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terça-feira, 25 de maio de 2021

Mayra Pinheiro: Fiocruz tem “pênis na porta” e tapetes de Che Guevara


Secretária do Ministério da Saúde teve áudio divulgado na CPI da Covid em que faz críticas "ideológicas" à Fundação Oswaldo Cruz


Mayra Pinheiro

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), divulgou, nesta terça-feira (25/5), durante o depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, um áudio em que a médica faz críticas e ataques à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, Mayra Pinheiro chegou a dizer, em gravação de 2019, que a Fiocruz tinha tapetes com a imagem de Che Guevara em suas portas, além de “um pênis” na porta.

“A Fiocruz trabalha contra todas as políticas que são contrárias a eles, de minorias. Tudo deles envolve LGBTI, eles têm um pênis na porta da Fiocruz. Todos os tapetes são a figura do Che Guevara, as salas são figurinhas do ‘Lula Livre’, ‘Marielle Vive'”, afirma Mayra no áudio.


 

 A gravação, segundo ela, teria sido repassada a um colega, que vazou o conteúdo. Na ocasião, a médica não integrava o corpo do Ministério da Saúde.

“Eles fazem uma listra tríplice e é apresentada pra Presidência da República. Da última vez no governo do PT, o senador Tasso [Jereissati (PSDB-CE)] foi uma das pessoas que endossou o nome dessa mulher aí (sic), foi uma guerra e a gente não conseguiu [barrar a nomeação]. Tem que tirar esse poderio [da Fiocruz] de direcionar a saúde no Brasil”, disse.

Confrontada pelo senador sobre o conteúdo do áudio, Mayra se defendeu dizendo que esse material “foi uma resposta a um colega”. “Não foi agora, enquanto estou secretária de Governo, e houve um vazamento. Nessa época isso era a constatação, senador, de fatos”.

Antes de ter o áudio exposto, Mayra havia dito que a Fiocruz “é uma instituição de excelência, que tem dado grande contribuição para a vacina agora, no Brasil, no momento que nós vivemos”.

Mayra Pinheiro

Mayra é a nona depoente do colegiado. Antes deles, os senadores ouviram os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, além do atual chefe da Saúde, Marcelo Queiroga.

O ex-chanceler Ernesto Araújo, o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, também prestaram depoimento.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

Fonte: Metrópoles


UOL

Confrontada na CPI, Mayra confirma ter criticado Fiocruz: "Pênis na porta"

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sexta-feira, 26 de março de 2021

300 mil mortes por covid-19? Total já pode ter passado de 410 mil no Brasil, apontam pesquisadores


Oficialmente, o Brasil ultrapassou nesta quarta-feira (24/3) a marca trágica de 300 mil mortos por covid-19 durante a pandemia. Mas registros hospitalares brasileiros apontam que o número de pessoas que morreram em decorrência de casos confirmados ou suspeitos da doença no país pode já ter passado de 410 mil.



Essa estimativa aparece em duas análises distintas, uma liderada por Leonardo Bastos, estatístico e pesquisador em saúde pública do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e outra pelo engenheiro Miguel Buelta, professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Ambas se baseiam em dados oficiais de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), um quadro de saúde caracterizado por sintomas como febre e falta de ar.

A legislação brasileira estabelece que todo paciente que é internado no hospital com SRAG precisa obrigatoriamente ter seus dados notificados ao Ministério da Saúde por meio do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (conhecido como Sivep-Gripe). Esse sistema é utilizado há anos e permite saber quantos casos de infecções respiratórias necessitaram de hospitalização e evoluíram para óbito no país.

No primeiro semestre de 2019, foram registrados 3.040 óbitos por síndrome respiratória aguda grave. No mesmo período em 2020, foram registrados 86.651. Até o momento, de todas as pessoas com SRAG e resultado laboratorial para algum vírus na pandemia, mais de 99% acabaram diagnosticadas com covid.

Esses dados são considerados bons indicadores por não sofrerem tanto com a escassez de testes ou resultados falsos positivos. Mas há alguns problemas, entre eles o atraso: pode levar bastante tempo até uma internação ou uma morte ser contabilizada no sistema.

Então, como saber o número atual mais próximo da realidade? Como os pesquisadores chegaram à estimativa de 410 mil ou 415 mil mortes por doença respiratória grave?


Projeção do agora

Bem, os cientistas fazem o que se chama de nowcasting, que grosso modo é uma projeção não do futuro (forecasting), mas do agora. Isso se faz ainda mais necessário durante a pandemia por causa dessa demora da entrada dos registros de hospitalizações e mortes no sistema digitalizado.

É como se os dados disponíveis hoje no sistema oficial formassem um retrato desatualizado e cheio de buracos. Para preencher e atualizar essa imagem, é preciso calcular, por exemplo, qual é o tamanho desse atraso, de uma morte de fato à entrada do registro dela no sistema, a fim de "prever" o que está acontecendo atualmente.

Bastos lidera análises de nowcasting numa parceria que envolve o Mave, grupo da Fiocruz de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica, e o Observatório Covid-19 BR, grupo que reúne cientistas de diversas instituições (como Fiocruz, USP, UFMA, UFSC, MIT e Harvard).


 

 "(O nowcasting) corrige os atrasos do sistema de notificação vigente, isto é, adianta-se as notificações oficiais futuras pelo tempo médio entre a ocorrência dos primeiros sintomas no paciente e a hospitalização, quando há o registro dos seus dados no sistema de vigilância. Esse tempo abrange várias etapas: desde procurar um hospital, coletar o exame, o exame ser realizado e o resultado do teste positivo para covid-19 estar disponível para ser incluído no banco de dados. O tempo acumulado entre essas etapas do processo causa atrasos de vários dias entre o número de casos confirmados no Sivep-Gripe (plataforma oficial de vigilância epidemiológica) e os casos ainda não disponíveis no sistema, que são compensados somando aos casos já confirmados uma estimativa de casos que devem ser confirmados no futuro", detalha o Observatório Covid-19 BR.

A dificuldade de monitorar em "tempo real" o que acontece durante epidemias é global, e diversos cientistas ao redor do mundo tentam achar soluções para esse problema.

Os cálculos atuais sobre a pandemia no Brasil liderados por Bastos foram feitos a partir da adaptação de um modelo estatístico proposto em 2019 por ele e mais oito pesquisadores.

Para apontar um retrato atual mais preciso da pandemia, essa modelagem estatística (hierárquica bayesiana) corrige os atrasos dos dados incorporando nos cálculos, por exemplo, a partir do conhecimento prévio da ciência sobre o que costuma acontecer durante o espalhamento de doenças como gripe. Mais detalhes no artigo disponível neste link aqui.

Para chegar até o número de 415 mil mortes por SRAG, Bastos explica à BBC News Brasil que são analisados primeiro os dados da semana atual e da anterior, a fim de identificar quantos casos e óbitos tiveram uma semana de atraso.

"Assim, aprendemos a respeito do atraso e usamos isso para 'prever'/corrigir a semana atual e as últimas 15 semanas. O total de 415 mil mortes por SRAG é a soma dos casos observados acumulados até 15 semanas atrás com as estimativas mais recentes corrigidas."

Cemitério no bairro Bom Jardim, em Fortaleza

Em sua análise, Miguel Buelta, professor da USP, aponta um número parecido.

Ele explica em seu perfil no Twitter que analisou os dados de óbitos por covid e SRAG até 14 de março e calculou a subnotificação dos últimos 60 dias a partir dos dados atrasados que foram entrando no sistema no período. "Fiz o cálculo para 14/01/2021. Subnotificação = 37% naquela data. Se este valor fosse mantido até hoje, no lugar dos 300 mil óbitos, poderíamos ter hoje 410 mil."

Mas Buelta acredita que o valor pode ser ainda maior. "A situação atual é muito mais emergencial. É uma tragédia. Vamos todos lutar contra isso. Isolamento social e ajuda emergencial. Fora disso não há solução." Mais detalhes sobre o modelo estatístico usado por ele aqui neste link.


1,7 milhão de internados

Na análise liderada por Bastos, da Fiocruz, estima-se que o Brasil tenha registrado mais de 1,7 milhão de internações durante a pandemia de coronavírus por causa de doenças respiratórias graves. Na pandemia de H1N1, em 2009, o total foi de 202 mil hospitalizações.

Ao se debruçar sobre os dados, ele aponta ainda uma tendência de piora na ocupação de hospitais no Distrito Federal e em nove Estados: Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Maranhão, Ceará e Minas Gerais.

Todos eles têm mais de 20 hospitalizações por 100 mil habitantes. Em Rondônia, essa taxa chega a 49, por exemplo.

Por outro lado, Rio Grande do Sul e Santa Catarina parecem ter conseguido conter a tendência de alta das hospitalizações. Isso, no entanto, pode significar tanto que a situação melhorou quanto que não tem mais como o número piorar dada a superlotação dos hospitais. De todo modo, ambos os Estados ainda estão em um patamar bastante elevado, acima de 20 hospitalizados por 100 mil habitantes.

"Hospitalizações e óbitos só vão reduzir quando uma boa parcela das populações prioritárias, segundo o Programa Nacional de Imunização, forem imunizadas. Antes disso, sem uma redução efetiva da transmissão, veremos onda depois de onda", afirma Bastos.




TV JC

Covid-19: Infectologista faz apelo a população e desabafa sobre a situação dos hospitais

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (25), em que foi anunciada a extensão da quarentena mais rígida até o próximo dia 31 de março em Pernambuco, o médico Demetrius Montenegro, chefe do setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), frisou o quanto tem se preocupado com a frequência de adultos jovens que chegam aos hospitais com sintomas de covid-19. Nesta quinta (25) o Estado ultrapassa a marca de 1.800 pessoas que recebem atualmente assistência em terapia intensiva (UTI). Entre elas, 1.424 estão em leitos públicos e 418 em vagas privadas.

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quinta-feira, 18 de março de 2021

Brasil supera 3 mil mortos por covid em 24h. Média móvel supera 2 mil pela 1ª vez


Enquanto colapso no sistema de saúde se agrava, Fiocruz alerta que só o isolamento social pode reduzir danos no momento


Tratores abrem espaço para mais corpos em um dos principais cemitérios de Manaus (AM), que reservou nova ala para óbitos por covid-19. - Michel Dantas/ AFP

O Brasil registrou hoje (17) 3.149 mortos pela covid-19 nas últimas 24 horas e segue batendo recordes diários em número de óbitos oficialmente notificados ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Conass. Com o acréscimo, a média móvel diária de mortes pela infecção, calculada nos últimos sete dias, passou , 2.170 pessoas por dia – três pessoas a cada dois minutos. O contágio e as mortes pelo coronavírus em território brasileiro seguem em aceleração. Este é o pior momento da pandemia no Brasil desde o início do surto, em março de 2020.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) define o cenário como “o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”. Em boletim extraordinário divulgado na noite de ontem, a instituição chama a atenção para a “situação extremamente crítica em todo o país”. Até a conclusão do relatório, apenas dois estados brasileiros não estavam em colapso por falta de leitos de UTI, Rio de Janeiro e Roraima. A condição é declarada quando mais de 85% das unidades estão ocupadas.

O Brasil também bate recorde hoje de novos casos no período equivalente a um dia. O Conass aponta 99.634 novas infecções. O Brasil segue como epicentro da pandemia no mundo desde o dia 9 de março, quando passou a registrar mais mortes e casos do que os Estados Unidos, mesmo com capacidade de testagem inferior. Desde o dia 21 de janeiro o Brasil contabiliza mais de mil mortos por dia, em média.

Dados têm como base informações das secretarias estaduais / Fiocruz


Pior crise da história

O mapeamento da Fiocruz revela os estados com as piores condições, sendo que em todos eles pessoas morrem em suas casas sem atendimento hospitalar. São eles o Rio Grande do Sul, com 100% das UTIs ocupadas, Santa Catarina, 99%, Goiás, 97%, Distrito Federal, 97%, Paraná, 96%, Pernambuco, 96%, Rio Grande do Norte, 96%, Tocantins, 96%, Mato Grosso, 94%, Acre, 94%, Ceará, 94%, e Mato Grosso do Sul, 93%.

A Fiocruz é categórica em orientar por medidas rígidas de isolamento social. O Brasil enfrenta um cenário de colapso ao mesmo tempo em que vê grande resistência por parte da população em seguir os protocolos da ciência para mitigar os efeitos da crise. O principal adversário da ciência e da saúde pública no Brasil é o próprio presidente Jair Bolsonaro. Desde o início da pandemia ele desdenhou do vírus, estimulou e promoveu aglomerações e até mesmo atacou o uso de máscaras e as vacinas.

“A fim de evitar que o número de casos e mortes se alastrem ainda mais pelo país, assim como diminuir as taxas de ocupação de leitos, os pesquisadores defendem a adoção rigorosa de ações de prevenção e controle, como o maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais. Eles enfatizam também a necessidade de ampliação das medidas de distanciamento físico e social, o uso de máscaras em larga escala e a aceleração da vacinação”, afirma a Fiocruz.


Vacinas

No quesito vacinação, o Brasil avança com lentidão. O governo Bolsonaro, após pressão da sociedade e do ressurgimento da figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontando para a necessidade de respeitar a ciência, mudou ligeiramente de postura. O governo, repentinamente, passou a defender a vacinação. Contratos foram assinados às pressas, enquanto o bolsonarismo tenta se desvincular do histórico de ataques e divulgação de de informações não-comprovadas ou mesmo falsas sobre vacinas.

Fonte: Brasil de Fato


Rede TVT

Poderemos chegar a meio milhão de mortos pela covid-19 - Central do Brasil

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domingo, 24 de janeiro de 2021

Brasil confirma 62 mil novos casos e 1,2 mil mortes pela Covid-19 em 24 horas


 Enterros de pessoas que faleceram por causa da Covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus (AM) Foto: Sandro Pereira/Estadão Conteúdo

O Brasil confirmou neste sábado (23) 62.334 novos casos e mais 1,2 mil mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde. 

Ao todo, desde o início da pandemia, o Brasil contabilizou 216.445 mortes pelo novo coronavírus. Já o número de casos confirmados atingiu o total de 8.816.254. 


Leia mais


Ainda na tarde deste sábado a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou em um ato simbólico a vacinação com o imunizante de Oxford no Brasil. O infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz (INI/Fiocruz), Estevão Portela, foi o primeiro a receber a vacina.

Pelo menos quatro estados receberão as doses da vacina que chegaram da Índia. São eles Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas e Paraná. O restante das doses será enviado para os demais estados e o Distrito Federal na manhã de domingo (24) em voos comerciais. As aeronaves decolam da base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. 




The Intercept Brasil

O ministro Eduardo Pazuello diz que jamais receitou cloroquina e outros medicamentos sabidamente ineficazes contra covid. Mesmo? E como o sistema oficial do Ministério da Saúde receita? Nosso editor executivo @Leandro Demori explica.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

DILMA RECUSA CONVITE DE DORIA PARA SER VACINADA



 Ex-Presidenta diz que é inaceitável furar a fila da vacinação e que aguardará pacientemente a sua vez


Recebi o convite do governador de São Paulo para ser vacinada com a Coronavac no dia 25 de janeiro, em Porto Alegre. Agradeço, mas diante das circunstâncias tenho o dever de recusar a oferta, por razões éticas e de justiça. O Plano Nacional de Vacinação deve ser respeitado e, se é certo que a vacinação já começou, não há montante de vacinas disponível para que eu, agora, seja beneficiada. É inaceitável “furar a fila”, que deve ser estritamente respeitada por todos os brasileiros. Neste momento, considero imprescíndivel que sejam atendidos, de acordo com o Plano, primeiramente os trabalhadores da área da saúde que estão na linha de frente da luta contra a Covid19, além dos idosos que vivem em asilos e o grupo de idosos brasileiros mais expostos ao risco de adoecer gravemente ou morrer. Aguardarei pacientemente a minha vez e quero adiantar que já estou com o braço estendido para receber a Coronavac.

Faço questão de prestar tributo à contribuição do SUS, do Butantan e da Fiocruz, que são tão importantes e estratégicos para a saúde pública no Brasil e para o desenvolvimento das vacinas. Denuncio todos aqueles que, ao longo dos últimos anos, tentaram destruí-los, seja por restrição de recursos orçamentários, seja por visão preconceituosa, como ficou claro na saída dos médicos cubanos, seja por defender propostas privatistas.

Enalteço o trabalho dedicado dos epidemiologistas, biólogos, infectologistas, pesquisadores e servidores do sistema SUS, em especial da Fiocruz e do Butantan, cuja qualidade é reconhecida internacionalmente. Estendo estas homenagens e agradecimentos a todos os que se dedicam a combater esta pandemia que, por desleixo e desuminadade do governo federal, já roubou a vida de mais de 210 mil pessoas e está matando brasileiros até mesmo por falta de oxigênio. Por fim, reconheço e saúdo a solidariedade e a atitude humanitária do governo chinês, que proporcionou a parceria entre o Estado São Paulo/Butantan e o laboratório Sinovac para a importação e a fabricação das vacinas em nosso país. É uma vitória da cooperação entre os povos e da ciência e uma derrota do negacionismo.

DILMA ROUSSEFF


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sábado, 28 de novembro de 2020

Sem sair da primeira onda de covid-19, Brasil já enfrenta a segunda


O pesadelo volta a assumir os contornos já vividos na maior parte do ano e o país volta a ver a pandemia fora de controle e o aumento exponencial de casos e mortes
 

Em congresso científico, especialistas alertam que o país pode voltar a ocupar a liderança de mortes por covid-19 no mundo, posto que ocupou por 14 semanas

São Paulo – O atual estágio e as projeções para o cenário da pandemia de covid-19 no Brasil, frente à insistência do governo de Jair Bolsonaro em tratar a crise sanitária como “gripezinha”, além dos caminhos e desafios impostos ao SUS. Estes foram os temas principais de um debate virtual que compôs o Primeiro Congresso Científico da Faculdade Integrada Cete (FIC), realizado na noite desta quinta-feira (26). Para o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Amazonas (Fiocruz) Jesem Orellana, o doutor em Saúde Pública Francisco de Assis Santos e a doutora em biomedicina Ana Catarina Rezende, as grandes cidades do país já enfrentam “a retomada do crescimento do novo coronavírus”, a anunciada segunda onda, sem terem saído completamente da primeira, iniciada em março passado.

Nas últimas 24 horas, foram 514 mortes e 34.130 novos infectados, totalizando 6.238.350 desde o início da pandemia, com praticamente 172 mil mortos por covid-19 (171.974 óbitos), segundo informa hoje (27) o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). A média móvel de contágio em sete dias, calculada pelo órgão, na casa dos 34 mil, é a maior desde o início de setembro.

Durante o debate “Quais as Possibilidades e Caminhos do SUS com a Covid-19”, foi lembrado que o Brasil é o segundo país com mais mortes pela covid-19 no mundo, mais uma entre todas as informações sobre a doença desdenhadas pelo presidente Jair Bolsonaro desde o primeiro dia de pandemia. Ontem mesmo, Bolsonaro disse que nunca chamou a covid-19 de “gripezinha”. Mentiu. Disse abertamente, e muito mais, inclusive em discurso em rede nacional no dia 24 de março.

Descaso

Os especialistas citaram também que o Brasil é o país que permaneceu por mais tempo no topo da curva epidemiológica, mais de 14 semanas consecutivas, até que os números entrassem em um platô de estabilidade e ligeira regressão, ainda que em níveis elevados, no número diário de vítimas, especialmente a partir de outubro. E, a partir daí, viu-se a flexibilização acelerada das medidas de distanciamento e isolamento social.

O resultado do descaso e da falta de coordenação do governo Bolsonaro no enfrentamento da covid-19 aponta para o desastre. Outros países que adotaram medidas indicadas pela ciência, como isolamento social, testagem em massa e rastreio de contágios, conseguiram superar uma primeira onda de impacto da pandemia. Agora, mais preparados, enfrentam uma segunda onda. Já o Brasil não adotou políticas que cumprissem devidamente as medidas recomendadas e sequer conseguiu sair da primeira onda.

Jesem, que adiantou com grande antecedência a “segunda onda” da covid-19 no Brasil, abriu a conversa. “Estamos vivendo uma segunda onda de contágios em muitas regiões da Europa e algumas no Brasil. Mas veja, a grande maioria das cidades e regiões mais densas do Brasil não conseguiram sair da primeira onda. Mas agora enfrentam a continuidade, o recrudescimento, a retomada do crescimento do novo coronavírus”, explicou.

O mundo tem mais de 60 milhões de contaminados, a partir de números oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pouco menos de 1,5 milhão de mortos. Jesem estima que o número chegue a 2 milhões em até oito meses. Novembro foi um mês que contou com os dias com mais mortes no mundo (mais de 12 mil), o que mostra como o vírus ainda tem força. No Brasil não é diferente. “A pandemia está espalhada por mais de 220 países em que se tem registro. O Brasil agora segue a escalada”.

Tragédia

Grande preocupação entre os especialistas no debate, o Brasil é um dos que menos testa a população para a covid-19. Mais que isso, por falta de organização do Ministério da Saúde, o país está prestes a jogar no lixo milhões de reais e de kits para a realização de testes, que estão perto do fim do prazo de validade, mas não foram aplicados pelo governo.

A ausência de testes reflete na alta em número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), muitas delas possivelmente causadas pelo novo coronavírus, mas à espera de testagem para comprovar o diagnóstico. Assim, o número real de mortes por covid-19 seguramente é maior que o oficialmente divulgado. “Temos um aumento sustentável há pelo menos seis semanas no número de casos de Srag. São 21 estados com tendência de aumento no curto e longo prazo; doze capitais com sinal de crescimento no longo prazo. É especialmente preocupante em um momento de relaxamento generalizado da população, da descrença de setores políticos e empresariais, com a covid-19”, lamenta o cientista.

Cenários para a covid no Brasil

O isolamento social foi amplamente descartado na maior parte do país, embora algumas cidades comecem a retomar parte das medidas. O contexto das eleições, de acordo com Jesem, também impacta negativamente na disseminação do vírus. Outros fatores ainda devem ampliar a tragédia. “Isso pode ainda ser agravado pelas festas de fim de ano, compras de natal etc”.

Para Francisco Santos, que atua como especialista do Sistema Único de Saúde na cidade de Caruaru (PE), a ação do SUS é o caminho para mitigar os piores efeitos da covid-19 no Brasil. O trabalho vem sendo feito de forma árdua, defende, mas a ausência de coordenação nacional também impacta negativamente nos resultados. “Enfrentamos dificuldades, como por exemplo com as barreiras de isolamento. Quando, em Pernambuco, decidimos impor barreiras, a Anvisa teve uma decisão de que não poderíamos barrar a circulação de pessoas em rodovias federais”, lembrou.

“Fomos impedidos de fazer qualquer grande bloqueio no começo. Depois as pessoas entenderam de outra maneira. Mas não tivemos apoio (…) Agora temos uma chance de termos uma maior força da primeira onda. Não vou dizer segunda porque não terminamos a primeira. No Brasil temos a onda mais sustentada do mundo. Então, precisamos de diálogo e informação. Acho que neste ano teremos uma vacina para dar um alento. Não imediata, mas estou esperançoso”, completou.

Ana Catarina demonstrou aspectos técnicos de métodos e protocolos para tratamentos eficazes dos pacientes com covid-19, que devem ser trabalhados posteriormente oelo SUS. “Queremos entregar prognósticos para a sociedade através de caminhos interdisciplinares. Nossa questão principal é o que leva à evolução do (quadro clínico do) paciente da covid-19. Existe um leque de técnicas que pode dar um prognóstico para salvá-lo.”

Assista ao debate completo:


Fonte: RBA


sexta-feira, 3 de julho de 2020

Teste de vacina de covid-19 funciona e Pfizer pode produzir 1 bi de doses



  • O estudo foi randômico e testado em 45 voluntários; a Pfizer irá conduzir novos estudos em breve para checar eficácia da vacina


POR: EXAME

Julho já começou com uma boa notícia e a vacina experimental contra o novo coronavírus produzida pela gigante farmacêutica Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia Bio NTech demonstrou bons resultados em testes com humanos. A vacina estimulou a resposta imune dos pacientes saudáveis, mas também causou efeitos colaterais, como febre, em doses mais altas.

O estudo foi randômico e testado em 45 voluntários que receberam três doses da vacina ou placebo; destes, 12 receberam uma dose de 10 microgramas, outros 12 tomaram 30 microgramas, mais 12 receberam uma dose de 100 microgramas e nove foram tratados com a versão em placebo da vacina.

A dose mais alta, de 100 microgramas, causou febre em metade dos participantes do teste — por conta dos efeitos colaterais, o grupo não recebeu uma segunda dose.



A Fiocruz deve produzir no Brasil a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, contra a Covid-19. O acordo prevê acesso tanto a doses do medicamento quanto à transferência de tecnologia para que seja produzido em território nacional.


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