Senador esteve no Salão Oval junto com seu irmão, o
ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e com Paulo Figueiredo, neto do ditador João
Figueiredo
Opera Mundi
O senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se
encontrou nesta terça-feira (26/05) com o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, durante visita realizada na Casa Branca, em Washington.
O pré-candidato da extrema direita foi acompanhado pelo seu
irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo jornalista Paulo
Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo (1979-1985).
O senador carioca afirmou que, durante a conversa, ele pediu
ao mandatário norte-americano que incluísse as facções Primeiro Comando da
Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista dos Estados Unidos de
organizações consideradas terroristas.
“Pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras”, declarou Flávio, após a visita
A postura difere da adotada pelo governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, que considera que a medida poderia justificar uma
possível intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil.
Ademais, Flávio defendeu que o Brasil forme parte da
iniciativa Escudo das Américas, na qual estão envolvidos países
latino-americanos com governos de extrema direita, como Argentina, Chile,
Equador e Honduras.
Jair Bolsonaro e pré-candidatura
Segundo Flávio Bolsonaro, Trump perguntou a ele, durante a
conversa, sobre o estado do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que se
encontra em prisão domiciliar devido a condenação no Supremo Tribunal Federal
por liderar uma tentativa de golpe de Estado, entre dezembro de 2022 e janeiro
de 2023.
O senador classificou a preocupação supostamente demonstrada
pelo presidente norte-americano como um “gesto humano”.
Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio admitiu que
Trump não declarou apoio à sua postulação ao Palácio do Planalto.
Flávio, Eduardo e Figueiredo aparecem em foto com Trump e
Lindberg ironiza: os três patetas
Lindbergh Farias
TRÊS PATETAS COM TRUMP. Lindbergh Farias, vice líder do
governo Lula, ironiza encontro de Flávio Bolsonaro, Eduardo e Paulo Figueiredo
com Trump. “Três patetas com Trump”, diz o deputado, ao classificar o encontro
como “ridículo”.
Lindbergh disse que a viagem aos EUA para uma “fotinho com
Trump” é uma tentativa do Flávio Bolsonaro de esconder o escândalo dos R$ 61
milhões que ele tomou do Vorcaro.
TRÊS PATETAS COM TRUMP. Lindbergh Farias, vice líder do governo Lula, ironiza encontro de Flávio Bolsonaro, Eduardo e Paulo Figueiredo com Trump. “Três patetas com Trump”, diz o deputado, ao classificar o encontro como “ridículo”.
Entre os arquivos divulgados recentemente, encontra-se um
vídeo gravado por um sensor infravermelho da Guarda Costeira dos EUA em abril
de 2024, mostrando um objeto voando próximo a uma aeronave no sudeste dos
Estados Unidos.
O Departamento de Guerra dos EUA divulgounesta
sexta-feira (22) o segundo lote de arquivos sobre OVNIs e
outros Fenômenos Anômalos Não Identificados.
Wow, the newly released UFO files are very promising. I'm on the second video, and it shows instantaneous acceleration, a zipping speed that this time can't be dismissed as a loss of track. Incredible FLIR footage.
Entre os arquivos divulgados recentemente, encontra-se um vídeo
gravado por um sensor infravermelho da Guarda Costeira dos EUA em abril de
2024, mostrando um objeto voando próximo a uma aeronave no
sudeste dos Estados Unidos.
Outro material, intitulado "Aceleração instantânea
de fenômeno anômalo sírio não identificado", foi
capturado por um sensor infravermelho a bordo de uma plataforma militar dos EUA
em 2021 e carregado em uma rede classificada em 2024
Após diversas análises, o Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios do Pentágono não encontrou evidências de que qualquer um desses incidentes tivesse origem extraterrestre.
Contudo, autoridades militares reconhecem que muitos casos permanecem sem solução ou explicação.
Poder Internacional | O Departamento de Guerra dos Estados
Unidos divulgou uma nova leva de arquivos desclassificados sobre OVNIs (objetos
voadores não identificados), nesta 6ª feira (22.mai.2026).
A liberação dos arquivos foi determinada pelo presidente
Donald Trump (Partido Republicano). Os documentos incluem relatos de pessoas
que observaram orbes verdes, discos e bolas de fogo. Em 8 de maio, o governo
norte-americano já havia divulgado um lote
Rony Vernet
Novo lote de documentos liberado pelo Governo dos EUA hoje
(22/05) finalmente revelou o aguardado vídeo do OVNI "fantasma". O
fenômeno não possui uma forma definida e gira em torno do seu próprio eixo,
possuindo uma assinatura energética em sua volta. O caso ocorreu em 2024.
Novo lote de documentos liberado pelo Governo dos EUA hoje (22/05) finalmente revelou o aguardado vídeo do OVNI "fantasma". O fenômeno não possui uma forma definida e gira em torno do seu próprio eixo, possuindo uma assinatura energética em sua volta. O caso ocorreu em 2024. pic.twitter.com/POWMAt43bt
Noite Oficial dos OVNIs no Brasil completa 40 anos
5 caças foram disparados para perseguir fenômenos que
invadiram todo o território. Avistamentos em massa pela população obrigaram o
Ministro da Aeronáutica a convocar coletiva de imprensa.
Áudios militares revelaram o que os militares viram e o
segredo imposto:
"Brasília, bem vindos ao festival dos discos
voadores!"
"Se alguém perguntar você não viu nada, você não sabe
de nada!"
Noite Oficial dos OVNIs no Brasil completa 40 anos
5 caças foram disparados para perseguir fenômenos que invadiram todo o território. Avistamentos em massa pela população obrigaram o Ministro da Aeronáutica a convocar coletiva de imprensa.
Cartas Marcadas é uma newsletter semanal que investiga a
ascensão da extrema direita, as ameaças à democracia e os bastidores do poder
em Brasília.
Essa é uma edição especial da newsletter Cartas Marcadas,
assinada por boa parte dos autores da investigação que chacoalhou o Brasil nos
últimos dias. A proposta inicial do mês de maio é que esse espaço seria
dedicado apenas a reportagens sobre a tramitação da escala 6×1.
Fizemos isso nas primeiras duas semanas, nos debruçando
sobre o lobby empresarial que usa a extrema direita para atravancar a proposta.
Mas, no meio do caminho, veio um turbilhão. O Intercept Brasil publicou o
maior furo jornalístico do país desde as revelações da Vaza Jato:
as mensagens secretas que colocam a família Bolsonaro no centro do escândalo do
Banco Master, de Daniel Vorcaro.
É claro que não abriremos mão de nossa cobertura da urgente
luta dos milhões de trabalhadores que suportam o desumano regime 6×1. Mas
faremos uma pausa porque sabemos que a nossa audiência anseia por mais informações
sobre a relação do bolsonarismo com o Banco Master.
Portanto, resolvemos mudar os planos e, nesta semana,
brindar os leitores com mais um capítulo de nossa investigação: o áudio e as
mensagens de texto que revelam a proximidade de mais um líder da extrema
direita no Congresso com Daniel Vorcaro. Vamos aos fatos.
Pouco menos de uma hora após o horário em que estava
previsto um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro,
e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no dia 11 de dezembro de 2024, em
Brasília, o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, enviou um áudio
ao banqueiro agradecendo pelo apoio ao filme “Dark Horse”.
Na gravação, obtida com exclusividade pelo Intercept, Frias
afirma que o longa sobre Jair Bolsonaro “vai mexer com o coração de muita
gente”, será “muito importante para o nosso país” e pede autorização para
informar Vorcaro sobre o andamento da produção.
O registro mostra intimidade entre Frias e Vorcaro, algo que
o deputado vem tentando esconder. Na semana passada, após o Interceptrevelar
que o senador Flávio Bolsonaro havia
negociado R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”,
Frias disse que o banqueiro não
havia dado “um único centavo” para o longa-metragem.
Cerca de 20 horas depois, o deputado emitiu outra nota e
disse que havia “uma
diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Ele
destacou apenas que Vorcaro ou o Banco Master não haviam aparecido como
investidores. A postura demonstra um distanciamento entre os dois – uma versão
que um áudio e mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept desmontam.
O conteúdo indica que, além de produtor-executivo de “Dark
Horse”, o ex-secretário especial de Cultura de Jair Bolsonaro atuava
diretamente na articulação do filme financiado pelo banqueiro, que viria a ser
investigado pela maior fraude bancária da história do país.
Na gravação, enviada por WhatsApp para Vorcaro em 11 de
dezembro de 2024, às 18h24, Frias diz: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer
com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá?
Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”
Imediatamente depois, Vorcaro responde: “Eu to numa ligação te chamo em
seguida”. Frias diz “Blz” e, às 19h06, os dois se falam por ligação de voz durante
cerca de 2 minutos.
Como já apontamos no início do texto, o agradecimento veio
menos de uma hora após o horário previsto para o encontro entre Flávio
Bolsonaro e Vorcaro, naquele dia, na residência do banqueiro em Brasília.
Segundo mensagens reveladas pelo Intercept, a reunião foi organizada por Thiago
Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, para tratar do financiamento do
filme biográfico internacional sobre Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro participava de uma reunião da Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ, no Senado naquele dia e deixou a sua
cadeira por volta de 17h30, no horário em que havia sido marcado o encontro. Só
voltou às 18h, o que indica que uma possível participação na reunião teria
ocorrido de forma remota ou em outro local. O Intercept não conseguiu confirmar
se o encontro, de fato, ocorreu.
Na sequência do áudio, Frias mandou novas mensagens ao banqueiro. Em 15 de dezembro de 2024, o deputado enviou uma captura de tela a Vorcaro que exibe uma troca de mensagens entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh, revelando negociações preliminares para a produção de uma obra sobre “um homem comum que se tornou presidente por um milagre”.
No diálogo, o diretor se compromete a conversar com o ator Jim Caviezel sobre o projeto, alertando, contudo, que o astro fará duas perguntas: “1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?”. Frias respondeu que o ator “será imortalizado por esse papel”.
Abaixo do print, Frias escreveu para Vorcaro:
“Milagres só são possíveis quando a fé”, “Esse é um desses milagres” e “Vai ser
a maior super produção de uma história brasileira”. Aparentemente, na primeira
frase, o parlamentar quis dizer “quando há fé”.
Em 22 de dezembro de 2024, houve outra conversa entre o
deputado e Vorcaro. O banqueiro disse, às 10h19, que estava na igreja e
prometeu chamá-lo quando saísse. Frias não se conteve e, uma hora e 16 minutos
depois, antes mesmo que Vorcaro avisasse que estava disponível, escreveu que o
filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo
mundo”, e teria “um papel histórico imprescindível para as futuras gerações”.
Disse ainda que o longa-metragem sobre o ex-presidente era uma “questão de
justiça divina”, ao que Vorcaro respondeu, às 11h40: “Tenho certeza disso”. “JB
precisa ter sua verdadeira história revelada”, acrescentou Mario Frias. Em
outra mensagem, afirmou: “2026 é do Brasil” e depois, frisou: “Deus te abençoe
meu Brother”.
As mensagens mostram que a relação entre Frias e Vorcaro ia além de um contato protocolar entre um potencial investidor e um produtor. O deputado também chamava o banqueiro de “meu irmão”, fazia elogios em tom religioso e demonstrava acompanhar de perto o desenvolvimento da obra.
Frias, que foi produtor-executivo de “Dark Horse” e peça-chave na articulação da obra com o banqueiro investigado pela maior fraude bancária do país, passou a propagar mentiras nas redes sociais, na tentativa de descredibilizar as reportagens do Intercept.
Como revelamos no último sábado, o parlamentar compartilhou, no dia 14 de maio, publicações falsas alegando que o Intercept teria recuado sobre as cifras do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O rastreamento da autoria dos conteúdos compartilhados por Frias expõe uma rede de desinformação financiada e estruturalmente ligada ao PL, partido do deputado. O site diario360, por exemplo, pertence a Fagner Leandro de Lima, secretário parlamentar do também deputado federal André Fernandes, do PL do Ceará e tesoureiro da sigla no estado.
Já a página Hora Brasília é registrada em nome de uma empresa de Hugo Alves dos Santos, aliado próximo do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A firma de comunicação atuou nas eleições de 2024 como fornecedora de duas campanhas do PL, recebendo R$ 55 mil de candidatos a vereador, em Atibaia, no interior de São Paulo. Foi nessa cidade que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso, em 2020, na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederik Wassef, num desdobramento da investigação que apurava o esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Outro lado
Após a publicação da primeira reportagem da série, a defesa de Mario Frias confirmou que o deputado manteve contato com Vorcaro, mas afirmou que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”. Segundo os advogados, Frias não exerceu papel de articulador político ou financeiro em nome do banqueiro.
A defesa acrescentou que o entusiasmo manifestado nas conversas privadas decorria da “dimensão artística e cultural do projeto”. Procuramos Mario Frias nesta terça-feira, 19, por meio de sua assessoria. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
O PL também foi procurado, mas não respondeu. O espaço segue aberto.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas informou que ele não vai se manifestar.
Vazamento por vazamento, o do trailer do filme "Dark Horse" é o que menos deveria preocupar o "brother" Mario Frias.
Serviço prisional israelense nega denúncias de abuso durante
a detenção de 430 pessoas que tentavam levar ajuda aos palestinos
Ativistas italianos da Flotilha Global Sumud chegando a
Fiumicino. Fotografia: Remo Casilli/Reuters
Ativistas liberados
da custódia israelense após serem detidos em uma flotilha que tentava
levar ajuda a Gaza foram alvo de abusos, alegaram organizadores, com vários
hospitalizados com ferimentos e pelo menos 15 relatando agressões sexuais,
incluindo estupro.
O serviço prisional de Israel negou as alegações, e a
Reuters não conseguiu verificá-las de forma independente.
A Alemanha disse que alguns de seus cidadãos haviam sido
feridos e que algumas acusações eram "graves", sem dar mais detalhes.
Uma fonte jurídica na Itália disse que os promotores de lá estavam investigando
possíveis crimes, incluindo sequestro e agressão sexual.
Um porta-voz do serviço prisional israelense disse em um
comunicado: "As alegações feitas são falsas e totalmente sem base factual.
"Todos os prisioneiros e detentos são mantidos de
acordo com a lei, com total respeito por seus direitos básicos e sob supervisão
de funcionários profissionais e treinados da prisão", disseram.
"O atendimento médico é prestado de acordo com
julgamento médico profissional e de acordo com as diretrizes do ministério da
saúde."
O exército israelense encaminhou as consultas ao ministério
das Relações Exteriores, que as encaminhou ao serviço prisional.
Forças israelenses prenderam 430 pessoas a bordo de 50
navios em águas internacionais na terça-feira para deter a flotilha de voluntários
que tentava levar suprimentos de ajuda para a Faixa de Gaza.
A Itália afirmou que os membros da UE estavam discutindo
impor sanções ao ministro, Itamar Ben-Gvir.
"Pelo menos 15 casos de agressão sexual, incluindo
estupro", postaram organizadores da Flotilha Global Sumud no aplicativo de
mídia social do Telegram. "Disparados com balas de borracha a curta
distância. Dezenas de ossos quebrados.
"Enquanto o olhar do mundo está fixo no sofrimento de
nossos participantes, não podemos enfatizar o suficiente que este é apenas um
vislumbre da brutalidade que Israel impõe diariamente aos reféns
palestinos."
Luca Poggi, um economista italiano entre os detidos da
flotilha, disse à Reuters ao chegar a Roma: "Fomos despidos, jogados no
chão, chutados. Muitos de nós fomos atingidos com Taser, alguns foram agredidos
sexualmente e alguns tiveram acesso negado a um advogado."
Adrien Jouan apresentando ferimentos após chegar ao aeroporto
de Istambul, Turquia. Fotografia: Gaza Freedom Flotilla/Reuters
Promotores em Roma investigavam possíveis crimes de
sequestro, tortura e agressão sexual e ouviriam depoimentos de ativistas que
haviam retornado à Itália, disse a fonte jurídica italiana.
Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores alemão
disse que funcionários consulares que se encontraram com ativistas alemães ao
chegarem a Istambul relataram que vários tiveram feridos e estavam passando por
exames médicos.
O tratamento humano dos cidadãos alemães era uma
"prioridade absoluta", disse o porta-voz, acrescentando:
"Naturalmente, esperamos uma explicação completa, pois algumas das
alegações feitas são graves."
Sabrina Charik, que ajudou a organizar o retorno de 37
cidadãos franceses da flotilha, disse à Reuters que cinco participantes
franceses foram hospitalizados na Turquia, alguns com costelas quebradas ou
vértebras fraturadas. Alguns fizeram acusações detalhadas de violência sexual,
incluindo estupro, disse ela.
Em uma postagem no Instagram de um grupo ativista verificado
pela Reuters, um cidadão francês, Adrien Jouan, mostrou hematomas nas costas e
nos antebraços.
Ativistas disseram que parte dos supostos abusos ocorreu no
mar após sua interceptação pelas forças navais israelenses, e parte após sua
prisão e prisão em Israel.
Ativistas de vários países europeus eram esperados para
chegar para casa em voos vindos da Turquia após terem sido deportados de Israel
na quinta-feira.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel
Albares, disse a repórteres que 44 membros da flotilha espanhola deveriam
chegar durante toda a sexta-feira em voos de Istambul para Madri e Barcelona.
Quatro deles receberam tratamento médico pelos ferimentos, acrescentou.
Governos ocidentais expressaram sua indignação na
quinta-feira depois que Ben-Gvir postou um vídeo dele mesmo zombando de
ativistas que estavam sendo imobilizados no chão em uma prisão.
O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani,
disse à margem da reunião da Otan na Suécia que estava em contato com todos os
seus homólogos da UE "para que possa haver uma decisão rápida de impor
sanções" a Ben-Gvir.
Os soldados do regime ocupante violaram e torturaram os
ativistas humanitários da Flotilha Global Sumud.
Após serem sequestrados em águas internacionais, os
ativistas foram levados a prisões e, após as primeiras libertações, relataram
atos de tortura, violações, descargas elétricas, humilhações, abusos
psicológicos, etc.
Várias pessoas precisaram de atendimento médico urgente após
serem libertadas do cativeiro.
Entre os sequestrados havia médicos, jornalistas e ativistas
de dezenas de países, incluindo cidadãos espanhóis.
O silêncio é cumplicidade e vergonha.
🚨 BRUTAL CRIMEN🚨
Los soldados del régimen ocupante han vi*lado y tort*rado a los activistas humanitarios de la Flotilla Global Sumud.
Tras ser secuestrados en aguas internacionales, los activistas fueron llevados a cárceles y tras las primeras liberaciones, han relatado actos… pic.twitter.com/ZvZjam1qyT
— Miguel Ruiz Calvo (@MiguelRuizCalv) May 22, 2026
Clash Report
Ativista da Flotilha Sumud Global Brasileira Thiago Ávila:
Soldados israelenses estupraram nosso povo na Flotilha Sumud
Global.
Não foi um, não dois, não três.
Eles estavam levando comida e remédios para Gaza. Estavam
levando fórmula para bebês, e foram estuprados por soldados israelenses.
Brazilian Global Sumud Flotilla Activist Thiago Ávila:
Israeli soldiers raped our people at the Global Sumud Flotilla.
It was not one, not two, not three.
They were taking food and medicine to Gaza. They were taking baby formula, and they got raped by Israeli soldiers. pic.twitter.com/J7O5KJBgUH
Pentágono liberou acesso a mais de 160 documentos sobre vida
alienígena
Pentágono liberou acesso a mais de 100 arquivos sobre vida
alienígena • Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Na sexta-feira (8), o governo dos Estados Unidos começou a
divulgar uma série de arquivos oficiais sobre objetos voadores não
identificados, os OVNIs. O repositório inclui dezenas de fotografias, vídeos e
relatórios militares sobre o avistamento de possíveis fenômenos
extraterrestres.
Os arquivos foram publicados em um site oficial do
Departamento de Guerra norte-americano. Ao todo, mais de 160 arquivos tiveram
acesso liberado ao público.
A divulgação do dossiê sobre os “Fenômenos Aéreos Não
Identificados” (UAP, na sigla em inglês), nomenclatura atual para OVNIs, foi
realizada meses após uma ordem emitida pelo presidente Donald Trump.
Em sua rede social Truth Social, o chefe de estado comentou
a liberação: "Quanto à minha promessa, o Departamento de Guerra liberou o
primeiro lote de arquivos sobre OVNIs/UAPs para que o público os revise e
estude [...] O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO?" Divirtam-se e
aproveitem!"
Eventos misteriosos e depoimentos exclusivos
Os documentos revelam uma série de avistamentos de atividade
terrestre, que se expandem por décadas. Entre imagens, comunicações de missões
espaciais e gravações audiovisuais, os arquivos trazem uma série de relatos
sobre possíveis aparições extraterrestres, incluindo o avistamento de objetos
metálicos voadores se movendo a grandes velocidades.
Um dos arquivos que têm ganhado atenção é uma foto tirada na
lua pela tripulação da missão espacial Apollo 17, realizada na década de 1970.
Segundo o relatório, um dos astronautas observou três pontos de luz no céu que
despertou a curiosidade do grupo por parecerem "partículas ou fragmentos
de forma triangular e muito brilhantes".
Confira a imagem a seguir:
Foto tirada na missão Apollo 17 mostra três pontos de luz
não identificados • Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Além disso, o banco de dados também traz uma gravação feita sobre o Mar Mediterrâneo, onde foi avistado um objeto em formato elipsóide se movendo a grandes velocidades próximo a aeronaves militares. Outros documentos incluem relatórios escritos durante a Guerra Fria e protocolos de defesa contra possíveis ameaças extraterrestres.
Segundo o Departamento de Guerra, o acervo inclui arquivos de agências governamentais como a NASA, o FBI, o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional e o Gabinete de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios. Ainda de acordo com o governo americano, a proposta é que o site seja atualizado toda semana com novos conjuntos de documentos.
Liberação de arquivos divide opiniões
O anúncio teve repercussão imediata na mídia e voltou a
colocar o tema dos OVNIs no centro do debate público, despertando tanto o
interesse da comunidade científica quanto o surgimento de novas teorias da
conspiração. Nas redes sociais, milhões de usuários passaram a examinar
minuciosamente, quadro a quadro, os vídeos divulgados pelo Pentágono.
Ao mesmo tempo, a decisão também levantou questionamentos no
cenário político dos Estados Unidos. Para alguns analistas, a desclassificação
ocorre em um momento delicado para a Casa Branca, em meio a tensões
internacionais e desafios econômicos internos, o que gerou especulações sobre
possíveis motivações estratégicas por trás da medida.
Apesar das críticas, especialistas das áreas de segurança e
astronomia consideram a iniciativa um dos maiores atos de transparência do
governo americano sobre o tema nas últimas décadas.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia
conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o
senador Flávio
Bolsonaro, do PL do
Rio de Janeiro, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em
uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de
novembro de 2025
Imagem: Intercept Brasil
Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto
tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$
47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de
novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.
A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da
República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma
negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de
dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a
produção de “Dark
Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept
Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61
milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências —
haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para
financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
Os registros incluem um cronograma de desembolso, um
comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a
produção. Não há evidências nas mensagens de que Vorcaro tenha feito os outros
oito pagamentos previstos para o projeto.
O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por
Flávio Bolsonaro, mas teve outros intermediários, como o irmão e deputado
federal cassado Eduardo Bolsonaro,
do PL de São Paulo, e o deputado federal Mario Frias, também do
PL paulista, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro.
As conversas privadas e os documentos de Vorcaro revelam os
profundos laços financeiros e a estreita relação entre o clã Bolsonaro e o
banqueiro que se tornou o homem mais radioativo de Brasília. Flávio já havia
negado tais conexões, da sua família e da extrema direita, chegando a dizer que
isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”.
Quando foi noticiado,
em março deste ano, que o cunhado de Vorcaro – o pastor Fabiano
Zettel – havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha
presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse
à CNN que isso aconteceu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma
contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.
“Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da
direita”, afirmou o
senador. Em evento da pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, dois dias antes,
ele classificou
o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a
todo o país”.
Na manhã desta quarta-feira, 13, Flávio Bolsonaro foi
questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao
filme e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida,
deu uma gargalhada e se retirou de onde concedia entrevista à imprensa, próximo
ao Supremo Tribunal Federal, o STF – antes, o senador havia se reunido com o
ministro Edson Fachin, presidente da corte.
Flávio já havia sido contatado sobre o assunto – por
telefone, WhatsApp e e-mail, mas não retornou até a publicação da reportagem. A
defesa de Daniel Vorcaro foi acionada, mas não houve resposta. Eduardo
Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos enviados pelo Intercept. O
espaço segue aberto e, caso haja resposta, o texto será atualizado.
Em nota enviada ao Intercept após a publicação da
reportagem, a defesa do deputado federal Mario Frias confirmou os contatos
entre o parlamentar e Vorcaro, mas disse que as mensagens “refletem apenas uma
relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado
da iniciativa”.
Também destacou que Frias não exerceu papel de articulador
político ou financeiro em nome de Vorcaro. Ainda negou qualquer uso do mandato
parlamentar para “promoção de lobby privado ou favorecimento empresarial”.
O advogado do deputado informou, ainda, que, na época da
troca de mensagens, Vorcaro era conhecido como um empresário do mercado
financeiro e “não havia qualquer informação pública que indicasse eventual
irregularidade financeira” atribuída ao banqueiro. “Conversas privadas
envolvendo exibição de conteúdo audiovisual ou encontros sociais entre pessoas
públicas e empresários não configuram irregularidade”, destacou a defesa do
parlamentar.
Sobre o filme, a defesa pontuou que Frias participou do
desenvolvimento criativo e institucional do projeto audiovisual e que “o
entusiasmo manifestado nas mensagens privadas decorre da dimensão artística e
cultural do projeto, considerado por sua equipe como uma produção inédita
dentro do cinema nacional independente”.
Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2
milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos
analisados pelo Intercept indicam que pelo menos parte do dinheiro foi
transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria
com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no
Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Os registros ainda sinalizam a participação direta nas
operações de outros dois intermediários: o empresário Thiago Miranda – fundador
e sócio do Portal Leo Dias –, e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal
como o principal operador financeiro de Vorcaro.
As mensagens obtidas pelo Intercept abrangem o período de
dezembro de 2024 a novembro de 2025 e incluem diálogos do banqueiro com
diversos interlocutores. O conteúdo do vazamento foi verificado por meio de
cruzamento de informações contidas nos diálogos com dados públicos e sigilosos.
Entre os elementos que confirmaram a autenticidade do material estão dados
bancários e telefônicos, inquéritos policiais, registros do Congresso Nacional e
de redes sociais.
De acordo com as conversas a que tivemos acesso, o
relacionamento entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar a
produção internacional do filme contava com um intermediário no fim de 2024 e,
no ano seguinte, evoluiu para uma interlocução direta, marcada por cobranças
para a liberação de dinheiro, tratativas operacionais e demonstrações de
proximidade pessoal.
As conversas também indicam que Daniel Vorcaro acompanhava
pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação
a outros compromissos financeiros.
O Intercept entrou em contato por e-mail com advogados do
ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação desta
reportagem.
‘Flavio está ciente de tudo’
A primeira aproximação registrada pelas conversas obtidas
pelo Intercept ocorreu em 8 de dezembro de 2024, quando o empresário Thiago
Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio
Bolsonaro e Vorcaro em Brasília.
Na mensagem para confirmar o encontro, Miranda afirmou ao
banqueiro que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$” [uma
possível referência ao canal de televisão SBT], acrescentando que “Flavio está
ciente de tudo”.
Thiago Miranda e Leo Dias foram contatados para comentar as
trocas de mensagens. Até a publicação da reportagem, não houve resposta. O
espaço segue aberto e, caso haja retorno, o texto será atualizado.
O SBT, por sua vez, respondeu que, “nunca teve qualquer tipo
de contrato com o Banco Master” e que “o produto CredCesta, vinculado ao Grupo
Master, fez ações comerciais de fevereiro a dezembro de 2024 em programa do
SBT” e que “a relação do SBT com o Banco Master foi a mesma que com todos os
seus anunciantes, com estritamente a comercialização de espaços publicitários”.
A reunião foi marcada, segundo os registros, para 11 de
dezembro, às 17h30, na residência de Vorcaro em Brasília. Naquele dia, Flávio
Bolsonaro participou de uma reunião deliberativa na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania, a CCJ. O vídeo disponível no canal do Senado no YouTube
mostra que, por volta das 17h30, ele recebe um
telefonema, se levanta e sai da sala.
As imagens mostram Flávio voltando a se sentar na sua
cadeira poucos
minutos depois das 18h, o que sugere que uma possível participação na
reunião poderia ter ocorrido de forma remota ou em outro local.
Pouco menos de uma hora após o horário previsto para o
encontro, às 18h24, as mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Mario Frias
enviou um áudio para Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto. Frias afirmou
que o filme “vai mexer com o coração de muita gente” e seria importante para o
país. Na sequência, ele e o banqueiro fizeram uma ligação telefônica entre si.
Nos meses seguintes, as mensagens indicam avanço das
negociações. No início de 2025, Miranda e Flávio pressionam Vorcaro para
destravar os contratos e iniciar os aportes.
No dia 20 de janeiro, Miranda encaminhou a Vorcaro uma
captura de tela em que um número atribuído a Flávio Bolsonaro pedia que o
jurídico do investidor fosse pressionado para concluir o processo. Horas
depois, Vorcaro respondeu a Miranda, na época CEO do Portal Leo Dias: “Vou
atras aqui”.
As conversas mostram que o cronograma de pagamentos passou a
ser acompanhado diretamente pelo banqueiro e por Fabiano Zettel, apontado nas
mensagens como responsável pela operacionalização jurídica e financeira do
aporte. Entramos em contato com o advogado de Zettel, Celso Vilardi, mas ele
não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.
No dia 21 de janeiro, Zettel explicou a Vorcaro que o filme
teria um fluxo específico de pagamentos: dez parcelas de 2,5 milhões de
dólares. Meses depois, em agosto do mesmo ano, Miranda enviou a Daniel Vorcaro
um documento com uma tabela indicando que o fluxo de pagamentos acordado foi
diferente: 14 parcelas – 12 delas de 1,666 milhão de dólares e duas de 2
milhões de dólares.
Ainda em janeiro, no dia 28, Vorcaro demonstrou preocupação
com os atrasos nos repasses financeiros e afirmou que o projeto cinematográfico
era prioridade absoluta ao definir o pagamento como “o mais importante
disparado”. E deu uma ordem: “Nao pode falhar mais”.
As mensagens também revelam dificuldades operacionais para a
remessa internacional dos recursos. Em fevereiro, Zettel relatou sucessivas
recusas do setor de câmbio do Banco Master para realizar a operação e que
informações de cadastro eram “meio estranhas”. Vorcaro, então, orientou que o
pagamento fosse realizado “via entre”, uma referência à empresa Entre
Investimentos e Participações.
Embora o Grupo Entre Investimentos e Participações e Vorcaro
neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes,
processos judiciais e administrativos obtidos pelo Intercept evidenciam uma
conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro. Em março de 2026,
após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, uma
empresa que pertencia ao Grupo, autoridades passaram a investigar a suspeita de
que Vorcaro atuaria como dono
oculto da empresa.
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Segundo matérias publicadas por Metrópoles e Estadão,
investigadores avaliam que Antônio Carlos Freixo Júnior — executivo ligado ao
Grupo Entre e identificado nas mensagens do vazamento obtido pelo Intercept
como Mineiro — funcionaria como operador de interesses do banqueiro dentro da
companhia.
Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver
uma ligação entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo os registros,
Fabiano Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o
banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo
na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.
O Intercept enviou mensagem por WhatsApp e telefonou para
Antônio Carlos Freixo Júnior, mas não obteve retorno até a publicação desta
reportagem.
Dias depois, em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou
ao banqueiro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de
dólares para o Havengate Development Fund LP, identificado nas mensagens como o
fundo ligado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece
no registro como a remetente do valor.
O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e
Participações, foi contatado pela reportagem e disse em nota que “não existe
vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro.
A empresa reafirma seu compromisso com a transparência, permanecendo à
disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”.
Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o
fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas, nos Estados
Unidos, e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto
PLLC”, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à
companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo
endereço comercial em Dallas.
Os documentos desta segunda firma apontam o corretor de
imóveis Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo
Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço
comercial utilizado pelo Havengate.
Em março de 2025, de acordo com os registros obtidos pelo
Intercept, Vorcaro voltou a cobrar a quitação das parcelas ainda pendentes. Em
uma mensagem enviada no dia 12 daquele mês, ele encaminhou um cronograma de desembolsos
indicando que apenas a primeira parcela havia sido paga até então. O documento
previa seis parcelas somando 10,6 milhões de dólares entre janeiro e maio de
2025.
Em contato telefônico, Altieris Santana se recusou a prestar
informações à reportagem, indicando Paulo Calixto como representante legal.
Paulo Calixto, por sua vez, não respondeu aos contatos telefônicos, por e-mail
e via mensagem feitos pelo Intercept.
Crise do Master atrapalha ‘Dark Horse’
No dia 21 de março, o nome de Eduardo Bolsonaro apareceu
pela primeira vez nas conversas a que tivemos acesso. Thiago Miranda encaminhou
a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Eduardo sugere
alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA – e informa que
Altieris Santana, controlador do fundo Havengate, estaria disponível para
reuniões presenciais relacionadas à operação financeira.
No contato com a reportagem do Intercept, Altieris Santana
se recusou a comentar a relação com o filho do ex-presidente ou a intermediação
dos pagamentos. O Intercept também questionou por e-mail o ex-deputado Eduardo
Bolsonaro, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.
O cronograma de financiamento do filme coincidiu com a
tentativa fracassada de Vorcaro de vender o Master para o Banco
de Brasília, o BRB, e com a crescente atenção das autoridades, que
culminaria na sua prisão. Ao longo do segundo semestre de 2025, as mensagens
indicam aumento da pressão financeira sobre Vorcaro e uma intensificação do
contato direto com Flávio Bolsonaro.
Em agosto, Miranda enviou ao banqueiro a imagem de uma
tabela intitulada “Funding Schedule Havengate Dev Fund”, segundo a qual 10,6
milhões de dólares já haviam sido transferidos de um total previsto de 23,9
milhões de dólares. Vorcaro respondeu: “segunda fazemos duas”, e Miranda
afirmou estar “monitorando essa reta final”.
A reportagem do Intercept telefonou para Miranda e enviou
questionamentos a ele por WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação
desta reportagem.
Pouco depois, em 8 de setembro, alguns dias antes de Jair
Bolsonaro ser condenado pela trama golpista, Flávio Bolsonaro enviou um áudio
diretamente a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando para o risco de
paralisação da produção do filme.
Na gravação, o senador diz que havia preocupação com o
atraso nos pagamentos a profissionais internacionais envolvidos na produção.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair
Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos
lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.
Flávio também disse que o não cumprimento dos compromissos
financeiros poderia comprometer contratos, elenco, direção e toda a equipe do
longa. “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não
honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, declarou.
Na resposta, Vorcaro pediu desculpas, afirmou que a semana
anterior havia sido muito difícil para ele e prometeu resolver a situação até o
dia seguinte. Na mesma noite, os dois fizeram uma ligação telefônica de cerca
de dois minutos e meio, de acordo com os registros obtidos pelo Intercept.
Cinco dias antes dessas mensagens entre Flávio e Vorcaro, o
BRB anunciou que o Banco Central havia reprovado
a venda do Master.
‘Tudo isso só está sendo possível por causa de vc’
As conversas seguintes mostram a manutenção do contato
frequente entre ambos. Ainda em setembro, Flávio e Vorcaro realizaram quatro
ligações e marcaram encontros presenciais em São Paulo.
Em uma troca de mensagens no dia 17, Vorcaro perguntou
“14:30?”, ao que Flávio respondeu: “Blz”. Em outubro, as cobranças se
intensificaram novamente. No dia 22, Flávio informou que as filmagens já
estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado “no limite”. O senador
afirmou que, caso o apoio financeiro não pudesse continuar, seria necessário
avisar para que a equipe buscasse “outro caminho”. O banqueiro o tranquilizou:
“Deixa comigo”.
No mesmo dia, Flávio convidou Vorcaro para um jantar em São
Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh em 2 de novembro. O
banqueiro sugeriu realizar o encontro em sua própria residência e que poderia
reorganizar sua agenda para comparecer, pois “tinha uma viagem”. Flávio
sugeriu, mais tarde, a data de 6 de novembro. Não há confirmação, nos
registros, se o jantar de fato ocorreu.
Enviamos questionamentos para Nowrasteh e Caviezel, mas não
houve resposta até o momento de publicação.
No dia 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de
visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está
sendo possível por causa de vc”. Vorcaro responde: “Que demais”. Em seguida,
diz: “Ficou perfeito”.
Em dezembro de 2025, o Intercept
revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil,
havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar
um contrato de Wi-Fi público sem concluir entregas previstas. Desde março, o
Ministério Público está investigando o contrato. A origem do dinheiro que
custeou a super produção permanecia, no entanto, uma incógnita. Enviamos questionamentos
para Gama, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
O protagonista Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia do
filme “Dark Horse” para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição
presidencial que Flávio Bolsonaro espera vencer. O site oficial do filme, no
entanto, não confirma que a produção tem data para chegar ao Brasil.
🚨 EXCLUSIVO: o Intercept Brasil obteve mensagens, documentos e áudios que revelam como Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro um pagamento milionário para financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Contribuíram nesta reportagem: Ana Clara Barbosa,
Angélica Neiva, André Garavatti, Bianca Pyl, Eduardo Lima, Rafaela Silva,
Samantha Prado, Sarah Germano e Thalys Alcântara
Atualização: 13 de maio de 2026, 16h29 O texto foi atualizado para incluir as respostas da defesa do deputado
federal Mario Frias, do PL de SP, aos questionamentos do Intercept.
Atualização: 14 de maio de 2026, 09h38 O texto foi atualizado para incluir as respostas da assessoria de
imprensa do Grupo Entre aos questionamentos do Intercept.