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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bombardeios israelenses deixam milhares de libaneses sem documentos que comprovem sua identidade ou posse de terras


A campanha de Israel para arrasar enormes faixas do sul do Líbano pode destruir não apenas as casas das pessoas, mas até a possibilidade de que demonstrarem que são proprietárias, segundo moradores locais e autoridades do governo libanês – potencialmente impedindo centenas de milhares de libaneses de comprovar que têm alguma propriedade ou residência


Intercept Brasil
 

Imagens aéreas de Bint Jbeil, sede de um município do mesmo nome, mostram o que os moradores descrevem como marcas de incêndio em locais onde os registros oficiais eram mantidos: documentos do registro civil, escrituras de terras, a infraestrutura de papel que integra a existência jurídica de uma cidade.

O cartório não existe mais, os prédios do governo foram demolidos, e as casas que continuam importantes documentos pessoais sofreram destruição generalizada. Agora, os moradores de 36 vilarejos do distrito de Bint Jbeil temem que a guerra total de Israel signifique a destruição de todos os seus registros, o que poderia desvinculá-los permanente das casas que deixaram para trás quando fugiram sob ordens israelenses de evacuação.

Isso poderia transformar em pesadelo a reconstrução após a guerra. Bint Jbeil é o distrito mais a sudoeste do Líbano, e foi palco de uma campanha militar israelense para evacuar populações inteiras antes de arrasar seus vilarejos.

“O Ministério do Interior ainda não conseguiu ter acesso aos arquivos do registro civil do distrito de Bint Jbeil.”

Alguns libaneses inclusive consideram que é uma tática intencional, parte do plano de Israel para esvaziar o sul do líbao e estabelecer uma zona tampão ao sul do rio Litani. Os líderes israelenses esperam que isso deixe o norte de Israel fora do alcance dos foguetes do Hezbollah.

Um mukhtar, uma autoridade local, confirmou ao Intercept dos EUA que os arquivos do registro civil estão digitalizados apenas até 2020, o que oferece um alívio limitado. Muita coisa, no entanto, continua desaparecida. Há os documentos dos últimos seis anos, juntamente com inúmeros outros que não foram oficialmente registrados em razão da burocracia libanesa, notoriamente caótica, e da fiscalização ineficaz das regras de registro, que às vezes são desrespeitadas para evitar pagar tributos.

No centro da crise está o Grande Serralho de Bint Jbeil, o antigo prédio administrativo que abriga o registro de imóveis das dezenas de famílias em mais de 20 vilarejos do distrito. Desde a entrada das forças israelenses, as autoridades libanesas não conseguiram mais ter acesso ao prédio, embora tenham feito tentativas por meio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que apresentou solicitações ao chamado Comitê do Mecanismo, que administra o acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano.

“O Ministério do Interior ainda não conseguiu ter acesso aos arquivos do registro civil do distrito de Bint Jbeil, porque o Comitê Internacional da Cruz Vermelha não recebeu aprovação do Comitê do Mecanismo, que inclui Israel, para entrar na área, embora tenha apresentado uma solicitação para tal, com o objetivo de recuperar os arquivos e transferi-los para o Ministério do Interior, em Beirute”, disse ao Intercept um porta-voz do ministério.

Em um comunicado enviado a um jornalista do Intercept em Nova York, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel se recusou a comentar sobre o pedido da Cruz Vermelha, e afirmou que o grupo libanês Hezbollah instala ativos militares em áreas civis.

“As diretivas das FDI permitem a execução de operações de limpeza de estruturas usadas para fins militares, ou quando há uma necessidade operacional essencial que justifique a demolição total ou parcial de uma estrutura, de acordo com o direito internacional”, dizia o comunicado.

A destruição de infraestrutura civil na guerra só é permitida pelas leis da guerra em condições restritas: é preciso existir um propósito militar, e a destruição deve ser incidental a esse propósito.

Israel destruiu vilarejos inteiros na fronteira do Líbano. Os especialistas afirmam que essas ações podem constituir crimes de guerra. O ministro da defesa de Israel já disse anteriormente que: “todas as casas em vilarejos próximos à fronteira libanesa serão destruídos”.


O Grande Serralho


O ministro das Finanças do Líbano, Yassine Jaber, vem monitorando o Grande Serralho por satélite.

“As paredes ainda estão quase todas de pé”, disse ao Intercept, “mas os satélites não têm a chave das portas. Não sabemos o que aconteceu lá dentro. Os arquivos foram destruídos? Foram confiscados? A verdade ainda está do outro lado da linha de frente.”

Durante quatro semanas, Jaber comandou uma espécie de sala de operações de crise: ligações para o comando militar do Líbano, coordenação com a inteligência militar, tentativas reiteradas de entrar em contato com o Comitê do Mecanismo – o órgão multilateral que inclui Israel e monitora o acordo de cessar-fogo celebrado em meados de abril com o Hezbollah – e apelos à UNIFIL, a Força das Nações Unidas no Líbano.

Seu objetivo era estabelecer um corredor para uma única viagem a Bint Jbeil para recuperar os registros.

“Tentamos de tudo”, conta Jaber. “Mas Bint Jbeil neste momento é uma zona proibida.”

“Tentamos de tudo. Mas Bint Jbeil neste momento é uma zona proibida.”

Nem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha conseguiu chegar aos arquivos.

“O CICV apoiou o Ministério do Interior na evacuação de alguns dos registros civis do sul do Líbano no começo da escalada”, explica Sally Aoun, porta-voz do CIVC no Líbano. “Não foi possível apoiar a evacuação em Bint Jbeil em razão das hostilidades em curso.”

Jaber teve sucesso em algumas outras áreas onde recuperar os registros se mostrou um desafio. Quando os combates chegaram a Marjayoun, no sul do Líbano, uma equipe de funcionários públicos entrou na cidade sob bombardeio para recuperar os registros civis. A mesma coisa aconteceu no distrito de Hasbaya.

Os registros da cidade de Tiro, no sul, agora são mantidos mais acima na costa, em Sidon. O ministério também conseguiu evacuar para Beirute os arquivos de Meiss El Jabal, Tibnine, Jbaa, Jouaya, e Nabatieh. O Ministério do Interior em Beirute designou um dia da semana para cada um dos registros distritais fazer o processamento das solicitações de documentação civil para os desabrigados do sul.

Bint Jbeil continua sendo a peça que falta.


Armadilha Jurídica


O Líbano tem um backup digital parcial. O Ministério das Finanças tem arquivos eletrônicos da maioria dos imóveis registrados no sul, uma rede de segurança para as escrituras que chegaram a ser registradas formalmente. No entanto, milhares de transações nunca foram registradas.

É o caso de Ali Khreizat, conhecido pelo honorífico Abu Hassan, que foi desalojado de sua casa no vilarejo de Aitaroun, no distrito de Bint Jbeil. Quando o vilarejo enfrentou o bombardeio israelense, Abu Hassan foi embora – mas deixou para trás, em uma gaveta no canto, uma bolsa de couro gasta que continha a escritura de compra e venda da terra em que viveu por cinco anos.

Abu Hassan fez as pazes com a destruição de sua casa, mas sua preocupação muito maior é que talvez nunca consiga comprovar que era dono da propriedade.

“Quem protege o direito do comprador se o contrato em papel desaparece?”

“A casa que eu construí pedra por pedra agora virou pó”, diz. “E o papel que diz que ela era minha foi com Deus.”

Mesmo cinco anos depois de se mudar, a escritura nunca chegou ao registro de imóveis. Como muitas pessoas no Líbano, Abu Hassan não teve pressa para cumprir os prazos burocráticos, e a lendária ineficiência estatal libanesa não oferecia muito incentivo para isso. Agora, ele soube pelos moradores locais que ainda estão na região que até o cartório foi destruído, o que reduziu ainda mais sua esperança de que exista em algum lugar uma cópia de sua escritura.

Como praticamente não há fiscalização das normas de registro – seja por uma indiferença em relação à papelada burocrática, seja por outro motivo, como evitar a tributação – o problema dos imóveis residenciais sem registro poderia deixar as pessoas sem meios de comprovação de que adquiriram propriedades.

“Isso criará um grande problema jurídico na comprovação da titularidade”, diz Jaber. “Quem é dono do quê? Quem protege o direito do comprador se o contrato em papel desaparece?”

Jaber conta que quando assumiu o cargo, em fevereiro de 2025, encontrou um sistema inadequado para os tempos atuais, em que tudo é online. Ele agora está supervisionando uma reforma completa para digitalização de documentos, um projeto que ele estima que levará seis meses para ser concluído.

“Um cofre digital”, diz, “que nenhum projétil pode alcançar e nenhum fogo pode apagar”.


Apagando o mapa


Os danos aos registros em Bint Jbeil podem ser ainda mais extensos do que qualquer documento individual.

Uma das principais preocupações é o destino do departamento de agrimensura. Essa unidade técnica detém os registros de medição que vinculam as divisas das propriedades a pontos de referência geográficos fixos, alguns deles remontando ao período do mandato francês. Esses pontos estão ligados, por meio de uma série de levantamentos históricos, a uma coordenada de referência em Homs, na Síria, que serve de âncora para o mapa cadastral nacional do Líbano desde a década de 1920.

Se esses marcos físicos do levantamento foram destruídos, segundo Riyad Al-Asaad, engenheiro civil da região sul, a pergunta passa a ser: quem controla os dados de georreferenciamento que definem as divisas? O Líbano ou Israel?

O risco, segundo Al-Asaad, é que as propriedades possam ser redesenhadas usando medições israelenses, uma nova realidade geográfica que se imporia sobre a antiga.

O general libanês aposentado Yaarab Sakhir considera que isso faz parte de um padrão deliberado, e aponta para a Doutrina Dahieh, uma estratégia militar israelense que foi nomeada em referência ao subúrbio de Beirute onde foi implementada pela primeira vez. A estratégia propõe ataques desproporcionais sobre infraestrutura civil para criar um alto custo para os inimigos de Israel, que funcione como uma forte contenção.

“Israel, quando aplica a Doutrina Dahieh, como fez em Gaza, que foi objeto de uma divisão 55/45 entre um corredor israelense e uma zona palestina – está fazendo a mesma coisa agora, ao sul do Litani”, diz. “Primeiro, deslocamento e despovoamento. Segundo, ataques repetidos. Terceiro, quando as áreas são tomadas militarmente – Bint Jbeil em primeiro lugar – eles mineram, demolem, e apagam todos os recursos, para tornar essas áreas inabitáveis e impedir que os moradores retornem.”

Prédios oficiais, segundo Sakhir, se tornam alvos específicos de Israel nesse programa.

“Israel se concentra em cartórios do registro civil e serralhos do governo”, diz. “O arquivo do serralho de Bint Jbeil abrange não apenas a cidade, mas todos os vilarejos do distrito.”

Em sua declaração ao jornalista do Intercept em Nova York, os militares israelenses negaram que estivessem atacando especificamente a infraestrutura civil.

“As FDI”, disse o porta-voz, “não atuam contra as instituições do Estado do Líbano, as Forças Armadas Libanesas, nem os civis libaneses, e rejeita as acusações de danos intencionais contra os registros da população, documentos civis, registros imobiliários ou instituições administrativas, ou qualquer intenção de desvincular os habitantes de suas terras ou prejudicar seus direitos de propriedade.”


Fantasmas em seu próprio país


Dados do Ministério do Interior mencionam 190 mil pessoas registradas como eleitores no distrito de Bint Jbeil, em 2025. Somando-se a geração de crianças e jovens que ainda não estão nesse cadastro, o número chega a aproximadamente 250 mil pessoas – todas elas, em graus variados, atingidas pelo desaparecimento dos registros oficiais de seu distrito.

Mohamed Sarhan, o mukhtar, ou líder local, de Kfarkela, um vilarejo da região norte do distrito de Bint Jbeil, disse ao Intercept que moradores e funcionários públicos do local relataram que as forças israelenses confiscaram registros imobiliários do distrito de Bint Jbeil. O destino desses registros ainda é incerto. Ninguém consegue dizer com certeza se foram queimados no bombardeio, levados, ou se simplesmente se perderam no caos.

Dalia Boussi deixou Bint Jbeil ao som do bombardeio. Como todas as outras pessoas que fugiram no começo do ano, ela pegou o que era possível. Boussi, produtora de vídeo, não está em pânico; ela conseguiu levar consigo seus documentos. Mas ela se preocupa com as pessoas que fugiram sem documentos, e com o que o estado deve fazer quando essas pessoas voltarem.

“Há destruição total do centro da cidade, como podemos ver nas imagens de satélite. Quando voltarmos, precisaremos redesenhar do zero as divisas das propriedades, e determinar quais terras são públicas ou privadas, antes que seja possível começar a reconstrução”, diz Boussi. “É importante que o estado e os ministérios relevantes tenham flexibilidade para facilitar as coisas para os cidadãos. Uma célula de crise deve ser criada em cada cidade, especificamente para rastrear os documentos de propriedade e arquivos do registro civil, e para garantir que todas as pessoas tenham seus documentos oficiais.”

Ela fez uma pausa e acrescentou: “não importa o que aconteça, ninguém vai perder sua identidade, nem alguns anos de idade”. A brincadeira reforça uma realidade: o povo de Bint Jbeil ainda existe. Seus registros podem ter desaparecido, mas os moradores locais sabem quem são, e sabem o que lhes pertencia.

Como disse Abu Hassan, o morador de Aitaroun cuja escritura provavelmente foi destruída com sua casa: “a batalha de amanhã não será apenas pela reconstrução. Será uma batalha para provar que existimos, depois que o arquivo foi saqueado ou incendiado.”



 A VERDADE CUSTA CARO. O SILÊNCIO CUSTA AINDA MAIS.


As informações que você acabou de ler incomodam muita gente poderosa. É por isso que tentam nos silenciar com processos, ameaças e difamação.

A única barreira entre a verdade e a impunidade é um jornalismo sem rabo preso. O Intercept Brasil não tem donos bilionários e não aceita um único centavo de bancos ou políticos.

Nós acabamos de entregar os fatos. Agora, a bola está com você.  Se essa história te indignou, transforme isso em ação. Mostre a eles que não estamos sozinhos e garanta que ninguém nos cale. 

Por:  Alaa Serhal

Fonte: Intercept Brasil


 Band Jornalismo


Ataques de Israel a Líbano continuam após acordo entre EUA e Irã



Sarah


Cenas apocalípticas na capital do Líbano.

Israel está bombardeando edifícios residenciais em bairros densamente povoados de Beirute.

Um cessar-fogo que ainda permite que bombas caiam sobre civis não é um cessar-fogo.



Israel está lançando produtos químicos tóxicos em terras agrícolas no sul do Líbano

Estamos falando de níveis catastróficos de glifosato, um químico ligado ao câncer

11.000 vezes acima dos níveis seguros

Isso é um crime de guerra deliberado destinado a tornar a vida impossível e forçar as pessoas a saírem de suas terras



Líbano 01

Líbano 02




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quinta-feira, 4 de junho de 2026

ONU acusa Israel de estupro e abuso sexual sistemático contra palestinos em prisões


Relatório documenta 31 casos verificados em 2025, incluindo crianças; vítimas sofreram 'sangramento retal grave' sem tratamento médico


Palestinos são vítimas de violência sexual durante prisões e interrogatórios, segundo um relatório das Nações Unidas. Foto: Wafa

 

As Nações Unidas (ONU) acusaram o regime de Israel de praticar estupro e abuso sexual contra palestinos em prisões. Em um relatório referente ao ano de 2025, o órgão alertou que “os casos comprovados devem ser entendidos como indicativos de um padrão mais amplo que se estende por longos períodos”.

“As violações consistiram em estupro, incluindo o uso de objetos, estupro coletivo, tentativa de estupro, violência física contra os genitais, casos de disparos direcionados aos genitais, contato com seios e genitais, revistas íntimas e em cavidades corporais realizadas sem justificativa aparente de segurança, nudez forçada e ameaças de estupro”, destaca o documento.

O texto indica que os padrões de violência sexual contra palestinos detidos em Israel e no território palestino ocupado continuaram durante 2025 e detalha que 31 casos foram verificados, incluindo 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina de Gaza e da Cisjordânia ocupada, vítimas de violência sexual relacionada ao conflito, enquanto outros 18 datam de 2023 e 2024.

Esses abusos ocorreram principalmente durante prisões e interrogatórios em diferentes locais, como o campo militar de Sde Teiman e o centro de detenção de Etzion, bem como em prisões como Megido, Ofer, Ramla, Hasharon, Shatta, Nafha e Damon, e na delegacia de polícia de Gush Etzion. Por outro lado, abusos cometidos em postos de controle militar e durante incursões militares israelenses no território palestino ocupado também foram documentados, sendo que jornalistas e defensores dos direitos humanos estavam entre as vítimas.

Os crimes foram cometidos por membros das Forças Armadas e dos serviços de segurança israelenses, incluindo o exército, o serviço penitenciário e unidades especiais da polícia, detalhou o relatório.

A maioria desses casos envolveu múltiplas formas de violência sexual simultaneamente, enquanto alguns abusos foram fotografados ou gravados em vídeo, incluindo um caso de estupro.

O relatório denunciou que a violência sexual contra detidos palestinos envolvia principalmente ameaças de estupro, nudez forçada, toques indesejados e buscas degradantes sem justificativa.

No caso de homens e meninos, eles foram submetidos a estupro ou tentativa de estupro, incluindo cinco homens que sofreram “sangramento retal grave ou inchaço por vários dias ou semanas e, em alguns casos, sem receber tratamento médico”, alertou o documento.

Com relação às vítimas, o relatório observou que elas enfrentaram obstáculos para denunciar os abusos, incluindo ameaças diretas de colonos israelenses para impedir que as detidas falassem sobre os estupros que sofreram.

Em outras ocasiões, as forças de segurança israelenses torturaram palestinos em postos de controle e durante operações militares na Cisjordânia ocupada.

A ONU denunciou a impunidade sistêmica do governo israelense diante das constantes violações dos direitos humanos e dos casos documentados de violência sexual cometidos contra cidadãos palestinos.

O relatório destaca o caso de cinco soldados da Unidade 100, acusados em fevereiro de 2025 por uma agressão no acampamento de Teiman. Apesar das provas médicas e das imagens de vídeo apresentadas, a promotoria omitiu as acusações de agressão sexual e retirou todas as acusações em março de 2026, uma decisão que, segundo a organização, colocará ainda mais em risco a proteção das vítimas.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, adicionou as forças de ocupação israelenses à lista da ONU de “partes credíveis suspeitas de cometerem padrões de estupro e outras formas de violência sexual relacionadas a conflitos” e instou o governo israelense a “cessar imediatamente todos os atos de violência sexual” e a implementar reformas para prevenir futuros abusos.

Guterres criticou Tel Aviv por impedir o acesso de investigadores ao país e por não fornecer informações sobre o cumprimento da Resolução 2467. Por isso, o diplomata instou o governo a facilitar auditorias independentes para processar esses crimes.

A este respeito, o governo israelense alega, sem provas, que membros do Hamas perpetraram estupros em massa contra mulheres israelenses durante os atos de 7 de outubro de 2023. O novo relatório da ONU refutou a existência de dados oficiais, confirmando que não recebeu nenhuma informação de Tel Aviv a respeito de acusações de violência sexual envolvendo palestinos detidos por sua suposta participação nesses eventos.

Em outro contexto, um documentário de uma hora de duração, exibido esta semana na televisão israelense, revelou que moradores do assentamento de Gush Etzion, localizado ao sul de Jerusalém, confessaram que vários líderes religiosos judeus estupraram coletivamente menores da região durante décadas.

O relatório, intitulado “Chega de negação: Gush Etzion admite abuso ritual”, revelou que esses abusos foram cometidos sob o pretexto de ritos religiosos. Além disso, os abusos foram filmados pelos envolvidos com o objetivo de produzir material de exploração sexual infantil.

Além das denúncias de violência sexual, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) informou nesta sexta-feira que as forças de ocupação israelenses mantêm mais de 9.000 palestinos detidos.

Do número total de detidos, a organização internacional detalhou que pelo menos 4.000 cidadãos permanecem sob o regime de detenção administrativa, um procedimento que os priva de um julgamento e de acusações formais.

A instituição especificou que, devido ao acordo de cessar-fogo estabelecido na Faixa de Gaza, as autoridades israelenses libertaram apenas 1.968 palestinos que estavam sob sua custódia.

Fonte: Opera Mundi (*) com teleSUR


Leia Mais:



Middle East Eye


Membro da flotilha detalha agressão sexual sofrida em detenção israelense.

Em entrevista à Double Down News, a cineasta australiana Juliet Lamont, que participou da mais recente ação da Flotilha Global Sumud, descreveu os abusos, a violência e o assédio sexual que ela e outros ativistas sofreram durante a prisão pelas forças israelenses em águas internacionais.

Lamont descreveu ter sido estuprada por soldados israelenses, apalpada por oficiais femininas e brutalmente espancada, algemada e insultada durante toda a detenção.

Na entrevista completa, ela detalhou passo a passo como as forças israelenses interceptaram ilegalmente os barcos, começaram a reunir os participantes da Flotilha "como sardinhas" e os jogaram em um navio-prisão onde foram submetidos a todos os tipos de tortura.




FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil


"Quero matar alguém hoje e pode ser você": Ativista de Flotilha para Gaza revela ter sido est*prada por soldados israelenses.

Juliet Lamont, documentarista e ativista australiana, revela ter sido est*prada por soldados israelenses durante sequestro ilegal de flotilha levando ajuda humanitária para Gaza.



OBS:

 


Nos termos do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, o Gabinete do Procurador (“OTP”) pode analisar informações sobre alegados crimes da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio e agressão), que lhe sejam submetidos. de qualquer fonte. Isto pode ocorrer durante exames preliminares, bem como no contexto de situações sob investigação. O formulário abaixo pode ser usado para enviar tais informações, também conhecidas como “comunicações”, ao #OTP de forma anônima ou nomeada. Gostaria de agradecer-lhe por dedicar seu tempo para enviar informações ao Ministério Público.

 

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

‘Testemunhamos a existência de uma subumanidade’, diz ativista brasileira sequestrada por Israel


Beatriz Moreira era uma das quatro brasileiras que estavam na flotilha interceptada por Tel Aviv


Global Sumud Flotilha busca abrir corredor humanitário em Gaza | Crédito: Divulgação

Uma das brasileiras que estava em uma flotilha que levava ajuda humanitária para Gaza e foi sequestrada por Israel relata ter sofrido tortura, violência psicológica e muitas humilhações. Beatriz Moreira e outros três brasileiros, sendo duas mulheres e um homem, foram libertados na quinta-feira (21) e chegaram ao Brasil no sábado (24).

Em entrevista nos estúdios da Rádio Brasil de Fato, no Conexão BdF desta terça-feira (21), Beatriz Moreira, atuante no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e ativista da Global Sumud Flotilha, conta que o grupo ficou sob cárcere quatro dias inteiros, sendo mais de dois dias nos chamados “navios prisões”. “Em seguida, fomos mantidos em cárcere nos calabouços de Israel. As violações começaram ali naqueles navios prisões, porque não existiam condições básicas de vida, era uma situação muito precária de saúde. A gente não tinha acesso à água corrente para lavar as mãos, a gente não tinha acesso ao sabão. Para ter água a gente precisava fazer motim. Enfim, uma série de situações que a gente sabe que não é nem 1% do que vive cada pessoa palestina, mas nós podemos ser testemunhas do que é essa própria concepção de existir uma subumanidade. Infelizmente, nós que vamos nessa missão que é humanitária vemos humanidade em todos, mas não somos recebidos da mesma forma”, relata.

Segundo ela, as piores violações aconteceram quando os navios já estavam atracados em Ashdod. “Passamos por uma situação muito grave. Os casos de estupro que foram documentados, os casos de violência muito graves, de ossos quebrados, foram naquele momento, e foi porque Itamar Ben-gvir estava lá. Então, ele precisava que nós fôssemos utilizados como exemplo, para inclusive desestimular a solidariedade internacional, não digo nem somente no sentido da flotilha. Ele queria passar uma mensagem”, afirma.

Moreira conta que saiu com um grupo de Barcelona no dia 14 de abril, com cerca de 30 embarcações compondo a flotilha. Até o dia 30 de abril, quando houve a primeira interceptação ilegal das forças de Israel, muitos outros ativistas de diversas nacionalidades foram se somando ao grupo de ajuda humanitária, que, àquela altura, já era composto por 50 navios.

“Já naquele primeiro momento, a gente percebe que o objetivo era fazer dessa flotilha um exemplo. Então, você percebe o deslocamento das forças de ocupação israelense, a marinha israelense navegando da costa de Israel para águas internacionais entre Itália e Grécia para ali já buscar pessoas. Então você percebe a primeira violação do direito internacional, inclusive direito consuetudinário marítimo. Então essa foi a primeira interceptação naquele processo. Teve todo um reagrupamento, uma reorganização, inclusive com as organizações da própria Palestina que ajudam a construir esse processo de como se reorganizar”, relata.

A ativista destaca a importância do engajamento de movimentos populares de diversos setores na causa palestina que transcende qualquer visão de mundo ou política e trata de uma luta por humanidade e em defesa de um povo que tem o direito de viver.

“A gente atendeu a um chamado histórico de nos somar a luta de um povo que já vive há mais de sete décadas sob um colonialismo cruel com objetivo claro de promover a limpeza étnica no território. Então, desde que o genocídio se intensificou, o movimento se colocou nessa tarefa e por isso estivemos representados nessa que foi a maior missão humanitária com caráter político de romper o cerco da história”, afirma.


Para ouvir e assistir


O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

Fonte: Brasil de Fato


Global Sumud Flotilla

Arribada dels participants de la GSF 2026 | Barcelona




Leia Mais:





FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil


Ministro israelense Itamar Ben-Gvir publica vídeo torturando ativistas de Flotilha para Gaza sequestrados por "israel".

Há quatro brasileiros entre os mais de 400 ativistas internacionais sequestrados pelos israelenses.

No vídeo, o ministro da "segurança nacional" israelense se gaba do sequestro e tortura dos ativistas e pede a Netanyahu que os deixe sob sua custódia "por muito, muito tempo".



 TRT World


Um participante na Flotilha Global Sumud mostrou suas costas e braço cobertos de hematomas após chegar a Istambul na quinta-feira.

Adrien Jouan disse que suas costelas estavam doloridas e que outros, particularmente europeus não brancos, foram espancados de forma mais severa.



 Pablo Fernández


Os genocidas do ente sionista de Israel sequestraram e torturaram os ativistas da flotilha. Deram-lhes chutes, socos, quebraram-lhes costelas e causaram traumatismos graves.

É lamentável que a Espanha não rompa relações com esses míseros assassinos.



 Ione Belarra


Alicia Armesto e outras ativistas da Global Sumud Land estão retidas na Líbia pelas autoridades quando tentavam levar ajuda humanitária a Gaza. Exigimos sua libertação imediata!



OBS:



Nos termos do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, o Gabinete do Procurador (“OTP”) pode analisar informações sobre alegados crimes da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio e agressão), que lhe sejam submetidos. de qualquer fonte. Isto pode ocorrer durante exames preliminares, bem como no contexto de situações sob investigação. O formulário abaixo pode ser usado para enviar tais informações, também conhecidas como “comunicações”, ao #OTP de forma anônima ou nomeada. Gostaria de agradecer-lhe por dedicar seu tempo para enviar informações ao Ministério Público.


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sábado, 23 de maio de 2026

Ativistas da flotilha de Gaza alegam agressão sexual e estupro em detenção israelense


Serviço prisional israelense nega denúncias de abuso durante a detenção de 430 pessoas que tentavam levar ajuda aos palestinos


Ativistas italianos da Flotilha Global Sumud chegando a Fiumicino. Fotografia: Remo Casilli/Reuters

 

Ativistas liberados da custódia israelense após serem detidos em uma flotilha que tentava levar ajuda a Gaza foram alvo de abusos, alegaram organizadores, com vários hospitalizados com ferimentos e pelo menos 15 relatando agressões sexuais, incluindo estupro.

O serviço prisional de Israel negou as alegações, e a Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.

A Alemanha disse que alguns de seus cidadãos haviam sido feridos e que algumas acusações eram "graves", sem dar mais detalhes. Uma fonte jurídica na Itália disse que os promotores de lá estavam investigando possíveis crimes, incluindo sequestro e agressão sexual.

Um porta-voz do serviço prisional israelense disse em um comunicado: "As alegações feitas são falsas e totalmente sem base factual.

"Todos os prisioneiros e detentos são mantidos de acordo com a lei, com total respeito por seus direitos básicos e sob supervisão de funcionários profissionais e treinados da prisão", disseram.

"O atendimento médico é prestado de acordo com julgamento médico profissional e de acordo com as diretrizes do ministério da saúde."


Vídeo da Flotilla: O modelo de abuso televisionado de Ben-Gvir foi aprimorado com os palestinos

Leia mais

 

O exército israelense encaminhou as consultas ao ministério das Relações Exteriores, que as encaminhou ao serviço prisional.

Forças israelenses prenderam 430 pessoas a bordo de 50 navios em águas internacionais na terça-feira para deter a flotilha de voluntários que tentava levar suprimentos de ajuda para a Faixa de Gaza.



As alegações de abuso aumentarão a pressão sobre as autoridades israelenses para explicarem o tratamento dado aos detentos, após imagens do ministro da segurança israelense zombando de alguns ativistas na prisão terem provocado uma reação internacional.

A Itália afirmou que os membros da UE estavam discutindo impor sanções ao ministro, Itamar Ben-Gvir.

"Pelo menos 15 casos de agressão sexual, incluindo estupro", postaram organizadores da Flotilha Global Sumud no aplicativo de mídia social do Telegram. "Disparados com balas de borracha a curta distância. Dezenas de ossos quebrados.

"Enquanto o olhar do mundo está fixo no sofrimento de nossos participantes, não podemos enfatizar o suficiente que este é apenas um vislumbre da brutalidade que Israel impõe diariamente aos reféns palestinos."

Luca Poggi, um economista italiano entre os detidos da flotilha, disse à Reuters ao chegar a Roma: "Fomos despidos, jogados no chão, chutados. Muitos de nós fomos atingidos com Taser, alguns foram agredidos sexualmente e alguns tiveram acesso negado a um advogado."


Adrien Jouan apresentando ferimentos após chegar ao aeroporto de Istambul, Turquia. Fotografia: Gaza Freedom Flotilla/Reuters

Promotores em Roma investigavam possíveis crimes de sequestro, tortura e agressão sexual e ouviriam depoimentos de ativistas que haviam retornado à Itália, disse a fonte jurídica italiana.

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores alemão disse que funcionários consulares que se encontraram com ativistas alemães ao chegarem a Istambul relataram que vários tiveram feridos e estavam passando por exames médicos.

O tratamento humano dos cidadãos alemães era uma "prioridade absoluta", disse o porta-voz, acrescentando: "Naturalmente, esperamos uma explicação completa, pois algumas das alegações feitas são graves."

Sabrina Charik, que ajudou a organizar o retorno de 37 cidadãos franceses da flotilha, disse à Reuters que cinco participantes franceses foram hospitalizados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou vértebras fraturadas. Alguns fizeram acusações detalhadas de violência sexual, incluindo estupro, disse ela.

Em uma postagem no Instagram de um grupo ativista verificado pela Reuters, um cidadão francês, Adrien Jouan, mostrou hematomas nas costas e nos antebraços.

Ativistas disseram que parte dos supostos abusos ocorreu no mar após sua interceptação pelas forças navais israelenses, e parte após sua prisão e prisão em Israel.

Ativistas de vários países europeus eram esperados para chegar para casa em voos vindos da Turquia após terem sido deportados de Israel na quinta-feira.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse a repórteres que 44 membros da flotilha espanhola deveriam chegar durante toda a sexta-feira em voos de Istambul para Madri e Barcelona. Quatro deles receberam tratamento médico pelos ferimentos, acrescentou.

Governos ocidentais expressaram sua indignação na quinta-feira depois que Ben-Gvir postou um vídeo dele mesmo zombando de ativistas que estavam sendo imobilizados no chão em uma prisão.

O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, disse à margem da reunião da Otan na Suécia que estava em contato com todos os seus homólogos da UE "para que possa haver uma decisão rápida de impor sanções" a Ben-Gvir.

Fonte: The Guardian



Leia Mais:



Miguel Ruiz Calvo


CRIME BRUTAL 


Os soldados do regime ocupante violaram e torturaram os ativistas humanitários da Flotilha Global Sumud.

Após serem sequestrados em águas internacionais, os ativistas foram levados a prisões e, após as primeiras libertações, relataram atos de tortura, violações, descargas elétricas, humilhações, abusos psicológicos, etc.

Várias pessoas precisaram de atendimento médico urgente após serem libertadas do cativeiro.

Entre os sequestrados havia médicos, jornalistas e ativistas de dezenas de países, incluindo cidadãos espanhóis.

O silêncio é cumplicidade e vergonha.



 Clash Report


Ativista da Flotilha Sumud Global Brasileira Thiago Ávila:

Soldados israelenses estupraram nosso povo na Flotilha Sumud Global.

Não foi um, não dois, não três.

Eles estavam levando comida e remédios para Gaza. Estavam levando fórmula para bebês, e foram estuprados por soldados israelenses.



Cidadania e Solidariedade 01

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Centenas de artistas ocidentais se unem à campanha global exigindo a libertação de Marwan Barghouti


Autoridades israelenses afirmam que Barghouti não será incluído em nenhum acordo de troca de prisioneiros, mesmo após 23 anos de prisão


(Crédito da foto: Nasser Shiyoukhi/AP)

Mais de duzentas figuras culturais proeminentes aderiram a uma campanha global que defende a libertação do prisioneiro político palestino Marwan Barghouti, amplamente considerado uma figura unificadora capaz de reacender um caminho viável para a criação de um Estado palestino.

Os escritores Margaret Atwood, Philip Pullman, Zadie Smith e Annie Ernaux juntaram-se aos atores Ian McKellen, Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton e Mark Ruffalo, além de figuras públicas como Gary Lineker e Richard Branson, na assinatura de uma carta aberta pedindo a libertação de Barghouti.

A declaração expressa “grave preocupação com a contínua prisão de Marwan Barghouti, os maus-tratos violentos a que é submetido e a negação de seus direitos legais enquanto encarcerado” e apela aos governos e à ONU para que trabalhem ativamente por sua libertação.

Barghouti, agora com 66 anos, passou 23 anos em prisões israelenses após o que a União Interparlamentar descreveu como um julgamento "profundamente falho". Parlamentar eleito na época, ele continua liderando as pesquisas de opinião palestinas e é amplamente considerado a figura política mais popular tanto em Gaza quanto na Cisjordânia ocupada. 

A decisão de Israel de mantê-lo preso, mesmo durante a recente troca de prisioneiros após o cessar-fogo de outubro, não foi motivada por avaliações de segurança, mas sim por preocupações com o peso político que ele poderia ter se fosse libertado. 

Seu filho, Arab Barghouti, disse que as autoridades israelenses o veem  como uma ameaça “porque ele quer trazer estabilidade… uma visão palestina unificadora que seja aceita por todos, inclusive pela comunidade internacional”.

Os organizadores da carta inspiraram-se na mobilização cultural que ajudou a garantir a libertação do falecido presidente da África do Sul, Nelson Mandela, durante o apartheid. 

O próprio Mandela disse em 2002: "O que está acontecendo com Barghouti é o mesmo que aconteceu comigo." 

O músico e produtor britânico Brian Eno afirmou que “as vozes culturais podem mudar o rumo da política”, enquanto a romancista britânico-palestina Selma Dabbagh argumentou que libertá-lo permitiria aos palestinos “determinar sua própria liderança, qualquer que seja a forma que ela assuma”.

campanha de pressão coincide com a crescente preocupação de que autoridades israelenses possam aprovar uma nova legislação que permita a pena de morte para prisioneiros palestinos – uma medida que poderia ser aplicada a Barghouti. 

A sua detenção contínua também se cruza com a resolução recentemente aprovada pela ONU que estabelece uma Força Internacional de Estabilização (FIE) em Gaza, um plano rejeitado pelos principais grupos palestinos de direitos humanos e que Barghouti teria de enfrentar caso fosse libertado.

Dias antes, a família de Barghouti e seus aliados da sociedade civil lançaram uma campanha internacional mais ampla, instalando grandes murais com os dizeres “Libertem Marwan” em Londres e erguendo uma instalação de arte pública em sua aldeia natal, Kobar. 

Sua esposa, Fadwa Barghouti, começou a se engajar com a mídia israelense para mudar a opinião pública, enfatizando que ele "vê a solução de dois Estados como a maneira de avançar e viver em paz".

Na Cisjordânia ocupada, seu filho descreveu a campanha como sendo tanto pessoal quanto coletiva. 

“Homenageá-lo desta forma não é apenas um apelo pela sua liberdade – é um apelo pela libertação de todos os prisioneiros palestinos.”

Barghouti foi mantido repetidamente em confinamento solitário, teve visitas familiares negadas por três anos e foi submetido a múltiplas agressões. 

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, foi recentemente filmado ameaçando-o de execução, enquanto o Knesset analisa um projeto de lei para impor a pena de morte àqueles condenados por assassinatos "motivados por nacionalismo".

Apesar da crescente pressão,  as autoridades israelenses mantêm a posição de que Barghouti não será incluído na troca de prisioneiros prevista no plano de cessar-fogo do presidente americano Donald Trump. "Neste momento, Barghouti não fará parte dessa libertação", afirmou a porta-voz israelense Shosh Badrusian. 

A primeira fase do acordo inclui a retirada israelense até uma linha acordada e uma troca envolvendo cerca de 2.000 prisioneiros palestinos, mas exclui o detento mais proeminente da política palestina.



Fonte: The Cradle


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quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Greta Thunberg detalha como foi torturada por “israel”: “eles me batiam, me chutavam e me chamavam de puta”


Ativista sueca detalha a forma como foi maltratada após a Global Sumud Flotilla ter sido sequestrada e seus membros presos pela ditadura israelense, por tentaram levar comida aos famintos em Gaza


 Mala pichada por soldados israelenses com a inscrição em inglês "Greta puta", o desenho de um pênis e a bandeira de "israel". (Foto: Magnus Wennman/Aftonbladet)

Por Lisa Röstlund*


Espancamentos, chutes e ameaças de serem asfixiados com gás dentro de jaulas.

Greta Thunberg e vários outros integrantes da flotilha agora compartilham detalhes sobre seus cinco dias de cativeiro em Israel – e como funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Suécia os deixaram sem ajuda.

A investigação do Aftonbladet mostra como o ministério minimizou os abusos em suas comunicações.

A mala vermelha dela está no corredor. “Greta puta”, alguém escreveu em grandes letras pretas. Ao redor do texto: uma bandeira israelense e um pênis ereto. [Foto acima]

A bagagem foi confiscada no barco pelos militares israelenses – e devolvida a ela desse jeito. Greta ri.

– São como crianças de cinco anos!

Encontramos Greta Thunberg em casa, no alojamento coletivo onde vive com amigos. O sol de outono entra pelas janelas. Tomamos café. As paredes estão cobertas de cartazes de manifestações ao redor do mundo.

Ela dormiu apenas meia hora na noite anterior. Um pesadelo com barcos bombardeados a acordou.

Ela não quer manchetes sobre si mesma e sobre a tortura à qual diz ter sido submetida. Essa foi uma das primeiras coisas que disse na noite em que voltou para casa, em uma coletiva de imprensa na Sergels Torg, junto com vários dos outros suecos que participaram da grande Global Sumud Flotilla, que tentou levar ajuda emergencial a Gaza.

E ela mantém essa posição.

– Não se trata de mim nem dos outros da flotilha. Há milhares de palestinos, centenas deles crianças, que estão sendo mantidos sem julgamento neste momento, e muitos deles provavelmente estão sendo torturados, diz Greta Thunberg.


Após troca de “prisioneiros”, mais de

 11 mil palestinos seguirão trancafiados nos

 campos de concentração israelenses


A história, ela enfatiza, é sobre solidariedade internacional, sobre pessoas se unindo para fazer o trabalho que os governos não fazem.

– E, acima de tudo, trata-se das pessoas que vivem em Gaza.

Mas há muito interesse público, e a forma como ela foi tratada reflete algo.

– Isso mostra que, se Israel, com o mundo todo observando, pode tratar dessa maneira uma pessoa famosa, branca, com passaporte sueco, imagine o que fazem com os palestinos a portas fechadas.

Acaba de chegar a notícia de que um menino palestino da Cisjordânia, da mesma idade de Greta, morreu sob custódia israelense.

– O que passamos é apenas uma parte minúscula do que os palestinos vivem. Nas paredes das nossas celas, vimos buracos de bala com manchas de sangue e mensagens gravadas por prisioneiros palestinos que estiveram lá antes de nós.

Peço que ela descreva o bombardeio do barco, ocorrido na costa da Tunísia, no início de setembro. Ela teria estado a bordo naquele exato momento, não fosse chamada para ajudar em uma coletiva de imprensa. Agentes de inteligência americanos declararam à CBS que o ataque foi ordenado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Ela menciona os produtos químicos lançados sobre os barcos e diz que nunca mais conseguirá olhar para um céu estrelado sem pensar em drones.

Greta Thunberg quer destacar a tripulação de 500 pessoas das 42 embarcações que compunham a flotilha. Professores, médicos, pesquisadores, estudantes, parlamentares, pequenos empresários. O mais jovem tinha 18 anos; o mais velho, 78.

Todos eram pessoas com diferentes histórias de vida.

Ela conta a história de participantes judeus que conheceu e que a tocaram profundamente.

– Vários cresceram em famílias muito pró-Israel. Eles deixaram tudo para trás e foram, arriscando a vida e se posicionando para que o que está acontecendo em Gaza não acontecesse em seu nome. Mas, em vários casos, isso fez com que suas famílias cortassem contato com eles.

Greta Thunberg precisa comer algo e esquenta uma panela de feijão que estava na geladeira. No balcão da cozinha há beterrabas e outros vegetais de uma recente coleta em latas de supermercados – comida descartada, resgatada e trazida para casa.

Avançamos para a noite em que o barco foi abordado pelos militares israelenses. Homens de rostos cobertos e armas automáticas subiram a bordo — a operação foi transmitida ao vivo pelos canais da flotilha e vista por pessoas em todo o mundo. Várias testemunhas entrevistadas pelo Aftonbladet descrevem como as armas foram apontadas para seus rostos. Eles foram levados ao convés inferior e obrigados a sentar em círculo, sem se mover, enquanto o barco era levado à costa.

– Estava extremamente quente lá embaixo. Mal conseguíamos sentar. Os que não estavam nos vigiando andavam pelo barco, destruindo coisas e jogando tudo ao redor.

Ela não sabe o que aconteceu com a comida, os remédios, as fraldas e o leite infantil – a ajuda destinada a Gaza.

Depois de cerca de 20 horas, chegaram a Ashdod, o maior porto industrial de Israel, a 40 quilômetros ao sul de Tel Aviv. Um soldado apontou para Greta e disse: “Você primeiro, vamos!”, relata ela.

Ela não pôde usar a camiseta com os dizeres “Free Palestine” e foi obrigada a trocar de roupa, explica. Vestiu uma camiseta laranja com o texto “Decolonize”.

– E então coloquei meu chapéu de sapo. Quando estava prestes a descer do barco, havia um monte de policiais me esperando. Eles me agarraram, me jogaram no chão e atiraram uma bandeira israelense sobre mim.

A partir daí, tudo “foi do zero ao cem”, descrevem várias testemunhas – a violência escalou.

Greta conta que foi arrastada para uma área pavimentada cercada por grades de ferro. Essa é uma cena longa, que durou mais de seis horas, segundo ela, e confirmada por vários participantes da flotilha entrevistados pelo Aftonbladet.

– Era algo distópico. Vi talvez 50 pessoas ajoelhadas em fila, algemadas, com a testa no chão.

Greta se levanta do sofá e deita no tapete listrado da sala, mostrando a posição.

– Eles me arrastaram para o lado oposto de onde os outros estavam e deixaram a bandeira sobre mim o tempo todo. Eles me batiam e chutavam.

Greta ri.

– Depois arrancaram meu chapéu de sapo, jogaram no chão, pisotearam e chutaram, como se estivessem tendo um acesso de raiva.

– Depois me moveram, de forma muito brutal, para um canto, voltada para a parede. “Um lugar especial para uma dama especial”, disseram. E tinham aprendido as palavras “Lilla hora” (putinha) e “Hora Greta” (Greta puta) em sueco, que repetiam o tempo todo.

Toda vez que alguém levantava a cabeça do chão, era derrubado novamente, contam Greta e os outros suecos. No canto onde Greta estava sentada, os policiais colocaram uma bandeira.

– A bandeira foi colocada de forma que me tocasse. Quando ela tremulava e encostava em mim, gritavam “Não toque na bandeira” e me chutavam na lateral. Depois de um tempo, amarraram minhas mãos com enforca-cabos, bem apertado. Uma fila de guardas se formou para tirar selfies comigo enquanto eu estava sentada daquela forma.


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– Eles pegaram minha bolsa e jogaram fora tudo o que interpretaram como relacionado à Palestina. Pegavam cada item e olhavam nos meus olhos enquanto o cortavam lentamente com uma faca, enquanto dez pessoas tiravam selfies.

De repente, o ministro da extrema direita Itamar Ben-Gvir entrou na área e ficou diante de todos, conta Greta.

– Ele gritava: “Vocês são terroristas. Querem matar bebês judeus.” Os que responderam foram levados para o lado e espancados. Foram jogados no chão e agredidos. Mas eu só conseguia ver de relance, porque toda vez que levantava a cabeça do chão, levava um chute do guarda ao meu lado.

Ela descreve uma cena muito comovente.

– Eu precisava ir ao banheiro e pedi permissão. Então tive que ser conduzida por entre as pessoas sentadas, e elas me viram.

Uma integrante sueca da delegação disse: “Estamos com você, Greta.”

– Então ela foi levada de lado e agredida, diz Greta.

– Quando continuo passando pelas fileiras de pessoas, elas dizem “Slay!”.

(Slay originalmente significa “matar violentamente”. Mas, como gíria da internet, quer dizer fazer algo de forma incrível. Greta usa essa palavra o tempo todo.)

– Eles diziam “Slay” porque sabiam que é uma palavra minha. E quem dizia “Slay” apanhava dos guardas. Continuei andando e alguém gritou “Slaaaay”. E então mais e mais pessoas começaram a gritar “Slay”, e quando todos gritavam, eles não conseguiam bater em todo mundo. Foi…

Ela faz uma pausa e sorri.

Greta foi então levada para dentro de um prédio, para ser revistada e despida.

– Os guardas não têm empatia nem humanidade, e continuavam tirando selfies comigo. Há muita coisa que eu não lembro. Muita coisa acontece ao mesmo tempo. Você está em choque. Está com dor, mas tenta manter a calma.

De repente, ela foi arrastada para um armário de limpeza, onde foi forçada a ajoelhar-se.

– Então Ben-Gvir e sua equipe de mídia entraram, ficaram ali filmando, e ele disse: “Eu vou pessoalmente garantir que você seja tratada como terrorista e apodreça na prisão. Você é Hamas. Você é terrorista. Quer matar bebês judeus.” Enquanto ele gritava, eu me mantive o mais calma possível e citei convenções da ONU, dizendo que Israel não é imune e deve respeitar o direito internacional. Achei que estavam gravando isso para divulgar, mas nunca vi esse vídeo sendo publicado.

– Talvez você tenha respondido bem demais, diz uma das amigas de Greta.

O próprio Ben-Gvir depois contou à imprensa sobre sua visita à prisão – e se gabou do tratamento duro dado aos prisioneiros. Ele descreveu isso como uma política que ele mesmo havia ordenado.

– “Tenho orgulho de que tratemos os ativistas da flotilha como apoiadores do terrorismo”, disse ao jornal Yedioth Ahronoth. “Eles devem experimentar as condições da prisão de Ketziot e pensar duas vezes antes de voltar a Israel. É assim que funciona.”

Após esse encontro no armário de limpeza, Greta relata intermináveis reuniões com autoridades que queriam que ela assinasse papéis declarando, entre outras coisas, que havia entrado ilegalmente em Israel – o que se recusou a fazer. Então suas mãos foram novamente amarradas com enforca-cabos, ela foi vendada e colocada em uma pequena cela dentro de um carro, onde passou uma noite fria com outros prisioneiros.

– Estava gelado. Estávamos de camiseta.

Depois foi levada para a prisão. Lá fora, foi novamente obrigada a se despir, conta.

– Era zombaria, tratamento bruto, e tudo era filmado. Tudo o que faziam era extremamente violento. Jogavam os medicamentos das pessoas no lixo na frente delas – remédios cardíacos, medicamentos contra o câncer, insulina.


Dentro da prisão, havia um grande mural cobrindo uma parede, mostrando uma Gaza bombardeada e pessoas fugindo, com um texto em árabe: “A nova Gaza”, ao lado de uma grande bandeira israelense, diz ela.

 

Na prisão, ela foi mantida em diferentes celas. Às vezes, em uma de cerca de 15 metros quadrados com outras 13 pessoas. Foram muitos dias — quatro, talvez? O tempo se confundia, não havia relógios. Quase não recebiam comida nem água potável durante todo o cativeiro, sendo obrigados a beber da torneira do lavabo do banheiro, de onde saía algo marrom. Vários ficaram doentes.

– Você sentia que não podia “se dar ao luxo” de chorar porque estava desidratado demais.

– Estava tão quente, tipo 40 graus. Pedíamos o tempo todo: “Podemos ter água? Podemos ter água?” No fim, gritávamos. Os guardas passavam diante das grades o tempo todo, rindo e exibindo suas garrafas de água. Jogavam as garrafas cheias no lixo, na nossa frente.

Em certo momento, cerca de 60 pessoas foram colocadas em uma pequena jaula ao ar livre, sob o sol, segundo vários participantes da flotilha. A maioria não tinha espaço nem para se sentar.

– Quando as pessoas desmaiavam, batíamos nas grades e pedíamos por um médico. Então os guardas vinham e diziam: “Vamos asfixiar vocês com gases.” Era algo padrão para eles. Erguendo um cilindro de gás, ameaçavam nos atingir com ele.

Durante as noites, os guardas passavam regularmente balançando as grades, apontando lanternas, e várias vezes por noite nos obrigavam a ficar de pé.

Greta relata que foi colocada em uma cela de isolamento cheia de insetos. Hora após hora, sem saber quanto tempo se passava. Ela cantava uma música para se acalmar.

– Mas precisei parar depois de um tempo, porque cantar aquela música era fisicamente exaustivo.

Greta foi levada para reuniões particulares com várias autoridades, diplomatas e políticos, inclusive representantes do governo.

– Eles disseram: “Oferecemos você ao Hamas em troca de reféns”, e ficaram me encarando em silêncio. Quando perguntei depois de um tempo “Do que se trata isso?”, responderam: “Estávamos brincando.” Outros repetiam: “Isto não é genocídio. Confie em nós – se quiséssemos cometer um genocídio, poderíamos fazê-lo.”

Por cinco minutos no porto, os suecos puderam encontrar um advogado; depois disso não houve assistência jurídica. Só na sexta-feira é que três funcionários da embaixada sueca em Tel Aviv apareceram para ver os suecos — em uma jaula, ao ar livre.

– Estávamos juntos e contamos a eles sobre o tratamento que recebemos. Sobre a falta de comida, de água, sobre os abusos. A tortura. Mostramos nossas lesões físicas — hematomas e arranhões. Deixamos todos os nossos contatos — dei o número do meu pai e o número do nosso contato na organização. Fomos claros: tudo o que dissermos agora deve ser divulgado à mídia.

Segundo Greta Thunberg, a resposta foi que o trabalho deles era nos escutar.

– Eles não fizeram nada, disseram apenas: “Nosso trabalho é ouvi-los. Estamos aqui e vocês têm direito a apoio consular.”

– Dissemos repetidas vezes: precisamos de água. E eles viam que os guardas tinham garrafas d’água. O pessoal da embaixada disse: “Vamos tomar nota disso.” Um de nós, Vincent, disse: “Da próxima vez que nos encontrarmos, vocês devem trazer água.”

Demorou então dois dias até que o pessoal da embaixada voltasse a aparecer.

– Eles não trouxeram água, exceto uma garrafinha pequena pela metade, que era deles — Vincent, que estava em pior estado, conseguiu bebê-la. Continuávamos pedindo aos guardas “Podemos ter água?”, mas eles só andavam com suas garrafas e não respondiam.

Finalmente, o grupo sueco decidiu, na presença do pessoal da embaixada, recusar voltar às celas até que lhes dessem água, segundo várias testemunhas ouvidas pelo Aftonbladet. Mas então o pessoal da embaixada quis sair da prisão, alegam.

– Eu disse: “Vocês vão nos deixar assim? Se saírem agora, vão nos espancar.” Mas eles continuaram andando.

Vários participantes relataram que uma ativista ficou furiosa e chutou a lixeira onde os guardas haviam jogado as garrafas de água. As garrafas se espalharam pelo chão; Greta e os outros se atiraram ao chão e apressaram-se a abrir as garrafas para beber o que restava.

“O pessoal da embaixada vê isso e segue andando.”

No mesmo dia em que os participantes foram libertados após cinco dias de cativeiro, o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson disse à mídia sueca que foi “muito estúpido” viajar para Gaza apesar dos avisos.

Quando o Aftonbladet compara os e-mails enviados pelo Ministério das Relações Exteriores a parentes com o que os detidos dizem ter contado ao pessoal da embaixada, fica claro que a gravidade da situação foi minimizada.

O Ministério descreve a cena no porto, onde Greta foi espancada por horas, assim: “Ela nos falou sobre tratamento duro e que esteve sentada sobre uma superfície dura por muito tempo.”

No sábado, vários meios publicaram depoimentos de que Greta havia sido submetida à tortura.

Em um e-mail visto pelo Aftonbladet, seu pai Svante Thunberg relatou isso ao Ministério das Relações Exteriores:

– Quando o que me enviaram por e-mail não corresponde ao que ela lhes disse, sinto que toda a resposta e o contato são uma traição e pura provocação. Parecia que eu era uma peça em uma guerra cultural, enquanto ao mesmo tempo li que o ministro israelense responsável admitia abertamente que foram submetidos a tortura, de acordo com as leis aplicáveis, diz seu pai, Svante Thunberg.

Aftonbladet conversou com três outros membros da flotilha que confirmam em grande parte o relato de Greta e que também sofreram vários tipos de abuso e humilhação. Falamos também com parentes. Todos criticam fortemente a atuação do pessoal da embaixada sueca.

Uma delas é Marita Rodriguez, cujo marido Tomas esperava em casa com o filho Malik.

– Pedimos que nos repassassem todas as informações que lhes demos e que notificassem nossos familiares. Por que omitiram as coisas mais importantes que dissemos?

Marita tem dupla cidadania, sueca e chilena.

– Vimos um cônsul do Chile. Quando não lhe foi permitido entrar, ele tentou ultrapassar os guardas. Foi um contraste enorme com o pessoal do Ministério das Relações Exteriores sueco, que não parecia protestar. Ali havia alguém tentando desafiar os guardas, dizendo: “Oi, sou seu cônsul do Chile. Só quero saber: como vocês estão?”

Outro prisioneiro foi Vincent Storm, que descreve abuso e humilhação.

– Eles não fizeram nada. Estou tão decepcionado. Vimos delegações de outros países, como a França, enviando seus embaixadores, e eles podiam beber água e comer biscoitos nas reuniões. A embaixada sueca não fez nada, diz ele.

Aftonbladet teve acesso à correspondência por e-mail entre a parceira de Vincent, Rebecca Karlsson, e o Ministério. Em um dos e-mails, o Ministério escreve, entre outras coisas, que Vincent recebeu água: “Durante a visita, ele pôde beber uma garrafa de água que a embaixada trouxe com eles.”

– Mas era uma garrafinha pequena e pela metade que o pessoal da embaixada trouxe para si — e mais ninguém recebeu água. Eles embelezaram a realidade, diz Rebecca Karlsson.

Todos os participantes da flotilha e parentes ouvidos pelo Aftonbladet descrevem de forma semelhante que os testemunhos dos detidos sobre suas experiências foram amaciados pelo Ministério das Relações Exteriores nas comunicações com os familiares. Vários parentes não receberam nenhum relato de seus entes detidos.

“Vamos denunciar o Ministério das Relações Exteriores ao Comitê de Ombudsman Parlamentar por não defender os direitos dos cidadãos suecos”, diz Rebecca Karlsson, que trabalha como gestora em serviços municipais.

Aftonbladet contatou o primeiro-ministro Ulf Kristersson, cujo secretário de imprensa remeteu ao Ministério das Relações Exteriores. Ninguém na embaixada sueca em Tel Aviv quis conceder entrevista.

Em um e-mail ao Aftonbladet, a ministra das Relações Exteriores Maria Malmer Stenergard escreve:

“Os cidadãos suecos se expuseram a grande risco. A Global Sumud Flotilla navegou para Gaza novamente com o mesmo resultado da última vez; nenhuma ajuda emergencial chegou à população civil em Gaza com seus navios.”

Aftonbladet conversou com vários especialistas críticos à atuação do governo. Um deles é o advogado Linus Gardell, que aponta que o ataque às embarcações de ajuda constituiu crime segundo a lei sueca e o direito internacional.

– O silêncio do governo é espantoso, diz ele.

– É difícil de entender, diz Said Mahmoudi, professor emérito de direito internacional na Universidade de Estocolmo.

* Jornalista sueca. Reportagem publicada no jornal Aftonbladet em 15/10/2025.



Fonte:  FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil


 

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