos nossos
leitores.
Estamos no meio de uma campanha de arrecadação vital.
Precisamos levantar R$ 400 mil até o fim do ano para continuar investigando os
esquemas de Bolsonaro e do Centrão, tanto no Brasil quanto no exterior.
(Sua doação será processada pela Doare, que nos ajuda a
garantir uma experiência segura.)
É normal recebermos pistas para investigações como essa aqui
no Intercept Brasil pois as fontes confiam em nós. Sabe por quê?
Porque não aceitamos emendas, nem qualquer tipo de financiamento de
políticos ou governos! Isso nos deixa livres para denunciar qualquer
esquema sem medo e sem censura. Para 2026, isso vai fazer toda a
diferença.
O jornalismo independente é o único que não vai
reproduzir narrativas de campanha absurdas que você vê em ano eleitoral.
Temos a confiança das fontes, temos a liberdade editorial e temos a experiência
e a visibilidade necessárias para chacoalhar o país. E também temos a
credibilidade internacional para chamar a atenção do mundo.
É por isso que revelamos o caso preocupante dos agentes da
Polícia Federal que se mudaram para a mesma cidade que Eduardo Bolsonaro nos
EUA.
Também é por isso que investigamos a imensa influência que
as Big Techs dos EUA têm sobre Brasília, como em nossa reportagem exclusiva
sobre a tentativa de “chantagem” da OpenAI ao governo.
E é por isso que denunciamos a vinda coordenada ao Brasil de
pastores pentecostais dos EUA que ajudaram a eleger Trump no ano passado.
E foi por expor os golpistas fugitivos vivendo a vida
tranquilamente na Argentina que fomos atacados e ameaçados violentamente pela
tropa de Bolsonaro.
Mas o que poderia nos impedir de continuar revelando o
que eles não querem que você saiba não são as ameaças deles, e sim a falta de
apoio da nossa comunidade.
Para nossos jornalistas poderem planejar suas próximas
revelações bombásticas – como Laís Martins e Tatiana Dias, que descobriram o
que estava por trás do filme de Bolsonaro – é necessário
previsibilidade financeira.
Se não arrecadarmos R$ 400 mil até o dia 31 de dezembro, não seremos capazes
de apurar as denúncias mais importantes para 2026 e planejar as reportagens que
mudarão os rumos do país nas ruas e nas urnas.
A maioria das pessoas estava dormindo. Mas enquanto você
dormia, o Congresso estava trabalhando contra nós
Agência Pública
Na calada da noite, às 02h27, o presidente da Câmara, Hugo
Motta (Republicanos), anunciou a aprovação do PL da Dosimetria, que reduz penas
dos golpistas do 8 de Janeiro e beneficia diretamente Jair Bolsonaro, já
condenado a 27 anos por tentativa de golpe. Foram 291 votos a favor e 148
contra. Sem debate público. Sem transparência. No escuro.
Horas antes, a Câmara conseguiu expulsar jornalistas e
agredir deputados de esquerda. Na madrugada, veio a canetada.
Isso não é coincidência. É, mais uma vez, a lei
sendo usada como arma política.
Esta tática tem nome: lawfare. É sobre essa
estratégia de usar o sistema jurídico como arma para alcançar objetivos
políticos que parte o curso “Lawfare — a influência dos EUA ontem e hoje”,
conduzido por Natalia Viana, fundadora e diretora da Pública. A partir de casos
como a Lava Jato, a guerra às drogas e o tarifaço de Trump, o curso mostra como
interesses externos operam no Brasil e como o sistema de justiça pode ser usado
como ferramenta de disputa política.
Para participar, você pode fazer uma doação de R$190 via Pix
para contato@apublica.org ou
se tornar Aliado da Pública em um de nossos planos anuais.
Depois, é só fazer a sua inscrição aqui.
Quem entende o jogo começa a jogar melhor. Quem entende o
poder consegue enfrentá-lo.
Ao participar do curso, você investe no seu conhecimento
e fortalece o jornalismo independente que expõe esse jogo todos os dias.
Apoiar a Pública é defender a soberania do país, fiscalizar quem manda e
proteger a democracia de quem age nas sombras.
A demanda interna é a principal preocupação das empresas
argentinas, seguida pelo aumento dos custos
Cortes de gastos levaram milhões de argentinos para baixo da
linha da pobreza e agora afetam empresas
| Crédito: FABRICE COFFRINI / AFP
Uma pesquisa trimestral do Centro de Estudos da União
Industrial Argentina (UIA), que consultou mais de 700 empresas, apontou
que 21% das empresas industriais argentinas reduziram seu quadro de
funcionários em outubro, devido a uma queda generalizada na produção.
Além disso, 23,5% ajustaram os turnos de trabalho e 7,7%
recorreram à suspensão da produção, refletindo uma tendência de alta nos
últimos cinco trimestres.
Segundo o relatório, apenas 10,6% das empresas aumentaram
seu quadro de funcionários, uma porcentagem que vem diminuindo desde outubro de
2024. Mais de 19 mil empresas encerraram as atividades desde que o
presidente Javier Milei assumiu o poder.
Já o indicador de desempenho industrial registrou 43,8
pontos em outubro, uma queda de 5,2 pontos em comparação com o ano anterior,
sendo os setores têxtil, de metais básicos, vestuário, couro e calçados os mais
afetados. Além disso, 40,3% das empresas relataram queda na produção, em
comparação com apenas 21,3% que apresentaram melhorias.
As vendas no mercado interno também contraíram para 47,7%
das empresas, um declínio mais acentuado em comparação com os 43,5% registrados
três meses antes e os 26,5% de um ano atrás. A demanda interna continuou sendo
a principal preocupação das empresas (41%), seguida pelo aumento dos custos
(19,3%).
Nas exportações, 25,1% das empresas relataram queda nas
vendas para o mercado externo, enquanto 18,2% registraram crescimento. Além
disso, uma em cada duas empresas admitiu dificuldades para honrar pagamentos a
funcionários, fornecedores ou impostos, segundo o Centro de Estudos do
Sindicato Industrial Argentino.
Ao ser questionado sobre o efeito das políticas econômicas,
Milei argumentou que “se a economia se abre e um determinado setor vai à
falência, é porque os produtos importados são de melhor qualidade e/ou mais
baratos”, desdenhando da atual situação do mercado interno.
Ele também alegou que esse ajuste “não gera perda de
empregos” e que os trabalhadores vão migrar para setores “mais produtivos”,
aumentando a felicidade dos cidadãos.
No entanto, em seus primeiros 20 meses de mandato, desde
dezembro de 2023, 19.164 empresas fecharam as portas, uma média de pelo menos
30 fechamentos por dia, segundo dados do Centro de Economia Política Argentina
(CEPA), com base em registros oficiais.
O encerramento dessas empresas resultou na perda de 276.624
empregos, dos quais 55.941 eram no setor industrial. A reforma trabalhista
proposta por Milei não criou novos empregos, como dito oficialmente, mas sim
acelerou as demissões.
A UIA alerta ainda que a crise industrial está se
aprofundando, com indicadores que não mostram recuperação desde 2014.
Recursos serão destinados ao alívio da crise humanitária e à reconstrução pós-conflito
Gettyimages.ru / Maxim Shemetov / Amir Levy
Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da
China, ofereceu, nesta sexta-feira (5), mais detalhes sobre a
assistência de 100 milhões de dólares à Palestina, anunciada
pelo presidente Xi Jinping no dia anterior.
"A China apoia firmemente a justa causa do povo
palestino na restauração de seus direitos nacionais legítimos e continuará
trabalhando incansavelmente com a comunidade internacional por um
cessar-fogo completo e duradouro em Gaza, pela melhora da situação humanitária
no local e por uma solução política antecipada para a questão palestina com
base na solução de dois Estados", prometeu o representante.
Nos
últimos dias, o Ministério da Saúde de Gaza, citado pela agência AP, informou que forças
israelenses já mataram mais de 70.000 pessoas desde o
conflito iniciado no dia 7 de outubro de 2023.
Desde
7 de outubro de 2023, a China tem enviado múltiplos lotes de
ajuda humanitária a Gaza, por meio da ONU, Egito, Jordânia e
outros canais.
Lin Jian
O presidente Xi Jinping anunciou que a China fornecerá US$
100 milhões em assistência à Palestina para aliviar a crise humanitária em Gaza
e apoiar sua recuperação e reconstrução.
Desde o início do conflito em Gaza, a China tem fornecido
diversos lotes de suprimentos humanitários à Faixa de Gaza por meio da ONU, do
Egito, da Jordânia e de outros canais, o que foi bem recebido e apreciado pelo
governo e pelo povo palestino.
President Xi Jinping announced that China will provide US$100 million of assistance to Palestine to alleviate the humanitarian crisis in Gaza and support its recovery and reconstruction.
Since the latest conflict in Gaza broke out, China has provided multiple batches of… pic.twitter.com/ticP8KYbzm