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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Na gestão de Cláudio Castro, Cedae fez aportes milionários em banco do bispo Macedo


Digimais, instituição do líder da Igreja Universal, corre risco de quebrar


ICL Notícias
 

Cedae, estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, fez aportes de dezenas de milhões de reais no Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). As operações foram realizadas por diretor indicado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL).

Desde junho de 2025, Antonio Carlos dos Santos, indicado por Castro para a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores (DFI) da Cedae, fez diversos investimentos em CDBs do Banco Digimais. As aplicações foram renovadas mesmo diante de fortes indícios de que a instituição financeira corre risco de quebrar. Só recentemente, os recursos passaram para aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Meses antes de assumir o posto de diretor da Cedae, Santos foi assessor-chefe do gabinete de Cláudio Castro no Palácio Guanabara. Ele foi uma indicação pessoal do ex-governador para um cargo estratégico na estatal, responsável por assinar contratos e decidir investimentos em instituições financeiras. Santos foi o principal responsável pelo investimento de mais de R$ 200 milhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Em nota, a Cedae afirma que “uma das primeiras medidas da atual administração foi mudar a Política de Aplicações Financeiras” com o objetivo de “reforçar mecanismos de governança, controle e mitigar riscos na gestão das aplicações financeiras”.  A estatal diz ainda que os investimentos no banco Digimais não serão renovados e os valores serão reaplicados nas “maiores e mais sólidas instituições financeiras do país”.

Já Antonio Carlos dos Santos sustenta que “que todas as alocações de sua carteira estavam em conformidade com a política de aplicações financeiras da Cedae, conforme apuração da auditoria interna”. O ex-diretor diz ainda que “as decisões de investimento seguiram as normas de governança e a política de aplicações financeiras, tendo sido aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo o Conselho de Administração, o Comitê de Auditoria e a Diretoria Executiva”. Ele também nega que não houve “quaisquer interferências externas ou políticas” nas decisões de investimento que tomou.


Aportes chegaram a R$ 91,2 milhões


A aplicação no Digimais se aproveitou das brechas criadas sob medida para permitir os aportes no Master. Assim como no caso do banco de Vorcaro, as agências de classificação de risco dão um rating baixo para o Digimais, em comparação com diversos concorrentes no mercado financeiro brasileiro.

O banco de Edir Macedo apresentou as avaliações BBB- da Fitch e da Moody’s –a mais baixa ainda considerada grau de investimento. Até Santos alterar “sob medida” para o Master, segundo investigação interna, a política de investimentos da empresa, a Cedae exigia uma avaliação mínima bem mais alta, de A-.

Os investimentos no Digimais ocorreram inicialmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos de renda fixa tradicionalmente emitidos por instituições financeiras. A rentabilidade prometida é de 106% do CDI.


Documento detalha condições de investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

A primeira remessa milionária no Digimais ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae já se via às voltas com um possível calote de Vorcaro. O parecer favorável de Santos veio no dia 4 de junho de 2025.

Ao contrário de várias outras aplicações feitas pela Cedae, o investimento no Digimais não tinha liquidez diária –a empresa só poderia resgatar os recursos em 180 dias. Ainda assim, Santos referendou nota técnica feita por seus assessores Hedmilton Mourão Cardoso, Magno Neves Fonseca e Mauro Luis Marques –os mesmos que o auxiliaram a operar os aportes suspeitos no Banco Master. A recomendação era alocar R$ 35 milhões no conglomerado do bispo Macedo.

“A referida emissão constitui oportunidade atrativa para a Cedae, desde que o volume alocado seja inferior a R$ 40 milhões, valor de limite que conta com a garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o documento obtido pelo ICL Notícias.

Uma nova remessa foi feita pouco depois, em agosto do ano passado. Santos e seus assessores repetem quase integralmente o texto usado para justificar o primeiro investimento. Dessa vez recomendam a apliacção de mais R$ 25 milhões. O prazo para resgate era ainda maior, de 1 ano, e o rendimento prometido era de 109% do CDI. Os recursos deveriam ser retirados de um fundo de investimentos operado pelo Itaú, maior banco do país.

As regras criadas por Santos e que permitiram o investimento no Banco Master permitiam o investimento de até 10% da carteira da Cedae em bancos com rating BBB-. Após o calote do banco de Vorcaro, o Digimais foi a única instituição financeira com esse perfil a receber recursos da estatal.


Risco de quebra do banco


A Cedae manteve os investimentos mesmo  com o agravamento da situação do Digimais.

Edir Macedo chegou a anunciar em janeiro de 2025 a venda da instituição para Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, por R$ 800 milhões. Contudo, Quadrado desistiu da aquisição em abril.

A venda era uma pedra de salvação para o Digimais, cujos dados financeiros apresentavam uma série de más notícias. Em pouco tempo, Macedo teve que injetar mais de R$ 700 milhões no negócio.

Mesmo com a deterioração da condição do Digimais, Santos e seus assessores seguiram recomendando o investimento no banco. Em 24 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária do Comitê de Auditoria da Cedae foi convocada para, entre outros assuntos, tratar das preocupações com a situação do banco de Edir Macedo.

Os membros do comitê questionaram Santos sobre o assunto, como mostra a ata da reunião. Segundo a ata do encontro, eles enfatizaram “os pontos negativos e de riscos de cada instituição financeira onde a Cedae possui investimentos. Diante disso, foi solicitado ao time técnico a conclusão sobre tais investimentos, inclusive a possibilidade de realocação para instituições com melhor rating”, relata o documento.


Comitê de Auditoria da Cedae questionou investimento no Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

Naquele momento, a Cedae havia contratado uma auditoria independente para avaliar a situação da empresa. Fernando dos Santos, sócio da empresa de auditoria, menciona que a estatal buscou o resgate das aplicações no Digimais, mas não deixa claro porque os valores não foram recuperados até ali.

Pouco depois, em nota técnica feita em 13 de março, Santos dobra a aposta. A DFI define a situação do Digimais como “negativa”, com “reversão para lucro semestral, melhora de Basileia; prejuízos acumulados e forte dependência de depósitos a prazo”. Mesmo assim, defende a manutenção dos investimentos: “há mitigantes de risco que levam à recomendação da manutenção das atuais posições”.

O fator mitigante, segundo a DFI, seria uma cobertura de até R$ 40 milhões pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de calote. Naquele momento, a Cedae tinha cerca de R$ 39 milhões aplicados no Digimais.


Diretoria da Cedae recomendou manutenção de investimentos em meio à crise do Digimais (Crédito: Arte/ ICL Notícias)

Pouco depois, no final de março, Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo para BB-, classificação já considerada de grau especulativo.

Em 26 de maio, a Moody’s pintou um quadro ainda mais crítico: rebaixou o banco de Edir Macedo para CCC+ –o que representa risco iminente de calote dos investidores. O comunicado da agência é aterrador.

“O rebaixamento dos ratings do Digimais reflete a avaliação da Moody’s Local Brasil sobre um aumento significativo no risco dos ativos do banco, principalmente devido à sua crescente exposição aos fundos de investimento alternativos ao longo de 2025. Em dezembro de 2025, a carteira de títulos e valores mobiliários, composta majoritariamente por cotas de fundos de investimento, totalizava R$ 4,3 bilhões, correspondendo a cerca de 42% do total de ativos e representando 5,4 vezes o patrimônio líquido do banco. A qualidade e a recuperabilidade desses investimentos são incertas, como evidenciado pelo parecer de auditoria externa com ressalvas sobre R$ 3,1 bilhões, ou 73% dos fundos reportados, devido às limitações de informações sobre a adequação desses valores”, diz o relatório da Moody’s.

.A Política de Aplicações Financeiras da Cedae em vigor àquela altura vetava aplicações financeiras em instituições com notas tão baixas, mas o saque imediato não foi possível porque os contratos amarravam a estatal até a data de vencimento dos investimentos.

Por Igor Mello

Fonte: ICL Notícias


Estatal do Rio fez aportes milionários em banco de Edir Macedo durante governo Claudio Castro


Alfinetados do Dia


Bispo Edir Macedo afirma que, quando o fiel da uma oferta, ele obriga Deus a abençoa-lo e a batiza-lo.



Economia 01

Economia 02 




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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Está perigoso demais fazer jornalismo!


A gente tem apanhado bastante nos últimos meses. Mas isso não fará a gente retroceder nem um milímetro. Podemos contar com você nessa luta?



A situação está ficando fora de controle.


  • Sete publicações nossas foram censuradas no intervalo de apenas três meses
  • Recebemos seis processos novos apenas nas últimas semanas
  • Uma repórter nossa foi condenada a cumprir um ano de prisão e pagar R$ 400 mil em indenizações

 

Isso é sem precedentes e estamos muito preocupados.


Além disso, temos um bocado de outros processos rolando soltos — entre eles alguns que poderiam resultar na prisão dos nossos repórteres — e alguns novos acabaram de chegar.

Está começando a parecer que quando a Igreja Universal mandou a polícia atrás da gente por causa de uma reportagem, eram apenas as primeiras rajadas de uma ofensiva muito maior.

Ser jornalista e fazer jornalismo é perigoso demais. Ainda mais quando a nossa missão é apontar a corrupção exatamente dos pesos pesados que mandam nos tribunais.


Estamos acumulando custos jurídicos e precisamos da sua ajuda para aguentar essas batalhas e seguir fortes. Você pode contribuir com R$ 30 para nossa defesa contra esses valentões?


O desafio é grande e os riscos são reais, mas a gente sempre seguiu firme porque tivemos milhares de membros lutando lado a lado com a nossa equipe. Só que desde que viramos 100% independentes um ano atrás, o Intercept Brasil tem perdido milhares de apoiadores.

Isso está nos preocupando mais do que a fúria de Edir Macedo ou a caneta torta de um desembargador.

Para botar nosso orçamento de volta nos trilhos e para que nossa redação possa seguir lutando destemida pelo o que é certo, precisamos que nossa comunidade contribua para chegarmos a R$ 70 mil até o final do mês.

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E se você fizer uma contribuição, não lhe incomodaremos com outro e-mail pedindo dinheiro por um bom tempo — mandaremos apenas nosso jornalismo.

 

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Andrew Fishman

Presidente e cofundador


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Igreja Universal teria servido de lavagem de R$ 6 bi para QG da Propina


Templo de Salomão da Igreja Universal em São Paulo - Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Ministério Público do Rio de Janeiro detectou uma movimentação atípica de quase R$ 6 bilhões, entre maio de 2018 e abril de 2019, na Igreja Universal


Jornal GGN  – O esquema de liberação de contratos na Prefeitura do Rio, o chamado “QG da Propina”, sob a gestão Crivella, também teve relações com um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro junto à Igreja Universal do Reino de Deus.

Além do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), o primo de Edir Macedo e ex-tesoureiro das campanhas eleitorais do prefeito, Mauro Macedo, e o ex-senador e bispo Eduardo Benedito Lopes (Republicanos) também foram acusados de integrar o esquema “QG da Propina”.

Macedo é conhecido por administrar negócios de empresas ligadas à Igreja Universal. Lopes, que foi suplente de Marcelo Crivella no Senado, por sua vez, chegou a ser acusado em 2018, durante campanha de reeleição ao Senado, de ter sido favorecido politicamente por abuso de poder religioso da Igreja Universal.

Entre as atuações de organização criminosa e corrupção passiva, a Igreja Universal do Reino de Deus teria sido usada para lavagem de dinheiro. Os investigadores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) detectaram uma movimentação atípica de quase R$ 6 bilhões, entre maio de 2018 e abril de 2019, na Igreja.

Segundo os promotores, a movimentação financeira “anormal” seria, na prática, a ocultação de renda de integrantes do esquema de propinas junto à Prefeitura, por meio da Igreja.


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domingo, 13 de setembro de 2020

MP vê indícios de uso da Igreja Universal para lavar dinheiro de corrupção



Movimentações atípicas realizadas pela Igreja Universal do Reino de Deus, totalizando quase R$ 6 bilhões, chamaram a atenção do Ministério Público do Rio de Janeiro para possíveis crimes envolvendo a IURD.


A informação consta de um documento enviado à Justiça pelo subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos do MPE-RJ, Ricardo Ribeiro Martins, obtido pelo G1. Na petição, a igreja é citada por ter chamado a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) após movimentar R$ 5.902.134.822 entre o dia 5 de maio de 2018 e 30 de abril de 2019.

As suspeitas sobre a IURD têm relação direta com o escândalo do QG da Propina, que está sendo investigado pelo MP na prefeitura do Rio de Janeiro. Entre os alvos da operação, está o prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal e aliado do empresário investigado Rafael Alves, que ganhou fama por mensagens nas quais ameaçava revelar supostos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o prefeito, sua família e a igreja. Alves é apontado como um ator influente no governo municipal e suspeito de arrecadar propina com a conivência de Crivella. 


 Segundo o MP, outro nome importante na trama é o de Mauro Macedo, primo do fundador da IURD, Edir Macedo, que coordenou campanhas de Crivella e é suspeito de ter recebido Caixa 2 e de aliciar empresários para diferentes tipos de corrupção.

Para o Ministério Público, ainda de acordo com o G1, seria "verossímil concluir" que a Igreja Universal está sendo "utilizada como instrumento para lavagem de dinheiro fruto da endêmica corrupção instalada na alta cúpula da administração municipal".



Desmascarando

Ministério Público mostra que Igreja Universal do Reino de Deus é foco de lavagem de dinheiro




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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

'Guardiões do Crivella': processo de impeachment de prefeito do Rio é barrado na Câmara




A Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro decidiu nesta quinta-feira (3), por 25 votos a 23, barrar a abertura de processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). 

A sessão durou quase quatro horas e aconteceu de forma híbrida, presencial e remota, em função da epidemia do novo coronavírus. Para o processo ser barrado, bastava maioria simples. 

O pedido de impeachment tinha sido apresentado pelo PSOL, com base em matéria do jornal RJ2, da TV Globo, sobre a existência em aplicativo de conversas do grupo 'Guardiões do Crivella', que teria como objetivo impedir a imprensa de cobrir a situação dos hospitais municipais. 


Crivella estaria em um dos grupos

O objetivo do grupo seria recrutar e organizar a ida de funcionários da prefeitura para a porta de hospitais públicos para atrapalhar reportagens e impedir possíveis denúncias. O próprio Crivella faria parte de um dos grupos. 

Esse foi o quarto pedido de afastamento contra o prefeito votado na Câmara dos Vereadores. Antes dele, dois foram rejeitados e um aprovado. Ao final do processo, no entanto, os vereadores consideraram que não havia elementos suficientes para pedir o impeachment de Crivella. 

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada para apurar as denúncias sobre o caso atual, mas a oposição diz que ela está nas mãos de vereadores governistas. 



Jornalismo TV Cultura

A base do pedido de abertura do processo de impeachment contra Marcello Crivella, feito por vereadores do PSOL e do DEM, é a denúncia sobre o uso de funcionários públicos na porta de hospitais municipais do Rio de Janeiro. A missão dos funcionários é atrapalhar reportagens de TV e tumultuar entrevistas com pessoas que reclamam da saúde no município.




Crivella: por 25 votos a 22, Câmara rejeita abertura de impeachment



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