A maioria das pessoas estava dormindo. Mas enquanto você
dormia, o Congresso estava trabalhando contra nós
Agência Pública
Na calada da noite, às 02h27, o presidente da Câmara, Hugo
Motta (Republicanos), anunciou a aprovação do PL da Dosimetria, que reduz penas
dos golpistas do 8 de Janeiro e beneficia diretamente Jair Bolsonaro, já
condenado a 27 anos por tentativa de golpe. Foram 291 votos a favor e 148
contra. Sem debate público. Sem transparência. No escuro.
Horas antes, a Câmara conseguiu expulsar jornalistas e
agredir deputados de esquerda. Na madrugada, veio a canetada.
Isso não é coincidência. É, mais uma vez, a lei
sendo usada como arma política.
Esta tática tem nome: lawfare. É sobre essa
estratégia de usar o sistema jurídico como arma para alcançar objetivos
políticos que parte o curso “Lawfare — a influência dos EUA ontem e hoje”,
conduzido por Natalia Viana, fundadora e diretora da Pública. A partir de casos
como a Lava Jato, a guerra às drogas e o tarifaço de Trump, o curso mostra como
interesses externos operam no Brasil e como o sistema de justiça pode ser usado
como ferramenta de disputa política.
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O objetivo é firmar um movimento do ex-presidente com outras lideranças que disputaram as eleições nos últimos anos
O deputado e o ex-presidente mantiveram diálogo nos últimos
anos, mesmo sendo opositores políticos (foto: Twitter/Reprodução )
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou,
em agendas diferentes, com os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), Cid Gomes
(PDT-CE) e o ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), em Fortaleza,
nesta segunda-feira (23/8).
Me reuni na tarde desta segunda-feira, 23, para receber o ex-presidente @LulaOficial, em minha casa. Fui ministro dele e o tenho como grande estadista. Conversamos sobre vários assuntos, especialmente sobre a atual conjuntura política e econômica do Ceará e do Brasil. pic.twitter.com/V2YXLiszXI
As reuniões ocorreram com o objetivo de firmar um movimento
do ex-presidente com outras lideranças que disputaram as eleições nos últimos
anos, focando na sua possível candidatura presidencial em 2022 e em oposição a
Jair Bolsonaro.
Lula foi ao Ceará na companhia da presidente nacional do PT,
deputada Gleisi Hoffmann (PT) e do ex-deputado estadual Ilário Marques (PT-CE).
O encontro com Tasso durou aproximadamente uma hora e ocorreu no escritório
particular do tucano.
De acordo com a assessoria de imprensa do deputado, a
conversa focou no cenário atual da política brasileira, na importância da
defesa intransigente da democracia, no fortalecimento das instituições e no
compromisso de resistência a qualquer ato ou medida que ponha em risco a
democracia no Brasil. Jereissati informou ainda que não formou nenhuma aliança
eleitoral.
O deputado e o ex-presidente mantiveram diálogo nos últimos
anos, mesmo sendo opositores políticos. Durante a prisão de Lula, o senador
enviou uma carta de solidariedade após a morte do neto do petista, em março de
2019.
Após o encontro, Lula se reuniu com o senador Cid Gomes
(PDT), irmão do ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes, que vem
atacando o petista nos últimos meses. Além disso, ele encontrou com o
governador Camilo Santana (PT) e teve uma agenda com o ex-presidente do Senado,
Eunício Oliveira (MDB).
Lula tem se encontrado com políticos do centro e deu sinais
de que está planejando formar aliança com outros partidos além da esquerda,
para se opor a Jair Bolsonaro na próxima eleição. De acordo com aliados do
ex-presidente, o partido mais próximo é o PL, legenda "número 2" no
bloco formado pelo Centrão e que hoje declara apoio a Bolsonaro.
No Ceará, PSDB e PT podem continuar sendo opostos, e os
tucanos caminham para firmar aliança com o PDT, enquanto a legenda petista fala
em candidatura própria.
A convite do ex-ministro Nelson Jobim, o ex-presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniram para um almoço com muita democracia no cardápio. pic.twitter.com/6f0mwcc3wI
Pelos próximos dois anos, a grande imprensa irá martelar que
Moro-Huck e Doria-Mandetta são as únicas opções para unir o Brasil. Não chega a
ser um estelionato novo.
UM NOVO EMBUSTE ELEITORAL está sendo armado no
Brasil. Luciano Huck e Sergio Moro estão articulando uma chapa para concorrer à
presidência em 2022. A ideia é formar uma candidatura que seja
anti-bolsonarista e anti-petista para vendê-la como uma opção moderada de
centro. Moro citou também Mandetta e Doria como nomes de centro que poderiam
integrar a frente.
Direitistas se vendendo como centristas não chega a ser um
estelionato eleitoral novo, pelo contrário. Até a chegada do bolsonarismo, a
direita tinha vergonha de se assumir. Direitistas eram liderados pelo PSDB, um
partido de origem centro-esquerdista que migrou para a centro-direita, mas
nunca se assumiu como tal. Essa vergonha era algo natural depois que a direita
ficou marcada pelos anos de ditadura militar. Bolsonaro, que era voz única na
defesa do regime militar, ajudou a resgatar o orgulho direitista. Mas, após a
tragédia implantada pelo bolsonarismo no Planalto, parece que a vergonha começa
a voltar – para alguns.
A grande imprensa brasileira ajudou a forjar o engodo, comprando
exatamente o que Moro disse na ocasião. Noticiou o nascimento de uma terceira
via moderada, como se dois dissidentes do bolsonarismo, que até ontem surfavam
a onda do radicalismo, pudessem liderar um projeto moderado de centro.
Criou-se, assim, um consenso no noticiário de que eles são o que realmente
dizem que são. É o jornalismo declaratório e acrítico, que se limita a
reproduzir as falas de políticos, mesmo as mais absurdas.
Fabio Zanini, da Folha de São Paulo, escreveu que Huck e Moro são “dois dos principais
nomes do centro no espectro ideológico na política”. O que são essas frases
senão a mais pura e cristalina definição de fake news? Como é que ex-apoiadores
do bolsonarismo podem ser considerados de centro? Moro, Huck, Doria e Mandetta
romperam com o bolsonarismo não por questões ideológicas, mas por conflitos de
interesses. Entre um professor progressista e um apologista da tortura e da
ditadura militar, todos eles, sem exceção, optaram pelo apologista da tortura e
da ditadura militar. De repente, toda essa gente virou moderada de centro? Uma
ova.
Mas como é possível enganar a população assim de maneira tão
descarada? Bom, os jornais gastaram muita tinta nos últimos anos pintando Lula
e Bolsonaro como dois radicais, como dois lados de uma mesma moeda. Choveram editoriais equiparando os dois nesses termos. O
ex-presidente é notoriamente um homem de centro-esquerda, que liderou por oito
anos um governo de coalizão que abrigava até mesmo partidos de direita.
Portanto, pintá-lo como o equivalente de Bolsonaro dentro do espectro de
esquerda é uma mentira grosseira. Diante desse cenário forjado, artificialmente
polarizado por dois extremistas que já estiveram no poder, fica mais fácil
vender a ideia de que a única saída é pelo centro. Ainda mais quando esse
centro é representado por um apresentador da Globo e um ex-juiz que é o herói
da imprensa lavajatista.
Rodrigo Maia, um homem de direita, corrigiu o
noticiário ao colocar Sergio Moro no seu devido lugar: a extrema
direita. Não há debate possível em torno disso. São muitos os fatos que colocam
Moro nesse espaço do espectro político. Enquanto juiz, Moro “sempre violou o
sistema o sistema acusatório”, como admitiu uma procuradora lavajatista no escurinho do
Telegram. Depois de ajudar a implodir a classe política — principalmente o PT —
e pavimentar o caminho de Bolsonaro à presidência, ganhou um ministério.
Enquanto ministro, lutou para que policiais tivessem carta branca para matar,
atuou como advogado da família Bolsonaro como no episódio do Vivendas da Barra
e ficou calado todas as vezes em que seu chefe fez ameaças golpistas.
A única participação de Moro na política partidária foi
integrando um dos principais ministérios de um governo de extrema direita. O
tal centrismo de Moro fica ainda mais ridículo quando ele sugere que general
Hamilton Mourão, outro defensor da ditadura militar e do torturador Ustra, é
também um homem de centro apto a fazer parte da sua
articulação.
Sergio Moro não abandonou o bolsonarismo por divergências
ideológicas. Não rompeu porque suas ideias centristas colidiram com o
radicalismo. Ele pulou fora porque Bolsonaro interveio no seu trabalho, que até
então era elogiadíssimo pelos extremistas de direita. Não há nenhuma razão
objetiva que justifique enquadrá-lo no centro a não ser os desejos da ala
lavajatista da grande imprensa, que ainda é hegemônica. É uma bizarrice
conceitual que lembra a pecha de “comunista” que Moro ganhou das redes
bolsonaristas após sua saída do governo. É a ciência política aplicada no modo
freestyle.
Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender
lobo extremista em pele de cordeiro centrista.
Doria e Mandetta até pouco tempo atrás apoiavam o
bolsonarismo. São homens de direita que toparam o radicalismo de Bolsonaro sem
nenhum problema. São direitistas que estão mais próximos da extrema-direita do
que do centro. E Luciano Huck? Bom, a sua trajetória não deixa dúvidas de que é
um homem de direita (escrevi a respeito no ano passado). O seu voto em Bolsonaro
deixou claro que ele é capaz de apoiar a extrema direita para evitar alguém de
centro-esquerda.
A ideia de que Huck poderia ser presidente nasceu na cabeça de Paulo Guedes, o economista que
colaborou com o regime sanguinário de Pinochet e que foi — e ainda é — o
fiador da extrema direita no Brasil. O apresentador da Globo foi cabo eleitoral
do seu amigo Aécio Neves e já exaltou o Bope nas redes sociais. É um histórico
incompatível com a aura de centrista moderado que ganhou da grande imprensa.
Apesar de algumas pinceladas progressistas em questões
envolvendo o meio ambiente, por exemplo, Huck também está mais próximo da
extrema direita do que do centro. A Folha de S. Paulo tem dado enorme
contribuição para a consolidação dessa imagem de centrista moderado, já que
frequentemente oferece espaço para que este condenado por crime
ambiental possa escrever em defesa do….meio ambiente.
O fato é que o centro na política brasileira é uma ficção.
Ele é a direita que se pretende moderada, mas que topa apoiar um candidato
fascistoide se o seu adversário for um homem com perfil moderado de
centro-esquerda. A grande imprensa está tratando esse oportunismo como uma
alternativa para o país que chegará em 2022 arrasado pelo bolsonarismo. Durante
as últimas eleições, a Folha emitiu um comunicado interno exigindo que seus
jornalistas não classificassem Bolsonaro como alguém de extrema direita. Isso
significa que a direção do jornal não quis contar a verdade para o eleitor.
Tudo indica que esse ilusionismo continuará com a fabricação dessa chapa
centrista e moderada formada por legítimos direitistas que suportaram um
projeto neofascista.
As chances dessa terceira via fake não vingar são grandes.
As pretensões dos envolvidos são grandes demais. Moro, Huck ou Doria aceitariam
ser o vice dessa chapa? Difícil, mas a tática direitista de se camuflar de
centro deverá ser aplicada, mesmo que com outros personagens.
Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender
lobo extremista em pele de cordeiro centrista.
Sputnik Brasil - O Exército matou a tiros um homem e deixou ferido seu sogro
após fuzilar o carro em que ele estava em Guadalupe, na Zona Oeste do Rio de
Janeiro, neste domingo (7).
Familiares e amigos ouvidos pelo jornal Extra afirmam que os
militares confundiram o carro das vítimas com o veículo de criminosos.
Ainda de acordo com a publicação, a vítima fatal é Evaldo,
músico membro do grupo "Remelexo da cor".
"Quando eles [militares] começaram a atirar, minha tia
pegou meu primo no colo e mostrou que era carro de família, mas mesmo assim
eles não pararam de dar tiros" relatou um dos sobrinhos de Evaldo ao
Extra.
O Comando Militar do Leste afirma que os militares reagiram
a "injusta agressão".
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o incidente:
#URGENTE:
Recebi esse vídeo no zap, a descrição diz que é na favela o Muquiço - RJ e que o exército fuzilou esse carro, confundindo-o com de bandidos, matando as pessoas que estavam dentro.
ALGUÉM TEM INFORMAÇÕES SOBRE? Comenta aqui, por favor! pic.twitter.com/t4JEbjPBD9
Mandado de prisão assinado por Marcelo Bretas se deu na semana em que a troca de farpas entre Maia e Moro chegou ao ápice, com o presidente da Câmara afirmando que o ex-juiz se comporta como presidente da República
Jornal GGN – A operação da Lava Jato no Rio de Janeiro que prendeu, nesta quinta (21), Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, entre outros nomes ligados à cúpula do MDB, ocorre paralelamente à briga entre Sergio Moro – colega do juiz Marcelo Bretas – e Rodrigo Maia – genro de Moreira Franco – por causa do pacote anticrime apresentado à Câmara.
Na noite anterior ao cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão pela PF, Moro e Maia intensificaram a troca de farpas publicamente. O presidente da Câmara disse à imprensa que o ministro da Justiça está extrapolando sua competência ao se comportar como presidente da República e exigir que a Câmara discuta seu pacote de mundanças na legislação penal.
A mensagem desagradou Moro, que usou o Instagram da esposa, Rosangela Moro, para divulgar uma nota oficial, na noite de quarta (20), insinuando que os deputados fazem corpo mole em relação ao pacote anticrime e que o País já não aguenta mais empurrar corrupção para debaixo do tapete.
O mandado de prisão contra o sogro de Maia e outros emedebistas foi emitido por Bretas em 19 de março. Na véspera, a imprensa noticiava que o presidente da Câmara desacelerou a tramitação do pacote anticrime criando um grupo especial que deverá debater as propostas por pelo menos 90 dias. Somente depois disso é que o projeto será enviado para uma das comissões permanentes da Casa.
Na visão de Moro, o Congresso deve tocar o pacote anticrime e a Reforma da Previdência ao mesmo tempo. Maia, para quem Moro não tem poder de decisão sobre os trabalhos da Câmara, também alegou que a nova previdência é a prioridade.
Além disso, a operação que leva à prisão mais um ex-presidente da República ocorre no momento em que a Lava Jato está sob forte pressão. O Supremo Tribunal Federal julgou, recentemente, que caixa 2 deve ser julgado pela Justiça Eleitoral, esvaziando denúncias construídas pelos procuradores que atuam na operação. Além disso, a turma de Deltan Dallagnol entrou na mira do STF por causa do fundo bilionário construído com R$ 2,5 bilhões da Petrobras.
O Brasil assiste ao exercício de um dos traços do nosso celebrado Homem Cordial: a hipocrisia.
A prisão dos gângsters Michel Temer e Moreira Franco permite que os moradores e serviçais da Casa Grande demonstrem sem qualquer pudor essa característica essencial: a dissimulação, o fingimento.
Eles descobriram agora que o Temer e o Moreira são ladrões!
Roubaram R$ 1,8 bilhão!
E, na tentativa de envernizar a biografia, eles passam a saudar a Lava Jato que os prendeu com muitos anos de atraso.
A mesma Lava Jato do Moro que, anos atrás, se recusou a aceitar essa delação que levou agora os dois ao cárcere.
Hoje os dissimulados saúdam a higiene do sistema.
Os safados estão presos!
Como dizia a Dilma, são todos moralistas sem moral.
Na hora de derrubar a Dilma, uma mulher honesta, uma Presidenta honesta, e abrir a porta para instalar o neolibelismo, o Temer e o Moreira eram dois estadistas.
Esses mesmos gatunos de hoje pareciam Winston Churchill.
Rasgaram a Constituição para dar o poder à máfia - e os hipócritas diziam que foi tudo dentro da Constituição...
Ai de quem falasse em Golpe!
Quando o Temer tentou se esconder atrás de pseudo-gênios tucanos - o Ilan, o Pedro Malan Parente e a Maria Silvia -, diziam que ele escalou o dream team, a Seleção Brasileira de 1950.
É porque ele fez um projeto de Reforma da Previdência que eles diziam que curava até dor de corno.
Quando a Câmara não deixou processar o chefe dos malfeitores, ufa, que alívio! Foi preservada a governabilidade, disseram...
Para garantir a Reforma da Previdência dos bancos.
E manter intacta a ponte para o futuro... do salteador Moreira Franco.
Quando o Ministrário Gilmar Mendes despachava no escuro do Palácio Jaburu com a dupla de sicários, a Casa Grande e seus fâmulos se calavam.
Cães danados, agora, todos a eles!
Viva a Lava Jato!
A Pátria está salva!
Não importa se a Constituição tenha sido estuprada para dar o poder a essa Camorra!
Então, como agora, o que interessa é garantir o meu... quer dizer, o dos bancos!